SEMPRE FOI VOCÊ (Lorcan Scamander/Roxanne Weasley)
4 Capítulo 4 - O Gosto Amargo da Mentira e o Alívio do Perdão
James estava estranho.
Desde o dia em que flagrou Lorcan e Roxanne juntos, algo havia mudado entre eles. O garoto, que antes parecia sempre pronto para uma piada ou uma provocação, agora se mantinha distante. Ele não fazia mais os comentários sarcásticos, não ria das suas piadas como antes, e, pior ainda, havia parado de sentar ao seu lado no Salão Principal. Lorcan sentia a tensão no ar sempre que James passava por ele, e isso o deixava ainda mais inquieto.
Ele sabia o motivo. James estava chateado. Não era difícil perceber. Eles haviam sido melhores amigos desde o primeiro ano em Hogwarts, compartilhando todos os segredos, todos os momentos, desde as noites em claro até as risadas nos corredores. E agora Lorcan tinha escondido algo tão importante de James. Algo que ele sabia que James odiaria descobrir por outros, principalmente se fosse através de outra pessoa.
James Potter odiava ser o último a saber das coisas.
Naquela tarde, com o coração apertado e a mente confusa, Lorcan tomou uma decisão. Ele precisava enfrentar isso. Encontrou James saindo da aula de Feitiços e, com um gesto rápido, o puxou para um dos corredores mais tranquilos do castelo, antes que o amigo tivesse a chance de fugir.
— Tá evitando falar comigo? — perguntou Lorcan, a voz cheia de uma sinceridade que nem ele sabia que tinha.
James, como sempre, cruzou os braços, olhando para ele com um misto de irritação e resignação.
— Não.
— Você acabou de tentar me evitar agora. — Lorcan insistiu, não deixando de lado o tom preocupado.
James bufou, visivelmente incomodado.
— Talvez.
Lorcan suspirou fundo, sem saber muito bem o que dizer. O ar parecia mais pesado, mais denso do que nunca.
— James, eu sinto muito por não ter te contado antes. — Ele finalmente se rendeu, as palavras saindo como um peso do peito.
James o encarou com um olhar que podia ser tanto frio quanto quente, dependendo de como se olhasse para ele.
— Você me escondeu isso por semanas, Lorc. Eu sou seu melhor amigo. Você não confia em mim? — a pergunta parecia mais um golpe no estômago do que uma acusação, mas Lorcan sabia que James tinha razão.
— Claro que confio! Não foi por isso. — respondeu ele, passando a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos.
James levantou uma sobrancelha, cético.
— Ah, não? Então por quê?
Lorcan parecia querer se encolher ali mesmo, mas se manteve firme.
— Porque eu estava apavorado! Porque eu não sabia como Fred ia reagir. Ele... ele é meu melhor amigo também, James. Eu não sabia o que fazer!
James permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se as palavras de Lorcan ainda estivessem ecoando em sua cabeça. Então, finalmente, ele suspirou, um suspiro pesado de quem tenta entender, mas não concorda.
— Eu entendo que você estivesse com medo, cara. — Ele disse com uma leveza inesperada. — Mas você não precisava esconder isso de mim.
Lorcan olhou para o chão, sentindo a culpa apertar seu peito ainda mais.
— Eu sei. Eu errei.
James o estudou por um momento, antes de finalmente revirar os olhos e dar um soco leve no braço de Lorcan.
— Você é um idiota, sabia?
Lorcan riu, aliviado. O alívio de que as palavras duras não significavam o fim da amizade.
— Sabia.
— Mas... — James continuou, com um olhar mais sério, apontando o dedo para ele — Eu ainda acho que você deveria contar logo para o Fred.
Lorcan engoliu em seco, sabia que o momento estava chegando.
— Eu sei.
— Porque se ele descobrir de outra forma... — James fez uma pausa, olhando para ele com um sorriso torto — Bem, boa sorte, porque você vai precisar.
Lorcan soltou uma risada nervosa. Ele sabia que precisaria.
E, como todo bom segredo, o momento de revelação veio quando menos se esperava. Um fim de semana em Hogsmeade. Lorcan e Roxanne estavam na Dedos de Mel, aproveitando o raro momento juntos, quando ouviram uma voz familiar, vinda de algum lugar atrás deles.
— Rox? Lorcan?
