Safe and Sound
23 Perfume
Notas iniciais
Sarah e Draco já estavam em um vagão do Expresso Hogwarts prontos para voltar para aula, estavam sozinhos pois Sarah não queria olhar para Blásio depois do ocorrido na festa de ano novo.
Draco não estava animado em voltar para Hogwarts, isso significaria que todos seus problemas voltariam. Mas algo nele lhe dizia que ainda havia esperança, que tudo ficaria bem no final. Draco olhou para o lado e viu Sarah dormindo encostada em seu ombro e sentiu uma onde de desespero ao imaginar Voldemort ou qualquer um de seus seguidores fazendo qualquer mal a ela, mas pensar que ela estaria segura em Nova York lhe dava um maior conforto.
— Hey. – disse Blásio interrompendo os pensamentos de Draco ao abrir a porta da cabine onde ele estava com Sarah. – ah, droga! Ela esta dormindo, será que se eu acordá-la eu...
— Blásio, ela esta brava com você e se acordá-la ela vai falar contigo de mau humor vai ser pior! – alertou Draco.
— Ela esta muito brava? – perguntou Blásio.
— Brava e magoada... com razão! – disse Draco. – você sabe muito bem o que pode acontecer em Hogwarts e ainda assim quer que ela esteja aqui? Ela precisa estar longe de tudo isso!
— Mas ela é sua prima, é uma sonserina. – argumentou Blásio.
— O pai dela morreu lutando contra o Lord das Trevas! Não passou pela sua cabeça nem por um segundo que ela corre perigo por causa disso? – disse Draco. – Blásio, você é meu melhor amigo e não quero perder sua amizade, mas você foi bem injusto com ela.
— Que seja, Draco. – bufou Blásio. – converso com ela quando chegarmos em Hogwarts. – disse o garoto levantando-se e deixando a cabine.
Depois que Blásio fechou a cabine Sarah abriu um de seus olhos devagar para certificar-se de que o garoto havia realmente deixado a cabine.
— ele já foi? – perguntou Sarah baixinho para Draco.
— Já foi. – respondeu o garoto.
— Ótimo. – disse Sarah ajeitando-se no banco. – Não estou afim de falar com ele.
— Mas vai ter que falar, uma hora ou outra. – disse Draco entregando a Sarah um copo de suco.
— Quando chegarmos em Hogwarts eu falo com ele. – disse a garota tomando um gole de suco.
A viagem seguiu tranquila, quando chegaram em Hogwarts, Draco foi procurar por Crabbe e Goyle e Sarah por Hermione, encontrando a garota distraída quase dormindo enquanto caminhava lentamente.
— Você é a Hermione ou um zumbi? – perguntou Sarah rindo, fazendo com que Hermione se assustasse.
— Ai! – disse Hermione levando uma das mãos ao rosto. – que susto! Estou assim por culpa da sua festa! Acredita que eu ainda estou cansada?
— Acredito sim pois eu também estou! – disse Sarah. – não consigo entender como eu ia em festas praticamente todas as noites, estou enferrujada!
— Somos duas idosas de dezesseis anos. – brincou Hermione.
— Sarah, preciso conversar com você. – disse Blásio interrompendo a conversa das duas garotas.
— Ah, agora você quer conversar? – perguntou Sarah irônica.
— Sarah, por favor! – pediu Blásio.
— Tá! Vamos para algum canto reservado. – concordou Sarah rispidamente.
Ao ver Sarah visivelmente irritada com Blásio, Harry que via a cena de longe não conteve a curiosidade e foi no mesmo segundo perguntar a Hermione o que estava acontecendo.
— Oi, Mione. – cumporimentou Harry. – como foram as festas?
— Foram ótimas, ainda estou podre da festa da Sarah. – disse Hermione. – Foi tudo ok na Toca? – perguntou a garota.
— Foi tudo legal... – disse Harry. – Hey, o que aconteceu entre a Sarah e o Zabini? – perguntou Harry em um tom de quem não estava tão desesperado ou curioso.
— Eles brigaram feio na festa de ano novo, Blásio não quer aceitar que Sarah volte para Nova York no próximo ano letivo. – disse Hermione. – foi horrível! Eu e uma amiga de Sarah a ouvimos chorando no banheiro um tempão, tivemos que animar a coitadinha.
