Notas iniciais
Desculpem a demora em postar.

Capítulo 14: Companheiros

Imediações do Santuário

As águas caiam violentamente sobre aquele rochedo. Havia sangue espalhado por toda parte, mas nem mesmo os abutres mais famintos tinha coragem de chegar perto daqueles corpos.

– O Santuário está completamente cercado, até nos arredores há Helds. Esses não deram trabalho, mas os próximos com certeza – disse Malrok, sentindo o vento canalizado pelos paredões de rocha fustigar seu corpo. Seu corpo estava cheio de feridas, mas nenhuma doía mais do que a que corroia sua alma.

– Esse moleque não acorda logo... – ele apertou seu punho e então contemplou a paisagem a sua frente, já havia esquecido o quanto as florestas do Santuário eram belas...

Estavam em um campo aberto na mata, e um pouco mais a frete, um imenso paredão de rochas se erguia na floresta, projetando sua sombra contra aquele relvado. Nevava muito, mas as águas agitadas do lago ainda não haviam congelado.

O cavaleiro de prata se dirigiu até Gregor, o olhando fixamente, havia chegado ali há pouco tempo, mas ele já devia ter acordado...

– Finalmente – suspirou Malrok.

E então ele acordou, a neve caia e martelava seu corpo, estava sem forças, olhava a paisagem a sua frente com dificuldade... Suas mãos ainda ardiam.

Sua visão ainda estava turva... Mas ele viu Malrok, o homem que matou seu amigo estava a sua frente.

– Não pode ser... – Ele sussurrou fechando os olhos novamente... E então ele se lembrou... Gregor desmaiou mais uma vez.

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Reinado de Gerda – Próximo ao portal

O reino de Gerda era plácido e majestoso. Não havia caos ali, apenas paz, pelo menos por enquanto.

– Eu imaginei que esse lugar era...

– Miserável? – Ironizou o cavaleiro de gêmeos – Aqui não são as terras de Hades, apesar da nomenclatura que essa Deusa possui, dizem que ela quer erradicar tudo que há de mal na humanidade, criando assim uma utopia. No fim é uma ideia boa... Pena que não é ela que move as peças dessa guerra.

Eles estavam sobre um rochedo liso e reto, havia uma imensidão de arvores por ali, e um pequeno rio de águas claras banhava o lugar. Era possível ver quase todo o reinado, as grandes torres do palácio principal se erguiam pela paisagem, chegando a alcançar as nuvens, o ouro cintilava na luz do sol, e por isso era impossível não proteger os olhos daquele brilho.

Grandes casas se estendiam ao redor do castelo de Gerda, todas uma do lado da outra, as ruas era largas o suficiente para perceber qualquer intruso andando por ali, e eram ladeadas por pedras acinzentadas.

– Vamos precisar ter cuidado, há vários guardas por ali, não podemos ser descobertos – exclamou Caos, ele sabia que a guarda pessoal de Gerda eram constituída por guerreiros extremamente poderosos.

Acelo analisou a região precisamente, tinha que haver algum ponto em que não houvesse tantos soldados. A jornada deles começaria em breve...

– Essa mata parece muito extensa... Com certeza deve haver algum guarda por aqui, não deixariam o portal sozinho... – ele olhava para o alto, ouvindo o farfalhar das folhas das arvores.

– Sim. Com certeza encontraremos alguém por aqui, mas por enquanto o melhor a fazer é descansarmos... Há noite, se é que tem noite aqui, continuaremos a nossa missão... – Acelo respondeu transmitindo confiança.

Ao longe no horizonte, já era possível ver algumas pessoas caminhando calmamente por uma praça.

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Santuário – Um lugar qualquer em meio aos rochedos...

Aquele campo era coberto por grama, havia uma imensa pedra um pouco mais a frente, era lisa e reta, contrastava com a paisagem da região. O frio não cedia, nem mesmo a pequena fogueira que ele havia criado resistiu.

Encarou a paisagem, e então colocou um manto esfarrapado sobre seu corpo ferido, sua armadura ainda resistia. Mas as ombreiras e a proteção dos braços já haviam sido destruídas.

Fechou o punho e golpeou o solo com todas suas forças, uma pequena cratera se formou no lugar. Como eles puderam mentir? Como eles puderam esconder a verdade? Até mesmo aquele que ele mais respeitava o enganou.

– Obrigado Schneider. Você me contou a verdade, agora o que resta é agir – Máslov murmurou, sentindo seu corpo tremer por causa do frio.