Os dois se viraram ao mesmo tempo, o coração de Lorcan afundando no peito. Lá estava Fred Weasley, parado na entrada da loja, olhando para eles com uma expressão que misturava confusão e desconfiança. Lorcan, sem querer, ainda estava segurando a mão de Roxanne. E quando Fred seguiu o olhar deles até as mãos entrelaçadas, o silêncio tomou conta do lugar.
— O que...? — Fred gaguejou.
Roxanne foi a primeira a tentar responder, mas sua voz falhou.
— Fred, eu posso explicar...
Mas não era mais preciso. Fred já estava juntando as peças. Ele olhou para os dois com os olhos escurecendo.
— Vocês estão juntos?
Lorcan engoliu seco, tentando encontrar as palavras, mas elas pareciam ter desaparecido.
— Fred...
— Há quanto tempo?!
Roxanne respirou fundo, tentando manter a calma.
— Fred, vamos conversar...
Mas Fred não parecia disposto a ouvir. Seu rosto estava tenso, o ar pesado com a decepção.
— E vocês esconderam isso de mim esse tempo todo?
Lorcan falou apressado, buscando alguma forma de consertar a situação.
— Eu tinha medo de como você reagiria, cara. Você é meu melhor amigo. Eu não queria te perder.
Fred riu, mas não foi uma risada de diversão. Era amarga.
— E você realmente achou que mentir para mim seria melhor?
— Eu não queria mentir. Eu só... não sabia como contar.
Fred balançou a cabeça, decepcionado, e olhou para o chão como se estivesse tentando se recompor. De repente, seu tom de voz mudou, e ele olhou para os dois com um sorriso forçado.
— Você sabe que eu teria te matado depois, mas teria entendido, né?
Lorcan olhou surpreso.
— Você... teria?
Fred suspirou, tentando mostrar um sorriso, mas ainda com a expressão tensa.
— Rox é minha irmã, cara. Obviamente, eu me preocupo com ela. Eu não gosto da ideia de qualquer um saindo com ela. Mas se fosse você... bom, isso muda tudo.
Lorcan piscou, sem saber como reagir.
— Isso quer dizer que você não vai me matar?
Fred estreitou os olhos, brincando, mas com um fundo de verdade.
— Não exagera. Ainda estou pensando nisso.
Roxanne soltou uma risada nervosa, tentando quebrar a tensão.
— Isso significa que você nos dá a sua bênção?
Fred bufou, mas não parecia mais tão irritado.
— Eu vou tolerar. Mas você ainda vai sofrer um pouco.
Lorcan soltou o ar que estava segurando, aliviado, embora soubesse que o pior ainda poderia estar por vir.
— Isso é justo.
Fred, então, cruzou os braços e o encarou com um ar de quem estava prestes a dar um último aviso.
— Mas da próxima vez que pensar em esconder algo de mim... lembra que eu sou ótimo com feitiços explosivos.
Lorcan riu nervosamente, sentindo o alívio finalmente tomar conta dele.
— Nunca mais.
Fred olhou para Roxanne e depois para Lorcan, antes de suspirar.
— Certo. E só para deixar claro... se você a machucar, Scamander, eu acabo com você.
Lorcan assentiu rapidamente, os olhos sérios.
— Justo novamente.
Fred deu um pequeno sorriso e, finalmente, falou com um tom mais leve.
— Bom. Agora, vamos sair daqui antes que alguém nos veja tendo um momento emocional.
Roxanne e Lorcan se entreolharam, sem saber muito bem o que pensar. O segredo estava finalmente revelado, e, de alguma forma, eles haviam sobrevivido. Mas as palavras de Fred ainda pairavam no ar. Havia muito a digerir.
Enquanto caminham pelas ruas de Hogsmeade, Lorcan olhou para Roxanne, ainda desconfiado, e perguntou com um sorriso nervoso:
— Então... ele realmente não vai me matar?
Ela riu, apertando a mão dele com mais força.
— Não, Lorc. Acho que ele gostou da ideia de você ser meu namorado.
As palavras de Roxanne causaram um choque em Lorcan. Ele parou no meio da rua, fazendo com que ela também parasse, enquanto Fred seguiu seu caminho sozinho à frente.
— Namorado? — Lorcan repetiu, os olhos arregalados. Eles nunca haviam falado aquela palavra.
Roxanne ficou corada, engolindo em seco, e um pensamento assustador passou por sua mente. Será que ele não quer nada sério comigo?
— Ah... Eu pensei que, já que a gente está nisso há algumas semanas, e você gosta de mim e eu de você, a gente meio que... — Roxanne se apressou a se justificar, mas Lorcan a interrompeu com um sorriso.
