Saint Agnes Academy - Interativa
8 Treinamento, Telhado e Piscina
Notas iniciais
POV Christopher Van Der Pol
Acordei cedo, sem precisar de despertador algum, ouvindo uma algazarra no corredor. Sentei na cama, tonto e confuso, quem diabos acordaria cedo para fazer confusão no corredor? As vozes foram afastando-se, até sumirem. A paz voltou á reinar no ambiente, mas já tinham feito seu serviço, me acordado. Olhei para o relógio, eram seis e quinze da manhã, quinze minutos mais cedo do que eu costumava acordar.
Resolvi levantar, não adiantaria dormir por apenas quinze minutos. Entrei no banheiro do quarto, escovei os dentes e fiz tudo o que uma pessoa faz pela manhã. Vesti minhas roupas, penteei os cabelos, arrumei o quarto, alimentei Bellona e saí do quarto ás seis e trinta e cinco. Desci as escadas, poucos alunos já tinham acordado, e eram Karen e Bruna, ambas suadas. Bruna parecia cansada, mas Karen parecia estar pronta á emprestar sua energia á um sistema de rede elétrica.
– oi, Christopher – disse Karen, sorrindo e acenando.
– meninas – cumprimentei – acordadas á essa hora?
– mais cedo do que isso – disse Bruna, desgostosa.
Karen assentiu, acenaram e passaram por mim, subindo as escadas e indo para seus quartos, provavelmente, para trocar de roupas. Não tinha ninguém lá embaixo, todos ainda dormiam, então, eu decidi esperar por eles de uma forma confortável, em outras palavras, esperar sentado. Abri as portas da sala de jantar, ainda não tinha nada na mesa, as cadeiras estavam em suas posições originais e as janelas já estavam abertas. Puxei uma das cadeiras, sentei e olhei em volta. Essa fora a primeira escola em que fui aceito, o primeiro lugar onde eu me senti realmente aceito, e estava bem contente por isso.
Acabei pensando nas outras escolas que frequentei, nenhuma dela, tão boa quanto esta.
Flashback on:
Olhei para minhas mãos, tentando preparar-me para o que viria á seguir. Meu pai andava de um lado para o outro na sala, minha mãe estava sentada ao meu lado, afagando meu ombro de forma afetuosa.Nem tentei falar nada, deixando o silencio estalar-se completamente pelo ambiente.
A porta foi aberta, e o diretor do colégio entrou na sala. Era um homem magro, alto, e com uma barba que cobria-lhe boa parte do rosto.
– eu não fiz nada! – falei, na defensiva.
O diretor pareceu ficar irritado, puxou a cadeira e sentou-se nela.
– não é o que você fez – falou, em um tom firme – e sim, o que poderá fazer.
Meu pai parou de andar, seu rosto estava bem sério quando encarou o diretor.
– por que, exatamente, está expulsando o meu filho? – perguntou.
– pelo perigo que ele representa – respondeu o diretor, ainda irritado.
– que perigo? – perguntou meu pai, irritado também – ele está aqui á meses, e nunca provocou uma só confusão sequer.
– a questão não é essa, e sim, o fato de ele ser uma ameaça á segurança da escola – respondeu o diretor – os outros pais também estão de acordo, ninguém aqui quer que essa aberração continue frequentando essa escola.
Meu pai parecia á ponto de começar uma briga, e o diretor parecia pronto para dar continuidade aquela discussão. Mas eu já tinha visto esse filme, já sabia o final antes mesmo que ele começasse.
– esquece, pai – falei, respirando fundo – não adianta.
Levantei da cadeira, sem nem mesmo olhar na cara do diretor. Meu pai dirigiu um ultimo olhar raivoso ao diretor, minha mãe ignorou completamente o sujeito de terno sentado á mesa e levantou também. Saímos da sala em silencio, andamos pelo corredor, e pude ouvir os cochichos e risadinhas dos outros alunos. Ignorei tudo, disposto á seguir em frente, outra vez. entrei no nosso carro, fechei a porta, e nem ao menos olhei para a fachada da escola pela ultima vez.
– não se preocupe, Chris – disse a minha mãe, me olhando através do retrovisor do carro – nós vamos achar um lugar para você, eu prometo.
Assenti, ainda que não achasse que aquilo seria possível.
Aquela seria uma promessa difícil de se cumprir.
Flashback off:
Um barulho despertou-me de meus devaneios, causando-me um leve sobressalto.
– mais que merda – disse alguém, sarcástico – meus sinceros parabéns, Johanna. Você acaba de ganhar o premio Nobel do desastre.
– cala a boca, Leo – resmungou alguém.
Ouvi risadas, três tons de vozes diferentes, vindas de uma porta no fundo da sala. Confesso que fiquei curioso, levantei da cadeira, ainda surpreso pelo barulho que ouvira. Caminhei devagar e sem pressa em direção á tal porta, ouvi alguns resmungos e fragmentos de risadas. Abri a porta devagar, ninguém notou minha presença, então, decidi entrar.
Me deparei com uma cena no mínimo inusitada, em certa parte, cômica. O professor Gabe estava agachado no chão, tentando limpar uma grande mancha amarelada no chão.
Espero que aquilo não seja urina.
– só você mesmo, para derrubar meia dúzia de ovos no chão – disse Leonardo, sarcástico.
– eu já te mandei calar a boca, Leonardo Parker – disse Johanna, e parecia bem embaraçada.
Gabe riu, ainda limpando a sujeira da amiga.
– bom dia, Christopher – disse Jasmine, a professora de astronomia – acordado tão cedo?
Tomei um pequeno susto ao perceber que tinha ganhando a atenção dos professores, eu já estava quase de saída, quando a professora notou minha presença.
– venha aqui, Christopher – disse Gabe, ainda limpando o chão com um sorriso enorme – pode entrar, fique á vontade.
– isso mesmo – disse Leonardo, abrindo uma gaveta e tirando uma espátula de dentro – chegue mais perto para poder contemplar a burrada que a sua professora acabou de fazer.
– eu vou repetir pela ultima vez: Leo, cala a boca – disse Johanna, para depois, sorrir para mim – sente aqui, Christopher.
Ela apontou para um banco junto á uma bancada, fiquei um pouco na duvida, mas preferia obedecer á sair sem falar nada e deixar meus professores no vácuo. Sentei no banquinho, Leonardo pôs uma frigideira no fogão, Gabe terminou de limpar o chão e sorriu para Johanna.
– tente não fazer outra vez, tudo bem? – perguntou, brincando.
– claro – respondeu Johanna, entrando na brincadeira.
Leonardo virou a cabeça como a menina do filme O Exorcista, encarando a irmã e o amigo.
– por que, para ele, você dá uma resposta civilizada? – perguntou, franzindo uma sobrancelha.
– porque, do Gabe eu gosto – respondeu Johanna, batendo com um pano no irmão – e ele não é um chato como você.
Tentei não rir, o professor William percebeu.
– pode rir, eles só são violentos entre si – disse, sorrindo.
Agora sim, eu ri.
– está com fome? – perguntou Jasmine, sorrindo para mim.
– estou – respondi, sorrindo de volta.
Ela depositou uma bandeja cheia de biscoitos na minha frente, pareciam recém assados.
– pega aí – disse Johanna, pegando um e colocando-o na boca por inteiro – eu acabei de fazer, espero que goste.
Peguei um biscoito e mordi, os pedaços de chocolate ainda estavam derretendo, ou seja, estava ótimo.
– muito bom – falei.
– obrigada – disse Johanna, sorrindo para mim.
Leonardo pegou um biscoito e analisou-o cuidadosamente antes de encarar a irmã.
– eu acho bom esse biscoito não estar recheado com um rabo de rato, como os da outra vez – disse Leonardo.
Deixei meu biscoito cair na bancada, uma trilha de risadas encheu o ambiente.
– eu estava brincando, garoto – disse Leonardo, rindo.
– não liga para o que o Leo diz, esse idiota adora pregar uma peça nos outros – disse Johanna, rindo, enquanto remexia as panelas.
Dei uma risada nervosa e peguei meu biscoito de volta, William e Gabe ainda riam.
– então, são vocês que cozinham tudo por aqui? – perguntei, ainda constrangido.
– isso mesmo – respondeu Johanna – aprendi na faculdade, e não consegui mais parar.
– todos nós cozinhávamos, em todas as refeições – disse William, limpando as mãos em um guardanapo – quando estávamos na faculdade, a gente aprendeu, e acabou tomando gosto.
– desde então, nunca mais precisamos de cozinheira por aqui – disse Leonardo, recostando-se na bancada e pegando outro biscoito — uma verdadeira pena, algumas eram bem gatas.
Johanna jogou uma colher de pau no irmão, precisei esquivar-me para não ser atingido pelo projétil de madeira voador.
– eu estava brincando – disse Leonardo.
Eu só fazia rir, assim como os professores alheios á discussão. Jasmine mexia uma jarra de suco, mas antes, serviu uma dose em um copo e me deu.
– obrigado – falei, sorrindo.
– educado – aprovou Jasmine.
– diferente de uns e outros aí – disse Johanna, olhando para Leonardo com o canto dos olhos.
Leonardo revirou os olhos, tomei o suco e peguei outro biscoito.
– come logo agora, aproveita que ainda está tudo quente – disse Leonardo, me encarando – vai querer o que?
– só esses biscoitos estão de bom tamanho – respondi, sem jeito.
– nada disso, ninguém aqui vai ficar com fome – disse Johanna.
William pegou uma bandeja de sanduiches e colocou na minha frente, fez um gesto com a mão, mandando-me pegar um. Foi o que eu fiz, peru com maionese, e estava ótimo.
Comi uns três sanduiches, duas torradas e outro copo de suco. Jasmine e Johanna queriam me fazer comer ainda mais, porem, Leonardo e Gabe concordaram que eu já havia comido demais. Eu estava satisfeito, mas, as professoras me fizeram aceitar um pacote cheio de biscoitos para comer outra hora. Os professores terminaram de cozinhar, Leonardo e Johanna discutiram mais algumas vezes enquanto botavam a mesa. Ajudei-os á arrumar tudo, ganhando vários sorrisos amigáveis, era quase como se eles me vissem como seu pupilo.
– Christopher, você pode abrir a porta, por favor? – pediu Johanna, acariciando meus cabelos.
– claro, Johanna – respondi.
– chama logo ela de Jo – disse Gabe, rindo e voltando para a cozinha – ela reclama, mas adora.