– Pensei que havia morrido. Mas o futuro Lorde Held está vivo, mesmo que esteja ferido – Uma voz ecoou pelo terreno, era alta e respeitável. Parecia vir dos escombros de um templo antigo, mas a forte neblina dificultava sua visão. Porém ele nem precisava ver o rosto do emissário da voz, Skoll o conhecia muito bem.

– Kaab – sussurrou já se erguendo. Havia muita poeira em suas roupas. Mesmo que sua voz estivesse baixa, era possível sentir o ódio que vinha impregnado nelas.

– Vou te ajudar Máslov, assim poderemos voltar a lutar... Lutar por Ger...

Ele não teve tempo de completar a frase. Um ataque a sua direita! Ergueu o braço esquerdo em frente ao ouvido, tempo o suficiente para se proteger, o impacto o arrastou pelo gramado, se detendo apenas ao cravar suas mãos na terra.

– O que está fazendo? Virou um rebelde? – Tinha longos cabelos negros, presos por uma fita de couro.

Sobre seu corpo uma couraça prateada com detalhes azuis, a Majestic de Munin, um dos corvos de Odin.

Focava seus olhos castanhos sobre Maslov, o companheiro se aproximava, com o punho esquerdo banhado em cosmo.

– Rebelde? Por acaso o rebelde aqui não é você? Como esconderam isso de mim? Como esconderam isso dos outros!? – Ele disse isso e então se lançou contra Kaab, o punho de Máslov deixou um rastro de fogo no ar, o ataque súbito faz com que a neve se erga, e forma pequenos sifões sobre o solo.

– Mas o que!? – Munin desvia para o lado, protegendo o rosto. Ele para alguns metros mais a frente, longe o suficiente para não receber outro golpe do companheiro. — Eu... Estou surpreendido. Era pra ninguém saber isso, apenas os Reis, os guardiões pessoais e alguns Lordes Helds sabiam da verdade.

– Você e aqueles outros enganaram o exercito! – Máslov bradou a plenos pulmões – Eu irei revelar toda a verdade!

– Você não pode fazer isso, vai atrapalhar os nossos planos. Se junte a nós Máslov, seja forte, não seja um fraco...

– Eu jamais farei isso. Aquela entidade só que trazer destruição, e para isso ele vai ter que tirar a vida de Gerda, e eu não vou permitir isso!

– É uma pena. – Disse Kaab, aumentando seu cosmo. A neve que caia sobre si era desintegrada antes mesmo de lhe tocar.

– Quem vai morrer aqui é você! – Grita Máslov. O held de Skoll avança sobre o terreno, duas esferas de cosmo se formam em suas mãos, aumentando a temperatura do ambiente. A neve sai de seu caminho como quem foge de seu algoz.

Seu corpo se inclina para trás, e então ele lança as esferas. A forte luz dourada ilumina o campo de batalha, expulsando a neblina do local.

Kaab pende para á frente, com o punho esquerdo erguido. Ele se lançou ao alto, desferindo um soco potente contra o ar, a massa de energia que sai de seus punhos engole as esferas de cosmo, uma pequena explosão se segue. Máslov voou empurrado pela ventania criada pelo encontro das duas técnicas, parando apenas ao se chocar violentamente contra aquele rochedo.

– Há uma diferença enorme entre nossos poderes Máslov, lhe dou a ultima chance para se aliar a nós, se não aceitar não terei mais misericórdia – Ele já sabia a resposta, mas mesmo assim rezava para não ter que matar o amigo.

A resposta foi não! Uma impressionante massa de energia foi disparada de seu punho, o golpe deixou um rastro de cosmo em sua trajetória. Mas sequer tocou no companheiro.

O cosmo de Kaab explodiu de uma forma violenta. A camada azulada de cosmo se concentrou ao redor de seu punho esquerdo, e então um soco foi desferido. O gole foi fatal e certeiro, formou uma grande massa de energia e partiu na direção de Máslov, o golpe acertou o corpo do Held, e o arremessou ao alto, ultrapassando as nuvens como um pilar ascendente.

– Você pediu isso – Exclamou Kaab, arqueando as sobrancelhas, tentava permanecer frio diante a situação.

Máslov desaba dos céus sem forças com o corpo torcido e esmigalhado... Ele havia perdido, e não restava mais nada para fazer.

– Eu não queria fazer isso Máslov... – sussurrou Munin, segurando as lagrimas.

A neve voltava a cair naquela região, ocultando o corpo sem vida de Máslov. O sangue ainda podia ser visto na imensidão branca.