Saint Maria
18 Capítulo 18
Como sempre, coloquei a cabeça no travesseiro e comecei a pensar nas coisas que aconteceram. Primeiramente a mudança repentina, depois a visita de Bill. Uma das coisas eu gostei, mas por causa da outra eu estava triste. Não queria me mudar novamente. Tinha feito amigos, meus pais estavam felizes, meus irmãos estavam se ocupando positivamente. Que difícil seria recomeçar tudo outra vez. Pensei nisso por alguns minutos, mas algo muito melhor ocupou meus pensamentos. Senti junto de Bill uma paz enorme, alegria também.
Neste mesmo momento em que Bill veio em minha mente, ouvi uma musica distante, mas que nitidamente se entendia a letra. Fiquei escutando até adormecer. Ela me confortava e também me deixava com o coração na mão. Todas as coisas impossíveis eu via em meus sonhos e foi em um deles que vi novamente meu amigo motoqueiro. Vi suas mãos, com as unhas pintadas de preto, seu casaco comprido de couro, seu cabelo espetado para todos os lados, seus olhos com envoltos pretos, mas o melhor de tudo: seu lindo sorriso que me alegrava. Minha vida havia mudado com aparecimentos importantes de pessoas diferentes. E por alguma razão eu me sentia realizada por isso, mas também meu coração não tinha desapertado desde o acidente com Bill.
No sonho, estava em cima de uma rocha admirando cada pedaço de paisagem que se pairava diante de meus olhos. O vento soprava em meu rosto e os pássaros passavam por mim cantando. O verde das árvores dava a liberdade do lugar que eu observava. Era simples, mas era lindo. A noite toda sonhei que estava neste lugar encantado.
No outro dia cedinho, acordei com o barulho do despertador, e levantei com muita disposição. Quando me dei por conta, estava segurando um urso de pelúcia em meus braços. Coisa estranha, pois nunca dormi com bonecas e muito menos com ursos. Corri na sala antes de ir para o banho e perguntei para meus pais se algum deles havia colocado aquele urso em minha cama, mas negaram e ainda me mandaram correr para o banheiro. Já debaixo do chuveiro, fiquei pensando naquele urso. Meus irmãos não entravam em meu quarto e muito menos mexiam em qualquer coisa que seja. Aceitei a hipótese de eu ter levantado, dormindo, e ter pegado.
Quando sai do banho, corri para o quarto e notei que a janela estava aberta. Eu também não havia aberto quando acordei, aliás, nunca abria, pois minha mãe sempre dizia que quando a gente saía do quentinho, não podia pegar frio. Fui até a janela bem devagar, pois poderia ser ladrão. Bem devagar fui olhando para as duas vidraças, coloquei as mãos sobre a janela e olhei para fora, mas não enxerguei nada. Fechei os dois vidros e sentei na cama bem assustada. Mamãe chegou de supetão e virei tremendo. Certamente este momento me marcou, mas nada que um sermão não resolvesse na hora. Minha mãe estava furiosa por que eu ainda não tinha me vestido, senti mais medo dela do que das coisas estranhas que aconteceram em meu quarto. Foi como um tiro que eu me arrumei toda, fiquei pronta em um minuto. Nunca tinha feito algo tão rápido em toda minha vida. Peguei a mochila e voei para a cozinha tomar o café da manhã.
Neste dia, Nico ficou de me levar para a escola, pois ele iria sair na mesma hora e passar pela frente. Saímos e fizemos aquele velho trajeto, que eu já conhecia décor e salteado. Não sei por que fiquei na esperança de ver aqueles garotos na esquina, era como se eles iriam estar ali. Chegando bem mais perto, vi que ninguém estava lá, nem mesmo os amigos de Bill e Tom. Desapontei-me, mas, no entanto eu sabia que Bill ainda estava internado. De repente seus amigos não queriam sair sem ele, até pensei: isso que é amigo.
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