— Nossa, que complicado... – disse Harry sem entender o que sentia naquele momento. Sentia uma alegria por saber que o relacionamento de Sarah e Blásio poderia terminar, mas também um nó na garganta em imaginar Sarah chorando por Zabini. Harry tentava procurar em meio a seus pensamentos, justificativas para seus sentimentos. ‘’Ela é filha do seu padrinho, é normal se importar com ela’’ dizia a si mesmo.
— Harry? Alô? – disse Hermione estralando os dedos em frente aos olhos de Harry. – que cara pensativa é essa? – perguntou Hermione.
— Nada não. – respondeu Harry ainda confuso. – Mione, eu preciso ir ali resolver uma coisa, ok? Nos vemos na sala comunal! – disse o garoto deixando Hermione sozinha e seguindo na direção onde Sarah foi com Blásio.
— Ok! – disse a garota confusa vendo o caminho que o amigo fazia. – Por Merlin, o que esse garoto tem? – perguntou-se confusa.
Harry escondeu-se em uma pilastra perto o suficiente para ouvir a conversa de Sarah e Blásio, mas longe o suficiente para que não pudessem vê-lo de dentro da sala vazia em que estavam, já que sua capa de invisibilidade estava no seu malão, naquele momento Harry percebeu como ela era prática. Desejou também que tivesse um par de orelhas extensíveis de Fred e Jorge em seu bolso, mal dava para ouvir a conversa direito.
— Blásio, tente me entender! — Sarah dizia. – Todos sabem que eu só estou em Hogwarts provisoriamente!
— Mas e nosso namoro, Sarah? – perguntou Blásio. – pretende me deixar?
— É claro que não! Escreveríamos todos os dias, e eu poderia visitá-lo em Hogsmeade nos fins de semana livres! – argumentou Sarah.
— Escrever? Alguns finais de semana? – disse Blásio dando uma risada irônica. – Se já não temos praticamente nenhum contato físico aqui, imagina a distancia!
— O que quer dizer com isso? – perguntou Sarah.
— Sempre que nossos beijos parecem levar a algo a mais, você foge!- disse Blásio. – Eu sou home, Sarah preciso de sexo!
— Blásio, eu não me sinto pronta! Eu passei por muita coisa no último ano. – disse Sarah.
— Até parece que você é uma virgenzinha, Sarah! – disse Blásio irritado. – Segundo a matéria do profeta você era bem liberal em Nova York!
— Você não tem o direito de falar assim comigo! Nós nos conhecemos há quatro meses! – disse Sarah nervosa.
— Cala sua boca! Minha mãe estava certa, uma vadia mestiça e traidora de sangue como você não merece respeito nenhum! – disse Blásio fazendo com que Sarah desse um belo tapa na cara do garoto com muita força no mesmo instante. Harry sentiu uma vontade incontrolável de estuporá-lo, mas conteve-se para não dar na cara que ele estava ouvindo a conversa.
— Suma da minha frente! Nunca mais olhe pra mim, nunca mais dirija a palavra a mim! – disse Sarah com os olhos cheios de lágrimas.
Blásio saiu nervoso, com uma das mãos segurando a bochecha que Sarah o bateu. Saiu tão nervoso que nem notou Harry parado atrás da pilastra. Harry ouvia os soluços de Sarah vindo de dentro da sala, ele sabia que não devia entrar, mas não se conteve. Quando parou na porta da sala viu Sarah sentada em cima da mesa do professor chorando e sentiu que precisava cuidar dela.
— Sarah? Ouvi alguém chorando... – disse Harry hesitante.
— Oi Harry. – disse Sarah entre soluços e enxugando as lágrimas. – você sempre me acha quando eu começo a chorar. – disse a garota.
— Esta tudo bem? – disse Harry aproximando-se da garota e sentando-se ao lado dela em cima da mesa.
— Não. – disse Sarah. – eu e Blásio terminamos, ele me disse coisas tão horríveis! – disse Sarah começando a chorar compulsivamente.
— Seja lá o que ele disse, não de ouvidos. – disse Harry. – você é uma garota incrível, Sarah.
— Engraçado ouvir isso da pessoa que eu mais maltratei aqui em Hogwarts. – disse Sarah.
— Aquelas fotos, Sarah. – disse Harry. – foi a coisa mais legal que alguém já fez por mim.
— Aquilo não foi nada, elas eram suas por direito. – argumentou Sarah.
— Pare de se colocar pra baixo, você é uma pessoa maravilhosa. – disse Harry olhando nos olhos de Sarah. ‘’Como podem ser tão azuis?’’ pensava o garoto.
