Notas iniciais
Espero que gostem, bjss gente.

Prólogo

Eu estava em casa, com tio Mike, o “ Ceifador”, ele era meu tio de criação, já que tinha assumido a minha guarda desde que meu pai entra e sai da prisão, eu tinha doze anos nesse dia, estava escutando rock dos anos , meu favorito, enquanto desenhava, a minha professora disse que eu tinha grande talento, que poderia ir para uma escola de artes, para o meu ensino médio.

Eu gostava de desenhar e pintar, me fazia mais próxima da minha mãe, não que eu me lembrasse muito dela, ela morreu quando eu tinha seis, por causa do câncer, meu pai, ficou muito fodido durante um tempo, mas eu consegui trazê-lo de vota, e agradeço a deus por isso, mas eu não queria ir para uma escola de artes, bem, eu queria, mas não podia, eu tinha que cuidar do papai e herdar os negócios, eu tinha que herdar o clube de motocicletas dele, e a presidência do seu grupo, “Os Infernais”, quando você é uma garota pequena e sem mãe e cresce em um bar de motociclistas cheio de irmãos mais velhos ou segundos pais, é como dia de ação de graças sempre, eu amava aqueles caras e sabia que eles me amavam.

Mas esse dia, meu pai estava viajando e eu não esperava por ele em casa, eu estava chateada com ele, ele prometeu que esse fim de semana seria nossa viagem para o acampamento, eu amava acampar e gostava quando os caras me levavam, mas era ainda melhor com meu pai lá, de repente eu escutei a fechadura abrindo, e me levantei na hora, só meu pai tinha a chave de casa, ninguém mais, todos tinham que ter permissão para entrar, e mesmo chateada com ele, eu queria abraçá-lo, talvez ele voltou para fazermos a viagem.

Pulei em seus braços assim que abriu a porta.

- Papai, você voltou, ainda dá pra ir acampar, eu posso falar com Mike, pra gente começar a fazer as malas e chamar os caras, mas eu tenho que ver a comida, chocolate quente e marshmellows... – eu estava tagarelando, agarrada ao seu pescoço, ele riu, quando me abraçou, mas me colocou no chão e se afastou um pouco, parecia nervoso com algo e eu me afastei um pouco curiosa, papai só ficava assim quando precisava me contar coisas que não sabia se eu ia gostar, entao eu o notei pela primeira vez.

Atrás do papai, ele tinha os olhos no chão, a cabeça baixa, não falava nada, seus ombros estavam caídos, ele era um garoto da minha idade, muito alto, tipo muito mesmo, devia ter 1,75, eu logo fiquei enciumada, eu tinha 1,53, o cabelo era espesso e preto, tinha os traços do rosto, firmes, mas ainda não totalmente definidos, mas era muito bonito, usava uma camiseta preta, que parecia um pouco grande para ele, ele era magro, apesar de alto, usava jeans rasgados e converse, eu gostei, mas o que mais me deixou hipnotizada eram seus olhos, eram mais azuis que o céu se isso fosse possível, azul era a minha cor favorita, mas agora a cor do seus olhos passou á ser a minha favorita, ele ergueu a cabeça e se fixou em mim, quando meu pai começou a falar, mas eu mal podia desviar os olhos dele, estava confusa.

- Querida, este é o Ray, seus pais sofreram um acidente e ele vai ficar com a gente e vai ser seu irmão mais velho, achei que você fosse gostar, Ray, está é a minha princesa, Rose, ela é um ano mais nova que você – eu desviei os olhos para meu pai e meu peito doeu, seu pais tinham morrido, sempre que eu escutava a morte de alguém meu peito doía, principalmente quando alguém ficava sozinho depois disso, eu tentava ajudar todo mundo que eu via assim, e sei que meu pai fez isso por ele, trazê-lo para casa, por mim, porque é isso que eu faria e disse que eu era igual a minha mãe, sempre tentando salvar o mundo.

Mas mesmo querendo ajudar as pessoas, eu não sabia o que dizer quando alguém morria, não queria um sinto muito, porque eu não conhecia seus pais, eu sentia que ele estivesse sozinho, mas tentei não deixar meus olhos arderem, eu vi que meu pai gostou do garoto, então me aproximei e o abracei, ele ficou sem reação alem de ficar tenso, mas eu não dei bola.

- Bem, meu nome é Marie Rosalie, mas pode me chamar de Rose, todos me chamam assim, vamos para dentro, você deve estar com fome, eu vou falar pro tio Mike, agora ele é seu tio também, á preparar mais hambúrgueres. Vamos pro seu quarto, eu já vou arrumar as coisas pra você, papai as vezes ele é sem noção e não me avisa das coisas – meu pai fez uma careta, mas riu, eu arrastava Ray atrás de mim e não o deixava resprar, tagarelava, era isso que eu fazia quando estava animada ou nervosa, ou pior, os dois, que era o caso. – Mas ele vai ficar ao lado do meu, agora. Gostei dos converse, eu gosto de pessoas que usam, pra mim são os melhores tipos de pessoas, mas eu também gostei dos seus olhos, eu amo azul, é a minha cor favorita, fica muito bem em você.

- Era a cor da minha mãe – ele disse e por um segundo pareceu surpreso, eu sorri para ele, ele parecia não saber sorrir de volta.

- Ela devia ser muito bonita também – ele só assentiu com a cabeça.

Depois disso eu arrumei as coisas no quarto pra ele poder se ajeitar, estava feliz, eu sempre quis um irmão, mas meu pai disse que nunca traria uma criança ao mundo se não amasse a mãe, e ele disse que só amaria a mamãe até o fim dos tempos, então agora eu estava feliz, eu tinha um irmão e papai ainda amava mamãe.