– okay – falei, enquanto todos riam.
Abri as portas, como tinham me pedido, e dei de cara com todos os alunos. Todos ficaram confusos e surpresos quando me viram abrir as portas, Alex fez uma careta de espanto quando me viu, e eu acabei rindo.
– entrem – falei, rindo – o café de vocês está pronto.
Todos ficaram ainda mais confusos, mas entraram. Eu ainda ria, assim como os professores, ao ver as caras deles. Sentei ao lado de Rick, sorrindo. Todos começaram á comer, menos eu, que já tinha comido bastante na cozinha.
– não vai comer? – perguntou Daniela, com seu sotaque alemão.
– não, eu já estou satisfeito – respondi.
Rick e Daniela me encararam, confusos outra vez. Os cinco professores que fizeram o café começaram á rir, fiz o mesmo, desfrutando de nossa piada interna.
O primeiro sinal tocou logo depois disso, Jo levantou, sorrindo para nós.
– se apressem para as primeiras aulas, espero vocês nos últimos horários – falou – prometo fazer algo memorável.
Assentimos, ela sorriu para mim e saiu da sala, subindo as escadas e desaparecendo no andar de cima. Seguimos o professor William para a sala, comentando sobre o dia anterior.
As primeiras aulas passaram com rapidez, o sinal do intervalo soou, e todos saímos da sala de aula.
– até a próxima aula – disse Elizabeth, a professora de física.
Ela dobrou um corredor e desapareceu, fomos para a sala de jogos, sem ligar console algum. Gostávamos do ambiente, e era bem confortável ficar ali.
– então, como acham que vai ser a aula da Johanna? – perguntou Stiles, jogado em um pufe.
– vai ser uma coisa nova – afirmou Bruna.
– não se vê isso em todas as escolas – concordou Daniela.
– talvez por que essa seja a primeira escola para mutantes do mundo? – disse Rick, sarcástico.
Daniela atirou uma almofada nele, que riu.
– muito brincalhão – falou.
Ri, abrindo a mochila e tirando os biscoitos que ganhei hoje cedo.
– de onde você tirou esses biscoitos? – perguntou Alex.
– da minha mochila – respondi, com um sorriso.
Ele revirou os olhos, Daniela e Bruna riram.
– onde conseguiu – disse Alex.
– a Jo me deu – respondi, como se não fosse nada de mais.
Todo mundo engasgou-se com os biscoitos, Stiles foi o caso mais grave, Bruna precisou demonstrar que tem força e dar-lhe um soco nas costas.
– como é que é? – perguntou Stiles, respirando fundo.
Dei de ombros, e contei a história do café da manhã.
– quer dizer, que vamos poder chamar a Johanna de Jo, de agora em diante – disse Daniela.
– não, querida – falei – isso é só para os íntimos.
Todos nós começamos á rir, e o sinal tocou, indicando o inicio da aula mais esperada do dia.
– é agora – disse Rick, animado – prontos?
– sim, capitão – disse Bruna, sarcástica.
Rimos muito disso, saímos da sala e rondamos a escola.
– alguém aí sabe onde vai ser essa tal aula? – perguntou Alex.
Um olhou para a cara do outro, nenhuma informação.
– talvez devêssemos perguntar para a Johanna – disse Stiles.
– tem razão – disse Daniela.
Seguimos pelo corredor, varando na sala de estar, onde vários outros alunos estavam perdidos.
– vocês também? – perguntou Lee, dirigindo-se á nós.
– se com isso, você quer dizer que estamos perdidos, acertou em cheio – respondi.
Jo apareceu, olhando para nós.
– vocês estão aí? – falou – venham comigo, já levei os outros para a sala.
Seguimos ela pelo corredor, Jo guiou-nos até aquele elevador, que dava acesso ao andar inferior.
– vamos para a mesma sala que usamos para treinar com Leo? – perguntei
Sky, Lee, Michael, Cindy e Talita estranharam, os outros riram baixinho, vendo graça no apelido que usei. Jo sorriu, aprovando.
– isso mesmo, Chris – respondeu – é lá mesmo.
Embarcamos no elevador, a musica da vez era Smells Like A Teen Spirit, do Nirvana.
– agora sim, é o disco certo – disse Jo, sorrindo.
Ri um pouco, o elevador nos levou ao lugar certo, desembarcamos e seguimos Jo até a sala certa. A professora abriu as portas, os outros alunos já estavam acomodados, pude ver pelas risadas, que estavam divertindo-se bastante.
– sentem lá – disse Jo, indicando onde os outros alunos estavam sentados.
Fomos e sentamos, como ela tinha dito. Johanna foi até a frente da sala, as conversas forma morrendo aos poucos, até sumirem. A professora pegou uma prancheta e olhou para nós.
– bom, nessa aula, eu vou ensina-los e ajuda-los á controlar seus poderes especiais, em outras palavras, sua mutação – falou – vamos começar assim: eu chamo vocês e cada um diz a idade e o que pode fazer.
Assentimos, concordando. Jo leu a lista e tomou fôlego.
– Alex Jones – chamou.
– presente – respondeu Alex.
– muito bem – disse Jo – diga sua idade e sua mutação.
Alex assentiu.
– tenho 15 anos – respondeu – minha mutação me permite criar ondas de som.
– muito bom – disse Jo, sorrindo – Anah Days.
– presente, tenho 16 anos e tenho controle sobre fogo e raios – respondeu Anah.
– okay – disse Jo – Bruna Pandofy
– presente, 15 anos, controlo os quatro elementos – respondeu Bruna.
– vocês já sabem a ordem da chamada? – perguntou Johanna.
– sim – respondeu Cindy, falando por nós.
– ótimo, sendo assim, continuem – disse Jo.
– Cindy Peterson, tenho 17 anos. Sou uma telepata e tenho regeneração celular – disse Cindy.
– Christopher Van Der Pol, tenho 17 anos. Consigo manipular energia, soltá-las em forma de esferas. Também posso desintegrar qualquer material ou ser existente – falei, sorrindo um pouco.
– bela maneira de fazer amigos – disse Daniela – dizer que pode desintegrar todo mundo com um sorriso na cara.
Todos nós rimos, Johanna sacudiu a cabeça, dando um sorriso.
– continuem – mandou.
– Daniela Heckman, tenho 17 anos – disse Daniela – posso controlar o clima e o elemento gelo.
– picolé alemão, ou moça do tempo – disse Lee.
Me segurei para não rir, Daniela virou para olhar para Lee, que dava um sorriso sarcástico e sem vergonha.
– continuando – disse Jo, tentando não rir.
– Edward Howard, 17 anos – disse Edward, sorrindo pela piada – tenho supervelocidade, meus sentidos são mais aguçados do que um ser humano comum. Posso desviar de socos e balas, saltar de grandes distancias e coisas assim.
– Matrix, ou, canguru – disse Lee.
Rimos outra vez, até mesmo Edward estava achando divertido.
– gente, continuando – disse Jo, prendendo o riso.
– Henry Philips, 17 – disse Henry – controlo a eletricidade ao meu redor.
– que nostalgia, to na mesma classe que o Super Choque – disse Lee.
Henry encarou Lee, que sustentou o olhar, mas, ambos começaram á rir. Acho que Lee tinha um parafuso á menos.
– Jost Lancaster, 17 anos – disse Jost, quando Jo ia manda-lo continuar – posso sugar o poder de qualquer mutante, fora, manipular suas emoções.
Lee não disse nada, todos esperamos sua reação.
– o que foi? – perguntou – perderam algo na minha cara? A professora quer tocar a aula.
Ri, assim como os outros.
– Jully Blake, tenho 16 anos – disse Jully, arrumando os cabelos – tenho o dom da metamorfose, posso virar qualquer um.
Lee continuou calado, e isso já estava me deixando intrigado. Achei melhor prestar atenção na aula.
– Karen Northman, tenho 17 aninhos. Controlo o fogo e posso sentir as reais emoções das pessoas – disse Karen, num fôlego só.
– se ligeirinho tivesse um clone do mal, seria essa menina – disse Lee.
Começamos á rir, Karen bufou, e encarou o amigo.
– eu quero só ver quando chegar na sua vez – disse.
– vai botar fogo nas minhas calças? – provocou Lee.
– duvida para você ver – disse Karen, voltando sua atenção á professora.
Um “Uh” coletivo encheu a sala, Johanna ficou seria.
– sem brigas – mandou – continuem.
– Larissa Rayssa, tenho 17 anos – disse Larissa – tenho supervisão e audição.
Lee não disse nada, acho que ele não encontrou nada para falar.
– Lorena Lower, 15 anos – disse Lorena, falando baixo, e vermelha por estar recebendo a atenção de todos – sou uma telepata, e posso invadir os sonhos das pessoas.
– invade o meu? – perguntou Edward, dando um sorriso de canto para Lorena.
– deixa a menina – disse Anah.
– continuem – mandou Johanna – eu sei que todo mundo aqui está louco para esse momento.
Lee sorriu, levantou da cadeira e foi para frente da classe. Abriu os braços e sorriu para todos.
– Liam Lee Jones, tenho 18 anos e sei que sou um gato, não babem tanto assim – disse, dando um sorriso enorme.
As meninas, principalmente Sky, reviraram os olhos.
– sou um telepata, ou melhor, sou O Telepata, meus caros – disse, ainda sorrindo – e ainda manjo de telecinese, sou ou não sou o melhor?
– tá mais para Jean Gray – disse Karen.
Todo mundo riu, Lee não ligou, apenas sorriu e fez uma reverencia para Karen.
– se eu fosse a Jean, você ficava comigo, ligeirinho do mal? – perguntou.
Outro “Uh” geral ocupou o ar, os únicos calados eram Lorena, Larissa e Michael, que apenas observavam.
– chega – disse Jo – Lee, sente-se.
– pode deixar, linda – disse Lee.
Jo respirou fundo, Lee riu e sentou.
– foi um elogio, minha querida – disse, com um sorriso enorme.
– ignorem ele, é maluco – disse Sky – próximo.
Todos olharam para ela, que encolheu-se na cadeira.
– quer dizer, não é para continuar? – perguntou.
Johanna assentiu, rindo.
– Matheus Ritch, tenho 16 anos – disse Matheus – produzo campos de força e posso conter uma pessoa com choques em contato com ela.
