Meu primeiro passo no térreo foi sonorizado com som de vidro quebrando. Andei alguns passos para ver se alguém aparecia. Ouvi passos a minha direita.

— Finalmente você apareceu!_ disse Carla para minha surpresa, ._ Por aqui, estamos arrumando as coisas, vamos ter visitas.

Segui Carla até a sala que, na noite passada, havia sido a sala de jantar. A mesa de jantar estava virada do outro lado do salão, os belos pratos e taças estavam em cacos pelo salão e a maioria dos destroços estava coberta de gosma verde.
Olhei em volta. Miguel limpava a mesa antes de levanta-la, Daniel tentava inutilmente tirar uma cadeira da parede.

— Eu vou ajudar Ana a trazer os materiais de limpeza._ disse Carla._.

— Hum... Okay.

Ela saiu do salão e eu segui em direção de Daniel estava.

— Que guerra em?_ disse por trás dele._.

— E não sou eu que estou ganhando._ Ele respondeu sorrindo._.

— Quer ajuda?

— Por favor!_ Ele implorou._.

Ri. Levantei a madeira meio presa que estava atrapalhando a saída da cadeira da parede.

— Ufa._ Ele disse aliviado, limpando o suor da testa._ Acabei._ele olhou em volta observando e notou que ainda tem muito trabalho._ou talvez não...

Estava quase me oferecendo para ajudar, quase, mas nesse momento Ana, Marcela e Carla entraram no salão. Meu olhar cruzou com o de Ana rapidamente. Eu percebi tensão nela, algo que só eu e Marcela conseguimos entender.
Daniel deve ter percebido o clima é começou:

— Olha Kath..._ Começou._.

— Kath? Quem te deu a liberdade para me chamar de Kath?_ Eu ia continuar, mas Daniel me lançou um olhar significativo._.

— Eu sei como você está se sentindo Kath, mas eu peço que você não fique com raiva da Ana ela não teve culpa, foi uma medida necessária.

— Tudo bem. Não se preocupe, não estou com raiva dela. Nem de ninguém daqui._ Senti uma pontada forte na cabeça._ Eu só... Queria que isso tudo fosse um pesadelo. Eu sei que deveria estar feliz por ter a confirmação de que eu tinha uma família, mas... Eu não paro de pensar que eles correm perigo.

— Ei, relaxa. Aposto que eles devem estar no castelo de vocês. Comendo bolo e tomando chá, esperando você chegar.

Sorri com aquele comentário.

— Vou ajudar as meninas a arrumar a mesa. Não pense que eu dou sua amiga, senhor "Não fiquei com raiva da Ana"._ Disse fazendo uma péssima imitação de sua voz.

Ele ri fazendo uma careta. Me afasto dele e me junto às meninas, Carla me viu e mandou eu arrumar os pratos nos lugares demarcados agora por cadeira na mesa que a minutos atrás estava estatelada no fundo do salão. Ana seguia minha direita.

— Você está com raiva de mim?_ Ela perguntou na metade do trajeto._.

Marcela parou pra ouvir a resposta, e Carla também.

— Não, claro que não. Um pouco confusa, mas raivosa nunca.

Ouve uma sequência de suspiros de alívio ao ouvir minha fala. Dei uma risada.

— Não creio que me achavam tão rebelde a esse ponto.

— Bom, vindo de você pode-se esperar tudo._Disse Macela._.

Todas nós rimos. O clima de tensão que estava no ar havia sumido. Quando terminamos de arrumar tudo, sentamos à mesa e fomos conversar.

— Vamos Kath._ Disse Ana._ Sei que tem várias perguntas em mente.

— Como você sabe?_ Perguntei._.

— Eu te conheço._ Disse simplesmente._ Pode falar.

— Okay, lá vai... O que literalmente é você? Porque eu já entendi que sou uma princesa de um reino mágico, mas não entendi seu papel na história.

— Você tirou a pergunta da minha mente Kath._ Disse Marcela._.

— Eu sou uma fada, necessariamente, uma fada assistente. O que é uma honra porque é um cargo difícil das subdivisões das fadas e...

— Espera aí._ disse._ Existem subdivisões das fadas?

— É..._ Ela disse fazendo uma cara do tipo: Não dá para acreditar que você não sabia disso._ Continuando, meu "papel na história" é cuidar de você. Exatamente como uma assistente social, eu cuido dos seus horários diários, suas reuniões, suas provas de roupas e várias outras coisas. Cada fada assistente é responsável pelo seu membro real. Eu sou responsável por você Katharina, a Carla é responsável pela Marcela e o Miguel é responsável pelo Daniel.

— Não me surpreende o Miguel ser o assistente do Daniel, mas a Carla ser a assistente da Marcela. Isso me surpreende, eu achava que vocês não se conheciam.

