Sad Betrayal
1 Capítulo 1 - Como tudo começou
Notas iniciais
Melody.
PDV MELODY JOHNSON
Tudo começou numa tarde de sábado. Quando o garoto do mar voltou vitorioso da missão que salvou o mundo. Era Percy Jackson, filho de Poseidon, o garoto que me encantou na primeira vez que dei de cara com ele.
Ele estava namorando com aquela tal de Annabeth. “Namorando”. O fato de eles trocarem um ou sete beijos, pra mim, não importava. Eu queria aquele garoto a todo custo.
Tudo tinha-se acalmado, e a única coisa que fizemos após a missão era comemorar – que o mundo tinha sido salvo, e que Travis e Connor estavam vivos – mas também chorar, pois meu querido irmão Luke falecera.
No chalé 11, os sentimentos se misturavam a cada minuto, a cada segundo que olhávamos para o lado e víamos Travis e Connor, e também quando virávamos a cabeça e encontrávamos algo que pertencera a Luke.
Não me conformei em saber que ele tinha morrido. Não me conformei com o fato de nunca mais tirar onda com a cara dele. Não me conformei em ouvir que ele nunca mais voltaria pra pegar no meu pé a respeito de namorados. Não me conformei mesmo.
Não estou sendo totalmente franca em dizer que esquecemos. Em dizer que não partimos em missão para resgatá-lo do Mundo Inferior. Pois fizemos tudo isso.
Fugimos à noite. Eu, Travis, Connor, Katherine, Lucy e Kevin. Peter também foi. Estávamos todos juntos, silenciosos na noite, que até ficamos com medo de nós mesmos. Filhos de Hermes em silêncio?
Andamos, um pé na frente do outro, até ultrapassar os portões do Acampamento Meio-Sangue.
[ ... ]
Enfrentamos poucos monstros após a ultrapassagem dos portões, nada de muito assustador – afinal, estávamos acostumados com o assustador. A chegada ao Submundo foi, de primeira, Cérbero tentando nos atacar. Pelo que disse Annabeth, ele é atraído por bolas de borracha gigantes. Fui munida com várias delas, para poder entrar naquele lugar e salvar meu querido irmão.
Não foi fácil jogar aquela bola de 7 metros pra ele. Mas, por fim, Cérbero mostrou encanto por ‘’pequenas’’ bolas vermelhas de borracha. Ou, no nosso caso, madeira – filhos de Hefesto.
Entramos no Mundo Inferior e logo localizamos o Elísio. Era, de longe, o lugar mais iluminado do Submundo, cheio de vozes e risadas alegres, que infestavam todas as partes, até as mais escuras. Me perguntei se poderíamos ultrapassar aqueles portões muito bem polidos, tão limpos que reluziam.
Bom, já vimos (tecnicamente ouvimos) pessoas falarem que foram ao Submundo e resgataram alguém do Elísio para a vida real. Dizem que no começo pode até parecer estranho, mas, quem liga? Era para salvar Luke. Então nos arriscamos.
Entramos naquele lugar. Tinha a grama tão verde que dava inveja. Imagine os seres dos Campos de Asfódelos, como se sentiam. Sabe aquele papo de “a grama do vizinho é mais verde”? Tipo isso.
- Parece que Perséfone anda passeando por aqui. – sussurrou Connor.
- Psiu! Quer chamar a entidade? – Travis sibilou e nós demos umas risadinhas.
– O quê? A questão é que só tem filhos de Hermes aqui, caramba. Qual é o problema de dizer Persé...
- Chega, Connor. – Kevin calou-o com a mão.
Conn pareceu ofendido.
- Chega? Como chega? – a voz dele tinha um leve tom de irritação – O que quer dizer com “chega”?
- Ele quer dizer chega. – Segurei o braço dele com força. – Calado, sim? Por favor. É pra achar o Luke. Não convocar espíritos de deuses alheios.
Connor revirou os olhos e Travis deu uma risadinha, dando um empurrão e um soco no braço do irmão.
- Hahaha! Patão!
- Sou humano! E você me chamou de quê?
Ultimamente eles andavam meio... como chama? Provocantes?... Acho que é provocadores. É, essa coisa aí.
- Ele te chamou de Patão.
Um rapaz loiro falara. Loiro, olhos azuis. Ele tinha uma estranha túnica branca envolta por fios de ouro e uma espécie de coroa de louros e ouro. Seria quase impossível reconhecê-lo se a cicatriz não estivesse mais ali. Era ele, Luke.
Não pude deixar de esconder a alegria.
- Luke! – tentei correr para abraça-lo, mas ele recuou.
- Desculpe, Mel. Estou... intocável, por assim dizer. – ele suspirou – Também queria muito te dar um daqueles abraços de tirar o fôlego, mas... Não dá, entende?
