Quando chegaram a voz fantasma chegou, eu senti falta da pista de ácido. Mas eu estou me adiantando. Depois do primeiro desafio, entramos em um corredor muuuito longo. Kitty veio com a gente e, por incrível que pareça, virou amiga de Marcela. Elas passaram o caminho todo falando sobre livros e filmes (eu nem sabia que Kitty conhecia tantos livros e filmes), um tempo depois uma luz apareceu no fim do túnel (nossa que frase clichê). O túnel dava para um caminho estreito sobre um poço de uma coisa florescente que eu literalmente não queria saber o que era.
Eu já ia pisar na pequena madeira que nos serviria de ponte, quando Kitty me puxou de volta.

— Tá querendo se matar?_ Ela perguntou irritada._.

— Aquele é o único caminho, por onde você acha que nos vamos passar?._ perguntei_.

— Não é disso que eu estou falando, é lógico que esse é o único caminho. Mas eu estou falando que você não percebeu os buracos de flechas nas paredes.

— Buracos?

Foi então que eu reparei que nas duas paredes haviam vários buracos, como se tivessem sido atingidas por metralhadoras carregadas de balas gigantes.

— São armas escondidas._ disse Kitty, já no início da pequena ponte de madeira._.

Antes que eu pudesse dizer algo ela flutuou até ⅓ da ponte. Ouvimos um som de engatilhado e depois uma saraivada de flechas atravessou o corpo de Kitty como se ela não estivesse ali.

— São canhões de alta precisão._ Disse ela olhando em volta._ Atiram em qualquer coisa que aparecer aqui com flechas flamejantes.

Ela voltou para dentro do corredor. E nesse instante uma voz computadorizada falou:

— Meta2000 vazia, 5 minutos para o carregamento completo.

— Essa é a nossa deixa._ disse Kitty correndo em direção da ponte, nos puxando, mas nós paramos antes._.

— TÁ FICANDO DOIDA?_gritou Marcela._ Quer nos matar?

— Meta2000 carregando, 4 minutos para carregamento completo.

— Essa é a nossa chance, temos tempo para passar na ponte._ disse Kitty._.

— Kitty, querida._ disse com uma voz falsamente carinhosa._ eu não consigo tenho equilíbrio para andar em uma tábua no chão, como você acha que eu vou conseguir andar numa tábua que está sobre um lago verde florescente borbulhante em 5 minutos?

— São três minutos agora._ disse ela baixinho e suspirou._ Eu acho que vocês estão certas. Vocês nunca conseguiriam atravessar isso. Vocês são muito frágeis.

EPA! Para um pouco, volta a fita. Ela disse isso mesmo produção? Entao, agora foi para o lado pessoal! Ninguém, leram? NINGUÉM! Me chama de covarde.
Picarejei e caminhei lentamente até a o começou da minúscula ponte.

— Meta2000 completa. Preparada para matar os intrusos.

— Kitty, vai lá e descarrega esse negócio de novo.

— Pensei que nunca fosse pedir._ ela sorriu e saiu._.

Virei para Marcela, que suspirou e disse:

— Eu não acredito que você vai me obrigar a fazer essa loucura.

— Não seria minha vida se não tivesse loucura.

— Com certeza._ ela rio._.

E então Kitty voltou, ela tinha descoberto mais dois pares de armas, ela os descarregou também. De alguma forma, Kitty conseguiu dez minutos para nós.
O início da ponte foi fácil, mas a partir da metade a coisa ficava quente, literalmente quente. Aquele negócio parecia borbulhar mais a cada passo que nós dávamos. Quando terminamos de atravessar, meus braços estavam cheios de bolhas e meu pé estava doendo.

— Eu prometo que vou esgoelar quem criou esses desafios idiotas._ Eu disse._.

— E eu te ajudo._ disse Marcela._.

Atrás de nós uma porta de pedra se abriu para outra câmara.
Está era bem mais arrumada, o piso era de ladrilho cor creme, as paredes eram compostas de espelhos que chegavam até o teto. E o mais importante, tinha ar condicionado.
Assim que passamos a porta de pedra se fechou.

— Então é aqui que estão os fios quase invisíveis?_ falei._ Para mim parece bem invisível.

— Acho que eu tenho a solução._ disse Kitty, que pegou um saquinho cheio de pó dourado._.

— E isso seria...?

— Ora, isso é pó grudento. Se os tais fios estão aí nós vamos descobrir.

Ela abriu o saquinho e sobrou, o pó flutuou por toda câmara e foi grudando em todos os minúsculos fios que se encontravam esticados de lado a lado a partir de todos os espelhos.

— Agora eles são quase invisíveis._ disse Kitty sorrindo._.

— E extremamente finos._ disse Marcela se abaixando para tocar o fio, para depois se cortar._ Ai._ ela disse antes de começar a sugar o lugar onde havia cortado._ Temos aí uma situação possivelmente problemática.

— Possivelmente problemática?_ olhei para ela._ Me diga quando foi que viramos ginastas olímpicas?

