Notas iniciais
Vejo vocês nas notas finais ^^
Boa Leitura! :3

A lua cheia brilhava em New York. Mais de metade da população já apagara as luzes dos prédios. O som era quase nulo, apesar das discotecas e do trânsito.

Mas, no meio de toda essa paz, no maior silêncio do ambiente, a alma de um ser gritava por causa da sua situação de uma vida miserável.

Pele negra como a noite, olhos verde-lima, cauda longa, bigodes bem definidos, uma mancha branca nas costas que era raro de ver, e um focinho macio e fofo, mas misterioso, pois é como se soubesse mostrar as suas emoções.

O felino estava sentado no muro a olhar para a linda paisagem nocturna. Suspirou, tudo ao seu redor era tão normal, exceto ele próprio.

Saltou silenciosamente e pousou-se no chão delicadamente como se não quisesse estragar a música da noite. E subiu de novo para um caixote de lixo vazio. Fez um rosto de maroto completamente decifrável. Preparou-se puxando o seu corpo para trás e estendendo a cauda para cima.

E deu um grande miado com as patas noventa graus do solo. O ruído estragou o clima, dezenas de janelas ficaram iluminadas e abertas com os donos.

O gato riu-se ainda a miar por três razões:

1) As pessoas estavam zangadas com olhar de sono que dava um ar de idiota.

2) Os humanos estavam de pijama.

3) E todos eles eram tolos, porque iam atirar comida, o objetivo de estar ali a fazer aquele estrondo agudo.

Passados quinze minutos, restaram apenas dois acordados. O felino aproveitou para comer algo. Ganhou um bom peixe, garrafas de água, fatias de bolo, alguns bocados de melância, etc….

Ele é um sortudo e egoísta que dá a sensação aos outros que a sua pelagem preta dava azar. Ele, sendo um gato, acha disso uma grande mentira. Na verdade, nem sempre, pois já ocorreram dezenas de acidentes em que ele esteve envolvido ou perto sem fazer nada.

Olhou para o grande relógio da cidade e viu que eram ainda quatro e meia da manhã. Foi dar uma volta. Depois de algum tempo, quando ele passa por uma estação de bombeiros, o local começa a incendiar-se e ouve-se gritos por toda a parte. Sentiu-se culpado e acelerou para outro lugar mais calmo e quase impossível de haver problemas para os humanos: os telhados.

Saltou de casa em casa, deparou-se com um rapaz e uma rapariga, escondeu-se para ver a situação alheia.

—Oi… O que tu queres a esta hora? Sabes bem que eu não te quero! – quase gritou a menina.

I know. Eu sei disso desde sempre, só quero que saibas que eu amo-te.

—Se o sentimento não é mútuo, não é amor, é insistência. Desiste! Pára, não insistas mais! É duro? É. Vai doer? Vai. Mas a dor não será maior do que insistir em um amor que não é correspondido.

—Achas mesmo? – perguntou elevadamente o rapaz com lágrimas a escorrerem pelo rosto – Eu só queria apenas a ti. Mais ninguém e nada mais! Mas sabendo que não consigo aceitar isso com o tempo e que nem tu vais corresponder, isso dói-me tanto. Por isso, para acabar com essa dor, eu vou-me matar!

—Estás doido!? Não faças isso! Porque queres fazer isso? Nós somos amigos.

—Por isso mesmo!

—Mas isso não faz sentido! – começou a chorar também.

—O que não faz sentido nessa porra é que o meu corpo está vivo, mas a minha alma está morta!

A rapariga ficou sem saber o que falar.

—Por isso, só quero que saibas que eu amo-te muito… — deu o seu último suspiro — Adeus.

—Não! – a rapariga loira tenta agarrá-lo, mas foi tarde demais.

Após uns dez segundos ouve-se um pequeno barulho de uma queda e um grande grito de desespero.

O animal ficou assustado com a cena e viu a garota de joelhos no teto. O gato preto, que, para muitos, significa azar, move-se lentamente até à garota e olha para a mesma. Ela estava a chorar.

—Sai daqui, bichano! – a menina berrou tentando empurrar o felino para longe.

Mas o gato tinha compaixão e estava disposto a tentar fazê-la sorrir. Então foi de novo para junto dela e meteu uma das suas patas na perna dela, tentando fazer festinhas.

—D-Desculpa… — disse a rapariga a gaguejar, olhando para o animal que estava triste por ela – Podes ir embora, eu fico bem…. Só preciso de um tempo….

Assim o fez educadamente. Caminhou pelas janelas de um prédio e parou numa que chamou o seu interesse. Era um Samoieda puppy e o seu dono com os pés a pairar no ar. De repente, o gato parece que ouve o cão.

—Nas outras vezes não deu certo, mas agora conseguiste voar! Eu ficarei aqui a dormir até desceres.

O felino tenta segurar as lágrimas, pois o cachorrinho ia morrer também porque o seu dono cometeu suicídio e está enforcado. Foi-se embora, pois não aguentava tanta pressão numa só noite.

Olhou mais uma vez para os ponteiros do relógio e eram seis da manhã, falta uma hora. Deu grandes saltos até a uma pequena casinha azul em forma de paralelepípedo com apenas uma janela ao lado da porta. Entrou na abertura da habitação e fechou os olhos no sofá antigo e imundo que estava alguns metros à frente da televisão velha.

Passado alguns minutos acorda e descobre que é uma sexta-feira 13, arrepiou-se porque no ano passado o azar foi colossal. Decidiu espreitar pelos painéis de vidro para ver se havia conflitos, bombas, inundação, incêndios ou guerra.

E viu, simplesmente, as pessoas a andarem um lado para o outro como se tivessem um dia normal. Foi como se alcançassem a paz mundial. Será que se ele saísse aquela tranquilidade seria quebrada? Tinha medo de arriscar, mas se ele não tentasse não saberia a resposta.

O seu coração batia fortemente, os seus olhos não sabiam se olhavam para o sofá ou para o exterior, ele tremia com a grande indecisão. Tinha receio de se envolver em algo e ferir os outros ou a ele próprio. Ele escolhia a escuridão, pois assim nem teria a sombra como companheira.

De repente, arranjou coragem e saiu do local.

Notas finais
O que acontecerá? :3
Comentem para darem-me vontade de continuar ^^
Vejo-vos no próximo capítulo! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.