Saint Agnes Academy - Interativa
2 Primeiros alunos
Notas iniciais
– Jo, o Ash fez xixi no meu escritório! – gritou Leonardo.
Revirei os olhos, largando a mala em cima da minha cama.
– o cachorro também é seu – lembrei
Ouvi barulho de passos, logo meu irmão era visível na porta do meu quarto,
– a ideia de ter um cachorro foi toda sua – lembrou-me, sua expressão irônica me deu raiva.
– eu achei uma boa ideia, já que abrimos nossa casa para animais de estimação – falei, jogando todo o conteúdo de minha mala em cima da cama – quem diria que o Ash ficaria tão agitado com a casa nova.
– verdade, é melhor prendermos ele até se acostumar – disse Leonardo – ele pode estranhar os outros animais.
– eu treinei o Ash – falei – é claro que ele não vai estranhar.
– verdade, foi você quem treinou o Ash – disse Leonardo, irônico – isso explica porque ele fez xixi no meu escritório.
– sai daqui, eu ainda preciso arrumar minhas coisas – falei – a parte dos moveis é por sua conta.
Leonardo saiu do meu quarto, resmungando algo sobre sua maldita força. Revirei os olhos, aos plenos trinta anos, meu irmão se comportava como uma criança ás vezes, só quando estávamos á sós, e isso me deixava irritada. Vivíamos nos alfinetando, desde pequenos, mas eu amava meu irmão, e sei que ele também me amava.
Suspirei, encontrando a camisola que procurava, e finalmente rumando para meu banheiro novo. Liguei a banheira, fiz bastante espuma, despi-me das roupas formais que usava, ansiando pela água morna em contato com meu corpo. Mal pude esperar por entrar na banheira, soltando vários suspiros de alivio, o dia tinha sido muito cansativo.
Eu fora alvo de muitas criticas, dizendo que minha proposta da nova lei, nomeada lei GPM, foi completamente imparcial. Vários opositores me acusaram de favorecer minha raça, pedindo direitos irracionais. Para eles, meu povo não podia nem mesmo conviver com a sociedade, não podia vagar na terra sem um rastreador, nem ao menos de viver. Leonardo tinha razão, eu não devia ter me exposto daquela forma, mas foi a forma que eu achei de desinibir os outros GPM, o modo de mostrar á eles que eles não estão sozinhos, que gente poderosa, assim como eu, está do seu lado.
Ainda que eu fosse a única GPM no controle, muitos aliados meus adoraram minha lei, assim como vários outros cidadãos, gerando assim, novos direitos aos GPM.
Fechei os olhos, relaxando por completo na banheira, tentando não lembrar do meu passado, passado negro, que eu queria esquecer.
Flashback on
Bati minhas pequenas mãos, fazendo pequenas faíscas saírem dela, fazendo Leonardo dar risadas. Minha mãe sorria, olhando para nós pelo espelho retrovisor do carro. Ela tinha orgulho de nós, sempre nos protegeu, apoiou, ensinou e cuidou de nós.
– mamãe, algum dia eu vou precisar de fósforos? – perguntei.
Meus pais riram, esperei pela resposta, mordendo meu pequeno lábio inferior.
– claro que não, Jo – disse meu pai – assim como o Leo nunca vai precisar ir á uma academia.
Ri, Leo bufou, ele odiava sua mutação.
– eu não queria ser forte – disse ele, emburrado – eu queria ser normal.
Meus pais trocaram um olhar preocupado, Leo sempre aceitava á si mesmo, mas de uns dias para cá, ficava sempre dizendo que era estranho, e que não deveria viver em liberdade.
– filhos, escutem bem – disse meu pai, seu tom serio me ganhou – vocês dois não podem lutar contra si mesmos, vocês tem um dom, deviam ficar agradecidos.
– mas pai, eu sou uma aberração – disse Leo, teimoso.
Minha mãe estendeu a mão para trás, Leo pegou-a, nossa mãe sempre fazia isso conosco.
