Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
32 Salão de alegria
O salão de festas de Astúria nunca esteve tão vibrante. Após a cerimônia solene, o banquete de casamento transformou-se em uma celebração de alegria genuína. Longas mesas de carvalho estavam repletas de javalis assados, frutas silvestres, vinhos do Sul e o forte hidromel de Valória.
A música não era mais apenas melancólica ou protocolar; os menestréis tocavam ritmos rápidos que faziam os pés baterem no chão de mármore.
O Banquete: Diálogos e Brindes
Na mesa principal, os pais dos noivos compartilhavam um momento de rara descontração.
— Tenho que admitir, Gaspar — disse Valmor, o Velho Lobo, rindo enquanto erguia uma caneca de prata. — O seu vinho é quase tão perigoso quanto as suas táticas de negociação. Julian fez uma excelente escolha.
— E sua filha, Valmor, trouxe uma vida para este castelo que eu achei que havíamos perdido — respondeu Gaspar, olhando para Catarina com um sorriso. — Astúria e Valória não são mais apenas aliadas; são uma família.
Aria e Julian estavam sentados no centro, as mãos dadas por baixo da mesa.
— Você está feliz? — Julian sussurrou, servindo-lhe um pouco de mel de lavanda.
— Mais do que achei ser possível — Aria respondeu, olhando para os convidados. — Sinto que o ar finalmente ficou leve, Julian.
A Dança da Redenção
A música mudou para uma polca rápida, uma dança de roda que exigia agilidade e muitos sorrisos. Foi então que o inesperado aconteceu. Caelum, que observava de um canto com um semblante tranquilo, caminhou até a mesa real e estendeu a mão para a noiva.
— Majestade — ele disse, com uma reverência leve e um brilho divertido nos olhos. — Concederia ao seu primo e primeiro escudo uma dança? Para mostrar a esses nortistas que nós, do Sul, também temos ritmo?
Aria riu, aceitando a mão dele. Julian deu um tapinha encorajador no ombro de Caelum.
— Cuide bem dela, Duque. Ou terei que desafiá-lo para um duelo de dança! — brincou Julian.
Eles entraram na pista. A dança era rápida, cheia de giros e trocas de passos. Caelum conduzia Aria com uma energia contagiante. Eles não eram mais amantes amargurados ou rivais; eram dois jovens que haviam crescido juntos, celebrando a liberdade de um novo começo.
Aria girava, seu vestido de noiva brilhando sob os cristais, e sua risada ecoava pelo salão. Caelum sorria abertamente — um sorriso que raramente se via, mas que iluminava seu rosto de forma extraordinária.
— Você está indo bem, Caelum! — Aria exclamou entre um giro e outro.
— Eu treinei muito na Academia, embora eles dissessem que era para combate! — ele rebateu, fazendo-a girar novamente.
O Contágio da Alegria
A energia dos dois era tão vibrante que outros convidados começaram a se juntar a eles. Catarina, vendo a cena, não perdeu tempo. Ela puxou Julian para a pista, e logo os dois casais estavam cruzando caminhos na dança.
— Olhe para eles! — gritou Claire, emocionada, para Richard. — É disso que Astúria precisava. De vida!
Até os guardas nas portas batiam o ritmo com suas lanças. O salão inteiro parecia pulsar. Catarina, ao passar por Caelum na troca de pares momentânea da dança, deu-lhe um empurrãozinho de ombro e piscou:
— Nada mal para um "Duque das Sombras", Caelum! Talvez ainda haja esperança para você!
— Menos conversa e mais passos, Catarina! — ele respondeu, rindo enquanto voltava a girar com Aria.
O banquete de casamento não foi apenas o selo de um contrato real, mas o renascimento de uma irmandade. Naquela noite, sob os aplausos e os gritos de alegria, o Escudo e a Coroa dançaram juntos, provando que, quando o perdão é verdadeiro, a festa nunca termina.
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