The Tour

O céu acinzentado antecipava a chuva que estava por vir. Sentia as pessoas se espremer ao meu redor para tentar vislumbrar o menino que fez história em toda Panem. Ele não era um vencedor qualquer, era o mais novo vencedor de toda a história dos Jogos Vorazes. Eu não conseguia imaginar como um garoto de apenas 12 anos poderia ser um tributo voluntário, mas lá estava ele, vivo.

Seus cabelos em um loiro mel brilhavam contra a pouca luz do dia. A inocência de seus olhos castanhos contrastavam com suas atitudes. Mas, ao lado de um gigante de quase dois metros de altura ele realmente aparentava ser somente uma criança.

Por um breve momento observei seus mentores. Pareciam preocupados demais para ser simplesmente instrutores. A sua voz falhava insistentemente. Não por estar à frente de uma multidão. Era seu timbre que variava, típico de um garoto que iniciava a puberdade.

As famílias dos Tributos daquele ano, o olhavam fixamente. Várias vezes o vi desviar o olhar dos familiares, e até mesmo das fotos, dos que morreram. Nosso distrito não aceitava muito bem a derrota. Suas mãos tremulas aparentavam dificuldade em segurar as folhas detalhadamente cortadas. Qualquer pessoa, com um pouco de inteligência, saberia que aquele discurso fora montado por uma sábia mente do Distrito 3, e não pelo vencedor.

Sua voz cessou informando o fim do breve discurso. Não havia prestado muita atenção em suas palavras. Era como se não tivesse escutada nenhuma. Obsevei seu rosto desaparecer enquanto entrava no Edifício da Justiça. As portas se fecharam com rapidez.

As pessoas começaram a se despersar do local. Olhava, curiosamente, dois ou três guarda-chuvas que se abriram quando os primeiros pingos de chuva cairam. Apesar de ser o distrito mais rico de toda Panem, o Distrito 1 não acatava o mesmo estilo de luxo exuberante da Capital. É claro que, os mais ricos, sempre andavam exibindo pelas ruas suas joias e roupas extravagantes. Eu, que vivia a base de tésseras, sabia muito bem o que era estar junto com a minoria.

A vida não parecia ser difícil como nos distritos mais pobres. Desde pequena tive onde ficar ou o que comer, mas é claro que tudo tem seu preço. Além de pagar com os grãos e óleo, havia o treinamento. Ele era obrigatório para qualquer desafortunado sem pais e facultativo para quem tem apoio de uma família. E, eu, estava nessa por obrigação. Não era um Emmett McCarty, vencedor da 58º edição, que tinha tudo mastigado em suas mãos. O garoto é tão cheio de si que se voluntariou ao completar 18 anos. Com todo o treinamento que vinha tendo durante 7 anos, ele havia se transformado em uma máquina de matar. Era o que ele queria. A floresta de plantas carnívoras não foi nada naquela edição. Não havia planta bestante que matasse mais do que ele.

Eu não era esse tipo de pessoa, e nem queria ser. Eu sou apenas mais uma garota normal do Distrito 1. Só queria um mundo sem jogos, sem mortes, sem vencedores.

Mas essa não era a minha realidade.

Notas finais
Espero que se divirtam com a 60º Ed. dos Jogos Vorazes.

Vejo vocês em breve.

Beijos congelantes!

Soph M.