— Estou brincando, Roxy... — Ele a fez respirar aliviada. — Eu só planejava fazer um pedido oficial de uma forma mais especial.
Ela sorriu, tocada pela sinceridade dele. Lorcan sempre soubera demonstrar seu carinho de maneiras tão genuínas.
— Você planejava?
— É óbvio que sim! — Ele respondeu com um sorriso travesso.
— Tá bom, então vou deixar você me surpreender.
E ali, no meio de Hogsmeade, com a vida deles começando a tomar uma nova direção, Lorcan e Roxanne deram as mãos, mais fortes do que nunca. O futuro estava à frente, e, por mais incerto que fosse, eles estavam prontos para enfrentá-lo juntos.
Ao voltarem para o castelo, Lorcan e Roxanne já eram os tópicos de todas as conversas. Não havia nada que escapasse ao olhar atento dos estudantes de Hogwarts, e o novo casal não era exceção. Onde quer que passassem, os murmúrios e sorrisos seguiam os dois. Alguns comentários eram calorosos, como aqueles que diziam que já era tempo de os dois estarem juntos. Outros, especialmente entre as garotas, eram de inveja, observando cada gesto, cada sorriso trocado entre eles com um olhar que misturava admiração e, talvez, um pouco de ciúmes.
Lorcan não passava despercebido. Como apanhador do time de Quadribol, ele já atraía a atenção de muitas garotas, e o corpo atlético, resultado dos intensos treinos, não ajudava a disfarçar o quanto ele despertava o interesse. E, claro, Roxanne não ficava atrás. Ela era, sem dúvida, uma das garotas mais atraentes de Hogwarts. Não só por sua beleza, mas também por sua personalidade vibrante. Por onde passava, os olhares se voltavam para ela, e os meninos, ao contrário de qualquer ousadia, pareciam mais temerosos do que encantados, mais preocupados com o irmão e os primos de Roxanne do que com qualquer elogio que pudessem fazer.
Naquela tarde, depois de passarem por Hogsmeade, Roxanne puxou Lorcan até um dos jardins mais tranquilos do castelo, onde poucas pessoas costumavam passar. O sol dourado do fim da tarde banhava o gramado, e a brisa suave, carregada do perfume das flores cultivadas por Madame Sprout, acariciava seus rostos.
Lorcan, como se fosse um impulso natural, envolveu Roxanne pela cintura e a puxou para mais perto. Ela sorriu ao sentir seus braços ao redor dela, sentindo-se segura e em casa.
— Agora que todo mundo sabe, você não tem mais medo de demonstrar afeto publicamente? — perguntou ele, com um sorriso travesso.
Ela inclinou a cabeça para o lado, observando-o com um olhar divertido. O cabelo loiro e os olhos azuis de Lorcan brilhavam com a luz do pôr do sol. Ela achava o garoto completamente lindo. E como era bom admitir isso pra si mesma sem precisar repreender o pensamento.
— Nunca tive medo, Lorc. — respondeu com um sorriso de quem já sabia a resposta de antemão. — Você que era todo paranoico.
Lorcan riu, levantando as mãos em rendição.
— Tá, eu admito. Mas eu gosto mais assim.
Roxanne se virou nos braços dele, encarando-o de frente. Seus olhos escuros brilhavam com uma intensidade que fazia Lorcan sentir que todo o resto do mundo desaparecia ao redor deles.
— É mesmo? — ela perguntou, com um tom desafiador.
— Muito mais — ele respondeu, a voz quase um sussurro. E, em um impulso, ela passou os braços pelo pescoço dele e o beijou.
Dessa vez, não havia pressa. Não havia medo. Não havia necessidade de se esconder. Era como se o tempo tivesse desacelerado ao redor deles. Apenas o som do vento nas folhas, o perfume das flores e o ritmo calmo de seus corações. Eles estavam ali, juntos, no fim da tarde dourada, em um momento que parecia suspenso.
Quando se separaram, os dois estavam com os rostos corados, mas com um sorriso sincero. Lorcan encostou a testa na de Roxanne e suspirou, sentindo-se mais leve do que jamais imaginara.
— Você tem noção do quanto eu sou apaixonado por você? — ele perguntou, com a voz baixa e cheia de carinho.
Ela sorriu, sentindo o peito aquecer com a sinceridade das palavras dele. Era tão bom viver aquilo, como se aquele sentimento só crescesse dentro dela, como se não fosse possível amá-lo mais do que já o fazia. Mas, de algum jeito, ela sabia que poderia.
