Saga Starion - Os Quatro Elementos
4 Chapter III
Já faz dois meses desde o começo das aulas. E eu tenho algumas "novidades". Bom, em primeiro lugar, eu encontrei Daniel novamente, acabei descobrindo que ele era do quarto de Miguel. E a nossa convivência não está sendo nada amistosa. Ele é muito CHATO! Bom, para começar ele é o que eu considero um garoto i, o que é o garoto i? Bom, esse tipo de garoto é: idiota, irritante, irônico, insuportável... Resumindo, todo o tipo de adjetivo com i, (incluindo inteligente, incrível...). Acordei naquela manhã de inverno com Ana me sacudindo.
— Acorda Katharina!_ Ana me chamou apressada._.
— Hã..._ bocejei._ Que horas são?
— Seis e meia da manhã._ Ela respondeu._.
— Porque você me acordou tão cedo?_ Perguntei cobrindo a cabeça com o edredom._.
— Hoje é o dia da excursão para Nova York lembra?_ Ela disse entusiasmada._.
— Ah é..._ Disse eu me lembrando da excursão._ Eu sou mesmo obrigada a ir?
— É, agora levanta._ Ela disse pondo fim na minha birra pra ficar na cama._.
Eu sinceramente não estava nem um pouco entusiasmada para ir nesse passeio. A excursão surgiu da necessidade da diretora Caterine de uma viagem para um projeto escolar, então veio Ana e deu a brilhante ideia de uma viagem para Nova York. Essa ideia de viagem escolar nunca me agradou, mas como uma opinião contra a opinião da escola inteira não mudaria nada resolvi me manter calada.
Sai do banheiro, já vestida, secando o cabelo com uma toalha. Marcela estava penteando os cabelos, enquanto Ana checava outra vez se estava com tudo em sua mochila. Segui até a janela do lado da minha cama, abri e uma brisa fria invadiu o quarto.
— Ana você tem certeza que excursão irá sair? Nevou tanto ontem à noite._ Disse com um sorriso no rosto, ao pensar na possibilidade da excursão não sair._.
— Você bem que gostaria que não saísse, mas sim, a excursão irá sair. Acabei de falar com a diretora Caterine e ela me confirmou que está tudo pronto para a viagem._ Ela respondeu._ Ah, estou tão animada!
Sorri. Não via Ana tão feliz, desde o dia que ela virou presidente do grêmio. Então eu me lembrei de um problema antigo que eu tinha que resolver antes da viagem.
— Eu vou sair.
— Ãhã, mas volta logo, a excursão já vai sair._disse Ana checando pela 8 vez a mala._.
— Claro, volto sim.
Fui até o armário e peguei o meu casaco. Quando eu estava quase chegando à porta, Marcela me segurou. Ela movimentou a boca falando sem som a frase "toma cuidado.". Assenti e sai do quarto. Marcela tinha se tornado muito mais preocupada comigo depois que uma águia negra gigante flamejante tentou nos matar quando estávamos saindo da aula de artes. A partir de então ela começou a acreditar na história do homem sapo.
Coloquei o capuz do casaco, e fiquei imediatamente invisível. Segui pelos corredores da escola, havia vários alunos correndo de um lado pro outro, arrumando as mochilas às presas. Desviei de vários até chegar às portas que davam ao terraço do dormitório. Por algum motivo todos nem pareciam me notar. Subi uns dois lances de escadaria e cheguei ao terraço, este que estava todo branco por causa da neve. Fui até a beirada do terraço e me sentei.
— KITTY!_ Gritei. Minha voz ecoou pelo campus da escola._.
Tirei o capuz. Fiquei um tempo sozinha, quando de repente uma menina de calça legue cinza, blusa social cinza, e meias com listras combinando, seu cabelo era amarrado num rabo de cavalo e sua cara era tipicamente sonolenta.
— Miau!_ Ela disse como um bocejo, me fazendo bocejar também._ O que fez a senhorita me acordar em plena madrugada depois de tanto tempo?
— Plena madrugada? Já são quase sete da manhã.