Ele parecia meio perdido quando o deixei com as coisas para tomar banho, mas ele precisava de tempo para analisar tudo, ele estava sentado na sua cama, eu dei um beijinho na sua testa e disse para não demorar para o almoço.

Quinze minutos eu tinha ouvido uns estrondos lá em cima, tinha corrido para ver o que era e papai e tio Mike, também, quando cheguei ao quarto de Ray soltei um suspiro.

- Oh, não, Ray – o quarto estava revirado, a cama estava com o colção no chão, a porta estava meio dobrada, como se tivessem dado um chute muito forte nela, tudo antes em cima da escrivaninha estava no chão quebrado, e Ray batia na parede, onde já havia sangue das suas mãos. Papai parecia derrotado por um momento, eu vi que ele relamente gostava de Ray, mas não sabia o que fazer, então eu entrei no quarto – Ray. Ray, Ray? Ray!

Ele finalmente pareceu me ouvir e se virou lentamente ofegando para mim, os olhos azuis pareciam uma tempestade, raiva, ódio, medo, magoa, saudade, tristeza, mais raiva, tudo isso ali, misturado, mas olhando pra mim ele pareceu fraquejar quando caiu no chão, seus ombros tremiam um pouco, eu nem hesitei antes de cair de joelhos e embalar a sua cabeça em meu peito, ele me abraçou apertado, como se nunca quisesse me deixar ir.

- Eles não vão voltar – ele sussurrou, eu sofri por esse garoto. – Eu estou perdido.

- Não esta, não, eu não vou deixar, agora eu vou cuidar de você, faz parte da família, todos vão cuidar de você – eu acariciava seus cabelos, olhei para trás rapidamente, antes de ver Mike e papai saírem.

- Mas eu estou com tanta raiva, dentro de mim, o tempo todo, eu só quero quebrar as coisas, não importa o que seja, mas é estranho... só olhar pra você, me acalma – eu sorri feliz.

- Então eu nunca vou sair do seu lado, e não vou deixar se perder – nós ficamos assim de tarde, eu contava qualquer banalidade, falava da minha escola, de como os alunos me achavam estranha, porque eu usava roupa de “garotos”, das musicas antigas que eu escutava o tempo todo, de como eu amava desenho e pintura, enquanto ele estava com a cabeça no meu colo, eu acariciava a sua cabeça, parecia acalmá-lo, eu gostava, de poder ajudar ele assim, estranhamente, eu me apeguei á esse garoto que parecia perdido, e gostei.

Mas mesmo comigo, eu não podia estar 24 horas do dia com ele, Ray tinha problemas, como muitos, ele se metia em brigas no bairro quando eu estava na escola, ele brigava com qualquer coisa, se estivesse com raiva, até uma parede de tijolos, vocês não tem idéia de quantas vezes ele já arranjou briga com uma parede, e ele tinha sérios problemas de abandono, nunca desgrudava de mim, antes e depois da escola, me seguia o tempo todo, então eu estava mais no clube, porque ele tinha que se acostumar, os garotos começaram levá-lo á academia de Box, que eles iam, disseram que assim ele ia poder proteger as pessoas que ele gostava, isso parecia uma válvula de escape para a sua raiva, mas ainda não adiantava, e por vezes ele estava tão deprimido que não queria nem sair da cama por dias e só falava comigo, ou me abraçava quando eu o vinha ver, acho que meu cheiro, eu sei que isso soa estranho, o acalmava, porque mesmo sem me ver ele parecia mais tranquilo, ele sempre escondia o rosto nos meus cabelos claros. Mas um mês depois, os pesadelos começaram, nós acordamos de noite, para ouvir os gritos horripilantes de Ray, fomos até seu quarto pensando que alguém estava tentando matá-lo, mas ele estava sozinho na cama, se contorcendo de dor, ele só acordou depois de eu gritar muito com ele, e pelas próxiams semanas, nós acordávamos com os gritos de Ray, tínhamos tentado de tudo, remédios para dormir até, mas ele disse que era pior, na manha seguinte, ele se machucava enquanto dormia, chorava gritava, até que um dia, papai não tinha vindo por causa de um reunião e eu deitei com ele, foi a primeira vez que ele dormiu tranquilo depois dos pesadelos começarem.

Então ele me seguia para o meu quarto toda a noite, a gente nem pensava nisso, mas meu quarto virou o dele também, depois de um tempo, suas roupas estavam misturadas com as minhas no armário, sua escova de dentes e produtos higiênicos se misturavam com as minha coisa no banheiro, CD’s, livros, tudo nosso misturado, até que depois de um tempo, passou a ser dos dois, mas depois de um ano quando ele foi internado por causa de uma briga feia do clube, ele ficava mais sombrio ás vezes e nunca me deixava, sempre que podia saia comigo, eu não reclamava, não demorou muito para Ray se tornar meu mundo, junto com o clube e papai, ele estava entre as coisas que eu mais amava, se não a mais importante, meu irmão.

Mas esse amor de irmão com o passar dos anos, foi mudando, e eu não queria admitir, até que já estva no segundo ano do ensino médio, vendo Ray usar todas aquelas garotas e depois nem olhar na cara delas. Ray era o cara mais lindo da escola, todas se apaixonavam pelo seu jeito bad boy, eu também, mas nunca cairia como aquelas atiradas, e mesmo morrendo de ciúmes, eu sabia que era pra minha cama que ele vinha todas as noites, que era eu quem ele abraçava ou que era eu com quem ele sempre estaria, infantil, eu sei, mas não se manda no coração, e o meu, era o mais confuso de todos.

Mas tem uma coisa que Ray nunca falou para mim, ele nunca falou do seu passado, nunca, nem uma vez.

Notas finais
se alguém quiser me ajudar na história é só avisar, bjss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.