Capítulo 15: Pedra, gelo e fogo

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Antes na floresta do que naquele lugar. O dia era frio, mas a noite era ainda mais. As estrelas deslizavam pelo céu, e a ventania que caia sobre a mata expulsava qualquer tipo de neblina.

O reinado era extraordinário, e a luz das vielas e praças era incessante, iluminava cada pedaço de terra, e fazia questão de focar em cada soldado que caminhava pelas ruas largas daquela cidade.

Um rio corria naquela região, mas havia sido congelado há um bom tempo, o mesmo cenário se repetia em qualquer lugar em que se olhasse: Árvores, animais, pedras... E até mesmo pessoas!

Tudo petrificado pelo gelo. Acelo respirou o ar desagradável do lugar, recolocou o elmo sobre a cabeça e então aumentou seu cosmo, tentando se aquecer, mas parecia que nada adiantava.

– Tenho a impressão que alguém nós observa – disse Caos. O forte vento balançava seu cabelo negro. Tinha olhos castanhos, e um corpo definido.

– Talvez – Acelo respondeu. Apesar da confiança que ele transmitia, tinha medo do que poderia encontrar nessa missão.

Estavam quase na saída da mata, em um terreno rodeado por gelo. Havia grandes rochas cobertas por gelo, e um temporal ameaçava cair.

Viraram em uma trilha aberta na mata, e então pararam abruptamente. O que viram fez seus corpos tremerem. Havia um corpo jogado no chão, estava completamente congelado. Contudo ainda era possível ver o que trajava sobre seu corpo: Uma armadura!

– Como... Como ele veio parar aqui!? – Acelo exclamou.

– Há um tempo, quando ainda era aspirante a cavaleiro, ouvi falar de um cavaleiro de bronze que partiu em missão para um mundo paralelo... Creio que este homem deve ser o tal cavaleiro – Caos parecia impávido diante a situação. Dirigiu-se até a estátua e a olhou precisamente, estreitando os olhos.

– Mas... Quem matou ele? – Indagou Acelo. Seu rosto ainda expressava certo espanto, mas sua raiva era nítida naquele momento.

– A constelação dele é cisne... Até hoje ainda procuram essa armadura, ela esta enclausurada nessa camada de gelo, por isso ainda não voltou para Bluegrad.

– Então vamos destruir esse...

– Não. Só será possível derreter o gelo quando derrotarmos quem matou esse cavaleiro. E ele já está a nossa espera – Perseu apontou para a mata, seu dedo tremia, assim como seu corpo. A escuridão aumentava ao redor deles, mas ainda assim era possível ver uma pessoa sobre um rochedo arruinado. O sujeito desconhecido sorria.

Ele já estava ali há muito tempo, mas Acelo nem havia o reparado.

– Jamais havia imaginado que cavaleiros iriam adentrar no reinado... – Sua voz era ríspida, ecoava por toda a floresta e fazia os corvos partirem em uma revoada única.

O cavaleiro de Gêmeos ergueu o punho em frente ao rosto, não seria agora que ele iria conversar com um Held.

– Tenho o dever de proteger Gerda, portanto terei que tirar a vida de vocês... – Não tinha mais de dezesseis anos, sua aparência denunciava isso. Possuía cabelos curtos e castanhos, e seus olhos azuis eram ocultos pelas franjas que caiam sobre sua testa. Seu olhar era firme e confiante – Assim como eu fiz com esse cavaleiro... – Disse o sujeito. Ele pulou do rochedo e parou diante dos dois. Agora era possível ver sua couraça, tinha um tom argento, e o elmo tinha a forma de uma serpente – Sou Vincent de Jormungand, um dos Quatro Guerreiros da Guarda Real.

O Held movimentou os braços, seu cosmo se intensificava e a áurea rubra que ele emanava se agrupou ao redor de seu punho. Um soco foi desferido contra o ar, toda sua força e cosmo concentrado no mesmo golpe.

FLAMING EXPLOSION!!! – Exclamou Vincent!

Ele explodiu seu cosmo, gerando uma torrente de energia que se transforma em um imenso sifão flamejante.

O tornado dança pelo solo, criando faíscas rubras que atingem o céu, a mata é completamente consumida pelo fogo, alimentando a torrente flamejante.

Acelo e Caos queimam seus cosmos em uníssono. A energia criada pelos dois é o suficiente para empurrar o furacão para o alto... A grande bola de fogo ascende ao céu, envolta em faíscas douradas e argentas.

