O sol da manhã refletia-se nas águas calmas do porto, onde o imponente navio de Valória aguardava com as velas recolhidas. O clima era de uma despedida solene, marcando o fim de uma era no castelo e o início de uma nova jornada para as duas famílias que agora se tornavam uma só.

​O Adeus dos Patriarcas

​No cais, a movimentação era intensa. Criados carregavam os últimos baús da comitiva do Norte. Valmor e Elara, os pais de Julian, preparavam-se para retornar ao seu domínio, levando consigo o orgulho de terem selado a paz.

​— Gaspar, Claire... — Valmor disse, apertando a mão do rei com firmeza. — Deixamos nosso filho em boas mãos, e levamos a sua filha como o maior tesouro que Valória já recebeu. Em três anos, eles retornarão como governantes prontos para os dois mundos.

​Elara abraçou Claire com carinho. — Não se preocupe, mãe. Aria será tratada como a rainha que já é. O Norte será o lar dela tanto quanto o Sul.

​A Promessa de Sangue

​Aria, já vestindo seu traje de viagem, aproximou-se de Caelum. O Duque estava parado um pouco afastado, com a postura rígida, mas os olhos menos sombrios. Ele retirou do bolso um relicário de prata lavrada e o entregou à prima.

​— Para que você nunca se esqueça de onde veio, nem de quem sempre guardará o seu lugar aqui — disse Caelum. — Ao abrir, você verá quem éramos. Ao fechá-lo, lembre-se de quem você se tornou.

​Aria olhou a pequena pintura dela e de Caelum quando crianças e o abraçou apertado. — Eu sempre voltarei para casa, Caelum. Cuide de Astúria por mim.

​O Deboche Final

​Enquanto Julian ajudava os pais a subirem a passarela, Catarina parou diante de Caelum. Ela ajeitou sua capa cinza e o olhou com aquele brilho desafiador que ele passara a reconhecer.

​— Então, a "tormenta do Norte" finalmente vai embora — Caelum provocou, com um sorriso de canto. — O castelo vai ficar insuportavelmente silencioso sem as suas uvas e suas críticas constantes à minha biblioteca.

​Catarina soltou uma risada curta, aproximando-se um passo. — Não se acostume com o silêncio, Duque. Três anos passam em um piscar de olhos. Tente não se tornar uma estátua de gelo enquanto eu estiver fora; não haverá ninguém para te dar uma livrada no peito e te lembrar que você está vivo.

​Caelum olhou para ela de forma mais profunda, o deboche suavizando-se. — Aguardo sua próxima visita, Catarina. Talvez para ver se você finalmente aprendeu a ter modos na mesa.

​— Começo a achar que você até gostava de me ter por perto — ela brincou, arqueando a sobrancelha.

​— Talvez — ele admitiu, surpreendendo-a. — Mas agora preciso colocar a cabeça no lugar e reconstruir o que restou de mim. Quem sabe, quando você voltar, não encontre um homem menos "azedo".

​— Vou cobrar essa promessa — Catarina sorriu e deu as costas, subindo a passarela com passos decididos.

​O Horizonte

​O navio começou a se afastar, as velas cinzentas de Valória inflando com o vento. No convés, Aria e Julian acenavam, ladeados por Valmor, Elara e Catarina.

​No porto, Gaspar, Claire, Richard e Katrina permaneciam unidos, observando a embarcação ganhar o mar aberto. Caelum permaneceu imóvel até que o navio fosse apenas um ponto no horizonte, sentindo que, embora o mar levasse sua prima, ele também levava a promessa de um reencontro com a mulher que fora a única capaz de iluminar suas sombras.