Sable's Silver Lining

1 Silver Consolation


Notas iniciais
POR FAVOR LEIAM! HÁ AVISOS IMPORTANTES! Olá a todos! Venho lhes presentear essa história do fandom de Spider-Man, mais especificamente do game lançado em 2018, Marvel's Spider-Man, que pelo que percebi, há pouquíssimas histórias desse sub-fandom nos sites brasileiros, e principalmente do Pairing que eu vou falar sobre, então eu decidi escrever uma. Diferente das outras histórias que já escrevi, essa possui uma leitura mais maçante, lotadas de informações e pouco diálogo. Principalmente nos capítulos 5 e 6. Além de possuir um teor mais tenso, por conta dos eventos que vão acontecer no decorrer da história. Não é exatamente o tipo de história com muito romance. Há pessoas que não apreciam esse tipo de leitura, por isso deixo avisado. Mais avisos importantes: SPOILERS DO GAME EM SI E DAS DLC'S!! Sim, das três. Então, fiquem espertos! Claro que modifiquei certas coisas, mas o geral em si permanece da mesma forma que no game. Also, eu vou fazer alguns mix com outras sagas, pegando um pouco do Peter do Holland, do MCU, etc. Nada demais. Outra coisa, eu não encontrei alguns personagens que aparecerão ou são citados na história na aba de personagens, e a primeira delas é, obviamente, a Silver Sablinova (ou Sable). Boa leitura a todos!

Circuitos, elementos instáveis, pressão do Osborn e a ameaça de falta de verba sempre fizeram parte do meu dia a dia como pessoa ''normal'', e eu sempre lidei muito bem com isso, mas as coisas estão mudando. Tanto na minha parte normal, e na parte super-herói. Antes de ocorrer um dos maiores problemas que já afetaram Nova Iorque, e claro, a mim mesmo, minha sanidade estava até que razoável. Emprego estável, relações sociais normais, e estava lidando muito bem com o novo relacionamento com a MJ. Então, tudo aquilo tinha que acontecer. Já faz seis meses.

Para começar, houve a revelação do lado mal do Martin Li. Uma das pessoas que eu acreditei ser uma das melhores por tudo que fez pelos desabrigados da cidade, se mostrou uma pessoa horrível, que assassinou milhares de vidas para alcançar seu objetivo. Tentei trazer esse lado à tona dele, e no final acabei conseguindo, depois de o ajudar numa audiência num tribunal. Ele trabalha em condicional no F.E.S.T.A, tentando compensar seus crimes, preso constantemente a uma algema que impede a ativação de seus poderes. Ele diz estar realmente arrependido, e após eu ler a carta que ele escreveu para May, eu acredito nele. Tenho sorte dele estar trabalhando no centro de ajuda ainda, somente com a ajuda do Miles eu não tenho certeza de que conseguiria, atuando como Spider-Man ao mesmo tempo.

Uma das únicas pessoas que eu considerava uma amiga e único contato na polícia, que mesmo parecendo me odiar e desgostar do alter ego do meu alter ego, o famosíssimo Agente Spider, ela é uma boa pessoa. Ou ao menos pareceu ser, antes de enlouquecer e tentar matar Hammerhead (e quase conseguir) e após ser suspensa da polícia, agiu nas sombras, me guiando num jogo bizarro de encontrar pistas de assassinatos e áudios mais bizarros ainda. Ela perdeu a si mesma — ou talvez encontrado? Eu sinceramente espero que não. Não quero acreditar nisso — em meio ao ódio, a raiva e pelo ímpeto de fazer justiça com as próprias mãos, seguindo ideais próprios.