— A gente tinha as mesmas aulas juntas._ Disse Marcela._ Acabamos virando amigas.

— Nem me contaram... Mas, tudo bem. Voltando ao assunto Ana, se você é a minha assistente pessoal, então eu posso mandar em você.

— Não. Quando você não tem maturidade para isso.

Conversamos por um tempo, os meninos entraram na conversa alguns minutos depois. Estava tudo bem, quem olhasse de longe acharia que éramos adolescentes normais conversando em um prédio abandonado e destruido, nada com que se preocupar.

— Hãn, gente..._ Disse Carla, com a voz trêmula, no meio da conversa_ Você deviam ver aquilo..._ Disse apontando para a janela virada para o central park._.

Virei para olhar. Me arrependi na hora. Vários homens sapos viam em nossa direção pulando de árvore em árvore, alguns já atravessando a rua.

— RÁPIDO!_ Gritou Ana._ Pelas portas do fundo.

Saímos correndo do salão na hora exata que os monstros atacaram. Corremos para a cozinha e atravessamos as portas do fundo, que dava para um beco sujo, escuro e bastante úmido.

— Conseguimos?_ perguntei recuperando o ar._.

— Provavelmente, sim. Eles não são muito inteligentes._ disse Ana._.

Aí tudo foi para o buraco. Ouvimos o piar de Águias. Olhei para cima, sobre nós duas águias negras gigantes voavam em círculos.
Ana praguejou em uma língua desconhecida.

— Águias de Kingkston, estão avisando onde estamos. Rápido, temos que sair daqui.

Saímos correndo mais uma vez pelo labirinto de becos da cidade de Nova York. Os homens sapos nos encurralaram em um beco sem saída minutos depois.

— Não sei se é bom perguntar._ disse Marcela, andando para trás._ Mas, o que são eles?

— Eles são grouphs. Sapos de muskeg. Foram criados pela...

— Não precisamos saber a história de vida deles._digo pegando um pedaço de madeira de uma lixeira, andando de ré também._ Eles têm alguma fraqueza?

— Tem! Prata é fatal para eles._disse Carla._.

— Ótimo._ Disse Daniel._ Prata está em falta._ Ele jogou uma garrafa de vidro em um grouph. E isso só o deixou mais bravo._ Alguma outra fraqueza?

— Não._disse Miguel._ Que nós soubemos não.

Cheguei ao final do beco antes dos outros. Comecei a bater nos tijolos da parede para ver se abria alguma passagem para o beco diagonal nova-iorquino ou algo do tipo. Não apareceu nada. O que me restou foi ficar encostada na parede olhando diretamente para os grouphs.
Então do meio da legião, apareceu o maior de todos os grouphs, ele era o mais musculoso, mais alto, sua pele era de uma azul passando para o verde. Ele olhava diretamente para mim.
"Ótimo, vou morrer nas mãos de um homem sapo azul e nem vou ter tempo de apreciar minha vida de princesa."
Cruzei meus braços na frente do rosto, de olhos fechados, esperando um ataque.
Senti um formigamento nas pontas dos dedos, no instante seguinte, não havia mais som de grouphs.
Abri os olhos e só encontrei uma poça de lama verde.

— Hãn, gente._ disse._ Podem abrir os olhos.

Todos abriram os olhos. E fizeram a mesma cara de desentendimento que eu.

***

— Cano com revestimento interior de prata._ disse Ana, tocando no cano que voltava ao seu lugar na parede. Que tipo de pessoa revestia o cano com prata?_ A água deve ter pegado uma pouco da prata do cano e isso matou os grouphs.

— Mas como a água saiu do cano?_ perguntou Carla._ Isso está parafusado na parede. Só sairia com magia...

— Isso é impossível..._ Interrompeu Ana._.

— Ana._ Disse Miguel._ Depois de todos esses anos, pode ser verdade. Mas quem?

— A Kath mexeu os braços...

Todos olharam para mim.

***

— Aqui, aqui, aqui._ Ana me empurrou dentro de um café de esquina._ Senta.

Eu sentei juntou com os outros na última mesa da vitrine.

— Dá para alguém me explicar o que está acontecendo?_ disse._.

— Também quero saber._ disse Marcela._.

— Há a possibilidade que você tenha conjurado magia antiga._ disse Ana._.

— Que seria...?_ disse._.

— Aqui não!_ disse Ana, ansiosa._ Pelo menos, agora não!_ Ela olhou pela vitrine._ Ela já deveria ter chegado.

— Ah, não se preocupe Srta. Winter._ disse alguém atrás de mim._ Eu acabei de chegar.

Ana olhou para a pessoa atrás de mim, se endireitou na cadeira, sentando de um jeito formal e disse:

— Está atrasada, Jasmine.