Só podia ser Você
14 Limpando a sujeira
Notas iniciais
Capitulo 14
Limpando a sujeira
Essa com certeza é a situação mais insuportável que já passei na vida. Isso por que eu tenho um histórico bem trágico apesar da idade tenra. Estar com aquelas roupas, ao lado daquela pessoa que se recusava até a tocar em mim, junto a pessoas que sorriam por obrigação, no meio do oceano e numa festa cheia de ricos que não sabiam se divertir.
Morrer com certeza é menos insuportável.
Aqueles cujo esperávamos não haviam chegado. Por isso minha atuação ou mesmo qualquer coisa que eu diga era desnecessário. Andei até o parapeito vendo o céu estrelado e o mar negro se encontraram no horizonte. A noite estava tão clara e as estrelas... Impecável, sem a fumaça da cidade e suas luzes, ele se mantinha limpo.
E mesmo que tudo ali fosse magnifico, eu não conseguia encontrar humor para nada.
Fiquei parada, diante o céu estrelado aguardando como nos fins de semana uma estrela cair ou realizar um dos meus desejos – e dessa vez eu esclareceria o pedido anterior ‘Não quero ter que me passar pela Kikyo mais e de preferencia não ser acusada após isso e se possível mande eles para longe de mim!’. O garçom tocou meu braço oferecendo uma bebida alcoólica... Sinceramente, eu peguei e bebi de uma vez.
Eu não quero fazer isso!
Pensei na minha mãe e no quanto ela ficaria chateada comigo, engando uma das pessoas que eu mais admirava. Cantarolei baixinho desanimada pegando outra bebida e olhando para o horizonte negro.
Levei um forte cutucão no ombro deixando a taça cair. O mal-educado de cabelos prateado me olhou feio, de vez em quando ele bem que podia pegar um pouco da descrição do irmão mais velho, Sesshoumaru não gostava de mim, só que pelo menos fingia ser educado num nível refinado.
— Eles chegaram, melhora essa cara, você não é a única sendo contrariada, mas meteu todo mundo nisso, agora vê se conserta. — Encolhi os ombros suspirando.
— Claro, as suas ordens. — Falei com deboche.
Levantei o rosto, respirei todo o ar que meus pulmões conseguiam e soltei. Sorri largo e andei até pai e filha que conversavam com os Taisho. Assim que me aproximei com Inuyasha Rin abaixou o rosto engolindo em seco tímida. Fechei os olhos antes de chegar neles, não sei o que Kikyo disse, mas ficou óbvio que não foi nada gentil... Como sempre.
— Senhorita Kikyo, que honra. — Disse o Sr. Mamoru, mas o olhar dele também estavam seco diante mim. Sorri um pouco sem jeito.
— A honra é minha. — Retruquei suavemente. Me virei para Rin sorrindo largo. — Olá Rin, como vai? — Ela me fitou tímida e sorrindo rapidamente.
— Um pouco enjoada por causa do balançar do mar, porém ficarei melhor e você? — Perguntou educadamente. Mexi os ombros.
— Sinceramente? — Me mirou surpresa afirmando. — Entediada, desanimada e com uma pontinha de raiva. — Inuyasha olhou para mim assustado assim como o resto dos Taisho e o pai dela. — Olha para essa gente... Tem dinheiro para fazer uma fogueira com as notas pelos próximos quinhentos anos e gastam dinheiro com essa festa deprimente. — Ela arregalou os olhos surpresa.
— Você acha? — Apontei para a pista ao nosso lado quando ela perguntou.
— Se estivesse animada tinha alguém dançando. — Ela soltou um risinho tímido.
— É mais para a socialização, não tem muita a ver com entretenimento. — Explicou o senhor Mamoru.
— Imagino que não, já que não está entretendo ninguém. — Os dois riram. Mirei Rin curiosa, ela ainda me encarava com aquele receio no olhar como se não soubesse o que pensar de mim e não tiro a razão dela. — Disse que estava se sentindo mal? — Ela balançou a mão.