– não, você não é uma aberração – disse minha mãe – nenhum dos dois, nunca vão ser. Vocês dois são especiais, e nós temos muito orgulho de vocês por isso.
Leo deu um pequeno sorriso, o meu foi bem maior do que o dele. Minha mãe voltou sua atenção á estrada, assim como meu pai, que dirigia com cuidado pela estrada molhada e escura. Bati minhas mãos outra vez, fazendo faíscas e mais faíscas voarem pelo interior do carro. É claro que eu nunca faria isso por mal, mas minhas faíscas não me obedeciam, na época. Uma das faíscas voou para o casaco de meu pai, ateando fogo á sua roupa. Minha mãe gritou, meu pai perdeu o controle do carro.
– Jo! – gritou Leo – o que você fez?
– desculpa! – gritei, chorando.
Nosso carro deu um giro na estrada, capotando logo em seguida. Só me lembro de ver uma claridade cinzenta cercar á mim e á Leo, antes de desmaiar.
Acordei com Leo me sacudindo, ele estava desesperado, chorava e chamava meu nome, arfando em busca de ar. Estava calor onde estávamos, mesmo estando de noite, e chovendo. Olhei para o lado, nosso carro estava pegando fogo, á uns três metros de nós. Sirenes dos bombeiros soavam ao longe, logo a ajuda chegaria, mas eu não pensei nisso. Desvencilhei-me de Leo e corri para o carro, as chamas lamberam meu corpo, aquecendo-me por completo, mas eu nunca me machuquei com fogo. O braço da minha mãe estava estirado para fora da janela, ela quase não se mexia, apenas emitia ruídos semelhantes ao do Darth Vader.
– mamãe! – gritei
– Johanna – murmurou, sua voz quase não saia – fuja.
– não, mamãe! – gritei outra vez.
– fuja – repetiu.
Mal tive tempo de processar o ocorrido, foi quando o carro explodiu, lançando-me para trás em alta velocidade. Cai no meio da rua, minhas roupas estavam em chamas, mas eu não se machucava. Minha visão estava embaçada, eu podia não morrer com o fogo, mas minha queda fora muito grave. Vi lampejos de sirenes do carro dos bombeiros antes de apagar por completo, pensando na culpa que carregaria pelo resto da minha vida.
Flashback Off
– au! – disse Ash.
Dei um pulo, agitando a água, deramando-a no chao do banheiro.
– droga Ash – reclamei – você me assustou.
Meu cão latiu outra vez, revirei os olhos, sequei as lagrimas que deixara escapar ao pensar no meu passado. Levantei e saí da banheira, concluindo meu banho e vestindo meu roupão. Ash me seguiu até meu closet, peguei minhas camisola, feliz por finalmente poder despir a pose de líder juvenil. Estava passando hidratante corporal quando a porta do meu quarto foi aberta, revelando Leonardo.
– wow maninha – brincou – ponha uma plaquinha de não entre na porta do quarto, detestaria que nossos novos alunos a vissem assim.
Atirei uma almofada nele, Leo riu e entrou no quarto, e o traíra de Ash foi logo para seus pés, como sempre.
– o que você quer? – perguntei, guardando meu hidratante corporal no lugar certo – eu adoraria uma boa noite de sono.
– já vi que está tensa – reparou, sentando em minha poltrona e cruzando as pernas, como se estivesse em uma reunião – posso saber o motivo?
Expirei pesadamente, Leonardo esperou, fitando-me intensamente.
– devia parar de olhar para as pessoas como se pudesse atravessa-las com o olhar – falei, estremecendo – só estou ansiosa.
– com a chegada dos alunos? – perguntou
– isso – falei – não sei se estou pronta.
Leo riu, piscando os olhos azuis.
– bom, acho melhor você se recompor – falou, levantando-se da minha poltrona – porque já temos alguns alunos lá em baixo.
Tossi pelo nariz, sim, é possível, desde que você esteja nervoso ou surpreso. Meu irmão riu, indo para a porta do meu quarto, com Ash abanando o rabo em seus calcanhares.