– N-Não é possível... – Sussurra o Held. Sua técnica desaparece nas nuvens, fazendo o céu se tornar rubro.

Uma explosão. O negrume da noite se torna rubro como o sangue, desmanchando as nuvens remanescentes. Dezenas de rochas envoltas em fogo caem sobre a superfície daquele planeta, criando crateras profundas. Uma parede de cinzas se formava, se alastrando pelo terreno, impossibilitando qualquer visão daquele espaço.

Caos se ergueu do solo... A explosão que havia ocorrido o arremessara a metrôs de distância, a fumaça penetrava por sua narina fazendo com que tossisse copiosamente. Estreitou seus olhos, tentando enxergar algo além daquela nuvem de poeira.

– Acelo... – Ele sussurrou. O Held vinha em sua direção, um ruído metálico acompanhava seus passos. Carregava seu elmo com firmeza, e um sorriso sádico estava estampado em seu rosto.

O rosto de Vincent foi clareado por alguns segundos, um olhar decidido emoldurava sua face. Ele rastejou o punho esquerdo para trás, uma aura rubra cobria o membro, deixando um rastro de fogo pairando sobre o ar.

Perseu se lançou ao ar, em uma velocidade impressionante. Punho contra punho. A colisão do metal das armaduras é ensurdecedor. Uma rajada de energia é disparada a partir dos punhos estendidos de Caos, todo seu cosmo lançado contra o Held que se defende com a mão direita. Ele é arrastado pelo solo...

– Você é rápido... Até mais do que eu imaginava – Ele fechou o punho. A rajada de cosmo desapareceu entre seus dedos, deixando uma pequena nuvem de poeira pairando sobre seu corpo.

– Acho que você esqueceu de algo... – Uma voz, e um estrondo sequencial. A torrente de energia veio na direção do Held, direcionado a seu estomago. Vincent estendeu o braço, se protegendo do golpe de Acelo.

Mas havia deixado á guarda baixa, um chute acertou-lhe a costa, lançando-o violentamente contra uma cratera. Ele caiu estirado em meio aos destroços, mas um brilho envolvia seu corpo, suas forças haviam voltado...

Vincent ergueu-se, seu cosmo brilhava como um grande farol azul, iluminando a região. Seu cosmo explodiu, dois feixes de energia partiram de seus punhos, lançados contra os dois cavaleiros. Faíscas se agrupavam ao redor dos fachos de energia, aumentando a intensidade do golpe.

Petrification! – A técnica que transforma tudo em pedra, até mesmo oceanos. Tamanho é o espanto do Held que ele só tem tempo de saltar para um rochedo, escapando da morte. O solo é totalmente petrificado, assim como qualquer coisa que esteja no raio de ação do golpe desferido por Caos.

O poder atinge a torrente de energia, formando um paredão de pedra que se esfarela logo em seguida.

– Mas... Mas o que é isso!? — Grita o Held, enfurecido – Quem fez isso?

– Fui eu Held. E não precisa gritar igual a um louco, não a nenhum surdo aqui – A voz ganha a forma de um homem, ou melhor: Ganha a forma daquele maldito cavaleiro de prata!

– Como... Como foi capaz de fazer isso – Seu grito vem acompanhado de ódio e rancor. Seu cosmo arde como chamas, chegando a destruir o chão aos seus pés.

– Não tem com o que se impressionar. Caos é um dos guerreiros mais poderosos do exercito de Atena, mesmo pertencendo á segunda classe hierárquica – Diz Acelo, surgindo atrás de Perseu.

– Assim como você parece ter o poder de transformar tudo em gelo, eu posso transformar tudo em pedra... E se quiser posse até criar laminas com as rochas. Tais coisas são tão poderosas que podem destruir armaduras, até mesmo a sua – Provoca Caos.

– É mesmo!? Então me mostre o quão fortes essas laminas de pedra são! – Ele desafia. O solo é encoberto pelo gelo, baixando a temperatura drasticamente. Cristais caem sobre a superfície, o frio criado pelo Held é infernal, e petrifica tudo em seu raio de ação. O que antes era o inferno na terra, agora se tornava uma paisagem glacial.

– Assim como você pode tudo em pedra, eu posso transformar tudo em gelo... Vamos ver se suas laminas de pedra são capazes de transpassar minha muralha de gelo, cavaleiro de prata!