— Um pouco, por isso pedi ao papai que me deixasse ir me deitar mais cedo. — Não acho que seja isso, é que não quer ficar aqui e se eu pudesse também dava essa desculpa.
— Me permitiria tentar uma coisa? — Ficou espantada com a pergunta. — Não sou médica, mas sabe, sempre que meu irmão está um pouco assim como você eu costumo fazer isso com ele e sempre funcionou, a melhora é quase instantânea. — Ela ficou um pouco sem graça, por que não estava se sentindo mal e deve ter pensado que eu usaria um remédio. Abriu a boca sem resposta. — Não levará mais do que três minutos. — Ela se virou para o pai que sorriu sem saber o que dizer. Depois para mim e sem jeito concordou. — Muito bem.
Peguei suas mãos, puxei ela para perto de mim. Respirei bem fundo e juntei toda a minha coragem. É verdade que eu faço isso com meu irmão, mas é meio algo próprio dos Higurashi, não sei como ela reagiria a isso. Soltei as mãos dela.
— Feche os olhos. — Ela estranhou, mas obedeceu.
Esfreguei as minhas mãos até se aquecerem, normalmente se faz isso em silêncio total, não com aquela barulheira. Uma mão ia no meu peito, no rumo do coração, a outra no dela. Como uma oração, o pensamento deve se manter puro e transmitir isso para a outra pessoa, é comum cantar uma música de infância ou que acalme como um mantra, pois elas sempre trazem sentimentos bons. Abrir o coração e transferir luz... Ah meu Deus ela vai achar que sou louca.
Para nós da família faz sentido, mas para ela vou parecer no mínimo uma lésbica.
Mas eu tentei. Tentei fazer como me foi ensinado. Tentei tirar o mal-estar dela – que talvez nem exista – através de um rito dos Higurashi aquecendo o coração dela e transferindo energia boa com a canção que a mamãe cantava na cabeça, por mais idiota que Rin vá pensar.
— Pronto! É bobo, não é? — Disse meio sem graça. Ela piscou um pouco confusa. Colocou a mão no peito olhando ali e depois se virou para mim.
— Como fez isso? — Perguntou surpresa. Eh?! Deu certo? Ela se virou para o pai que olhou para nós duas.
— O quê? O que está sentindo? — A pequena balançou a cabeça sem resposta.
— Não sei, é... — Ela voltou a tocar o peito. — ...Estranho, uma mistura de alivio com paz, como se os pensamentos ruins fossem embora... — Tornou a olhar para mim. — ...O que você fez? — Cruzei os braços confusa. Do jeito que ela fala parece até que eu curei um câncer.
— É segredo de família. — Brinquei a fazendo rir. — Que bom que funcionou! — Falei olhando para o senhor Mamoru que parecia surpreso.
— Estou pasmo. — Encolhi sem jeito. Olhei para os Taisho e o casal também estava perplexo, Sesshoumaru por outro lado me encarava como se eu fosse anormal – o que era incrível ver que ele conseguia mudar a expressão seca dele de sempre. Mas o Inuyasha, esse parecia mais... Contrariado. — Não sabia que fazia mágica! — Gargalhei para o senhor negando.
— Não! Isso não tem nada a ver com mágica, é só um truque que minha mãe usava para tirar a raiva ou tristeza da gente. — Ohhh Droga! Estou falando merda de novo, minha mãe e a mãe da Kikyo são completamente diferentes!
— Adoraria conhece-la. — Falou ela mais suave e sorrindo. Devolvi o sorriso.
— Ela me lembra você, acho que se dariam bem. — Seus olhinhos brilharam contentes. — Me dão licença? Vou ao banheiro. — Inuyasha rosnou como se eu tivesse dito algo errado. Ah não enche Inu-boboca!
No toalete quase cedi ao desejo de jogar água no rosto, mas sem a maquiagem eu deixava de ser Kikyo. Porém aquele sentimento estava me corroendo, eu estava enganando gente de bem. Pessoas que não mereciam isso... Respirei fundo, tentando me convencer que era por um bem maior.