– pode recebê-los para mim? – perguntei
– nope – respondeu, estalando a língua – é seu trabalho.
Eu chamaria-o de nomes ofensivos demais para caber na censura do horário, mas Leo saiu do quarto, deixando-me nervosa e arfante. Sacudi a cabeça, eu era muito boa com pessoas, mesmo sendo um pouco explosiva, isso deveria ser muito fácil.
– vamos lá, Johanna – falei, encarando á mim mesma no espelho – sorria.
Vesti outras roupas, não iria descer vestindo camisola, isso aqui é uma escola. Arrumei meus cabelos castanhos, encarei meus olhos grandes e azuis no espelho uma ultima vez antes de dar ás costas ao mesmo.
Dirigi-me á porta do quarto, sai e fechei-o com chave, não é que eu não confie nas crianças, mas Leo tem mania de mexer nos meus livros. Caminhei pelo corredor á passos firmes e decididos, não podia demonstrar nervosismo, a ideia tinha sido minha, e eu tinha o dever de proteger aquelas crianças. Desci as escadas, atraindo todos os olhares dos presentes. Confesso que meu coração deu um salto mortal ao vê-los, eram nove ao todo, todos diferentes, mas tinham o mesmo olhar.
Parei no ultimo degrau da escada, sorrindo acolhedoramente. Alguns deram sorrisos gentis, outros levemente hesitantes, eu precisava me fazer confiável.
– sejam muito bem vindos á Saint Agnes Academy – falei, olhando em cada jovem rosto na minha sala de estar – sou a Senhorita Parker, é um prazer conhecê-los.
Soltei um pequeno suspiro, peguei uma prancheta que estava em cima da minha mesinha da centro, provavelmente deixada lá por Claire, minha prima.
– sentem – falei – eu vou conferir as matricula, fiquem á vontade.
Os jovens sentaram, eu preferia ir á meu escritório, mas não queria passar essa impressão á eles, eu não queria ser a coordenadora severa e chata, eu queria que eles confiassem em mim, portanto, sentei na poltrona central e esquadrilhei a lista.
– vejamos, Karen Marie Northman – falei.
Uma linda garota de cabelos dourados, intrigantes e belos olhos dourados, assim como seus cabelos e boca bem traçada levantou a mão.
– aqui, senhora – falou, educadamente.
Sorri para ela, que retribuiu meu sorriso com um doce repuxar de lábios.
– Rick Stevenson – chamei, levantando o olhar da lista.
– aqui – respondeu.
Era um garoto magro, tinha olhos castanhos e cabelos pretos, tinha um rosto belo, embora tímido no momento, pois todos os presentes olhavam para ele.
– Bruna Broedel Pandofy – chamei.
– aqui – disse uma garota.
Tratava-se de uma garota morena, com cabelos curtos e cacheados. Estava um pouco acima do peso, mas eu não ligava, já que fora assim pela maior parte da vida. Sorri para ela, para mostrar que ela seria bem tratada aqui. Recebi seu sorriso com grande satisfação, eu adoro quando sorriem para mim.
– Lian Lee Jones – chamei.
– aqui – respondeu um garoto.
Confesso, ele era lindo. Tinha olhos verdes e cabelos castanhos claros, corpo definido, sem exageros. Sorri para ele, ganhei um sorriso cativante em resposta, garoto lindo.
– Skylar Jones – chamei.
A garota sentada ao lado de Lee levantou a mão, tinha olhos verdes, assim como Lee, cabelos ruivos e corpo delicado, era bonita como Lee.
– são irmãos – afirmei
– exato – disse Lee.
Assenti, sorrindo para ambos.
– Alex Jones – chamei.
Um garoto de cabelos e olhos castanhos claros dirigiu-me um aceno de cabeça, era atlético e alto, também muito bonito.
– Lorena Lower – chamei.
– aqui – respondeu uma garota.