— Eu tenho muita sorte de ter você, sabia? — ela respondeu, tocando o rosto dele com delicadeza.
Lorcan riu, e, com um brilho nos olhos, disse:
— Acho que sou eu quem deveria dizer isso.
E, sem mais palavras, ele a beijou novamente, sentindo-se mais completo e mais seguro do que nunca. Agora, com o segredo fora, com o peso da dúvida e da preocupação dissipados, ele finalmente se sentia livre.
Não havia mais nada a esconder. Ele estava exatamente onde queria estar.
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Namorar Roxanne Weasley era, sem dúvida, uma das melhores coisas que Lorcan Scamander já havia experimentado.
Agora que o segredo de seu relacionamento não precisava mais ser guardado, ele se permitia aproveitar cada momento ao lado dela. Era uma sensação estranha, mas maravilhosa, andar pelos corredores de Hogwarts com a mão dela entrelaçada à sua, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e ela, com um sorriso travesso nos lábios, beijá-lo rapidamente antes de se afastarem para as aulas. Às vezes, ele até se pegava sorrindo sem razão, simplesmente por estar perto dela. Mas, como em tudo na vida, nem tudo era perfeito.
Lorcan logo descobriu que, em um relacionamento, nem todos os sentimentos eram agradáveis. E ele, que sempre se considerou uma pessoa tranquila, começou a perceber algo dentro de si que ele não sabia como lidar. Ciúmes.
Um dia, enquanto estava sentado na mesa da Grifinória, no Salão Principal, durante o almoço, Lorcan tentava se concentrar em James que falava entusiasticamente sobre uma nova jogada no Quadribol. Mas seus olhos teimavam em se desviar, insistentemente, para o outro lado da mesa. Lá estava Roxanne, rindo da piada de Caleb Wood, o goleiro da Lufa-Lufa, com uma expressão tão genuína que, de alguma forma, Lorcan se viu apertando os dentes involuntariamente.
— Você tá apertando seu garfo como se quisesse transformá-lo em pó — James comentou de forma descontraída, sem nem olhar para o amigo.
Lorcan resmungou, largando o garfo com um pouco mais de força do que o necessário. O olhar de James seguiu o dele, antes de ele suspirar dramaticamente.
— Sério? Ciúmes do Wood?
— Eu não estou com ciúmes — Lorcan disse rapidamente, como se a afirmação fosse uma defesa inquestionável.
James ergueu uma sobrancelha, uma expressão divertida começando a surgir em seu rosto.
— Aham. Então você só está olhando pra ele como se fosse lançar um Estupefaça, é isso?
Lorcan cruzou os braços, tentando disfarçar o desconforto que sentia.
— Quem ele pensa que é para fazer ela rir assim?
James deu uma risada sincera, com a cabeça jogada para trás.
— Merlin, Scamander, você é ridículo! Você namora a Roxanne! E sabe que ela só tem olhos para você.
Antes que Lorcan pudesse retrucar, o som de um pigarro interrompeu a conversa. Ele olhou para o lado, e ali estavam elas: Lizzie Harper, Amelie Wright e Emma Carter, um pequeno grupo de meninas da Corvinal. As duas últimas garotas pareciam mais interessadas em chamar atenção de James do que de qualquer outra coisa, mas, para Lorcan, o maior problema estava ali: Lizzie Harper, com seu cabelo loiro e olhos verdes brilhantes, começou a falar animadamente com ele alguma coisa sobre o jogo de Quadribol do dia seguinte.
Lorcan parecia surpreso com a abordagem, e por mais que considerasse Lizzie um pouco insuportável, não teve coragem de rejeitá-la. Ele era gentil, às vezes, até demais para ser rude com qualquer pessoa, e isso parecia estar deixando Roxanne cada vez mais irritada. O tom casual de Lizzie, os gestos rápidos e a maneira como ela olhava para ele, tudo isso estava fazendo o sangue de Roxanne ferver.
— Só queria finalizar dizendo... Espero que vocês tenham um bom jogo — Lizzie disse, com um sorriso provocante, mais para Lorcan do que para James, ao passar o dedo pelo braço do loiro.
Aquilo foi o suficiente para fazer Roxanne se despedir rapidamente de Caleb e ir em direção a Lorcan. Ela mal teve tempo de abrir a boca, pois, assim que Emma viu a Weasley se aproximando, cutucou as amigas e, com um riso contido, elas se afastaram, deixando Lorcan e Roxanne se encarando.