Assenti com a cabeça. Não importava. Ele estava ali.
- O que vocês estão aprontando?... – ele disse com aquele sorriso que sempre costumava dar quando fazíamos alguma coisa errada.
- Queríamos tirar você daqui. – Lucy falou daquele jeito fofo de sempre.
- Não aguentamos mais ficar sem você, Luke. – Falou Kath sorrindo.
Luke suspirou.
- Ah, seu eu quisesse.... – ele murmurou.
- Como assim, “quisesse”?! – falamos estarrecidos.
- Nesse tempo aqui, manos, eu descobri que minha vida não teve muito sentido. E quando teve, ela acabou. – Nós sabíamos que ele estava falando de Thalia – Ah, gente, não me entendam mal. Claro que eu iria com vocês se não tivesse feito tudo aquilo, se as pessoas não me olhassem com maus olhos.
- Mas você salvou o Olimpo, Luke! – Peter falou pela primeira vez na viagem.
- Mas também o prejudiquei. Muita gente morreu por minha causa. – suspirou – Gente que não merecia.
- Luke, por favor, não pense assim... Você foi o salvador do mundo! – Peter.
- Não precisaria tê-lo salvado se não o tivesse o colocado na beira de um abismo.
Suspiramos. No fundo sabíamos que ele tinha razão. Mas amávamos ele demais pra admitir.
- Mas... – Ele falou, o que fez todos nós prestarmos atenção com esperanças à mil por segundo. — ... Sinto muita falta de vocês... De Annabeth... Thalia...
- Então quer dizer...?
- Que vou com vocês.
Demos pulos de alegria.
- Mas temos que agir rápido. Digam-me que vocês trouxeram a varinha.
Kevin puxou uma varinha feita de ossos, era de Nico, a que ele ganhara de Hécate.
- Bom garoto. – Luke falou e Kevin sorriu – Sua vez, Mel.
Peguei o cetro e suspirei. Luke já havia me ensinado aquilo, Nico também. Então era só... Só fazer. Finquei o cetro no chão e murmurei:
– Σκήπτρο, επεκτείνεται!
E diante de todos, a varinha se transformou em um cetro. Continha agora uma pérola roxa no topo. Parecia uma versão aumentada e mais grossa do objeto anterior. A pérola havia crescido e exalava um brilho verde e mágico no ar. O que confirmava que eu estava fazendo tudo certo.
Luke sorria de braços cruzados, aquela pose de sempre, que lhe dava um ar superior, ainda mais agora que estava no Elísio e, bem... Morto.
Concentrei-me e inalei o doce cheiro do silêncio. Nem minha respiração era ouvida.
Silêncio.
– Σκήπτρο, επεκτείνεται!! – veio meu grito. O cetro explodiu em uma onda de poder que dirigiu-se a Luke, explodindo em seu peito. Me perguntei se aquilo doía. Talvez sim, talvez não.
Só sei que estava ficando com medo de mim mesma. E se desse errado? E se não funcionasse? E se tudo se revertesse?
Lucy, Katherine, Kevin e Peter afastaram a fumaça com as mãos. Travis e Connor continuavam tretando e se beliscando, então duvidei que eles tivessem prestado atenção.
Naquela hora, minhas pernas fraquejaram. Então não vi quase nada.
[ ... ]
Acordei nos braços de Connor. Ele sorria.
- Hey, Mel.
- Conn...? Cadê o Luke?
Ele sorriu.
- Deu tudo certo, maninha. Pode ficar calma.
Olhei em volta. Lá estava eu, no chalé de Hermes novamente, aquele cheiro inconfundível de... alguma coisa que alguém esqueceu no armário. A madeira descascada, a tintura clara. Estava na parte debaixo do beliche, onde, com certeza, não era o MEU beliche. Eu dormia na parte de cima, e meu colchão era dez vezes mais confortável que aquele.
- Se sente bem? – ele me perguntou.
- Ainda com dor de cabeça. – me sentei na cama e sorri – Mas vou ficar bem.
- Que bom. – ele sorriu – Tem muita gente lá fora te esperando.
- Sério? – senti meu sorriso aumentar.
- Entre eles, seus favoritos.
Levantei-me, já estava curada.
- Calma aí, garota. Vai acabar desmaiando.
Vesti meu casaco moletom verde e suspirei. Sorri e me virei para porta. Connor postava-se ao meu lado. Segurei a mão dele e abri a porta, vendo aquela horda de semideuses avançando pra mim. Meus irmãos e todo o resto. Em algum canto, pude ver Percy Jackson esperando por mim. Nico sorria feliz e orgulhoso. E no meio da muvuca toda, estava meu irmão, novamente com a camiseta do Acampamento Meio-Sangue.
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