— Eu sempre fui._ disse Kitty._.

Ela estralou os dedos, deu um salto de ginasta, para depois fazer uma série de movimentos de ginástica passando por cada fio sem um arranhão.

— Tandan!_ disse ela quando chegou do outro lado._.

Olhei pra ela.

— Kitty, a gente continua aqui.

— Foi mal...

— Vamos Marcela. Teremos que ir do jeito mais difícil.

— Qual?_perguntou ela._.

— Desviando dos fios.

Ela suspirou e foi na frente. No decorrer do caminho eu me toquei do motivo daquela sala ter espelhos e ar condicionado. A cada movimento errado que fazíamos, um novo corte surgia e, pelos espelhos podíamos ver como eles eram fundos e feios. O ar condicionado não ajudava em nada naquela situação, para falar a verdade ele piorava os cortes. Eu terminei de atravessar a sala com vários cortes nos braços e um corte na minha bochecha.

— E você achando que estava estava começando a ficar fácil._disse Kitty me ajudando a levantar._.

— Ha ha ha, engraçadinha._ digo sarcástica._.

Ajudei Marcela a se levantar no mesmo instante que uma porta surgiu e se abriu.

— Esse é o último desafio._disse Kitty séria._ Estranho... não vejo nenhum perigo eminente.

— Isso é bom, não é?_ falei._ Isso quer dizer que vamos entrar em um lugar normal finalmente.

— Eu não sei mais o que esperar._disse Marcela._ Só espero que essa confusão toda me renda um futuro confortável._então ela passou pela porta._.

Assim que eu e Marcela passamos o portal se fechou trancando Kitty do outro lado. Nós tentamos de todas as formas fazer com que o portal se abrisse, mas era impossível.

— Tenta chamar ela pela mente._sugeriu Marcela._.

No mesmo instante uma risada maligna ecoou pela sala.

— Tentar é inútil, princesa.

Eu e Marcela viramos rápido e acabei me surpreendendo com a beleza da sala (mesmo estando em perigo eminente), era uma sala circular pintada de azul com detalhes em dourados. No fundo da sala estavam dois cilindros de vidro que protegiam as moedas de pratas.

— Acharam mesmo que seria tão fácil?._ disse a voz._.

Franzi a testa. Eu conhecia aquela voz.

— Confesso que vocês e seus amiguinhos são bem difíceis de matar. Acabaram com a maioria dos meus melhores homens.

— Vamos, apareça!_ Gritou Marcela._.

"Lembra, lembra, lembra", que porcaria não conseguia lembrar.

— Meus negócios não são com você, filha de Livrânia._ Marcela caiu desmaiada._.

— Marcela!_gritei desesperada._.

— Mas sim, com a princesa Katharina. Lembrasse de mim vossa alteza real?

Calma, eu tinha que manter o foco.Aquela era a peça que faltava na minha memória.

— Epaminondas?_ sorri surpresa._ é você?

— Ah, pelo amor. Não me chame desse jeito._ disse Epaminondas._ Esse nome é horrível.

— Ora, Epi. O que você fez? Você era como da família.

— Da família? Eu nunca fui da família. Eu era um capacho da família real. Ninguém me respeitava, principalmente a senhorita._ ele ficou em silêncio._ Mas tudo mudou quando eu vi a senhorita controlando poder antigo, busquei nos livros amaldiçoados um meio para acabar com a tirania do império. Então encontrei um meio para o retorno das trevas e ataquei o palácio na sua festa super especial.

— Que plano maquiavélico._ Disse fingindo medo e horror._ Mas me diga como você está aqui?

— Ah, isso é muito simples. Esse é um fantasma transmissor, muito fácil de ser encontrado, mas se esgota depois de falar demais.

"É isso."

— Posso perguntar o que vai acontecer comigo, agora que você me pegou?

— Ah! Eu vou retirar de você cada gota de magia. Você vai virar um nada.

— Oh não, por favor!

Ele rio.

— Como se você fosse a Elementista. Você é fraca de mais, fra... fra... frágil de... de... dema... ma... mais. O... o... o... que está... tá... acontecendo?

— Ora meu caro, você esgotou sua cota de energia. Você que é fraco.

Então ele soltou um daqueles "nãos" exagerados e sumiu. Corri até Marcela.

— Acorda, acorda._ disse abanando ela._.

— Kath? É você?

— Claro sua grande idiota quem mais seria?_disse sorrindo aliviada._.

Ela rio e se sentou. Quis saber de tudo que eu havia feito, e eu resumi tudo em "fiz ele contar a história de vida dele".

— Então o que fazemos agora?_ perguntou Marcela tirando a poeira da roupa._.

Os cilindros atrás de nós levantaram, deixando sem proteção as moedas.

— Acho que é só pegar.

Caminhamos até as moedas, eu fiquei com o cilindro da direita e Marcela, naturalmente, ficou com o esquerdo. Assim que toquei na moeda, a silhueta de um colar brilhou e eu sumi.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.