Só podia ser Você
8 Papo de Sacerdote!
Notas iniciais
Capitulo 8
Papo de sacerdote
Cheguei à conclusão que contar minhas confidencias para minha melhor amiga é como mostrar um show de piadas para ela. Sango não poupa risadas e deboches diante cada palavra mencionada. Para uma garota rica como ela falta muita classe e descrição, por isso não me espanta que fica sempre isolada comigo.
— Parou? — Perguntei quando ela colocou a mão na barriga limpando os olhos com a outra.
— Não, mas prometo guardar o resto para quando estiver sozinha em casa... — Soltei um sorriso incrédulo. — ...Então quer dizer que o Inu-boboca só faltou te molestar? — Arregalei os olhos negando.
— Não! Caramba, eu te conto que conheci o Sr. Mamoru, conto sobre a briga que tive com o Inuyasha e a sua dúvida é só sobre o curto período que ele sugeriu irmos ao apartamento dele? — Ela acenou com as mãos como se eu tivesse dito uma idiotice.
— É a parte mais interessante! Por que eu lá vou querer saber sobre você ter conhecido um velho rico ou ter tentado dar uma bronca sem sentido no Inu-boboca? — Abri a boca para falar, porém não encontrei palavras. — Contou a Kikyo que o namorado dela ficou todo mansinho para cima de você? — Franzi o cenho.
— Eu estava vestida de Kikyo, tecnicamente ele estava mansinho para ela, para a própria namorada, e isso não é importante se pensarmos que os dois namoram há três anos, todo casal passa por altos e baixos. — Ela fechou o sorriso perverso e concordou.
— Mas você tirou uma casquinha. — Sorri negando.
— Bom, nem tanto, fiquei mais nervosa do que animada, mas cheguei a conclusão de que um namorado não seria tãooo ruim assim. — Ao dizer isso ela bateu palminhas animada.
— A visão forever alone começou a mudar. — Mexi os ombros tendo que concordar.
O sinal do fim do recreio ecoou. Saímos do canto e começamos a andar de volta para a sala de aula. No caminho abaixei rapidamente o rosto quando aquele grupinho passou por mim. Kikyo me encarou feio, Inuyasha pareceu nem perceber minha existência. Chega a ser irônico, estudamos juntos a tanto tempo e ele nem sabe que eu existo. Talvez por isso seja tão fácil de ser enganado.
— O que vai fazer esse final de semana? — Perguntou minha amiga sentando na minha frente.
— Vou ficar com o vovô, limpar o templo e ir fazer compras com ele. — Ela sorriu debochada.
— Que neta mais dedicada. — Sorri.
— Nada, eu gosto de ficar no templo, lá é tão calmo e vovô é ótimo com histórias macabras. — Se aproximou escondendo um lado da boca.
— Quer dizer que esse final de semana você não vai bancar a ilustre ali é... — Arregalei os olhos espantada. Mirei o meio-yokai a uns três metros de distância escrevendo alguma coisa sem ter ouvido o que ela disse.
— Sango! Ficou doida! Ninguém pode saber disso. — Ela apenas mexeu os ombros.
— Uma pena, daria uma ótima reportagem. — Voltei meu olhar para o hanyou.
Ele realmente não tinha ouvido ou teria vindo tirar satisfação, mas estava bem concentrado no que fazia. Kikyo estava ao lado conversando com as amigas. Fiquei me perguntando se estava escrevendo as tais músicas, cara, eu ainda não acredito que ele tem esse talento.
Talvez, o Inuyasha não seja tão idiota quanto eu pensava.
Soltei um sorrisinho até me dar conta que outro par de ambares estava em mim... Puxei meu cabelo para esconder o rosto virando ele para o lado oposto. Nunca encare Sesshoumaru, essa é regra! E agora entendo a razão, o cara consegue intimidar sem mover um musculo!
Relaxa Kagome, ele não deve nem sonhar em saber quem você é, se não gosta nem de humanos importantes, o que dizer das insignificantes.
[...]
Meu irmão Sota simplesmente amava vir no templo Higurashi. Primeiro por que é uma aventura se misturar com as crianças daqui e no outro bairro quase não sai – e as crianças de lá são muito frescas. Segundo por que tudo no templo tem uma história que o vovô sempre faz questão de contar e normalmente macabra. E terceiro e não menos importante... O poço de ossos.
Antes da minha mãe se casar e a gente ter que mudar daqui as crianças costumava fazer testes de coragem para quem era valente suficiente para entrar lá dentro. Lendas rondavam o templo que o poço era conectado a outro mundo, outra dimensão que te engolia se você pulasse nele.
Claro que não passa de um mito, quando brincava de esconde-esconde eu vivia me escondendo ali e nunca aconteceu nada comigo.
Embora... Teve uma única vez que... Eu não sei, faz tanto tempo, mas eu podia jurar que tinha ouvido vozes vindo lá de dentro. Enfim, vir aqui me trás um sentimento de nostalgia, de uma época onde tudo era simples e mais feliz.
