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Adeus

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Eu tinha-me escondido com Ryan e Joshua no meu quarto comendo doces. Eu sabia que Ryan ia ficar maluco daqui a nada, mas ele nunca me deixaria vir comer se ele mesmo não viesse. E é divertido ver Ryan fora do controlo.

A porta do quarto foi aberta e olhámos supressos para Bri que nos olhava furiosa.

–O que pensais que estais a fazer?

–A comer.- Digo mostrando um pequeno bombom enquanto tinha outro na boca.

–Lá para baixo! Vão começar a dizer os votos.

Suspiro frustrada e me levanto com Ryan e Joshua.

–És tão má, Bri.- Ryan diz passando por ela saltitando. Bri me olha erguendo as sobrancelhas.

–Ele já abusou?

–Já.- Ri-o com Joshua.

Descemos até ao quintal. Havia mesas por todos os lados. Não era nada muito chique, mas estava bonito. Ryan estava saltitando com minha prima Lisandra de 5 anos. Ri e andei até á mesa onde minha mãe estava sentada com Anthony e seus amigos estranhos. Joshua sentou-se na cadeira ao meu lado seguido de Bri.

–Encontrei-os!- Bri diz e minha mãe lhe sorri agradecendo.

–Já destes açúcar a Ryan?- Minha mãe pergunta olhando meu amigo saltitar como uma criancinha.- Sabeis que ele é frágil quanto aos doces!

–Mas fica mais divertido.- Josh diz rindo e ri-o junto pegando num copo de sumo.

Olho Ryan que começa a cantar com a música e ouvi muita gente rindo. Ivan olhava o filho rindo. Ele já sabia do que Ryan era capaz quando comia doces. Já Pietra estava envergonhada.

Senti meu pescoço coçar e olhei pela mesa. Os amigos de Anthony estavam rindo olhando meu amigo, ou então conversavam entre si. Parei num par de olhos castanhos que me olhavam sem pestanejar. Engoli em seco sentindo meu coração batalhar.

Outra vez? Sério, Deb?!

–Deb, vai dar-lhe um copo de água para ver se abaixa os níveis de açúcar.- Minha mãe me diz e a olho, agradecida por desviar minhas atenções do rapaz estranho.

–Porquê eu?

–Porque é teu amigo. Tua responsabilidade.

–Acho que ele já é bem grandinho para saber o que faz, mãe.

Ela me olha séria erguendo uma sobrancelhas e resmungo levantando-me. Lisandra me olha quando me aproximo e sorri parando de saltar.

–Deby!

–Ei, bonequinha. Posso levar Ryan um bocadinho?

Ela assente e vai dançar para perto de sua mãe e seu pai. Pego Ryan pelo braço até á mesa de bebidas. Minha avó não gostava de sumo nem nada com álcool então havia uma garrafa de água só para ela. Estúpido, eu sei!

Pego nela e a despejo toda em cima de Ryan sem pensar, sem exitar. Ele para de saltar e me olha chocado. Coloco a garrafa no lugar e olho Ryan com a mão na cintura e um sorriso nos lábios.

–Mas tranquilo, Bluen.

Eu podia ouvir os risos á minha volta, mas nada foi tão bom quanto ver o olhar chocado nos olhos castanhos de Ryan. Era raro de se ver. Franzo a testa quando vejo um sorriso aparecer em seu rosto.

–Ryan!- O advirto mas ele não liga e me abraça molhando-me toda.- Ryan!- Grito sinto o frio me consumir. Não estava propriamente calor ali fora e agora muito menos.

–Eu estou tranquilíssimos e tu, minha linda?- Ele pergunta rindo rodopiando comigo.

–Ryan, larga-me agora!- Ordeno mas ele apenas ri continuando a rodopiar comigo nos braços.- Ryan!

Ele larga-me e olho meu vestido todo molhado antes de o olhar. Eu tenho certeza que ele viu a fúria em meus olhos pois logo riu e começou a correr para longe. Corri atrás dele mas logo desisti. Ele competia em atletismo e eu nunca corri mais de 12 minutos.

Voltei para a mesa e sentei-me de braços cruzados xingando Ryan acima de tudo.

–Divertiste-te, querida?- Minha mãe pergunta e cerro meus olhos a olhando.

Podia ver todos naquela mesa rirem e isso me irritou. A culpa era toda dela!

–Tu que começaste.- Ela diz sabendo que eu a culpava até á morte em meus pensamentos.

–Tu é que disseste para o ir refrescar!

–Eu disse para lhe ires dar um copo de água.- Corrige rindo com os restantes.

–É a mesma coisa.- Murmuro.

Sinto braços nos meus ombros e olho Ryan que ainda ria sozinho.

–Ficou amuada a minha flor?

–Cai fora, Bluen.- Resmungo tirando seus braços de mim.

–Princesa…

–Já disse para caíres fora, Bluen.- Resmungo de novo tirando de novo seus braços de mim.

Ele ri e beija minha bochecha levantando-se com minha mão.

–Vamos dançar, minha linda flor. Vamos abanar o capacete.

Dou-lhe a resposta colocando os pés na mesa e virando a cara para o outro lado. Joshua ri ao meu lado.

–Deborah Larky!

–Quem teve a brilhante ideia de lhe dar doces?- Pergunto olhando Joshua.- Foste tu!

–Na, na, foste tu!- Meu irmão discorda rindo.

