Sadists Lovers – Interativa
1 Prólogo e Fichas – Moshi Moshi?!
Notas iniciais
Japão
Mansão Sakamaki
Tédio.
Apenas uma palavra podia definir o que os irmãos Sakamaki estavam sentindo naquele exato momento: e ela era “tédio”. Para criaturas que vivem por mais de bilhões de anos, tédio para eles era algo como o “bicho-papão” para os humanos. O pesadelo de todo vampiro.
O único brinquedo que eles possuíam tinha desaparecido e agora eles tinham perdido a bolsa de sangue mais gostosa que já tiveram. Não que Yui tivesse algum atrativo além do sangue, a única e simples razão de ter vivido tanto foi pelo mesmo. Porque enquanto ela permanecesse viva, eles teriam com o que se alimentar, e nada era tão viciante para os irmãos quanto um sangue de alta qualidade. O que fariam agora que tinham perdido uma das melhores diversões que eles tiveram? Com Yui eles tinham um parque de diversões inteiro em mãos, mas agora a única coisa que os impedia de matarem a si mesmos eram os poucos jovens que se atreviam a adentrar a mansão, buscando aventuras ou quase sempre, por ter escutado boatos de que existiam vampiros por lá.
Como os humanos eram tolos... Eles alegavam estarem no topo da cadeia alimentar e se achavam superiores dos outros seres vivos. Eram como um formigueiro, mate a formiga-rainha e eles ficam sem saber o que fazer. Eram tão inferiores que precisavam sempre de alguém para ordena-los, uma força inexistente para guia-los.
— Tch, que tédio — Ayato, o terceiro de seis irmãos, se pronunciou pela primeira vez naquela sala. Sua voz contendo raiva.
Nenhum deles mexeu um músculo ou levantou o olhar para o menino jogado desajeitadamente sobre a cadeira. Já era a décima vez no dia que Ayato resmungava sobre como “o grande eu”* estava entediado. Na segunda vez em que ele reclamou os outros passaram a ignora-lo, simplesmente porque ouvir alguém dizer o quanto estava insuportável não ter nada para fazer não os deixavam melhores.
—Reclamar não fará o tempo passar mais rápido — murmurou Reiji, seu rosto sem expressão enquanto tentava se concentrar no seu livro sobre experimentos.
Ele não sabia exatamente o porquê de estar ali. Poderia muito bem voltar para sua sala e continuar a pesquisar sobre poções. Talvez a falta de algum entretenimento esteja lhe fazendo mal a ponto de querer estar na companhia de alguém. E isso não era diferente para os outros. Mesmo que nenhum deles fosse admitir, é claro.
—Mas está chato aqui — a voz dele soara infantil, acompanhada de uma bufada de raiva. — Hm? Tem algo a dizer Subaru?!
Todos os olhares se voltaram para o albino, que tinha acabado de socar a parede com força, como tinha se tornado costume. Ele demonstrava um olhar agressivo na direção de Ayato, rangendo os dentes e em posição de ataque.
— Se você reclamar mais uma fez eu te faço em pedaços!
Os dois se encararam, os olhos fixados um no outro.
O clima cessou quando um dos irmãos decidiu que aquilo era a coisa mais engraçada que já vira. Sim, Raito, tinha acabado de rir, seus lábios se alargando com a provável luta que iria presenciar. Tinha até mesmo parado sua sinuca para observar aquela cena.
—O que é tão engraçado Raito? — foi Ayato quem perguntou, desviando os olhos verdes para o outro ruivo na sala.
—Hn, hn. Nada. É que... — fez uma pausa dramática, fechando os olhos e alargando o sorriso. Seu rosto era o de alguém que estava se esforçando para não contar uma piada, da qual, provavelmente, ninguém riria. — Vocês parecem dois vira-latas brigando! É patético!
E uma discussão se iniciou.
— Ah... Eu estou com fome. — suspirou Kanato, seus braços apertando em volta do pescoço de Teddy, o ursinho caolho. — Hn? Você também está com fome, Teddy? — seus olhos se voltaram para a discussão que acontecia a sua frente, e um sorriso psicótico apareceu em sua face. — Quem você acha que morrerá primeiro, Teddy?
—Oe, repita oque você disse Raito! Como você ousa dizer isso para O Grande Eu?!
—Hu, ridículo. Continua se referindo a si mesmo de “O Grande Eu”? — Raito riu desdenhoso, as mãos no bolso como se estive despreocupado que o irmão pudesse lhe acertar a qualquer hora.
— Tsc, vocês dois só sabem falar?!
—Hm? — os ruivos se voltaram sinistramente para Subaru.
Eles estavam prestes a começar a pancadaria quando...
Triiim... Triiim...
Toda a atenção da possível briga foi voltada para o loiro de olhos azuis que dormia tranquilamente sobre o sofá. Ele acordou, abrindo apenas um de seus olhos e retirando o fone de ouvido. Começou a tatear o bolso de frente da calça, parecendo desnorteado ao ser acordado com o barulho.
—Are?* — tateou novamente o bolso, suas mãos sentindo-o vazio. — Hn, não é esse... — voltou a mexer nos bolsos, dessa vez averiguando o de trás. — Ah, achei. — suas mãos retiraram do bolso um celular preto e os olhos rolaram pela tela do aparelho antes de atender a ligação.
O ar em volta dos irmãos Sakamaki ficou mais sério, poderia até mesmo se ouvir o farfalhar das folhas das árvores lá fora. Atentos a cada movimento eles observaram o loiro levar o celular a orelha, seu rosto sem expressão.
—Moshi Moshi*...
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