– isso é interessante – disse Jo – vou dizer isso para o Leo, ele e eu vamos discutir uma ideia que eu tenho em mente.
– vão transformar o menino em desfibrilador? – perguntou Lee.
Rimos, Johanna respirou fundo, tentando aguentar.
– não, Jones – respondeu – outra coisa, não é nada que eu queira dizer agora.
– em outras palavras, não é da tua conta – disse Karen, sem olhar para Lee.
O terceiro “Uh” começou, Lee respirou fundo.
– esse ligeirinho tá muito atrevido hoje – comentou.
– ligeirinho á a mãe – disse Karen, raivosa.
Uma fagulha saiu de sua mão, e atingiu a mesa de Lee. O garoto pulou de susto, o fogo ficou mais forte. Karen levantou, desesperada.
– foi mal – falou.
– faz parar! – disse Lee.
Ela tentou, mas o fogo não obedeceu-lhe, ela estava muito nervosa, algo me diz que ela precisa treinar um pouco mais. Jo levantou, foi até a cadeira e tocou o fogo, que foi sugado pela sua mão, virando uma bola.
– cuidado com o fogo – disse Johanna, encarando Lee – você vai se queimar.
Ela abriu a boca e sugou a bola de fogo, que desapareceu, deixando apenas, o cheiro e as cinzas. Lee estava boquiaberto, Karen estava nervosa, assim como todos nós.
– já pensou em trabalhar como engolidora de fogo ou algo assim? – perguntou Lee.
Johanna respirou fundo, Lee calou a boca.
– sente-se – mandou Jo, e olhou para Karen – você também, e tente não colocar fogo em mais ninguém.
– sim senhora – disse Karen, falando rápido.
Ambos sentaram, Johanna sentou em seu lugar.
– continuando – mandou.
A tensão foi morrendo aos poucos, Karen e Lee ficaram quietinhos.
– Michael Rogers, tenho 17 anos – disse Michael, sua voz saiu baixa, mas firme – tenho controle sobre metais e campos magnéticos.
– fala serio, eu sou amigo do Magneto? – perguntou Lee, recuperando-se do susto.
Todos nós rimos, Michael sorriu, sacudindo a cabeça.
– Rick Stevenson, tenho 17 anos – disse Rick, sentado ao meu lado – posso me transformar em qualquer animal, mas, só em animais. Também posso me comunicar com eles em minha forma humana.
Lee não disse nada.
– legal – cochichei para Rick.
– valeu, o seu poder também é legal – respondeu, dando um sorriso amigável.
– Stiles Hale, tenho 17 anos – disse Stiles – tenho superagilidade e telecinese.
– outro ligeirinho – disse Lee – esse aí não é do mal.
Rimos, Karen atirou a caneta para cima.
– eu desisto – falou, bufando.
Lee jogou uma bolinha de papel nela, Karen virou. Lee jogou um beijo para ela, fazendo com que Karen risse.
– perdoado? – perguntou.
Ela assentiu, Sky revirou os olhos, sorrindo.
– Skylar Jones, 16 anos, me chamem de Sky – disse Sky – tenho o dom da cura, posso ver o passado, presente e o futuro das pessoas.
– madame Sky, macumba e trabalhos em geral – disse Lee.
Aquela foi a gota d’água, até mesmo Jo riu, e muito. Sky não resistiu, mesmo irritada, começou á rir, e muito.
– seu maluco – disse Sky, dando uma tapa no braço de Lee.
– o que foi? Achou que eu zoaria todo mundo, menos você? – perguntou Lee, fingindo estar ultrajado.
Aos poucos, os alunos foram parando de rir, e Talita pode falar.
– Talita Ferraz, 17 anos – disse, ainda com um sorriso no rosto – tenho controle sobre o elemento terra.
– muito bem, concluímos a chamada – disse Jo, fechando a caderneta e olhando para nós – vamos conversar um pouco.
Ela levantou da cadeira, e nos encarou.
– nesta aula, vocês vão aprender mais sobre seus poderes. Eu vou ajuda-los á redefinir seus limites, á controlar suas habilidades, á usar sua mutação como meio de defesa – disse, encarando-nos – todos aqui tem uma mutação, e é por isso que estamos aqui. Para aprender mais sobre nossos próprios poderes.
Todos estavam prestando atenção, Johanna começou á andar de um lado para o outro na sala de aula.
– quem aqui já vez uso de sua total capacidade? – perguntou.
Nenhum de nós levantou á mão, Johanna deu um pequeno sorriso.
– exatamente, nenhum de vocês – falou – o motivo? Nenhum de vocês conhece seus verdadeiros limites, ou a força que possuem.
Ela juntou as duas mãos, parando de andar no centro da sala. Senti cheiro de fumaça, quando a professora separou as mãos, elas abrigavam uma pequena bola de fogo.
– a mutação, é algo especial. Pouquíssimas pessoas no mundo possuem, e vocês são a maioria. Não fazem ideia do quanto nosso poder pode chegar á ser vasto – disse Johanna, sorrindo para sua bolinha de fogo – estou aqui para ajuda-los é descobrir isso, estou aqui, para treina-los, como os seres especiais que vocês são.
Ela pegou a bolinha de fogo em uma mão só, fazendo-a girar três vezes, antes de desaparecer na palma de sua mão. Johanna sorriu para nós, dava para ver que ela tinha fascínio pelo seu elemento.
– mas hoje, vamos ficar apenas nisso – falou.
Lee bufou, jogando as mãos para o alto.
– só isso? – perguntou.
Ela o encarou.
– é claro que não, Sr Jones – respondeu – isso é muito maior do que você pensa, não podemos fazer tudo em uma só aula.
Ela voltou para a sua cadeira, sentou-se e nos olhou.
– Leonardo e eu temos um projeto, unir nossas matérias – contou, com um brilho nos olhos – vão aprender á lutar, e controlar seus poderes em uma luta.
–isso é legal – disse Cindy.
Johanna sorriu para a aluna, encarei minhas mãos.
– á respeito da avaliação, como toda matéria, teremos uma – disse Johanna – mas eu vou fazer diferente, passando uma atividade fora do papel. Na próxima aula, eu quero ver o que conseguem fazer, e como podemos fazer seus poderes crescerem.
Dei um meio sorriso, seria uma aula e tanto.
– mas, isso é só na próxima aula – disse Jo, levantando – nosso tempo acabou.
Fomos levantando aos poucos, alguns com preguiça, alguns com muita energia (Karen) e alguns de forma normal. Johanna nos acompanhou até o elevador, subimos em dois grupos, como sempre.
O dia passou rápido, depois das aulas, alguns dos alunos ficaram conversando em algumas partes da casa. Depois do jantar, fui para a sala de jogos, e fiquei lá por um tempo, apenas jogando, sem reparar no relógio.
– ainda estamos na quinta feira – disse Leo, enfiando a cabeça para dentro da sala – acho melhor você ir dormir.
Assenti, ele sorriu e saiu.
Levantei, desliguei o console que usava e fui para o meu quarto, encerrando meu dia com a aula da Jo na cabeça.
De todas as escolas que já ouvi falar, essa era, sem duvida, a mais liberal.
POV Matheus Ritch
Acordei sozinho, cinco minutos antes do despertador tocar, um sinal de eu estava começando á ficar acostumado com minha rotina. Sentei na cama, dando um breve bocejo. Sexta feira, o dia mais esperado da semana. Levantei, dirigindo-me ao banheiro.Tomei banho, fiz minha higiene matinal, vesti minhas roupas e arrumei o cabelo. Eram sete em ponto, quando resolvi descer e tomar café. A sala de jantar estava cheia, todos os alunos já estavam por lá.
– Matheus – chamou-me Larissa, dando um pequeno sorriso.
Sorri de volta e sentei ao seu lado.
– oi – falei.
Olhei em volta, observando os alunos. Edward tinha voltado á perturbar a pobre Lorena, que tentava esquivar-se das constantes tentativas de abraço vindas da parte de Edward. Michael estava sentado ao lado de Lee, conversando com o amigo, ainda que um pouco cabisbaixo. Talita e Cindy conversavam, assim como Karen e Sky. Rick, Christopher, Stiles, Alex, Daniela e Bruna conversavam animadamente, comendo enquanto falavam. Jully e Anah discutiam sobre algo que não pude distinguir, mas tinha relação com a piscina da casa. Henry e Jost estavam na deles, ambos comiam em silencio.
– que aula vamos ter agora? – perguntou Larissa, comendo uma torrada.
– astronomia – respondi.
Ela assentiu, parecia um pouco cabisbaixa.
– o castigo de vocês acaba quando? – perguntei.
Ela deu de ombros, pensando.
– quando acabarmos de limpar e reorganizar por ordem alfabética, todos os livros da biblioteca enorme – respondeu, fazendo uma careta — depois, fazer a mesma coisa com os jogos da sala de jogos.
Estremeci, era um ótimo castigo.
– uma penalidade e tanto – falei.
– um preço pequeno á pagar por ter fugido da escola – disse Lorena.
Edward encarou a garota.
– você diz isso porque não vai fazer nada disso, vai ter sua tarde de sexta feira, livre para fazer o que bem quiser – falou.
Lorena encolheu-se na cadeira, Jully deu uma cotovelada em Edward.
– ela não tem culpa – falou.
– ai – resmungou Edward, massageando as costelas – eu sei disso.
Jully revirou os olhos, continuei prestando atenção na minha comida.
– como foi a conversa com a Johanna? – perguntei, dirigindo-me á Larissa.
Ela pensou um pouco, relembrando.
– dura – respondeu.
Assenti, podia imaginar.
– estávamos muito bem, já íamos voltar – disse Larissa, bufando.
Olhei para ela, franzindo uma sobrancelha.
– para alguém que foi convencida á sair, você me parece bem irritada – comentei.
Ela deu de ombros, voltando sua atenção ao prato de biscoitos á sua frente.
– o passeio estava bom, foi legal espairecer um pouco – falou.
Ela parecia distante, pensativa, naquela manhã. Fiquei um pouco curioso, Larissa me parecera ser uma boa pessoa, tinha sido gentil e educada comigo. Mas, neste momento, ela parecia diferente.
O sinal tocou, indicando a primeira aula.
– vamos? – chamou Jasmine, a professora.
Levantamos aos poucos, seguindo a professora pelos corredores da escola.
– já viu a sala de astronomia? – perguntei.
Larissa negou com a cabeça.
– não por dentro, só passei na frente – respondeu.