— Mana! Olha só o que eu encontrei? — Me mostrou com os olhos brilhando e a cabeça cheia de poeira. Sorri largo. — Deve ser um osso de yokai! — Neguei pegando o objeto e balançando.
— Não viaja maninho, é só um pedaço de tronco velho. — Fechou a cara jogando para longe. Continuei arrumando as caixas da dispensa que estavam numa poeira só. — Vovô por que você guarda esse monte de tralha? — Tossi abanando o pó.
— Não são tralhas, são artigos antigos, restos do tempo como dizia meu pai. — Retrucou passando os espanador num vaso. Abri uma das caixas e dei de cara com pergaminhos.
— O que é isso? — Ele deu uma olhada rápida.
— Relatos, muitos sacerdotes escreviam em pergaminhos para auxiliar ou apenas contar sobre um caso. — Franzi o cenho.
— Relatos?! — Ele afirmou.
— Não existiam livros nessa época, então os sacerdotes aprendia de acordo com os relatos de outros. — Explicou.
— Bacana. — Peguei um e abri. — Posso ler? — Acenou que sim.
Ler não sei o que, não dava para entender quase nada. Falava algo sobre uma invasão, alguém falou algo e acabou resultando numa tragédia... Não entendi bulhufas. Parti para outro.
Esse parecia mais legível. Falava sobre a cura da alma e de um caso de um homem que não sobreviveu ao processo. Arregalei os olhos, nem tudo aqui é bem sucedido, então. Guardei e peguei outro, que também não dava para ler. Nem tentei e guardei pegando outro.
Abri e me surpreendi com a história. O sacerdote foi chamado para conhecer uma criança que todos diziam estar amaldiçoada, quando chegou o sacerdote concluiu que a maldição era hereditária. A mãe da criança ficou furiosa e se recusou a deixar o sacerdote curá-la.
— Vovô, é possível passar maldição por sangue? — O velho me fitou surpreso.
— Não, claro que não, mas a maldição é como uma droga, se a mãe ou o pai está com ela o filho nasce com a tendência a tê-la. — Engoli em seco. Como eu disse, vovô é cheio das histórias macabras.
— Como é que se sabe que está amaldiçoado? — Ele pensou um pouco antes de dizer.
— É difícil dizer, maldições graves podem danificar o corpo e assim se vê pela aparência da pessoa, mas a maioria é quase imperceptível, fisicamente não aparece indícios, mas a personalidade muda... Dependendo da maldição a pessoa fica fria, ou sensível demais, algumas maldições aumentam o libido, outras o tira por completo, existem até maldições que se alimentam de sentimentos fazendo com que deixe de amar ou sentir dor... — Sentei no chão pasma. Isso realmente existe?
— E mesmo assim não se pode ver? — O vovô negou, mas depois repensou.
— Tem apenas um jeito de ver. — O fitei atenta esperando ele dizer. — Em templos especializados para purificação da alma, são envoltos de artefatos sagrados e estes artefatos deixam a maldição visível a olho nu, mas... — Cruzou os braços sério. — ...É arriscado, lembro de ler num desses pergaminhos um sacerdote contar que uma vez que a pessoa amaldiçoada é exposta a esses artefatos a maldição é pressionada e a pessoa pode morrer se não for purificada a tempo. — Contou.
— Então pode ter gente amaldiçoada há tempos e nem saber? — Afirmou.
— A maioria não sabe, muitas vezes a maldição toma conta da consciência da pessoa, e a pessoa se recusa a acreditar que tem um problema. — Sorri largo.
— Sinistro. — Me levantei. — E como se tira a maldição? — Vovô me fitou sério.
— Purificando o coração. Um sacerdote com o coração limpo purifica a pessoa amaldiçoada, mas deve ter muito cuidado para não pegar a maldição. — Limpou a prateleira e se virou para mim. — Meu pai costumava contar que sacerdotes poderosos com o coração puro eram capazes de ver a alma das pessoas e através delas saber se está ou não amaldiçoado.
— Por que a maldição se alimenta da alma?! — Perguntei. Ele acenou. — Mas se limpa pelo coração?
— O coração possui uma conexão direta com a alma e é através das fraquezas dele que a maldição chega até a alma, se você cura seu coração, você impede que qualquer mal chegue à alma. — Organizei uma prateleira no fundo pensando em tudo que disse.
— Mamãe deve ter o coração mais limpo do universo... — Ele riu concordando.
— Sua mãe atingiu um nível de pureza que sacerdotes levavam décadas para conseguir, nada de ruim tem poder para entrar naquele coração. — Sorri acenando que sim.
Mamãe gostava da Kikyo, já era mais do que prova que ela tinha um coração enorme, mas não suficiente, ela ainda tinha compaixão pela ex-mulher do Sr. Kouki que é uma megera mal amada que xinga todo mundo para os quatros ventos, o que torna minha mãe uma santa.
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