A Catedral de Astúria estava adornada com lírios brancos e estandartes que misturavam o azul profundo do Sul com o cinza invernal do Norte. O burburinho cessou quando as trombetas ecoaram. No altar, Caelum parecia uma estátua de perfeição, embora suas mãos, escondidas atrás das costas, estivessem levemente trêmulas.

​A porta principal se abriu e um suspiro coletivo varreu o salão. Catarina surgiu, deslumbrante em seda fluida que camuflava com maestria o segredo que carregava. Ao seu lado, ofegante mas com o peito estufado de orgulho, estava seu pai, o Lorde Valória, que chegara às portas do castelo com os cavalos ainda espumando de cansaço.

​— Achei que teria que te carregar até o altar eu mesmo — sussurrou Julian, posicionado como padrinho, quando Catarina passou por ele.

— O papai corre mais que o vento quando se trata de me casar com um Príncipe — ela rebateu por baixo do véu, com um brilho vitorioso nos olhos.

​O Voto de Sangue e Ouro

​Quando o Lorde Valória entregou a mão de Catarina para Caelum, o Príncipe a apertou com uma firmeza que dizia tudo. O Sumo Sacerdote iniciou os ritos, mas os olhos dos dois nunca se desviaram um do outro.

​— Diante dos deuses e dos homens — começou Caelum, a voz ressoando com uma autoridade nova — eu, Caelum de Astúria, tomo a Loba do Norte como minha esposa. Prometo proteger seu fogo com o meu gelo e construir um reino onde nossa tormenta seja a nossa força.

​Catarina sorriu, a voz firme e carregada de emoção:

— E eu, Catarina de Valória, tomo o Príncipe Amargurado como meu marido. Prometo nunca deixá-lo em paz, desafiar sua lógica e amá-lo além de qualquer coroa ou dever.

​Quando o sacerdote declarou a união, Caelum não esperou. Ele a puxou para um beijo que quebrou todos os protocolos de "compostura real", arrancando aplausos entusiasmados de Richard e um grito de alegria de Aria.

​O Banquete: Vinho e Revelações

​O salão de festas estava em êxtase. O Lorde Valória e Richard compartilhavam uma jarra de vinho, rindo das aventuras de juventude, enquanto as rainhas observavam os recém-casados na mesa principal.

​Julian levantou-se com sua taça de ouro, batendo nela com uma faca para pedir silêncio.

— Um brinde! — gritou Julian. — Ao homem que conseguiu sobreviver à minha espada e ao temperamento da minha irmã. Caelum, você é um herói ou um louco. De qualquer forma, bem-vindo à família, cunhado!

​— Eu aceito o título de louco com honra, Julian — Caelum respondeu, levantando sua taça, mas bebendo apenas um gole simbólico antes de olhar para o copo de água de Catarina.

​Katrina, sentada ao lado deles, inclinou-se e sussurrou:

— Você vai contar para o seu pai e para o Lorde Valória agora, ou quer esperar que a modista conte por você?

​Catarina olhou para Caelum. Ele assentiu, segurando a mão dela por baixo da mesa.

— Pai, Lorde Valória — chamou Caelum, fazendo os dois senhores pararem de rir. — O casamento de hoje não foi apenas uma união de duas casas. Foi a fundação de uma nova linhagem. Catarina e eu... temos um anúncio.

​O salão ficou em silêncio. Catarina respirou fundo, olhando para o pai.

— Papai, parece que o senhor vai ser avô antes mesmo de voltarmos para Valória para a festa de recepção.

​Houve um segundo de silêncio absoluto. Lorde Valória olhou para Richard. Richard olhou para Caelum.

— O QUÊ?! — Richard explodiu em uma gargalhada que quase derrubou sua cadeira. — Caelum! Você é realmente o meu filho! Nem esperou o padre terminar a oração!

​— Eu vou matar ele de novo! — Julian gritou de sua mesa, embora estivesse rindo e já servindo mais vinho. — Definitivamente, esse bebê vai ter o sangue mais teimoso do mundo!

​Gaspar levantou-se, batendo na mesa com autoridade, mas com lágrimas de riso nos olhos.

— Pois que venha o herdeiro! Se ele tiver metade da coragem da mãe e um décimo da paciência que o pai precisou ter, Astúria será o maior reino da história!

​O banquete seguiu com música e dança. Em um momento de calma, Caelum puxou Catarina para perto, sussurrando em seu ouvido:

— Você ouviu o meu tio? "Paciência". Acho que vou precisar de muita para criar um filho seu.

​— E eu vou precisar de muita para aguentar dois príncipes azedos em casa — ela rebateu, beijando-o no rosto. — Mas não trocaria nossa "estratégia" por nada no mundo.

​Ali, entre o riso dos amigos e o calor da nova família, a Loba e o Príncipe celebraram o início de uma dinastia que, com certeza, nunca conheceria o tédio.