Todo o gelo se concentra sobre o solo gélido, a temperatura baixa drasticamente, formando uma muralha álgida entre os guerreiros. Não há mais como atacar o Held, a única forma é destruindo aquela parede...

O cosmo argento de Caos queima incessantemente, reverberando no chão encoberto pelo gelo. O solo aos seus pés afunda e a imagem da constelação de Perseu surge atrás de si. Ele se vira para Acelo, esboçando um sorriso.

O cavaleiro de gêmeos sabe o que aquilo que dizer, e não adianta retrucar. Ele acredita em Caos, acredita que ele conseguira vencer o Held.

– Sei que vamos nos encontrar de novo... – Acelo desaparece como um pilar que ascende ao céu. Deixando para trás um rastro de cosmo que paira sobre o ar, até desaparecer completamente.

– Vai demorar!? – Indaga Vincent. Apesar da parede que separava os dois, era possível ouvir a voz do Held em alto e bom som.

Um aumento súbito de cosmo foi á resposta. Faíscas elétricas se concentraram nos punhos de Perseu, e geraram uma lamina de cosmo.

– Vá! – Bradou Perseu! A lâmina foi lançada contra a muralha de gelo em uma velocidade que muito excede a do som. Tal força gera rastros flamejantes no ar, iluminando a noite como um farol de luz vermelha.

O encontro entre a parede e o objeto é titânico, faíscas intensas são criadas, queimando o gelo. A pressão exercida pela lamina abre uma fenda na muralha, que explode em centenas de cristais álgidos, formando uma chuva glacial.

O Held desliza o punho esquerdo para á frente, golpeando o ar. Uma massa de gelo na forma de uma serpente é desferida de seus punhos. O objeto é envolvido pelo gelo, sendo petrificado no ar. A lamina flutua no ar, até se desfazer em dezenas de pedaços...

– Tivemos um empate – Um sorriso sádico estampava seu rosto marcado por olheiras – Mas agora... Que tal lutarmos de verdade!?

Ele se lançou sobre Caos, como um torpedo abrasador. Um soco direto foi desferido contra o rosto de seu adversário. O cavaleiro se protegeu com a mão direita e então golpeou a figura borrada do Held, o golpe encontrou o nada. Vincent havia desaparecido de seu campo de visão...

– Mas onde ele... – Um chute acertou-lhe a costa. Caos foi arremessado pela potência do golpe, caindo com a face no chão.

– Eu não sei se reparou cavaleiro, mas eu controlo dois elementos: O gelo e o... Fogo: Solar Flare! – Uma explosão impressionante de cosmo na forma de uma língua de fogo. Caos é arremessado para longe, açoitado pela intensa ventania que se forma na planície. O gelo é engolido em questão de segundos, vitimado pela labareda que surge no campo de batalha.

Perseu olha para todos os lados... Não á como fugir, um circulo de fogo envolve todo o terreno.

Perseu é lançado contra o chão, á pressão exercida pela ventania que o ataca trinca a armadura de prata, suas mãos afundam no solo, e calor faz com que vomite sangue. Ele fecha os olhos, perdendo a consciência aos poucos, entretanto algo o faz acordar novamente... Algo não, um homem.

– Nada disso... Você não vai adormecer no melhor momento. Vamos brincar um pouco mais, ai sim você poderá virá cinzas... – Range Vincent. Seu cosmo explode na planície, gerando um estrondo que ressoa por toda a região. Caos não tem tempo de ser erguer, os dedos do Held cravam-se em seu rosto, tamanha é a violência e força de Vincent que o elmo da armadura argenta de Perseu se parte em dezenas de pedaços.

Caos tenta gritar, entretanto ele é interrompido. Um soco potente acerta sua boca, rasgando seus lábios. O cavaleiro cai estirado no chão, inerte.

Na sequencia um, dois, três socos contra o rosto do santo de prata. O quarto soco para na sua trajetória... O Held treme... Não, não só o Held, mas o solo todo. Vincent é projetado contra o ar, ultrapassando as nuvens. Arrastado pela torrente de cosmo desferida por Perseu.

O gigante de gelo olhava o horizonte com tremura... As luzes pareciam focar em sua humilhação.

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Um pouco longe dali

– Essa torrente de energia que ascende aos céus... Eu espero que esteja bem Caos. Você não pode morrer agora – Disse Acelo. O céu noturno era clareado pelo pilar de cosmo que subia ao céu, permeado por faíscas rubras.

O cavaleiro de gêmeos desaparece no negrume da floresta...