— Ou seja, madrugada._ Ela retrucou._ Mas então..._ Ela sumiu e apareceu à minha direita.__... Qual o assunto dessa reunião tão..._ ela sumiu e disse._... Inesperada?_
— Eu tenho perguntas para você.
Ela apareceu sentada no lado oposto do que eu estava em posição borboleta lixando as unhas.
— Miau, você sabe chefinha que o acordo é: um favor por pergunta.
— O que você quer?
Ela abriu um largo sorriso sinistro. O corpo dela sumiu deixando o sorriso por ultimo.
— Você tem sorte de eu ser uma gatinha tão boa..._ Ela disse enquanto flutuava deitada em minha frente, depois sumiu de novo e apareceu em pé na minha frente._... Eu vou pedir só um favorzinho por todos os seus questionamentos: eu quero que você me chame mais, é chato passar o tempo todo em... Bom não importa. Feito?_ Ela perguntou estendendo a mão._.
— Feito._ Disse apertando a mão dela._ Inicialmente é o seguinte: se eu sair da cidade você vem comigo ou você não sai daqui?
— Ah, só isso? Bom, pode ficar feliz porque eu vou te atazanar para o resto da vida, aonde você for eu vou chefinha.
Sorri. Conheci Kitty assim que cheguei à escola, ela estava presa em um candelabro de parede da área histórica do colégio. Depois que eu a soltei, ela ficou me devendo e acabou virando como um gênio da lâmpada para mim. A maioria das encrencas que eu me metia, eram sempre envolvendo algum plano maluco dela. Por algum motivo só eu podia vê-la, por algum motivo eu achava normal ter um ser mágico como amiga. Ela havia me dado aquele casaco, disse que meu passado estava ligado a ele, mas eu nunca descobri como.
— Eu tenho algumas coisas pra te contar chefia..._ Ela parou, e fitou a porta._ Tem alguém chegando...
— Kitty espera o que você ia... Falar._ Não adiantou, ela já havia sumido._.
Fiquei ali parada, sozinha, olhando pro nada. Até que ouvi passos atrás de mim.
— Sozinha de novo?_ Disse Daniel._ Você sabe que isso não é bom pra você._ Ele disse sentando do meu lado._.
Revirei os olhos.
— Você não vai esquecer isso?_ Disse lembrando quando contei a ele sobre o ataque da águia negra gigante e ele não acreditou._ Eu já falei que é verdade.
— Só acredito vendo._ Ele disse, depois olhou pra frente e ficou observando a paisagem._ Mas agora é sério, qual o motivo pra você ficar aqui em cima sozinha?
— Eu precisava pensar um pouco antes da excursão._ Suspirei só de lembrar a excursão estúpida._.
— Ah é, a excursão. Dá pra acreditar que estamos sendo obrigados a ir à Nova York. Eu sei que deveria ficar animado, mas tenho a sensação que...
— Algo ruim vai acontecer._ completei, com um mínimo sorriso no rosto._.
— Exatamente._ Ele disse com um sorriso no rosto._.
Respirei fundo e disse:
— Sabe, até que às vezes você não é tão irritante.
— Talvez você devesse me conhecer antes de ficar brava todas as vezes que eu apareço.
— É talvez... Mas isso não vai acontecer tão cedo.
— Eu acho que posso esperar._ Ficamos em silêncio por um tempo, até que ouvimos uma gritaria lá em baixo, e vimos à aproximação de quatro ônibus amarelos._ É, parece que a excursão já vai começar._ Ele disse levantando e colocando as mãos nos bolsos do casaco._ Você vem?
— Já estou descendo._ respondi olhando pra ele._.
— Ok, mas venha logo. Não quero que Ana arranque minha cabeça._ Ele sorriu e foi embora._.
Fechei os olhos e deixei que o vento batesse em mim. Olhei para baixo e vi a turma do 6º ano entrando em um dos ônibus. Era melhor eu descer. Quando cheguei à porta, ouvi alguém sussurrando: Não é possível fugir filha de Starion, eu irei conseguir a sua aniquilação logo, logo. Virei. Nada, vazio.
Coloquei o capuz, me tornando novamente invisível, e segui para o quarto.
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