Mary Jane, minha — até então — namorada viajou para um campo de guerra do outro lado do mundo, enquanto eu fico preso aqui. Ela sabe que dessa vez não tem como eu ajudar ela, e ela mesmo assim faz essas coisas suicidas. Eu tento ficar com raiva, mas só consigo sentir preocupação com essa garota. Agindo imprudentemente enquanto eu tenho que ficar limpando as coisas que ela faz... Pelo menos as ações dela geram informações muito úteis. Nesse caso, a matéria que ela estava escrevendo vai ajudar um país inteiro afetado por uma ditadura. Só por causa disso — até parece Peter, ela iria de um jeito ou de outro — eu deixei-a ir embora. E não tenho notícias dela já vai completar três meses. Ela me mandava qualquer coisa todo dia, e desde a última mensagem que ela mandou, há mais de cem minhas. Desde a última ligação dela, há mais de quarenta minhas. Eu sinceramente não sei o que esperar, tento não me desesperar todo dia enquanto mando mais uma mensagem falando do meu dia, enquanto tomo cuidado para minhas lágrimas não queimarem meu celular, seria péssimo com a quantidade de dinheiro que eu tenho.

E então, possivelmente, a pior das coisas. O lento enlouquecimento do meu chefe, amigo e mestre. E eu estive tão ocupado como Spider-Man procurando a origem dos problemas causados pelos demônios, pela Sable e pelos vilões que escaparam da prisão que eu nem sequer pensei se ele estava bem. Otto enlouqueceu antes mesmo de eu começar a suspeitar. E isso me custou muitas coisas. Inclusive a vida da minha tia, melhor amiga e única pessoa que restou da minha família. Sabe, eu sempre soube que com grandes poderes, grandes responsabilidades vêm acompanhadas. E eu sempre achei que poderia aguentar tudo. Mas eu não estou conseguindo. Lidar com um adolescente com os mesmos poderes que eu, me atormentando quase todo dia, ajudar milhares de pessoas pela cidade e ao mesmo tempo ajudar a abrigar dezenas de desabrigados... Isso está me desgastando muito mentalmente. Além de que eu tenho que seguir em frente por todas as pessoas que eu perdi.

May, você não faz ideia do quanto eu sinto a sua falta, eu não sei se consigo sem você, já não bastasse o Ben. Um conselho seu é a melhor e única coisa que eu quero nesse momento, e eu não posso ter isso. Mary Jane, Felícia, Yuri e Otto, eu sinto a falta de vocês. Estar sozinho agora é algo que eu não quero nem um pouco. Eu tento conversar com Miles, mas ele é jovem demais para entender, além de estar extremamente empolgado com seus novos poderes, não quero estragar esse momento para ele. A coisa mais próxima de me distrair desses sentimentos ruins foi trabalhar junto com a Sable para derrotar o Hammerhead — que sem querer me gabar, fizemos um ótimo trabalho em equipe, ou quase — e ela pelo menos parece não me odiar mais, mas ela mal me tolera. Eu poderia considerar isso um avanço, mas parece que eu não vou encontrar ela nunca mais, então fica por isso mesmo. Espero que ela consiga resolver os problemas do país e socar a boca desse ditador maldito.

Pelo menos a cidade está me dando um descanso. O máximo que tenho de fazer é lidar com pequenos furtos e pessoas distraídas pelas ruas, prestes a morrerem atropeladas. Penso que talvez eu mereça um descanso, me focar mais no laboratório, agora que passei de estagiário e me formei na faculdade, assumi a Octavius Industries, tornando-a, com orgulho, minha Parker Internacional. Na verdade, comecei assumindo o Industries do antigo nome, mas após algumas negociações internacionais com outras empresas, após recomendações de certa jornalista, decidi mudar o nome e seguir em frente. Não quero olhar para minha própria empresa e lembrar dele. Empresa essa que ainda só possui um CEO e funcionário, sendo ambos a mim mesmo. Ironicamente, eu quero que continue assim. Eu basicamente trabalho em casa, somente uso o laboratório para desenvolvimentos práticos, que geralmente sempre dão certo, então planejo apenas em casa e em dois ou três dias, fico direto no laboratório pondo em prática, obtendo os resultados que eu quero e patenteando meus produtos.