–Foste tu!

–Eu tenho a certeza que foste tu!

–Mas tu…

–Não interessa que foi!- Ryan grita me assustando e o olho.- O que interessa é que os comi! O que interessa é quero dançar! E o que interessa é que vens dançar comigo!

Pega minha mão e a puxa com força me fazendo sair da cadeira. Ele leva-me para o meio, onde já ninguém dançava, e ficou se abanando com coisas estranhas que me faziam sorrir. Eu sabia que tinha o amigo mais idiota do mundo, mas eu o amava.

Ryan pegou minha mão e me rodopiou. O fiz sem muita vontade e ri. Depois de algumas voltas e risadas, eu já dançava com ele de verdade. Vi minha mãe se juntar a nós com Anthony e Bri com James. Tia Cathe e tio Ari e a pequena Lisa que ria rodopiando por nós. Pietra e Ivan. Vi ainda os pais de Anthony e sua irmã com seu cunhado. Vi ainda mais algumas pessoas que não conheci. Não interessa! O que interessa, é que meu amigo é louco!

Vi Joshua sentado no olhando e soltei-me de Ryan para ir até ele. Peguei sua mão e ele me olhou.

–Vem, maninho. Temos de festejar. Temos a casa só para nós por duas semanas!

Ele ri e sorri-o o abraçando. Depois de um tempo, nos sentámos todos e suspirei de alívio. Anthony se colocou á frente das mesas e olhou para todos.

–Peço que me deem uns minutos, por favor. Mar, importas-te de vir aqui um pouco?

Minha mãe sorriu e andou até ele. Anthony pegou em sua mão e a olhou nos olhos.

–Mar.- Ele suspira e sorri.- Estamos casados.

–Oh sério?!- Um garoto grita e ri-o com muitos.

–Adiante.- Anthony revira os olhos.- Estamos casados e… estou assustado. De verdade. Mas também estou feliz, sabes? Eu já tinha desistido de amar alguém, até que tu apareceste. Demorou mais do que esperado, é certo, mas tudo tem seu tempo. Acho que algumas coisas não aconteceriam se nos tivéssemos encontrado antes.- Ele diz e olha para mim e meus irmãos.- O que quero dizer, é que ainda bem que chegaste. Ainda bem que te encontrei. E, por mais assustado que esteja, a felicidade é tanta… mas tanta, que tenho medo de perdê-la. Tenho medo que faça asneiras e te perca. Mas eu sei que a maior asneira que eu posso fazer, é desistir de ti. Então, eu, Anthony Allen, diante de todos aqui, eu te prometo, que nunca, nunca, desistirei de ti. Por mais asneiras que vá fazer, e vão ser muitas…-Minha mãe ri entre as lágrimas.- … eu não vou desistir de ti. Burrice seria desistir da única coisa que me faz feliz. Que me faz completo.

Algumas pessoas aplaudiram, outras gritaram, e eles os dois se beijaram. Vi minha avó revirar os olhos e revirei eu os meus.

Mulher rezingona.

–Foi tudo muito lindo, mas e a sobremesa?- Pergunto quando eles se sentam de volta na mesa e as pessoas á minha volta riem.

Minha mãe me olha de olhos cerrados e eu sorri-o dando de ombros.

–Quê?

–Não achas que já comeste doces demais?

–Amanhã vou correr. Não interessa. Eu quero é comer.

–Ya!- Josh grita ao meu lado com mais um garoto.

Ele fazia parte dos 5. Era o mais pequeno deles, mas parecia o mais animado. Ele devia ter a minha idade, cabelos pretos, olhos castanhos e a tão famosa pele bronzeada.

Pouco depois, a sobremesa foi servida. Ryan teve de ir com a família, ainda era um longo caminho até N.Y. Logo foram meus tios e minha avó, graças a Deus! Apenas a família de Anthony ficou para os ver ir de Lua-de-mel.

Encostei-me na parede da casa os vendo ir. Sorri ao ver minha mãe chorar nos olhando. Todos ali suspiraram de alívio por finalmente ter acabado.

–Bem meninos, fiquem bem. Tomem cuidado. Se precisarem de alguma coisa, liguem-nos.- Valkyria nos diz abraçando-nos.

–Pode ficar tranquila.- Bri diz sorrindo.

–Ou liguem-me a mim, já que vivo mais perto.- A irmã de Anthony, Elizabeth, nos diz sorrindo amável com a pequena Lily no colo dormindo.

–Fiquem tranquilos.- Bri diz.- Apenas quero pedir que fiquem de olho nestes dois, pois amanhã já terei de voltar para Londres.

Reviro os olhos para a preocupação desnecessária de Bri. Até minha mãe confiava mais em mim!

–Podes ficar tranquila. E vocês dois, podeis lá aparecer em casa sempre que quiséreis.- Elizabeth diz a mim e Joshua. Sorri-o assentindo e Joshua dá de ombros.

Eles se despedem e os fico ver ir com meus irmãos. Meus olhos se encontram com um par de olhos escuros que me fazem engolir em seco, de novo. Ele sorri e acho que meu coração deixou de bater. É, de certeza foi isso, pois não senti nada mais.

Um rapaz aproxima-se dele e o abraça saltando-lhe para de cima quebrando o contacto. Antes de ele se virar e me olhar de novo, entro em casa com a testa franzida.

Estupidez, Deb. Que estupidez!