Voltei para a mesa e tentei esconder meu desconforto o máximo que podia. Mas quando mais eu conhecia Rin, pior eu me sentia. Era como se eu estivesse enganando a Sango ou minha mãe. Fomos dar uma volta pelo navio, eu e ela diminuímos o passo ficando para trás.
— Está se sentindo mal? Talvez enjoada? — Perguntou docemente e eu neguei.
— Não. — Olhei para o céu e depois para ela. — Rin, se você tivesse que fazer algo errado por uma boa causa, faria? — Obvio que ela estranhou a pergunta.
— Não tem como fazer o certo? — Engoli seco negando.
— Eu suponho que não.— Rin sorriu largo.
— Meu pai diz que tudo tem um jeito, que se não encontrou é por que não procurou direito, talvez você possa encontrar um jeito certo e por uma boa causa... Aliás, eu tenho certeza. — Retrucou inocentemente. — ...Até mesmo para o meu caso, por mais que você duvide. — Franzi o cenho confusa.
— Seu caso? — Ela com o rosto vermelho.
— Você sabe! O meu segredo, que te contei e você disse que eu poderia parar de sonhar por que... Ele nunca iria olhar para mim. — Fiz careta tentando decifrar. Até os olhinhos dela se direcionarem para a última pessoa que deveria ir... Sesshomaru?! Ela está interessada no cubo de gelo?
— Você gosta do homem de gelo? — Perguntei segurando o riso vendo ela corar dos pés à cabeça.
— Fala baixo! Eu sei que você não acredita... — Balancei as mãos negando.
— Retiro TUDO que disse, mas logo o cubo de gelo? Você merece alguém melhor! Alguém que não tenha o hábito de falar na terceira pessoa, isso quando fala! — Ela gargalhou colocando a mão na boca. Depois me deu um leve tapinha no ombro.
— Eu acho... Curioso. — Replicou. Que mau gosto, logo o Sesshomaru-não-me-toque.
— Ahh Rin, se tem alguém capaz de derreter aquele gelo todo, tenho certeza que essa pessoa é você minha amiga, por que outro humano não tem tanta paciência. — Ela sorriu largo. Logo paramos, pois, o grupo estava a nossa frente nos observando. Rin foi até eles conversar sobre algo.
Voltei meu olhar para o céu, estava tão imenso acima de mim que eu podia jurar que a qualquer momento ia acontecer de novo.
— Procurando cometas milagrosos? — A voz um pouco rouca e num timbre de deboche atrás de mim quase me fez chorar. Não por causa dele, não, e sim por que eu estava MUITO cansada de segurar tudo aquilo sozinha. — Pede um pouco de integridade! — Me virei para ele num sorriso.
— Como se você soubesse o que significa isso. — Ele rosnou se aproximando.
— Não me provoca, já está sendo difícil suficiente te ver agir como uma palhaça no lugar da Kikyo, você não é um terço dela se quer saber! — Disse alto suficiente só para eu ouvir ou talvez o pai e o irmão se tivessem prestando atenção. O encarei séria.
— Não sou mesmo! Não sou um terço de Kikyo, como Kikyo não é um terço de Kagome... — Ahh que ótimo agora estou falando como o Sesshomaru. — ...E se precisei fazer palhaçada é por que sua namorada só faz burrada! — Ele tornou a rosnar. — O quê? Estou mentindo? Eu não quero estar aqui como você não me quer aqui! Ou acha que gosto de ficar do lado de um mal-educado resmungão? Vê se cresce!
— Vai para o inferno! — O fitei furiosa.
— Eu já estou no inferno!!! — Opa! Eu falei alto demais. O grupo se aproximou de nós, os Sr. Tamaki nos encararam assustado.
— Não briguem, na última festa que os vi juntos pareciam tão apaixonados... — Engoli em seco diante o comentário dele. Aquele maldito dia. Sorri sem jeito.
— Desculpe, ele me tira do sério às vezes. — Quase pulei para trás quando aquele idiota me abraçou de lado.
— Mas sempre nos entendemos, não é? — Forçou um sorriso me questionando. Afirmei incerta.