– e eu, nem isso – comentei.
Ela deu um pequeno sorriso, continuamos caminhando pelo corredor. Jasmine abriu uma porta e entrou, conosco em seguida.
A sala era diferente das outras salas, tinha muitos mapas estrelares espalhados pelas paredes, assim como mapas do sistema solar. Algumas maquetes de aspecto profissional espalhavam-se pelo ambiente, assim como aparelhos variados.
– sentem-se – disse Jasmine, dando um pequeno sorriso amigável.
Sentei ao lado de Larissa, ficando com a janela. Os outros foram procurando seus lugares, até que todos estavam sentados.
– sou Jasmine Plenkov, sua professora de astronomia – disse a professora – sejam bem vindos á primeira aula.
Karen levantou a mão, Jasmine assentiu.
– o que vamos aprender nessa matéria? – perguntou.
Lee virou-se para encarar a garota, cético.
– vamos aprender como criar abelhas silvestres – falou, irônico – é aula de astronomia, o que acha que vamos aprender?
Alguns alunos riram, Karen bufou, cruzando os braços.
– foi uma pergunta valida, Lee – disse Jasmine, dando um pequeno sorriso.
Karen abriu um largo sorriso, Lee deu de ombros, indiferente.
– respondendo á sua pergunta, Karen. Nós vamos estudar os planetas, estrelas, mapas estrelares e coisas do tipo – disse Jasmine – podemos até observa-los.
– mas, está de dia – disse Talita.
Duvida valida, até eu fiquei mexido com essa. A professora não pareceu se abalar, apenas deu um sorriso gentil para a aluna.
– eu sei disso, é por isso que temos um telhado equipado para “expedições internas” – explicou – de dia, ficamos na teoria. E quando a visibilidade estiver boa, subiremos ao telhado e teremos uma aula pratica.
– legal – comentou Larissa, eu só pude ouvir por estar ao seu lado.
– muito – falei.
Eu falei baixo, pois sabia que ela ouviria. Larissa deu um sorrisinho, fiz o mesmo, fixando minha atenção na professora.
– iremos quando ao telhado? – perguntou Daniela.
– hoje mesmo – respondeu Jasmine, com um sorriso – faremos um trabalho. Em duplas.
Alguns ficaram felizes, principalmente Karen, que logo piscou para Sky.
– mas, eu formo as duplas – avisou Jasmine, divertindo-se.
Karen bufou, não era a primeira vez que um professor frustrava sua tentativa de formar uma dupla. Eu ri baixinho, tinha visto o que ela tinha feito com Lee ontem, não queria ser o próximo.
– vamos continuar – disse Jasmine.
Ela começou á escrever no quadro, preparando sua aula.
O dia passou bem rápido após aquilo, e a expectativa para a aula de astronomia só aumentava, cada vez mais. Jasmine tinha informado que seria logo após o jantar, ás sete e meia, quando as constelações ficassem mais visíveis. Karen era a mais empolgada, já que quase quicava no banco, enquanto jantávamos.
– apenas mais alguns minutos – falou, vibrando e encarando a mesa de forma fixa.
– ela está bem? – perguntei.
Lee olhou a colega, que nem comia direito, só sorria.
– deve estar com algum tipo de crise de ansiedade – chutou.
Sky cutucou Karen com a ponta da faca, a loira virou-se muito rápido, sorrindo.
– pois não? – disse.
Lee riu, voltando sua atenção á sua comida.
– eu disse – falou.
Ri, desviando o olhar para minha pizza. Poucos minutos depois disso, Jasmine levantou da cadeira, sorrindo.
– estamos prontos? – perguntou.
Karen largou o garfo quase que de imediato, o restante de nós ria.
– sim – disse Karen, sorrindo.
Sacudi a cabeça, Jasmine riu.
– vamos lá – falou.
Levantamos devagar, com uma única exceção loira, que fora quicando atrás da professora. Seguimos Jasmine pelos corredores da escola, o caminho era desconhecido. Tivemos que subir as escadas, varando no corredor dos quartos, e seguir na direção oposta. Segundo a professora, naquela parte da casa, ficavam as acomodações dos professores, escritórios, e um elevador de acesso ao telhado. Lee teve a ideia mirabolante de perguntar onde ficava o telhado, e Sky, depois de quase enfartar, respondeu que talvez devesse ficar no subsolo. Uns minutos engraçados depois, e todos nós estávamos á caminho do telhado. Lee ainda estava emburrado pela resposta da irmã, e a reação dos outros alunos foi bem obvia, todos riam.
– ai meu deus, esses alunos – disse Jasmine, rindo.
O elevador abriu as portas, exibindo o telhado.
Como descrever o telhado? Bom, segundo as sabias palavras de Lee Jones, o primeiro á sair do elevador, era o topo da casa.
Bom, ele não estava errado. Tratava-se de uma laje murada, com um armário de concreto, escadas de acesso, e um banheiro, para emergências. Podíamos ver a propriedade inteira dali, tendo uma visão privilegiada do céu.
– aqui seria um bom lugar, no caso de um apocalipse zumbi – disse Rick.
– concordo – disse Stiles.
Revirei os olhos, não deixava de ser verdade.
– muito bem, alunos. O que temos que fazer é bem simples – disse Jasmine, juntando as mãos e sorrindo – vocês vão observar as estrelas, e depois, fazer um mapa estrelar.
– isso é muito simples – ironizou Lee.
Jasmine ignorou a piadinha, mesmo sendo uma meia verdade.
– agora, vamos formar as duplas – avisou – como eu disse antes, eu formo. Quero todos juntos aqui.
Todos nos agrupamos para que a professora pudesse nos ver melhor, Jasmine olhou bem para cada um de nós, sorrindo.
– primeira dupla – avisou – Rick e Alex.
Ambos assentiram, Alex deu um pequeno sorriso.
– Daniela e Christopher – disse Jasmine, sorrindo.
Christopher sorriu para Daniela, ela retribuiu seu sorriso.
– Anah e Jost – disse Jasmine.
Ambos ficaram inexpressivos, como se não se importassem muito com a escolha da professora.
– Lee e Cindy – disse a professora, dando um sorriso, no mínimo, suspeito.
– desta vez eu me dei bem – disse Lee, esfregando as mãos como se bolasse um plano maligno – se eu tivesse que dividir a mesa com outro marmanjo, o bicho ia pegar.
– cala essa boca – disse Cindy.
Lee sorriu, erguendo as mãos em rendição.
– como quiser, minha linda – respondeu.
Cindy revirou os olhos, Lee piscou para ela.
– continuando – disse Jasmine, recuperando a atenção de todos – Karen e Bruna.
Karen deu um pulinho, indo pendurar-se no braço de Bruna.
– Sky e Stiles – disse Jasmine.
Stiles sorriu para Sky, que retribuiu com um sorriso nervoso, como se estivesse um pouco incomodada.
– Henry e Larissa – disse Jasmine.
Henry olhou para Larissa, que retribuiu seu olhar. Ambos deram de ombros.
– Matheus e Jully – disse Jasmine, olhando para mim.
Jully estava perto de mim, então nem precisei procura-la. Sorri para ela, que também sorriu para mim.
– Lorena e Talita – disse a professora.
As duas sorriram uma para a outra, já que ambas eram gentis e legais.
– e por ultimo, Michael e Edward – disse Jasmine.
Eles se entreolharam, um pouco irritados pela escolha da professora. Algo me diz que isso vai ser interessante, levando em conta o desentendimento entre eles alguns dias atrás.
– juntem-se com seus parceiros, e mãos á obra – disse Jasmine, sorrindo o equipamento tá dentro daquele armário. Vocês tem quarenta cinco minutos, comecem.
Jully veio até mim, dando um pequeno sorriso.
– vamos lá, parceiro – disse.
– vamos – respondi.
Fomos até o armário, junto com os outros alunos. Passei na frente de Lee e peguei nosso equipamento antes dele, recebendo um sorrisinho de Cindy, e uma careta de Lee.
– foi mal – falei.
Jully riu, puxando-me para um lugar mais reservado.
– aqui está bom – falou.
Sentamos no chão, arrumamos o equipamento e começamos á fazer o trabalho. Não prestei muita atenção nos outros, só focamos em concluir logo a tarefa. Fazer com Jully fora fácil, ela inteligente e rápida, não demoramos mais de vinte minutos. Assinei meu nome na folha de exercícios logo após Jully assinar o dela, concluindo a atividade.
– posso ver? – pediu – confirmar tudo.
– claro – respondi.
Passei a folha á ela, que concentrou-se em confirmar as respostas. Henry estava bem perto de nós, parecia estar passeando, enquanto Larissa fazia o trabalho. Posso jurar que vi seu olhar direcionando-se ás nossas respostas, ele parou um pouco atrás de Jully, em uma posição estratégica. Bati meu joelho no de Jully, a garota me encarou, confusa. Acenei com a cabeça, ela olhou para trás. Henry nem tentou disfarçar, Jully estufou o peito, irritada.
– por um acaso, você esta tentando colar de nós? – perguntou, irritada.
– “tentando” resume bem – respondeu Henry.
Jully empertigou-se, escondendo a folha com as respostas dentro do livro de astronomia.
– eu vou entregar logo isso aqui, antes que algum espertinho venha colar – disse, levantando-se com raiva.
Observei-a ir até a professora, pisando forte, castigando o pobre chão. Olhei para Henry, que deu de ombros, voltando para onde sua parceira estava. Jully entregou o papel para a professora, sua expressão era seria e decidida. Sacudi a cabeça, sorrindo. Alguns minutos depois, Jully voltava até onde eu estava, sorrindo de forma satisfeita.
– ela disse que tiramos um ponto e meio, o trabalho valia dois – disse, feliz.
– isso é ótimo – falei.
Ela sorriu, e depois olho em volta. Henry estava em pé ao lado de Larissa, que estava sentada no chão, escrevendo algo no papel. Jully fez um ligeiro bico de irritação ao ver que ele nos observava, resolvi fazer algo, ou aquilo viraria uma briga feia.
– a professora disse se podemos ir embora? – perguntei.
Jully piscou, prestando atenção em mim.
– ela disse que podíamos descer, se quiséssemos – falou – mas também podemos ficar aqui, apreciando a noite.
Assenti, recolhendo os materiais.
– vamos guardar isso – falei.