— Não me acha um pesadelo? A personificação de tudo que odeia na Sonserina? – disse Sarah com um meio sorriso. – eu já ouvi essas palavras saírem da sua boca!
— Até conhecer você de verdade, eu achava. Mas depois daquela tarde na sala precisa eu vi a garota que você realmente é. – disse Harry afastando uma mecha de cabelo do rosto de Sarah e limpando uma lágrima que escorria por sua bochecha. – você é incrível.
Harry continuou segurando o rosto de Sarah e parecia que quanto mais a olhava, mais a achava linda, estava quase embriagado por sentir seu perfume de tão perto. Harry sentiu uma vontade incontrolável de beijá-la, como se fosse uma necessidade, como se seu corpo pedisse, implorasse por aquele beijo. ‘’Ela é filha do seu padrinho, ela é filha do seu padrinho’’, repetia mentalmente como se fosse um mantra para se controlar.
— Acho melhor eu ir. – disse Sarah descendo de cima da mesa com um pulo e caminhando apressada até a porta da sala.
— É, preciso ir também. – disse Harry ainda desconcertado.
— Harry, eu sei que te falei coisas ruins. – disse Sarah apoiada na porta da sala. – eu queria que soubesse que me arrependo e que sinto muito. Eu retiro tudo o que disse, se isso tiver algum valor a você. – disse Sarah olhando nos olhos de Harry.
— Tem valor sim. Sei que passou por muita coisa, que falou coisas no momento da raiva. – disse Harry compreensivo. – Todos fazemos isso, esta tudo bem Sarah.
— Obrigada, Harry. – disse Sarah sorrido. – Obrigada de novo. – disse antes de deixar a sala.
A garota sentia uma corrente elétrica por todo seu corpo e a bochecha que Harry tocou formigava e queimava, como se o calor de seu toque tivesse permanecido ali. A garota chacoalhou a cabeça de modo que colocasse as idéias no lugar e foi seguiu até seu dormitório, com dois olhos verdes e o cheiro de almíscar de Harry fixados em seus pensamentos.
Harry caminhou pensativo até a sala comunal da Grifinória, onde sentou-se perto da janela e ficou um bom tempo ali pesando nos olhos, no cheiro e na voz de Sarah. Não era possível que ele estivesse se apaixonando por ela, aquilo era se apaixonar? Perguntava-se o tempo inteiro. O que sentia não chegava perto do que sentiu por Cho e por Gina, era algo que parecia fazer parte dele. ‘’Mas o que uma garota como Sarah pode querer com um garoto como eu? Ela é linda, tem um corpo delicado, trabalha como modelo! E eu sou um garoto magricela com cabelos que nunca se ajeitam. E além de tudo é filha do meu padrinho! Não se iluda, Potter’’, pensava com ele mesmo.
— Harry? – perguntou Hermione sentando-se do seu lado. – você esta esquisito! Todo pensativo e distraído!
— Ah, oi Mione. – disse o garoto ainda olhando para a janela. – nem vi você chegar.
— Pois pare com essa coisa de distraído! Olhe o que eu confisquei da Romilda Wane! Garanto que ela queria que isso chegasse até você!– disse Hermione mostrando um vidrinho com um líquido cor de rosa dentro dele. – cheire!
Harry cheirou o conteúdo do vidro e sentiu cheiro de jasmin e baunilha, exatamente como o perfume de Sarah.
— Mione, por que a Wane queria me dar um vidro com o perfume da Sarah? – perguntou Harry confuso.
— Perfume da Sarah? Harry isso é amortentia! – disse a garota indignada com uma voz aguda. – Ela já fez aquele estrago com os bonbons, ela queria tentar de novo! – disse Hermone nervosa. – E por que raios você sente o cheiro da Sarah numa amortentia? – perguntou a garota.
— Ah, não é o perfume de Sarah. Eu me confundi! – disse Harry rapidamente. – estou com sono, acho melhor eu ir dormir. – disse o garoto levantando-se rapidamente e praticamente correndo até o dormitório masculino.
Hermione ficou paralisada com o que acabara de ouvir e constatar. Harry apaixonado por Sarah? Como isso aconteceu? Eles se odiavam! Hermione recordou que eles foram amigáveis um com o outro na festa da natal do Slughorn, mas achou que deram uma trégua apenas por ser natal. Mas será que Sarah também amava Harry? Isso Hermione sabia que não seria difícil descobrir, na manhã seguinte já colocaria seu plano em ação.
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