— É! — Isso não pareceu suficiente para o senhor Tamaki. Vimos o olhar severo do Sr. Taisho ordenando o Inuyasha a me beijar. E por mais que eu tenha pensado nisso com o Hojo, eu não quero! Não quero mesmo isso! Tentei me desvencilhar dele antes que resolvesse obedecer ao pai.
Não deu muito certo. Ele veio para cima de mim e sério! Isso é demais! Coloquei as mãos na sua boca antes que colasse na minha. Os olhos assustados e nervosos dele no meu rumo e eu negando. Não vou beijar alguém que tem tanto ódio de mim, mas não vou mesmo!
— Lamento, mas ele não está merecendo beijinho, não agora. — Brinquei fazendo o senhor rir junto com a filha. — Além do mais, eu gostaria de pedir licença para vocês, acho que realmente não estou me sentindo bem... Deve ser o balançar do navio, me deixou um pouco enjoada. — Rin sabia que não era verdade, mas abaixou o rosto entendendo. O resto pareceu respeitar minha decisão. Então andei para o rumo dos quartos.
Quando digo resto, me refiro aqueles que importam para ocasião. Inu-boboca, não é um deles.
— Quer parar de me seguir? Está livre! Vá procurar um poste para mijar e marcar território! — Ele riu com desdém.
— Keh! Um linguajar tão vulgar só podia vir de você mesmo, onde pensa que vai? E se pensa que eu queria te beijar...
— Já CHEGA Inuyasha! — Parei de andar o encarando. — Que inferno, já deu! Eu sinto muito, está legal? Acredite, era a última pessoa que queria enganar, mas aconteceu, será que pelo amor de Deus pode me deixa em paz??! — Ele rosnou furioso me fuzilando.
— Era para eu ter me aberto com a Kikyo!!! E você estragou TUDO! Não foi só fato de ter me enganado, sua maldita! Todas aquelas coisas que eu disse, TUDO, era para ter sido para ela e não para uma impostora! Você tem alguma noção do quão foi difícil para mim me abrir? Do quanto é??? E para descobrir que eu desabafei com a garota errada! Então, não! Eu não vou te deixar em paz! — Ouvi tudo aquilo com atenção e não acredito.
— É com isso que está zangado? Que merda, vá lá e conte a ela tudo que falou para mim! Aliás, não precisa, por que EU contava tudo assim que chegava! Então vê se cresce! — Voltei a caminhar, mas ele voltou a me seguir. E como se não bastasse no quarto eu encontro quem? A própria.
Cara que dia de cão é esse!?
— E aí? Já bancou a palhaça? Já plantou suas sementinhas para tentar roubar meu lugar? — E não dizia um ‘oi’. Respirei fundo, cocei os olhos nervosa e procurei forças.
— Ela fez um monte de baboseiras e conseguiu ganhar a afeição da tonta da Rin. — Retrucou o infeliz. — Enganou ela direitinho, é boa nisso.
— Eu disse a você. — Falou Kikyo. Levantei o rosto encarei aqueles duas pessoas, mas principalmente ela.
— Como pode fazer isso Kikyo? Sabendo a verdade? — Ela apenas cruzou os braços.
— Que verdade? Que você quer roubar o meu lugar? Você ainda vai me pagar muito caro por isso! — Ahh chega, eu não aguento mais.
— Não ouse me seguir ou vou até o Mamoru e conto tudo! — Apontei o dedo para o Inu-boboca saindo dali.
Para onde eu fui? Eu fui para o lugar onde teria pessoas o mais parecido com a minha gente. Eu fui para a ala onde estavam umas garçonetes limpando um cômodo que parecia ter acontecido uma peça de teatro. Elas estranharam quando pedi para ajudar no serviço, naquela roupa ridícula de Kikyo eu deveria parecer uma rica esnobe, porém me aceitaram.
Eu precisava fazer algo para ocupar a mente.
De lá partimos para um restaurante vazio e em pouco tempo conversando com elas, rindo e comentando sobre os ricos, eu esqueci de até mesmo chorar. Fui mais ousada ainda, pedi para dormir no dormitório delas, nem que fosse no chão. Eu não queria voltar, só pensar em encontrar com qualquer um dos Taisho ou a Kikyo me fazia sentir aquela coisa ruim no peito novamente.