Ela assentiu, ajoelhando-se para me ajudar. Topamos com Lorena e Talita no caminho para o armário, ambas estavam sorridentes pela nota dois que elas tiraram. Jully as cumprimentou, recebendo um sorriso educado de cada uma.
– vamos descer? – perguntei.
Jully negou com a cabeça, olhando em volta.
– prefiro ficar aqui por mais um tempinho – falou, depois me olhou – você pode ir, se quiser.
Neguei com a cabeça, dando um pequeno sorriso.
– eu fico aqui, te faço companhia – falei.
Ela sorriu, tirando uma mecha de cabelo do rosto.
– valeu – falou.
Andamos pelo telhado, e eu pude observar melhor o ambiente. Luminárias estavam espalhadas em pontos estratégicos, fixas ao chão. Poucas duplas já tinham terminado, Lorena e Talita foram as primeiras, um pouco mais rápidas do que Sky e Stiles. Pude perceber que Sky estava um tanto tensa, e Stiles, confuso. Deve ter acontecido algo entre eles, algo pessoal. Karen e Bruna também já tinha terminado, e Karen saltitava pelo telhado, muito feliz com sua nota dois.
– vamos parar aqui um pouco? – disse Jully.
Assenti, ela sentou-se na murada, de costas para a floresta. Recostei-me ao seu lado, cruzando os braços e observando os outros alunos.
Anah e Jost faziam em silencio, ambos concentrados. Rick e Alex conversavam e riam, escrevendo na folha de respostas. Christopher e Daniela observavam o céu, procurando por suas respostas nas estrelas, literalmente.
Lee e Cindy formavam uma dupla boa de assistir, rendendo alguns risinhos á Jully. Cindy fazia, enquanto Lee dava em cima dela e fazia piadinhas, ainda assim, ambos estavam esforçados.
Já Michael e Edward, eu diria que não estavam tão entrosados assim. Michael escrevia as respostas com o maxilar travado, claramente irritado. Acho que ele estava assim por causa de Edward, que duvidava de cada comentário feito pelo “colega”. De onde estávamos, eu não podia ouvir muito. Mas deu para perceber que eles não eram lá grandes camaradas.
– aqui é um lugar tão agradável – comentou Jully, retirando-me de minhas observações.
– verdade – concordei.
Uma brisa agradável soprou, vinda da floresta. O vento repentino sacudiu os cabelos de Jully, que fez uma careta ao tentar arruma-los. Outras meninas sofreram com esse mesmo problema, menos Larissa, que tinha os cabelos presos em um coque meio solto. Junto com os cabelos, algumas folhas de exercício voaram.
– droga! – praguejou Henry.
Sua folha tinha voado para perto de onde estávamos, e ele veio busca-la, resmungando. Jully aprumou-se no muro, retomando sua carranca.
– as respostas voaram? – perguntou, sarcástica – ou você só veio tentar conseguir algo conosco?
Henry pegou a folha, de cara amarrada.
– é da sua conta? – respondeu Henry, ligeiramente irritado.
– ui, ele ficou com raivinha – zombou Jully, fazendo um careta sarcástica – se tivesse se concentrado na atividade, e não nas nossas respostas, eu não teria do que falar. Não concorda?
– você não teria do que falar se não tivesse uma língua tão grande – disse Henry, com raiva.
Jully semicerrou os olhos, com cara de que vai brigar, e muito.
– eu sou a culpada? – disse, irritada – então a culpa é minha de você não ter a capacidade de resolver uma simples atividade? Tem certeza de que eu sou a burra aqui?
Acho que ela foi um pouco longe demais, só acho.
Henry fez uma cara tão raivosa que até eu fiquei com certo medo, mesmo não tendo ideia alguma do que iria acontecer á seguir.
O que aconteceu depois disso foi muito rápido, eu quase não consegui processar a informação á tempo do desastre acontecer.
Uma das luminárias, que estava ao lado da perna de Jully, explodiu. Provavelmente entrou em curto circuito, mas eu não tive muito tempo para pensar nisso, porque a reação de Jully não foi das melhores. Ela levou um susto tão grande, que mal teve tempo de gritar, pois seus reflexos funcionavam muito bem, lançando seu corpo para trás. Percebi tarde demais que não havia nada atrás dela, á não ser uma queda livre, que seria fatal.
Jully gritou, caindo para trás. Mesmo com a velocidade do evento, ela conseguiu segurar-se na beirada do muro, ficando pendurada por apenas um braço. Virei para trás e puxei-a para cima, tendo pouco tempo para registrar a chegada de Stiles, ajudando-me á trazer Jully para cima. Puxamos a garota para cima com um impulso, ela caiu no chão, agarrando a mão.
– Jully, você está bem? – perguntou Karen, correndo até nós.
– não! – respondeu Jully, rolando no chão e gritando – a minha mão quebrou, só isso!
Jasmine chegou, ajoelhando-se ao lado da aluna, ajudando a garota á sentar. A professora pegou a mão de Jully, que deu um grito de dor. Ajoelhei-me ao seu lado, Jasmine analisou a mão da garota.
– eu não sou especialista, mas não chegou á quebrar – disse, estudando a mão de Jully – deve ter torcido.
Jully lançou um olhar assassino á Henry, que observava a cena, ainda sem se mexer. Ele estava espantado, em choque, literalmente.
– você, seu filho de uma mãe! – gritou Jully, rosnando de raiva – a culpa é sua! Tá querendo me matar?! Desgraçado de uma figa!
– calma, vai piorar a situação – disse Jasmine, segurando Jully pelos ombros.
– tente se acalmar – falei.
Jully lançou um olhar assassino destinado á mim desta vez, recuei.
– me acalmar? – perguntou, irritada – o filho da mãe me jogou do telhado!
Jasmine olhou para Henry, que pareceu voltar á realidade só naquele momento.
– o que você fez foi muito grave, podia ter causado uma fatalidade – disse, repreendendo-o.
– foi um acidente – disse Henry, na defensiva – não foi bem a minha intenção.
– vamos resolver isso na sala da Johanna – disse Jasmine.
Ela ajudou Jully á ficar de pé, depois me olhou.
– leve ela para a enfermaria – pediu – eu vou levar o Sr. Philips á diretoria.
Assenti, a professora encarou os demais alunos.
– o tempo da atividade acabou, me entreguem do jeito que estiver – falou.
Lee agitou os braços, irritado.
– hey, isso não vale – falou – a gente já estava quase acabando.
– vale sim – disse Jasmine, com firmeza – agora me entregue a atividade e estão liberados.
Lee resmungou muito, mas entregou o papel á professora. As outras duplas fizeram o mesmo, Michael e Edward, que já iam entregar a atividade para Jasmine na hora do ocorrido, foram os mais sortudos. Quem não teve essa sorte foi a dupla Lee e Cindy, assim como Henry e Larissa, e Rick e Alex.
– vamos – disse Jasmine.
Peguei Jully pelo braço que estava bom, e levei-a para o elevador. Ela não parava de resmungar sobre a suposta tentativa de assassinato de Henry, alegando sentir muita dor na mão torcida.
Descemos até o subsolo e fomos direto para a enfermaria, sentei Jully em uma maca e esperei, olhando em volta. Leonardo chegou dois minutos depois, fiquei curioso.
– o senhor aqui? – perguntei.
Leonardo sorriu, abrindo um armário.
– também sou medico, para quem não sabe – disse, olhando para a mão de Jully – por que acha que eu fui para a faculdade?
Leonardo examinou a mão de Jully, confirmando o palpite de Jasmine, era apenas uma torção, nada alem disso. O professor/medico enfaixou a mão da garota, e deu-lhe remédios para a dor.
– não faça esforço na mão, aí não vai sentir dor – disse, finalizando o procedimento medico na mão da aluna – fique com isso durante uma semana.
– saquei – disse Jully – obrigada.
– não foi nada – disse Leonardo, dando um sorriso para a aluna – agora, vá descansar, e deixe a mão em paz.
Ela assentiu, dando uma risada.
– e o Henry? – perguntei.
Jully fechou a cara de imediato, Leonardo sorriu.
– não se preocupe com isso, nós vamos tomar providencias – respondeu – tenham uma boa noite.
Assentimos, ajudei Jully á levantar da maca. Saímos da enfermaria, Leonardo passou desligando as luzes atrás de nós. Acompanhei Jully até seu quarto, não topamos com ninguém no caminho. Assim que chegamos ao corredor, Jully sorriu para mim.
– valeu pela ajuda – falou – se não fosse por você, eu teria virado purê lá embaixo.
– não a de que – respondi.
Ela sorriu e entrou no seu quarto, dirigi-me até meu quarto. Abri a porta e entrei, olhando em volta do cômodo.
Me preparei para dormir, pensando no dia de hoje. Eu tinha aprendido uma lição valiosa naquela noite, lição para guardar para toda a vida:
Nunca irrite Henry Philips.
POV Jost Lancaster
Abri os olhos devagar, um pouco sonolento. Olhei para o relógio, eram oito da manhã do meu primeiro sábado nesta casa.
Sentei na cama, pisando no rabo do meu leopardo, Orion. O animal acordou instantaneamente, lançando-me um olhar irritado e rosnando, exibindo seus dentes afiadíssimos.
– desculpa, cara – falei.
Ele rosnou outra vez, levantando-se e espreguiçando-se. Aquele era um péssimo jeito de acordar, com algum pisando no seu rabo.
Caminhei lentamente até o banheiro, onde fiz minha higiene matinal. Saí do banheiro, vesti minhas roupas, coloquei comida para Orion e saí do quarto. O felino saiu junto comigo, quase derrubando-me ao passar por mim na escada.
– calma, garoto – resmunguei.
Ele desceu as escadas, um pouco mais tranquilo. Desci as escadas, sem tropeçar em nada dessa vez. Entrei na sala de jantar, dando de cara com poucos alunos. Sentei em uma cadeira qualquer, um pouco longe dos outros alunos.
– Hey Jost – chamou-me Sky, dando um pequeno sorriso – vem sentar conosco.
Assenti e sentei ao seu lado, Matheus e Talita acenaram para mim.
– bom dia, Jost – disse Talita.
– bom dia – respondi.
Ela sorriu, mordendo seu pão. Olhei em volta, percebendo que éramos só nós sentados á mesa.
– onde está todo mundo? – perguntei.
– quase todos estão na piscina – respondeu Sky, passando manteiga na torrada – e o resto, eu não sei.
Assenti, pegando uma torrada e comendo-a.
