Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
52 Bem vinda Siena
Seis meses haviam se passado desde que o pequeno Arthur trouxera uma nova alegria ao castelo, e Astúria vivia em uma doce e tensa expectativa. Catarina, com o ventre agora pesando de forma considerável, recusava-se terminantemente a diminuir o ritmo ou a aceitar o repouso absoluto, para o desespero constante de Caelum.
Naquela tarde ensolarada, o jardim real estava decorado para uma celebração íntima: o sexto mês de vida de Arthur. O pequeno herdeiro de Julian e Aria já tentava se sentar sozinho no colo da mãe, enquanto Catarina insistia em caminhar entre os convidados, servindo-se de frutas e rindo das histórias de guerra de Richard.
— Catarina, sente-se por um momento — pediu Caelum pela décima vez, aproximando-se com um olhar de pura vigilância. — Você não parou um segundo desde que o sol nasceu.
— Bobagem, Caelum — ela rebateu com o deboche de sempre, ajeitando uma mecha do cabelo. — Ele está calmo hoje. Parece que gosta do som das risadas do primo...
No entanto, no exato momento em que ela se inclinou para fazer uma careta para o pequeno Arthur, o riso de Catarina foi cortado por um suspiro agudo. Ela sentiu uma pressão súbita e intensa, seguida por um calor úmido que rapidamente manchou a seda clara de seu vestido.
— Caelum... — a voz dela saiu pequena, despojada de toda a provocação habitual.
O Príncipe, que não tirava os olhos dela nem por um segundo, percebeu a mudança instantaneamente. Ele a segurou pela cintura no momento exato em que os joelhos dela fraquejaram.
— O que houve? — perguntou ele, o pânico subindo pela garganta.
— A estratégia mudou — sussurrou Catarina, apertando a mão dele com uma força que quase esmagou seus dedos. — Nosso pequeno decidiu que o jardim é lindo, mas ele quer o mundo... agora!
O Caos no Castelo
O jardim, que antes era cenário de um chá tranquilo, tornou-se um quartel-general de emergência. Caelum a carregou nos braços, subindo as escadarias em uma velocidade que deixou os guardas para trás. Pelos corredores, o grito dele era um comando:
— KATRINA! ARIA! O MOMENTO CHEGOU!
Catarina foi levada para o quarto real. Diferente de Aria, que gritava ordens e ameaças durante o parto, Catarina enfrentava a dor com uma ferocidade silenciosa, quebrando o silêncio apenas com respirações pesadas e curtas.
— Você é uma loba, lembra-se? — sussurrava Caelum, ajoelhado ao lado da cama, sem soltar a mão dela por um segundo. — Lute como uma.
— Se você... não calar a boca... — ela sibilou, o suor escorrendo pela testa — eu vou te morder, Caelum!
O Nascimento e a Escolha do Nome
O trabalho de parto foi intenso e rápido, como tudo na vida de Catarina. Enquanto o sol começava a se pôr, pintando o céu de Astúria com tons de laranja e púrpura, um novo choro — agudo, forte e decidido — preencheu os aposentos reais, silenciando o castelo.
Katrina limpou a pequena recém-nascida e a entregou nos braços da mãe exausta. Caelum aproximou-se, tremendo mais do que em qualquer batalha que já enfrentara.
— Olhe para ela, Caelum — murmurou Catarina, a voz carregada de uma doçura que raramente mostrava ao mundo. — Ela tem os seus olhos.
— E a sua teimosia, com certeza — respondeu o Príncipe, beijando a testa da esposa e depois a cabecinha da filha. Ele olhou para a pequena e, pela primeira vez, pronunciou o nome que guardavam em segredo: — Bem-vinda, Siena. A pequena Princesa de Astúria.
A Celebração e a Profecia
Lá fora, quando a notícia se espalhou, o povo celebrou. Julian entrou no quarto pouco depois, trazendo Arthur (que agora parecia enorme perto da prima) no colo.
— Bom — disse Julian, olhando para Caelum com um sorriso de canto. — Arthur já tem quem proteger. Ou melhor... — ele olhou para o olhar firme da pequena Siena — ele já tem quem vai dar ordens nele pelos próximos vinte anos. Boa sorte, Caelum, você vai precisar.
Richard e Gaspar entraram logo atrás, orgulhosos de verem a linhagem de Astúria e Valória finalmente unida naquela criança.
— Siena de Astúria e Valória — brindou Richard com uma taça imaginária. — Que ela seja tão indomável quanto a mãe e tão estratégica quanto o pai.
Naquela noite, sob a luz da lua, o Príncipe Amargurado e a Loba do Norte finalmente entenderam que a maior guerra que já haviam vencido era aquela que resultou no silêncio tranquilo de um quarto de bebê, onde as sombras haviam sido permanentemente expulsas pela luz de sua pequena Siena.
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