Fiquei tão amiga da Kaoru que ela deixou que eu dividisse a beliche com ela.
Eu não dormi muito bem, não pelo pouco espaço ou o desconforto da cama, não, isso jamais me tirou o sono, o que estava me incomodando a dormir era o enorme peso na consciência que fazia o travesseiro parecer mais duro do que devia ser.
Então tomei a decisão mais difícil e a mais correta. Ninguém ia concordar comigo, mas minha mãe com certeza iria me aconselhar a fazer o certo mesmo que doa, mesmo que tenha consequências sérias, o certo, é e sempre será melhor que o errado. Se eu queria mesmo NUNCA mais me passar por Kikyo, então teria que ter a coragem de agir como Kagome.
[...]
Respirei fundo e olhando séria para a porta com o número 216 dei leves toques. Ao meu lado estava um café da manhã repleto de comidas disfarçadas de pedidos de desculpas. Quando o senhor Mamoru me viu, usando uma roupa emprestada de serviçal se assustou.
— Bom dia Sr. Mamoru. — Rin logo apareceu do lado dele e também se espantou. — Eu gostaria muito de conversar com vocês dois. — Eles se entreolharam confusos e permitiram minha entrada junto com o café da manhã.
Eu contei tudo. Contei tudo e um pouco mais. Só não contei que a culpa era da Kikyo, mas o resto eu contei. Expliquei toda a situação e o terrível mal-entendido e como os Taisho eram inocentes e não sabiam que eu estava me passando pela Kikyo. Contei que eles ficaram horrorizados e de mãos atadas. Contei que nunca na vida quis magoar ou prejudicar ninguém.
E por fim disse do fundo do coração que sentia muito. Falei a Rin que em outras circunstancias teria adorado ser amiga dela. Contei ao Sr. Mamoru que minha admiração pelo trabalho dele era real, pois quando meu avô sofreu um enfarte quando eu era pequena, minha mãe e eu não sabíamos para onde leva-lo, não tinha nenhum hospital de humanos por perto e ele quase morreu, e que graças às redes Hitoshi ele consegue manter o tratamento e fazer exames até desnecessários.
Implorei que ele não deixasse as minhas atitudes ou a da Kikyo interferir na decisão dele de se associar aos Taisho. E depois de dizer isso tudo, pedi perdão mais uma vez e me retirei.
Eles não disseram nada além de que iam conversar. Então só restava esperar.
Um rapaz me confundiu com uma das empregadas e acabou me mandando ir trabalhar ao invés de ficar vadiando. E por mais que não fosse ganhar nada, eu fui! Tipo, limpar as coisas me dá uma certa sensação de estar limpando a mente. E agora que meu coração estava leve, nada mais importava.
[...]
Eu tinha acabado de tomar um longo banho. Tinha me vestido e meus pés e pernas doíam horrores depois de limpar tanto o chão.
Eu estava fugindo do Inuyasha e da Kikyo.
Outra discussão com eles e eu ia acabar saindo no tapa com um dos dois. Saí do aposento e fui para uma parte do navio onde tinha um banco ao lado do parapeito com uma vista magnifica do mar. O céu era o mesmo de ontem, estrelado, a lua refletia imponente no mar e as ondas faziam um som agradável que quase me fez cochilar.
— É lindo, não é? — Quase pulei no mar ao ouvir a voz do meu lado. Nem percebi que a senhora Izayoi tinha se aproximado e sentado do meu lado.
— Ah! É, é sim... — Respondi sem graça. — ...Estou encrencada? — Perguntei fazendo careta. Então minha confissão levou ao rompimento da amizade? Ela me fitou negando.
— Não, foi arriscado, mas não. — Sorri contente ao ouvir aquilo.
— Sério?! Então ele não ficou furioso com vocês? — O sorriso dela me deu um alivio tão grande.