– você vai fazer o que hoje? – perguntou Talita.
Pensei um pouco, Sky me cutucou.
– vem para a piscina com a gente – disse – tá quase todo mundo lá.
– tá, eu vou – respondi.
Ela sorriu, voltei minha atenção ao copo de suco á minha frente. Terminamos de tomar café em quinze minutos, levantando todos juntos. Estávamos quase saindo, quando Sky estancou no corredor, segurando Talita.
– eu esqueci de colocar a roupa de banho – disse, batendo na testa.
– eu também – disse Talita, fazendo uma careta.
As duas se entreolharam, Matheus prendeu um risinho.
– vão indo na frente, a gente já chega lá – disse Sky.
Assentimos, saindo da casa, enquanto as duas subiam as escadas no ritmo normal. Matheus e eu caminhamos pelo jardim, indo em direção á piscina.
– você curte piscina? – perguntou Matheus.
– não muito – respondi, sendo sincero – mas, as meninas pediram para eu acompanha-las.
– as meninas? – disse Matheus, prendendo um sorriso – porque eu lembro que ter ouvido a Sky perguntar isso por conta própria.
Preferi não responder, Matheus deu uma risada abafada, encarando o chão. Chegamos á área de lazer, pude ouvir o som de vozes e risadas vindas da piscina movimentada.
– chegamos – disse Matheus.
Olhei em volta, muitos alunos estavam por lá.
– quase todo mundo veio – reparei.
Olhei em volta, analisando o ambiente. Edward, Anah, Larissa, Henry e Karen estavam na piscina, conversando e rindo. Michael estava sentado ao lado de Lee, lendo. Lorena estava sentada em um ponto afastado, não parecia muito á vontade por estar ali.
– vamos sentar ali – disse Matheus.
Sentamos perto de Michael e Lee, na ponta da piscina. Lee estava agitado, ria e cutucava Michael, impedindo o amigo de ler em paz.
– olha só isso, garotas de biquine – disse, exibindo todos os dentes em um sorriso – não é o paraíso?
Michael assentiu, sem tirar os olhos da pagina que lia, acho que nem prestou atenção no que Lee tinha dito.
– e ainda nem vimos todas, o que me diz? – disse, esfregando as mãos como uma mosca.
– certo – disse Michael, distraído.
Sky e Talita apareceram, vestidas de forma adequada para um dia na piscina. Talita vestia um roupão, enquanto Sky tinha apenas uma canga enrolada na cintura. Lee percebeu a chegada das duas, e começou á sorrir para Talita.
– vamos tirar esse roupão? – perguntou, arregalando os olhos e sorrindo como um maluco.
– me deixa, garoto – respondeu Talita.
Lee observou-a enquanto a garota tirava o roupão, colocando-o em uma cadeira perto da de Michael. Seu biquine era azul claro, contrastando em sua pele morena.
– ô saúde, em minha filha? – disse Lee, olhando Talita de cima á baixo – ta bem, viu?
Talita se afastou um pouco de Lee, sentando-se á uma cadeira de distancia dele.
– credo, Lee – disse Sky, desamarrando o nó de sua canga – até parece que nunca viu mulher antes.
A ruiva tirou o pano de sua cintura, exibindo seu maiô verde escuro. Talita estava ocupada, passando protetor solar. Michael nem mesmo ergueu os olhos do livro, apenas virou uma pagina, expirando. Lee ignorou a irmã, olhando em volta. Matheus fitava a água, pensativo. Já eu, peguei-me fitando a garota em minha frente, admirando-a. Lee me olhou, tentei disfarçar, mas não deu muito certo.
– veste alguma coisa! – gritou, atirando uma roupa aleatória em Sky.
Michael ergueu os olhos do livro, ficando um pouco confuso e surpreso.
– hey cara, a minha jaqueta – protestou.
Sky jogou a jaqueta de volta para seu dono, olhando feio para Lee.
– seu idiota – resmungou.
– idiota não, observador – disse Lee, irritado – cobre isso aí.
Sky bufou, irritada.
– não tem ninguém olhando, seu burro – protestou.
– tem certeza? – perguntou Lee, apontando para mim – porque o mister suéter ali estava curtindo bastante a visão privilegiada do seu traseiro.
Comecei á tossir, arregalando os olhos. Sky me olhou, um tanto incrédula.
– eu tenho certeza de que ele não fez por mal – disse, ainda me encarando – não foi a intenção dele.
Lee me olhou, parecendo um tanto concentrado. Tive um mau pressentimento.
– com certeza, ele não teve intenção – disse, cético.
Sky chutou a perna do irmão, jogando-se na cadeira vaga ao seu lado, irritada. Matheus me cutucou, olhei para ele.
– tá ligado que o Lee é um telepata, não está? – cochichou, prendendo uma risada.
Arregalei os olhos, percebendo o quão ferrado estava.
– atenção, povo – disse uma voz aguda e animada – a rainha desta piscina acabou de chegar!
Olhei em volta, procurando a origem do som. Claire Parker desfilava pelo caminho de mármore, que ligava a casa á piscina. Vestia um biquine rosa choque tamanho micro organismo, e, mesmo estando na borda de uma piscina, usava salto alto.
– para tudo, para tudo! – gritou Lee – para tudo, que lá vem ela!
– obrigada, querido – disse Claire.
Ela soltou os cabelos, sacudindo-os e sorrindo como se estivesse filmando um comercial de pasta de dente. Lee levantou, indo de encontro á Claire.
– olhem só, galera – disse Lee – loirinha, dá uma voltinha.
Claire fez o que Lee tinha dito, rindo. O garoto apontava para Claire, como um apresentador de televisão.
– viram só, sentiram a qualidade da parada? – disse, sorrindo.
– é isso aí – gritou Edward, rindo.
– show de bola – disse Henry.
Claire riu, colocando as mãos na piscina.
– ela teve oitenta anos para cuidar do corpo, e olha só o resultado – disse Lee, piscando para todos – não é espetacular?
Claire olhou para Lee, tentando processar o que ele tinha dito.
– visto por esse ângulo, você está certo – disse Edward.
– olhem para essa senhora – disse Henry, apontando para Claire – dá banho, ou não dá banho em muita garotinha?
– ô se dá! – concordou Lee, encarando Claire.
A garota/senhora riu, acenando como uma miss.
– abram espaço – disse Edward – ela vai mergulhar.
Ele afastou Larissa e Anah com os braços, ambas fizeram cara feia. Claire pulou na piscina, fazendo Lee, Edward e Henry, aplaudirem e assobiarem.
– eu mereço – disse Sky, revirando os olhos – meu irmão é um tarado sem noção.
Talita assentiu, concordando. Michael já tinha voltado sua atenção ao seu livro, provavelmente, nem tinha visto a chegada de Claire no recinto. Claire emergiu, ao lado de Henry, que sorriu para ela.
– gostaram? – perguntou, sorridente.
– e como – respondeu Lee.
Ela piscou para Lee, que voltou para sua cadeira, sorrindo. Ao sentar, Lee encarou a irmã, que tinha cruzado as pernas e os braços, irritada.
– o que foi? – perguntou Lee, confuso.
Sky rosnou em resposta, sacudindo a cabeça. Lee continuou confuso, olhando para Talita, que estava quase do mesmo jeito.
– beleza – disse, indiferente.
Ele continuou sem entender, e olhou para Michael, em busca de respostas.
– o que deu nelas? – perguntou.
– se não tiver nada a ver com Assassins Creed, Bandeira Negra – disse, pronunciando as palavras devagar, como se estivesse em transe – eu não faço a menor ideia do que você esta falando.
– eu nem sei o que é o pior: essas meninas malucas, ou esse garoto com a cara enfiada no livro – disse Lee, bufando.
– o pior seria entrar em uma batalha contra Edward Kenway – disse Michael – isso seria suicídio.
– desisto – disse Lee, jogando os braços para cima.
Ele encarou a água, fazendo uma careta frustrada. Olhei em volta, acho que ele fez o mesmo, já que ficou parado como uma estatua.
Cindy caminhava decididamente em direção á piscina, vestindo um roupão cinza.
– olha só o que temos aqui, mais uma garota de biquine – disse Lee, repentinamente alegre.
Ela não deu uma palavra, e assim que chegou perto da piscina, jogou o roupão em uma cadeira. A garota vestia um maiô preto, seus cabelos castanhos sacudiam ao vento. Lee não disse mais nada, e nem precisou, já que Cindy o ignoraria se fosse o caso. Cindy mergulhou um pouco, deixando todo mundo em silencio. Claire estava no canto, emburrada e com os braços cruzados. Cindy emergiu, passando as mãos nos cabelos e dando um pequeno sorriso. Lee encontrava-se um tanto boquiaberto, Sky passou a mão no canto da boca, indicando que o irmão estava babando.
– o que será que se passa pela mente do Lee neste exato momento? – refletiu Matheus, fingindo estar pensativo.
– não é preciso ser um telepata para saber que ele se ligou nela – respondi.
Matheus, Talita e Sky riram. Cindy saiu da piscina, dirigindo um pequeno aceno para Sky. A ruiva sorriu, fazendo um sinal de positivo com a mão. Cindy jogou o roupão no braço direito e saiu andando, devolvendo a sanidade á Lee.
– hum – bufou Claire, irritada.
Lee olhou para a loira, que fazia bico como uma criança.
– não se preocupe, você continua sendo a minha favorita – disse Lee, piscando.
Claire riu, piscando de volta.
– vejam só, ele voltou, minha gente – resmungou Sky, soprando uma mecha de cabelo que caíra em seu rosto.
Edward riu, olhando para Lorena, que estava quietinha em sue canto.
– hey, Lorena – chamou.
Ela acenou com a cabeça, indicando que estava ouvindo.
– vem tomar um banho comigo – disse Edward.
Lorena corou, Lee riu.
– cara, fala isso direito – disse, rindo – pegou mal.
Edward riu, Lorena enterrou o rosto nas mãos.
– hey, Lorena. É sério – disse Edward – vem aqui.
– não – respondeu Lorena.
– por que não? – Edward perguntou, fingindo estar curioso.
Lorena abriu a boca para responder, Edward ficou encarando.
– porque eu não estou com vontade – respondeu.
Lee riu, todos nós olhamos para ele.
– Edward, você levou um fora sem querer agora – disse Lee, ainda rindo.
Todos nós rimos, inclusive Edward.
– é a vida, faz parte – disse Edward.
