Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
47 A Perseguição Real
A paz pós-tempestade no quarto de Caelum era absoluta. O silêncio era preenchido apenas pelo som das respirações ritmadas e pelo calor da pele. Catarina repousava a cabeça no peito do príncipe, traçando desenhos invisíveis em sua pele, quando ele, com um movimento lento, alcançou a mesa de cabeceira.
Caelum esticou a mão e trouxe uma pequena caixa de veludo azul-profundo.
— Catarina — ele sussurrou, a voz rouca e carregada de uma seriedade nova. — Eu não quero mais ter que te esconder debaixo da minha cama ou te encontrar escondido em cachoeiras. Quero que você seja a Rainha deste reino ao meu lado. Você aceita se casar com o homem mais amargurado de Astúria?
O coração de Catarina parou por um segundo. Ela abriu a boca para responder, com os olhos brilhando, mas o destino tinha outros planos.
A porta voou com um estrondo. Julian entrou falando a plenos pulmões, sem bater:
— Caelum! O emissário do Norte acabou de chegar e ele trouxe... — Julian estacou. Seus olhos saltaram das órbitas ao ver a irmã e o melhor amigo sob os lençóis, claramente sem roupas. — POR TODOS OS DEUSES! CAELUM! VOCÊ DEFLOROU A MINHA IRMÃ!
— Julian! Não é o que parece! — gritou Caelum, saltando da cama e agarrando o primeiro pano de linho que viu para se enrolar.
— PARECE EXATAMENTE O QUE É! — Julian desembainhou a espada, o rosto vermelho de fúria. — EU VOU TE ARRANCAR O TÍTULO E A CABEÇA!
Caelum não esperou a lâmina. Ele disparou pelo corredor, descalço, com o lençol esvoaçando, enquanto Julian corria atrás dele derrubando vasos e armaduras.
— VOLTA AQUI, SEU SEDUTOR DE ARAQUE! — gritava Julian.
Eles irromperam no Grande Salão, onde Gaspar, Claire, Richard, Katrina e Aria (que comia calmamente uma fruta) estavam reunidos. O choque foi geral. Caelum deu três voltas em torno do trono de Gaspar, usando o móvel real como escudo.
— Tio! Pai! Digam para ele que isso é um exagero diplomático! — implorava Caelum, desviando de um golpe de Julian que acertou uma tapeçaria.
— Exagero?! Você transformou meu melhor amigo em um cunhado clandestino! — berrava Julian, saltando por cima de uma mesa.
— Julian, pare com isso! — Aria gritou, tentando não rir da cena ridícula. — Você vai assustar o bebê!
O Anúncio e o "Sossego"
Nesse momento, Catarina apareceu na porta do salão, já vestida às pressas, com o cabelo totalmente desgrenhado.
— PAREM COM ISSO AGORA! — ela gritou, sua voz de loba do Norte silenciando o caos. — Julian, abaixe essa espada! Eu o amo! E para sua informação, ele acabou de me pedir em casamento antes de você entrar como um touro bravo no quarto!
Julian parou, ofegante, com a ponta da espada a centímetros do nariz de Caelum.
— Casamento? Ele pediu?
— Pedi! — exclamou Caelum, tentando segurar o lençol que insistia em cair. — Eu estava esperando ela responder antes de você tentar me fatiar!
Richard e Gaspar trocaram olhares. Richard estava rindo abertamente, enquanto Gaspar, mantendo a postura de rei, levantou-se e deu um passo à frente. Com uma autoridade que fez o chão vibrar, Gaspar segurou o braço de Julian e deu um leve safanão na nuca de Caelum.
— JÁ CHEGA! — trovejou Gaspar. — Julian, guarde essa arma. Se ele vai casar com ela, a honra está salva, e eu não quero sangue de príncipe no meu tapete novo. E você, Caelum... pelo amor de Astúria, vá colocar calças! Um herdeiro não governa enrolado em lençóis de linho.
Gaspar então relaxou o rosto, abrindo um sorriso largo.
— Mas, antes disso... meus parabéns aos noivos! Parece que finalmente teremos um casamento que vai unir o Sul e o Norte não só por papel, mas por pura teimosia.
Katrina correu para abraçar a futura nora, enquanto Julian, ainda resmungando que "ia ficar de olho", apertou a mão de Caelum, que suspirou de alívio. Astúria finalmente teria sua rainha, mesmo que o pedido tivesse terminado em uma maratona real.
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