Eu basicamente continuei e expandi nossos projetos de próteses, dando maior foco em relação a reconstituições neurais e restaurações de partes internas do corpo, como reconstituições artificiais de colunas vertebrais e costelas. Esses dois em especial me tomaram muito tempo, esforço e madrugadas estudando, porque tem envolvimento com o tipo corporal do paciente, medicina e biologia. Seria tão mais fácil se eu tivesse um parceiro ou algo do tipo, mas eu ainda não tenho infraestrutura o suficiente para esse tipo de avanço corporativo — coisa que na verdade é o básico de uma empresa. Eu mal consegui recuperar meu apartamento e criar vergonha na cara para sair do apartamento da MJ, apesar de ainda passar lá de vez em quando, com a inocência de talvez encontrar ela bem por lá, não custar tentar, huh? Mas seria bem interessante ter um subordinado. Quem sabe quando o Miles completar a idade mínima para se ter um estágio, eu não contrato ele? Ele parece ter bastante conhecimento tecnológico, o pai dele comentou algo do tipo uma vez, além dele já ter experiência corporativa, quando praticamente carregou o F.E.S.T.A nas costas, assim a May adoeceu e o Martin estava sequestrando o Osborn.

Encarar a realidade está sendo quase impossível. Quando o Ben morreu, eu tinha a May. Quando a May e grande parte das pessoas que eu conheço me abandonaram, eu não tenho ninguém ao meu lado. Eu sei que consigo lidar com vilões muito mais poderosos que eu, mas minha mente, sinceramente, está me derrotando muito mais que o Fisk quando eu invadi a propriedade dele. Um soco do Rino doeria menos. Eu só gostaria de distrair minha mente desses pensamentos, fazer algo diferente, conversar com alguém que me entenda. Parece que nem minhas maravilhosas, incríveis e ótimas piadas estão fazendo efeito. E olha que isso é difícil. Está tudo tão bege, mesmo olhando pela lente de qualquer um dos meus trajes de Spider. Eu só quero que meu dia volte a ter cor, qualquer uma.

Sinceramente, eu sou patético. Era pressuposto para eu ser o defensor dessa cidade, e não consigo nem mesmo vencer a mim mesmo. Cheguei ao ponto de estar ajoelhado no tapete do meu apartamento, chorando enquanto seguro minha máscara e o vidro quebrado da foto de quando entrei na faculdade, enquanto Ben e May ainda eram vivos. Uma das únicas coisas que eu consegui recuperar de quando fui despejado do meu apartamento. Seu idiota, suas lágrimas estão quase em contato com o papel pelo vidro quebrado... Vai estragar sua única lembrança deles.

Soltei uma risada baixa. Nunca na minha vida me imaginei estar tão no fundo do poço, apenas um pouco. Mal vejo a tal luz no fim do túnel que tanto falam. Há um termo na língua inglesa que eu sempre ouvi falarem, e que eu gostaria de se aplicasse a mim. ''Silver lining'', quer dizer o lado bom de uma situação. Será que isso existe na minha situação? Estou cansado de só ver coisas ruins acontecendo comigo.

Mas é isso que ser Spider-Man significa? Grandes responsabilidades, perdas de pessoas que eu amo? Eu quero eles de volta, não sei se consigo mais. Doutor, eu quero que me dê uma instrução do que fazer com a prótese que estávamos projetando. Yuri, dê-me um local em que haja bandidos, demônios, soldados da Sable, até mesmo o Thanos pode estar lá, mas por favor me diga. MJ, diga em que lugar perigoso você está para eu ir te salvar, ouvir qualquer informação sobre alguém que você acha suspeito. Felícia, vamos brincar de esconde-esconde, enquanto eu te procuro pela cidade, e quando eu te achar vamos derrotar algum Rei do Crime pela cidade, igual aos velhos tempos. E... May e Ben, vamos cozinhar algo? Caminhar pelas ruas de Chinatown? Passear pelo Central Park? Harlem? Midtown? Eu conheço uma ótima pizzaria por lá, meu amigo Eddie faz as melhores, eu prometo... Então vamos? Por favor? Eu imploro. Qualquer um que esteja aqui, por favor diga alguma coisa. Qualquer um...

— Qualquer um... Por favor, me ajude — murmurei, perdido.

— Que fase, hein, Spider-Man — sussurrou uma voz vinda detrás de mim, assustando-me.