Era uma bela garota, cabelos ruivos e lisos até o meio das costas e olhos azuis. Estava corada, demonstrando ser tímida, algo que chamou minha atenção. Sorri para ela, ganhei um sorriso tímido em resposta, que fofa.
– Stiles Hale – chamei.
– aqui – respondeu um garoto.
Tinha olhos castanhos, lábios finos e cabelos também castanhos, arrepiados e não muito curtos. Tinha músculos bem desenvolvidos, mas não era nenhum exagero. Vestia uma camisa do Thor, e isso me deixou sorridente, eu amo super heróis.
– Jully Blake – chamei.
Uma garota de cabelos tão negros que chegavam á ser azulados levantou a mão, gesticulando para mim. Tinha olhos verdes intensos e uma franja que caia em seu rosto, seu corpo era definido, era uma garota bonita.
– muito bem, somos só nós, por enquanto – falei.
Baixei a prancheta na mesa de centro, encarei os presentes, que me olhavam com curiosidade.
– permitimos animais, não se preocupem com a sujeira – falei – espero que não tenham medo de cachorro. Dirijam-se á mim para informar sobre seus animais, eles podem circular livremente pela casa.
Como se tivesse um sensor no anus, Ash desceu as escadas, cumprimentos os presentes com um latido, eu o ensinara á fazer isso. Meu cachorro sentou aos meus pés, encarando os recém-chegados com ar de superioridade, como se desse as boas vindas.
– esse aqui é o Ash – falei, acariciando a cabeça do meu cachorro – não se preocupem, é treinado.
Alguns sorriram para o cão, Sky ficou um pouco tensa.
– senhora, eu tenho uma gata – falou.
– não se preocupe, Ash não avança, á menos que eu mande – falei.
Ela assentiu, um pouco mais relaxada. Levantei da sofá, Ash levantou, esperando por movimentos meus.
– vamos ver os quartos? – chamei
Eles levantaram, fui seguida pelos novos alunos até o segundo andar.
– se olharem em suas fichas, vão ver o numero dos quartos – falei, indicando o corredor – amanhã eu informo as regras, desejo á todos uma boa noite de sono.
Sorri para eles conforme meus novos alunos passavam por mim no corredor, Ash ficou em alerta ao ver a gatinha de Skylar, pude ver Lee ficar com expectativa, algo me diz que ele adoraria ver a gata estraçalhada.
– fica, Ash – mandei – não avance.
Meu cão obedeceu, Skylar sorriu, agradecendo, já Lee, conseguiu ocultar bem seu desapontamento.
Assim que todos entraram em seus quartos, soltei um suspiro, tinha sido tranquilo, mas minhas pernas não paravam de tremer, eu fiquei muito nervosa com a situação.
– pelo visto você conseguiu agradar – disse Leo, aparecendo atrás de mim no corredor – nenhum deles saiu correndo.
– sua ajuda foi ótima, obrigada – falei, ironicamente.
– boa noite para você também – resmungou, indo em direção ao corredor norte.
Revirei os olhos, fui em direção ao meu quarto, entrei e fechei a porta.
– ufa! – suspirei.
– au – concordou Ash
Sorri para meu cão, troquei as roupas e vesti minha camisola, caí na cama em três minutos, com Ash ao meu lado, envolvendo-me com as patas. Abracei meu cachorro, era melhor que um ursinho, e muito mais quentinho. Fechei os olhos, escutando o ressonar rústico de meu cão.
Aquelas crianças eram bem diferentes, mas de certa forma, iguais. Todas tinham peculiaridades, desejos e personalidades diferentes. Todos deviam estar pensando exatamente a mesma coisa, que talvez não se adaptariam aqui. Mas nossa escola tinha um diferencial, nós os aceitaríamos, e cuidaríamos deles.
Eu buscava uma nova família, pessoas iguais á mim, e teria.
Só espero que dê tudo certo, odiaria incendiar por acidente o prédio todo, outra vez.
Fotos:
Johanna Beth Parker
Leonardo Edmund Parker
Ash
Se quiserem ver a foto de seu personagem, mandem o link por MP.
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