O olhar de Roxanne se encontrou com o de Lorcan, e ele jurava que podia ver algumas lágrimas se formando nos olhos da garota. Ela, por sua vez, apenas bufou e virou as costas sem dizer uma palavra indo em direção aos jardins de Hogwarts, o passo apressado refletindo sua raiva. Lorcan não pensou duas vezes antes de segui-la.
— Roxy, para de correr, por favor! — ele a chamou, tentando acompanhar o ritmo da garota, que parecia disposta a desaparecer no horizonte.
Ela o ignorou, acelerando ainda mais o passo, e gritou de volta, sem nem olhar para ele:
— Se você está tão impaciente comigo, pode voltar lá para a sua amiga Harper, com quem você estava conversando tão animado!
Lorcan parou no meio do corredor, a sobrancelha erguida, perplexo.
— E você deveria voltar para o salão e ver se o Wood tem mais alguma piada para te contar!
Roxanne, então, parou também, virando-se para ele com os braços cruzados.
— O que você disse?
Lorcan revirou os olhos, irritado, mas também preocupado. Ele não sabia como expressar o que estava sentindo sem parecer exagerado.
— Ele já não gosta de mim, Roxy, e eu relevo isso. Mas se ele acha que pode fazer a minha namorada rir e eu vou lidar bem com isso... aí já é demais. — Ele enfatizou minha com um tom possessivo, que, de certa forma, foi quase involuntário. Roxanne segurou uma risada, não sabia o que era mais engraçado. Isso ou o fato de que, para Lorcan, o simples fato de ver Roxanne rir de outro garoto, especialmente alguém como Caleb, era como uma pequena traição.
Roxanne olhou para os próprios pés, sentindo-se um pouco boba. Lorcan se sentia igual. Era estranho como o amor tinha esse efeito nas pessoas — tornava tudo mais intenso, mais irracional. Ela não conseguia evitar, ela sabia que suas reações eram exageradas por conta da sua lista de inseguranças. Para ela, era difícil distinguir que a relação com Lorcan era totalmente diferente de todas as relações que ela já tinha vivido.
Ela se aproximou dele, com uma leve expressão de arrependimento, e arrumou a gola da camisa social dele, tentando restaurar a calma entre os dois.
— Isso não é justo. O Wood não é como Lizzie Harper, que é uma... uma... — ela pausou, tentando encontrar a palavra certa. Lorcan ergueu uma sobrancelha, esperando que ela finalmente insultasse a garota. — Não vou me rebaixar ao nível dela.
Lorcan soltou uma risada sincera, finalmente aliviado por vê-la de volta ao seu lado.
— Você é impossível. Acha mesmo que eu daria alguma bola para a Harper? — Ele colocou as mãos nos quadris de Roxanne, puxando-a levemente para mais perto. Seus olhos se encontraram, profundos e sinceros. — Ainda mais depois de eu conseguir ter você do meu lado?
Roxanne não respondeu. Em vez disso, ela colocou as mãos no rosto de Lorcan e o beijou calmamente com vários beijos curtos. Ela nunca tinha sido boa com sentimentos, mas sabia, de algum modo lá no fundo, que não precisava mais temer. Lorcan era diferente, e, de certa forma, ela também era.
Eles se direcionaram juntos para o jardins e ficaram ali conversando por horas. Ela adorava que antes de Lorcan ser seu amor ele era também seu amigo. Talvez isso fosse diferente nessa relação. Ela sabia que a sinceridade de Lorcan era genuína. Em um determinado momento eles ficaram em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro, até que o vento frio da tarde soprou entre eles, como se os lembrasse do tempo que passava.
— Você quer voltar para o castelo agora? — Lorcan perguntou, mas sua voz estava hesitante, como se não quisesse que aquele momento acabasse.
Roxanne pensou por um instante. Não queria que o dia terminasse tão cedo também.
— Na verdade... a Sala Precisa pode estar vazia hoje — Roxanne disse, de forma casual, tentando disfarçar a excitação que sentia por aquela sugestão.
O garoto ergueu uma sobrancelha, um sorriso malicioso surgindo em seus lábios.
— Ah, é? E o que exatamente precisamos, hein?
Lorcan riu e passou a mão pelos próprios cabelos, nervoso.
— Só... um lugar só nosso. — Roxanne o observou por um momento.
— Então vamos.
E, de mãos dadas, eles se afastaram, deixando para trás as preocupações do dia, prontos para aproveitar o pouco que restava da tarde, juntos.
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