Num sobressalto, pus minha máscara rapidamente, antes que a pessoa me veja. Não pensei muito na hora, a pessoa já deve ter conhecimento da minha identidade se entrou no meu apartamento, mas eu coloquei assim mesmo, sinto-me mais seguro com ela. Enquanto me colocava em posição de ataque e em pé, notei que estava sem meus lança-teias, mas isso pouco importava agora. A pessoa se aproximou mais da janela que dava espaço a luz da lua, revelando uma cabeleira prateada que presa num rabo de cavalo, que chegava até o começo da costa.

— Não pode ser... Sable?! O que você faz aqui em Nova Iorque? A quanto tempo está na cidade? Por que está no meu apartamento? E por quanto tempo, aliás? E por que você está de botas no meu tapete?! — Disparei, a última pergunta sendo a mais importante de todas. Eu tinha lavado e secado ele dias antes, cadê o respeito dela?

No entanto, ao invés de responder minhas perguntas como qualquer pessoa normal faria, ela apenas levantou uma sobrancelha, como se perguntasse silenciosamente: ''Essa última pergunta era mesmo necessária?'' O que me fez rir de verdade pela primeira vez em meses, apesar de ter soado como um riso de desprezo. Isso fez ela mudar um pouco o olhar, para um mais... Suave?

— Estou aqui porque quero resolver um problema e preciso de ajuda, mas assim que cheguei na cidade e no seu apartamento... Digamos que eu não esperava te ver assim — afirmou ela, ainda com um olhar suavizado, como se com pena de mim. Eu não quero olhares assim, mas não me irritei com ela, ela só queria pedir ajuda afinal.

— Estou ''assim'' porque algumas coisas aconteceram, mas eu ainda estou na ativa, do melhor jeito possível... — murmurei a última parte, fazia algumas semanas que eu reduzi em quase metade meu desempenho como Spider-Man, e algumas pessoas que acompanham meu Twitter perceberam isso. Espero que ela não tenha ciência disso.

— Imagino... Reportagens e seus fãs dizem o contrário. Eu imaginei que você tivesse começado a relaxar, mas me parece que a situação é justamente o oposto — afirmou ela, voltando ao tom sério, enquanto seu rosto transmitia algo como... simpatia? — Minha empresa não é só voltada ao ramo militar, também temos médicos em nossa estrutura...

Ela não precisou terminar a frase. Eu entendi o que ela quis sugerir, e eu me emocionei mais do que deveria por causa dessa sugestão. Agradeci muito por estar usando máscara, mas minhas lentes flexíveis ainda transmitem mais ou menos os movimentos dos meus olhos. Creio que ela percebeu que eu estava à beira de chorar e virou-se para a cozinha, antes de movimentar o rosto para mim de novo.

— Vou pegar um pouco d'água, estou com sede. Vai querer? — perguntou mecanicamente, não sei se ela disfarçou, mas eu fiquei grato assim mesmo — Não se acostume com isso.

Apenas acenei com a cabeça. Sorri fraco, enquanto tirava minha máscara para limpar meus olhos. Talvez hoje a noite seja diferente do que eu pensei que fosse ser. Sable não era nem nos meus sonhos mais obscuros a companhia que eu estava esperando, mas no meu estado atual eu só gostaria de conversar com alguém, além de que ela parece estar precisando de ajuda, e eu preciso urgentemente me distrair dessa rotina de trabalho-casa e depois ter crises de ansiedade ou existenciais. Quem sabe não apareceu um super-vilão poderoso que ameaça a cidade? Era exatamente disso que eu estava precisando, socar a cara de alguém do mal.

Mas o que me intrigava mesmo era o porquê da Sable estar de volta, e mais especificamente no meu apartamento. Ela descobriu minha identidade? Eu na verdade nem ficaria surpreso, a maioria das pessoas que sabem minha identidade descobriram antes mesmo de eu perceber, então não seria estranho ela saber. Ela parecia diferente, na verdade. Aparentava estar mais calma, eu até achei meio incomum ela não me mandar calar a boca nenhuma vez.

Passar mais um tempo com ela talvez seja divertido.