Rimos mais um pouco desse comentário, Lorena ainda estava um pouco vermelha. Jully apareceu, vestia um short jeans e uma camiseta. Sua mão estava enfaixada, ela sentou-se ao lado de Lorena, dando um sorriso para a ruiva.
– Jully, resolveu dar as caras – disse Anah.
Edward percebeu a chegada da garota, sorrindo.
– Hey Jules – chamou, acenando – vem nadar?
Ela negou com a cabeça, fazendo uma careta.
– eu não, tem um assassino aí nessa piscina – respondeu – vai que ele tenta me matar outra vez.
Henry nem ligou para o comentário, apenas conversava com Claire. Edward riu, assim como Anah e Larissa.
– dessa vez eu estou aqui – disse Edward – se ele tentar te matar, eu mato ele na frente.
Jully riu, mas apontou para a mão machucada.
– to contundida – disse – fica para a próxima.
– vou cobrar, fica ligada – disse Edward.
Ela riu, voltando-se para conversar com Lorena. Michael fechou o livro, dando um sorriso satisfeito.
– terminei – anunciou.
Lee arregalou os olhos, expirando pesadamente.
– finalmente – disse – eu já tava cansando de ser ignorado por causa de um livro.
Michael riu baixo, colocando o livro em uma mesinha perto dele.
– não é um simples livro, meu caro amigo – disse Michael, olhando para o horizonte – é da saga Assassins Creed.
– e? – perguntou Lee, abrindo as mãos.
Michael abriu a boca para responder, mas desistiu, respirando fundo.
– deixa para lá – falou.
Lee sacudiu a cabeça, bufando. Michael olhou em volta, ficando um pouco confuso quando avistou Claire, apoiando-se em Henry e rindo.
– quando foi que ela chegou aqui? – perguntou, confuso.
Lee arregalou os olhos, Sky e Talita riram.
– santa distração – disse Lee, encarando o amigo – qual é sua ultima memória recente?
Michael preparou-se para explicar, adotando uma pose mais séria.
– bom, foi quando Edward Kenway... – começou.
– não, não sobre esse bendito livro – disse Lee, cortando a frase de Michael – qual sua ultima lembrança antes de ler?
Michael pensou por dois segundos, antes de parecer um pouco confuso.
– eu sentei aqui e abri o livro – respondeu.
O queixo de Lee caiu, Sky riu.
– poxa, cara – disse Sky, colocando uma mecha de cabelos atrás da orelha – tava concentrado, não?
Michael ia responder, mas Lee passou na frente.
– se um meteoro atingisse a terra, e só o Mike aqui sobrevivesse, ele só perceberia quando terminasse de ler, olhasse em volta, e não visse meu rosto maravilhoso ao seu lado – disse Lee, cético.
Sky revirou os olhos, Michael ria, como se concordasse com Lee. Olhei em volta, rindo. Karen, Anah e Larissa estavam agrupadas, conversando animadamente. Henry e Claire conversavam, sendo que Claire estava toda “carinhosa” com ele. Edward continuava á chamar Jully e Lorena para a piscina, as duas negavam.
– vamos – disse Edward – não me deixem aqui, sozinho.
Karen jogou água na cara dele, deixando Edward confuso.
– nós somos o que? – perguntou a loira – parte da paisagem?
Anah e Larissa riram, Edward fingiu estar irritado.
– vai ser assim? – perguntou, mergulhando as mãos na água – beleza.
Ele jogou água em Karen, que recebeu o jato fechando bem os olhos. Edward começou á rir, Karen arregalou os olhos, decidida.
– as regras – disse Lee, como um locutor de radio – não vale afogar, nocautear, e nem passar a mão.
Todos começaram á rir, iniciando uma guerrinha dentro da piscina. A brincadeira durou cinco minutos, até que todos estavam cansados e fartos de jogar água uns nos outros. Edward deu um grande e satisfeito sorriso, depois pareceu pensar um pouco, dando um sorriso sinistro logo em seguida.
– hey, Lory – chamou, piscando – será que a ruivinha genial poderia me dar aquele maravilhoso pacote de salgadinhos que está aí ao seu lado?
Lorena olhou para o lado, localizando o pacote que Edward queria. Jully franziu as sobrancelhas, lançando á Edward um olhar indagador.
– e por que você mesmo não vem pegar? – perguntou.
Edward deu um rápido aceno com a mão, dispensando o comentário da amiga.
– a Lorena está mais perto, e eu não quero sair daqui agora – respondeu, sorrindo – já viu quantas gatas tem nessa piscina?
Jully revirou os olhos, bufando. Edward riu, enquanto Lorena permanecia parada.
– por favor? – pediu Edward – pega para mim?
Lorena assentiu, pegando o pacote de salgadinhos que Edward pedira. O garoto acompanhou com os olhos o momento em que ela levantou e encaminhou-se em direção á piscina, Edward sorria, como se tramasse alguma coisa.
Tive certa impressão á respeito desse sorriso.
Só tive tempo de registrar o fato de que Lorena abaixou-se para entregar o pacote nas mãos de Edward, antes que essa impressão fosse confirmada. A cena seguinte foi meio chocante, e gerou silencio, causado pelo choque das ações de Edward.
Sério, ele só podia ter perdido o juízo.
Lorena emergiu na piscina, arregalando os olhos e ofegando. Edward sorria, como se tivesse muito orgulho de ter puxado a garota – com roupa e tudo – para dentro da piscina. A ruiva olhou para si mesma, chocada demais para se dar conta de que estava causando agitação nos objetos ao seu redor. Suas roupas estavam encharcadas, assim como seus cabelos ruivos, que estavam colados em seu rosto. Uma boia voou na direção de Karen, acertando a cabeça da loira com força.
– ai! – guinchou.
Isso quebrou o silencio, que, na minha opinião, deveria ter sido mantido.
Lorena virou-se para Edward, tremendo de frio – ou fúria, eu não saberia dizer.
– você ficou maluco! – gritou, vermelha de raiva – que droga, Edward!
Uma cadeira virou, Lorena nem percebeu. Acho melhor ela retomar o controle de sua telecinese, e rápido.
– você disse que não queria entrar na piscina, então eu dei um jeito de te trazer para dentro, sem que você fizesse esforço – disse Edward, ainda sorrindo.
Lorena arregalou os olhos, muito irritada. Outra cadeira virou, infelizmente, ela estava ocupada, e Lee caiu no chão com força.
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Lorena se deu conta de que seus poderes estavam perdendo o controle, e olhou para as coisas que ainda estavam mexendo-se. Ela piscou, as cadeiras pararam de voar, assim como a boia que fora lançada em Karen. A ruiva abraçou seu próprio corpo, ainda tremendo. Edward foi em sua direção, abrindo os braços.
– não me toca – mandou Lorena, afastando-se do garoto.
Ele ignorou sua ordem, e continuou se aproximando.
Quase pude sentir uma nuvem negra no ar.
– solta ela – disse Michael, já de pé.
Edward virou-se para ver de onde a voz tinha vindo, e ele não ficou nada feliz. Lorena desvencilhou-se dos braços do garoto, fungando. Os dois continuavam á se encarar enquanto a ruiva saia da piscina, abraçando-se para tentar se aquecer. Jully correu até ela, enrolando a amiga em uma toalha branca e seca.
– vem, vamos trocar essa roupa – disse, conduzindo Lorena até a entrada lateral da casa.
Assim que as duas desapareceram de nossas vistas, o clima ficou ainda mais tenso. Michael e Edward ainda se encaravam, com mais raiva agora.
– por que diabos você fez isso? – perguntou Michael – ela já tinha dito que não queria.
Edward bufou, irritado.
– eu ainda não sei o que você tem a ver com isso, Rogers – disse Edward.
Michael estreitou os olhos, também irritado.
– e eu ainda não sei qual é a sua idade mental, mas sei que é um numero bem baixo. Nem mesmo uma criança faz esse tipo de brincadeira estúpida – disse, encarando o oponente.
Edward deu dois passos á frente, ficando quase na borda da piscina.
– o que disse? – perguntou.
Michael aproximou-se da piscina, respirando com força.
– o que você ouviu – respondeu – idade mental: baixa. Brincadeira: estúpida. Quer que eu desenhe?
Karen cobriu a boca, Larissa e Anah se entreolharam. Edward franziu a testa, estufando-se ainda mais.
– eu acho que você não devia se meter no que não é da sua conta – disse Edward.
Michael agachou-se, ficando quase da mesma altura de Edward, que ainda estava na piscina.
– e eu acho que você devia medir melhor suas atitudes infantis – respondeu, duro.
– cadê a pipoca uma hora dessas? – cochichou Henry, cutucando o braço de Claire.
Edward tomou impulso para cima, saindo da piscina num movimento muito mais rápido do que o normal. Michael levantou, ficando cara á cara com Edward.
– infantil é ir correndo dedurar os outros – disse Edward – ou você acha isso uma atitude muito madura?
– claro, por que fugir da escola é muito maduro – retrucou Michael – eu fiz o que achei certo, e não era condescender com um grupo de crianças fugindo do bicho papão.
Edward bufou de raiva, e em um movimento rápido, empurrou Michael, que caiu sentado na cadeira. Michael não esperou nem mesmo um segundo para levantar, fechando os punhos e preparando-se para desferir um soco em Edward.
Aquilo teria virado uma briga feia, se Lee não tivesse se metido na frente dos dois, separando-os bem á tempo.
– chega, vamos parar por aqui – disse Lee, afastando Michael.
– que isso, cara? – interviu Henry, franzindo as sobrancelhas – não se mete, deixa eles se resolverem.
Sky levantou, interpondo-se entre os três meninos.
– o Lee tá certo, por mais incrível que pareça – ela disse, tocando o ombro de Michael – vem Mike, vamos sair daqui...
Sua voz foi morrendo, seu olhar ficou desfocado. Michael ainda encarava Edward, ambos com o maxilar travado e os punhos cerrados. Sky piscou, voltando á tona após três segundos de transe. Ela olhou para Michael, um pouco contrariada e confusa.
– Sky? – chamou Lee.
A ruiva sacudiu a cabeça, voltando á apertar o ombro de Michael.
– estou bem, vamos, Mike – disse, evitando o olhar do irmão.
Os irmãos puxaram Michael para longe, Talita levantou e pegou o livro do amigo. Os quatro já estavam na metade do caminho, quando Edward voltou á ficar irritado.
