Safe and Sound
1 É um prazer conhecê-la
Notas iniciais
Ela suspirou e, após estalar os dedos agilmente, deu início ao ritual: a começar pela caixa de objetos de decoração, e finalizando com os porta-retratos, ela desencaixotou sozinha tudo o que ainda faltava depois de Elena e o marido terem voltado a São Paulo.
– Ela não pode fazer muita coisa, já está de cinco, ou seis meses. — explicava ao telefone para a avó o porquê sua irmã mais nova não ficou mais tempo ajudando em sua mudança. — Eu estou bem, acabei agora mesmo de arrumar as coisas da última caixa.
Depois de quase seis horas abrindo caixas e organizando, Camile estava exausta e, jogada no tapete da sala, ponderava se tomava ou não um banho antes de deitar-se. Fez uma careta quando a avó perguntou se já havia conhecido alguém na cidade.
– Faz apenas dois dias que cheguei, vovó. De qualquer maneira, eu vim aqui a trabalho, lembra? — 'E não tenho mais 12 anos para ouvir esse tipo de pergunta', completou mentalmente.
Assim que conseguiu entrar em acordo a respeito da socialização com a velhinha, foi até a cama e, percebendo que havia esquecido de trazer lençóis, decidiu dormir no sofá pelo menos aquela noite, até comprar um jogo de cama no dia seguinte.
*****
– Pra senhora também. — Camile educadamente respondeu a simpática senhora funcionária da loja de enxoval que lhe desejava um bom dia, e então saiu caminhando com suas sacolas até sua bicicleta. Decidiu dar um descanso ao carro que já rodara tanto pelas idas e vindas até a nova cidade para ajeitar toda a mudança.
*****
Caminhando costumeiramente para se aquecer e então começar sua costumeira corrida pela manhã, ele nem percebeu quando uma bicicleta de pintura amarela virou a esquina e de repente estava caído no chão embaixo de alguém.
– Meu Deus, me desculpa, moço! — pedia com certo desespero a loira que agilmente havia se levantado e batia a poeira do jeans rasgado.
– Tudo bem — ele continuava repetindo a cada novo pedido dela, e já começava a rir da situação.
– Minha nossa, eu te machuquei? — perguntava genuinamente preocupada.
– Estou bem, não se preocupe.
– Nenhum arranhão?
– Está tudo bem. É sério.
– Não aconteceu nada, mesmo?
– Ei, você está duvidando da minha palavra? — arqueou uma sobrancelha.
– Quê? Eu, não... – embora ela nunca fosse admitir, esse charme a desconcertou um pouco.
– Então acredite em mim. Estou bem.
– Tá bom, então. — ela concordou, contrariada.
Ela já estava começando a ficar sem graça, quando ele quebrou o silêncio se apresentando:
– Pedro.
– Camile.
– Lindo nome.
– É, obrigada.
– É um prazer conhecê-la. — ele disse beijando sua mão.
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