— Não. Ficou surpreso, um pouco chateado, mas Rin o fez perceber que você precisou de muita coragem para dizer a verdade e se expor daquela maneira e que merecia um voto de confiança. — Santa Rin! É a minha mãe mais jovem com certeza! Graças a Deus! — Kagome... — Me chamou suavemente e olhei para ela. — ...Por quê está acobertando a Kikyo? — Engoli seco.
— Não estou acobertando ninguém. — Ela girou os olhos.
— Está com as mãos calejadas, meus informantes me disseram que você trabalha todo dia na lanchonete, você ajudou empregadas gratuitamente... Você não deseja... — Apontou ao redor de nós. — ...Isso! Eu não consigo encontrar um único motivo para ter ido na Kikyo e dito que queria se passar por ela. Por que não foi pelo Mamoru, uma menina de dezesseis anos faz essas loucuras por amor, não por admiração. — Encolhi no banco. E agora?! Virei o rosto. — Não é pelo Inuyasha, é? — Eu abri a boca cheia para gritar um grande: NÃO!!! Mas se eu negar ela vai continuar especulando... Que droga!
— É. Eu sou apaixonada pelo Inuyasha. — Falei tão rápido que nem sei se ela entendeu. Eu sei, eu sei, isso foi o cumulo da loucura e eu espero que ninguém além dela tenha ouvido essa mentira... Nem tão mentira assim. — Eu sinto muito, ele me odeia então... Bola para frente, não é? — Completei com um sorriso e ela continuou me encarando e de repente se levantou espantada.
— NÃO! — Gritou. Até olhei para trás para ver se ninguém tinha pulado no mar para ela agir assim.
— Não? — Questionei confusa. Com os lábios trêmulos segurou minhas mãos negando quase chorando.
— Não desista do Inuyasha! — Como é que é? — Você não entende como é difícil aturar esse relacionamento dele! Kikyo suga todas as energias boas dele, ela não é boa para ele... Mas você, você é diferente, não é interesseira e entende ele! Sabia que a Kikyo disse a ele que queria que ele fosse humano? Inuyasha ficou meses procurando procedimentos que pudessem transformá-lo em humano completo! — Abri a boca surpresa, não só com o que contou, mas tudo em si. Ela quer que eu fique com o Inuyasha? Tipo, tire ele da Kikyo? — Tem ideia do quanto isso magoou o meu Oyakata?!
— Se tornar humano seria pedir para matar a parte que herdou do pai... — Murmurei e ela afirmou. Sem contar que ia tirar toda a graça, sem orelhas e os cabelos prateados? Ahh eu prefiro ele hanyou!
— Isso!!! Está vendo como você entende?! — Cruzei os braços sem graça.
— Mas ele me odeia. — Ela tocou meu ombro confiante.
— Tem o apoio da mãe, do pai e o Sesshoumaru detesta a Kikyo! Não pode nem olhar para ela que fica irritado, então aposto que até a dele... Embora a opinião dele não seja lá tão importante assim. — Resmungou a última parte me fazendo rir, como será que e é o cubo de gelo irritado?
— Sem ofensas senhora Taisho, mas...
— Ele vai mudar! Eu tenho certeza que ele vai mudar! — Segurei os lábios para não rir do desespero dela. — Quando você se passou pela Kikyo, ele começou a mudar! Ele até pediu desculpas para mim e para o pai dele por às vezes resmungar quando tentamos aconselhá-lo a escolher um rumo. — Arregalei os olhos.
— Não consigo imaginar ele pedindo desculpas... — Ela riu afirmando.
— Ele ainda é muito tímido... — Comentou... Eu diria imaturo, mas enfim.
— Kikyo também pode mudar... — Falei o que a fez girar os olhos.
— Ela teria que deixar de gostar de dinheiro para isso, você acha possível? — Encolhi os ombros. Não, não consigo imaginar uma Kikyo assim mais. — Prefiro apostar minhas fichas em você. — Sorri largo negando.
— Vai perder essa aposta... — Por favor, ela acredita mesmo nessa loucura?
— Veremos. — Voltei a gargalhar olhando para o horizonte.
Que mulher doida! Adorei ela!!!
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