– já vai tarde, otário! – gritou.
Michael virou-se, e já ia voltar quando os três – Lee, Sky e Talita – o empurraram para casa, sem nem olhar para Edward.
– covarde – disse Henry – fugindo em vez de ficar e resolver logo isso.
Larissa e Anah assentiram, concordando. Edward bufou, sentando-se na beira da piscina.
– deixa ele, esse idiota – disse Edward.
– intrometido, não devia se meter na nossa vida – disse Larissa.
– quem ele pensa que é para vir todo cheio de direitos e dizer o que a gente tem que fazer? – disse Anah, irritada.
– ele se acha o certinho, geniozinho, metidinho – zombou Henry.
– repararam que vocês é quem são os errados nessa história? – perguntou Karen, cruzando os braços.
– ele fez o certo, talvez até salvou vocês de uma expulsão – disse Matheus.
Larissa olhou para Karen e Matheus com uma expressão levemente irritada, antes de bufar e sacudir a cabeça.
– mas ele não tinha o direito de fazer isso – ela disse – aquele filho da mãe, metidinho.
– por que vocês não falaram isso quando ele estava aqui? – perguntei, encarando-os – é muito fácil falar pelas costas quando ele não esta aqui para se defender.
Edward virou-se para mim, irritado.
– e você, o que tem com isso? – perguntou.
– não te mete, ninguém te chamou na conversa – disse Henry.
Soltei uma risada carregada de escárnio, sacudindo a cabeça.
– vocês ficam falando pelas costas e ele é o covarde – falei – quer saber? Eu vou embora daqui.
Levantei da cadeira, dirigindo-me á casa sem olhar para trás. Pude ouvi-los dizendo provocações, mas ignorei-os. Entrei na casa, não vendo ninguém no saguão e nem na sala de estar.
– eles devem estar na biblioteca ou na sala de jogos – disse alguém atrás de mim.
Levei um susto, virando para trás quase que por instinto. Era só o Matheus, que deu um impulso para trás por conta da minha reação.
– foi mal, você me assustou – falei.
– igualmente – respondeu Matheus.
Assenti, relaxando.
– por que você entrou? Foi expulso da piscina? – perguntei.
Matheus deu de ombros, negando com a cabeça.
– eu não quis ficar mais lá – respondeu – o clima estava pesado demais para mim.
Assenti, virando-me outra vez. Fui em direção á escada, Matheus me seguiu.
– eu vou procurar os outros, até mais tarde – disse Matheus.
– até – respondi.
Segui para meu quarto, deparando-me com Orion dormindo.
Na minha cama.
– que bonito, não? – resmunguei.
O leopardo me ignorou, deveras, estava dormindo. Revirei os olhos e fui ao banheiro, pegando uma toalha antes de entrar. Tomei um banho, e sai do banheiro. Orion acordou enquanto eu me vesti, bocejou e sentou perto da porta, quase me mandando abrir. Revirei os olhos outra vez, mas fiz o que o animal pedia. Ele saiu quase em disparada, deixando-me sozinho no corredor. Suspirei, fechei a porta e desci as escadas.
Fiquei andando pela escola, sem ir á um lugar em especial. Não tinha nada para fazer, e andar era melhor do que ficar parado. Não vi muita gente enquanto andava, somente quando passei pela biblioteca, e vi Matheus, Rick, Daniela, Bruna, Alex e Christopher. Aparentemente, eles resolveram estudar. Continuei andando, e novamente ouvi vozes, na sala de jogos desta vez. A porta estava aberta, logo, pude ver Michael, Sky, Lee, Talita e Stiles lá dentro.
– hey, Jost – chamou-me Sky, acenando – vem cá.
Fiz o que ela disse, entrei e sentei ao seu lado. Ela me deu um meio sorriso, retribui o gesto com um sorriso tímido. Percebi que eu estava recebendo o olhar de Lee, que tinha pausado o jogo que jogava, só por isso.
– calma, Lee – disse Stiles, dando um sorrisinho – Talita e eu também estamos aqui.
Lee não pareceu ter reações com isso, mas voltou á jogar. Não antes de me lançar um olhar cheio de indiretas. Michael deu um meio sorriso, concentrado em sua tela e apertando os botões do PS3. Sky, Talita e Stiles não jogavam, apenas observavam os dois rapazes jogando como se fosse um ótimo passatempo. Lee jogava GTA San Andreas, enquanto Michael estava mais do que concentrado em passar de fases em seu Assassins Creed 4. Salgadinhos e latas de refrigerante ocupavam uma mesinha vazia, perto dos consoles.
– vocês estão aqui á quanto tempo? – perguntei
Talita olhou para cima, pensando.
– desde que saímos da piscina – respondeu – trocamos de roupa e trouxemos o Mike aqui para esfriar a cabeça.
– e a julgar pela cara dele de concentração, deu certo – disse Lee, atirando em uma velhinha com uma AK47.
– não, ele está concentrado, mas ficou bem pior com o livro – disse Sky.
– concordo – disse Michael, rindo.
Talita e Stiles riram, a garota olhou para mim.
– o que aconteceu depois que saímos de lá? – perguntou, pegando um salgadinho da mão de Stiles – você ainda ficou lá por muito tempo?
Neguei com a cabeça, pude ver que Michael e Lee estavam prestando atenção.
– eu saí logo depois que vocês, não aguentei ficar ouvindo a ladainha do Edward – respondi – eles não pararam de falar, nem mesmo depois que eu saí.
Michael me pareceu um tanto irritado, algumas das latas de refrigerantes começaram á tremer.
– o que exatamente ele estava falando? – perguntou Michael, sério.
– não tem importância, eles são uns idiotas – disse Sky, percebendo a reação do amigo.
Michael olhou para ela, pensando por um segundo, depois voltou sua atenção ao jogo, e as latas pararam de tremer.
– você está certa – ele disse – não tem importância.
Sky estufou-se, sorrindo.
– é claro que eu estou certa, Magneto – disse.
Lee riu, Michael e os outros também. Sky deu uma risadinha, mas logo parou, e ficou fitando os pacotes de salgadinhos com uma expressão diferente. Quase como no momento em que tirou Michael da piscina, era o mesmo olhar distante.
– Sky, você está bem? – perguntei.
Ela piscou, voltando ao normal.
– estou, por que? – perguntou.
– você parece diferente, quase preocupada – falei, ficando um pouco sério – aconteceu alguma coisa?
– eu também percebi, principalmente ontem na aula de astronomia – disse Stiles, também sério – eu te fiz alguma coisa?
Ela não respondeu, Lee suspirou, pausou o jogo e virou-se para encarar a irmã.
– eu acho melhor você falar logo, antes que essa bola de neve fique maior – disse Lee, sério.
– do que você está falando? – perguntou Talita.
Todos olharam para Sky, até mesmo Michael. A ruiva suspirou, mas pareceu vendida.
– okay, eu conto – ela disse, baixando um pouco a cabeça – vocês lembram da aula da Johanna, quando eu disse que podia ver o passado, presente e futuro das pessoas?
Todos assentiram, um pensamento começou á formar-se em minha mente.
– então, eu disse o que podia fazer, mas não disse como – disse Sky, ainda cabisbaixa.
Esperamos, ela respirou fundo uma vez, e ergueu a cabeça.
– eu posso ver o passado de uma pessoa só de tocar nela, e algumas das vezes eu não tenho controle – ela disse, depois olhou para Michael – e foi o que aconteceu na piscina, com você, Mike.
Ela encolheu os ombros um pouco, como se esperasse uma bronca. Michael só pareceu ficar mais interessado e curioso, e nem um pouco irritado.
– o que você viu? – Michael perguntou.
Sky inclinou a cabeça, relaxando um pouco.
– talvez você devesse me explicar, eu não tenho muita certeza se interpretei da maneira certa – ela disse.
Michael e Sky trocaram um longo olhar, ela pareceu ter transmitido bem a mensagem. Michael suspirou, como se tivesse entendido.
– você interpretou certo – ele disse, baixando o olhar.
– sério? – perguntou Sky, arregalando um pouco os olhos – você realmente fez aquilo?
– fiz – disse Michael, erguendo a cabeça.
Sky ainda parecia surpresa, e seja lá o que ela tinha visto, aquilo fez Michael sorrir.
– então foi por isso que você estava estranha comigo? – perguntou Stiles, encarando Sky – você viu algo do meu passado.
– sinto muito, mas sim – respondeu Sky, voltando á ficar com uma cara de culpa.
– foi naquele café da manhã, não foi? – perguntou Stiles, compreendendo tudo.
A ruiva assentiu, ainda culpada.
– eu era criança, não era? – perguntou Stiles.
– exatamente – respondeu Sky – foi mal.
Ela baixou a cabeça, esperando uma bronca, outra vez. Stiles suspirou, mas não fez nada.
– não se preocupe com isso, eu ia acabar contando tudo mesmo – disse Stiles – não tem problema.
Sky levantou a cabeça, sorrindo.
– espera aí, o que de tão importante o Michael fez? – perguntou Talita, curiosa.
Todos olharam para Michael, menos Sky, que exibia um sorrisinho discreto.
– nada ilegal, se é o que vocês estão pensando – respondeu Michael, também sorrindo.
– queremos saber o que foi – insistiu Stiles.
Michael abriu a boca para responder, mas o sinal do almoço tocou.
– recreio no sábado? – perguntou Lee.
Sky revirou os olhos, tacando uma almofada no irmão.
– é a hora do almoço, animal – ela disse.
Michael riu, assim como Stiles, Talita e eu. Levantamos quase ao mesmo tempo, Lee e Michael deixaram os jogos pausados para quando voltassem.
– não pense que vai se safar dessa, senhor “Leio mais do que vivo”- disse Talita.
Michael riu, mas assentiu.
– eu conto depois do almoço, é uma história muito longa para ser contada em minutos – respondeu, sorrindo.
– então que venha o almoço – disse Sky, disparando para fora da sala de jogos.
– faminta – resmungou Lee, pegando Talita pelo braço e levando-a para fora.
Segui para fora, dirigindo-me á sala de jantar, com um único pensamento.
Preciso tomar cuidado com a Sky, aposto que ela não seria tão compreensiva assim com o meu passado.
Algumas coisas devem permanecer secretas.
Imagens do capítulo
Christopher Van Der Pol

Matheus Ritch
Jost Hunter Lancaster

Professora Jasmine Plenkov
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