Só podia ser Você

11 Fui ajudar a cobra e ela me picou!


Notas iniciais
Olá! Vamos que vamos, por que ainda vou postar mais alguns! Desculpem os erros e Boa leitura!

Capitulo 11

Fui ajudar a cobra e ela me picou!

Quando eu era pequena meu avô me contou uma história trágica.

Era sobre uma rã e um escorpião.

Certo dia o escorpião ficou ilhado num lago, ele não sabia nadar e morreria logo ali assim que a chuva viesse e inundasse o pequeno lugar onde estava. Vendo uma rã que ali passava pediu: ‘Dona rã preciso atravessar o lago, me carregue em suas costas’. A rã sentiu medo, sabia do veneno poderoso que o ferrão do escorpião tinha, mas ao mesmo tempo sentiu pena da sina do escorpião se aproximou dele e lhe fez uma proposta: ‘Eu deixo você subir nas minhas costas e te tiro daí, mas tem que prometer não espetar seu ferrão em mim!’ O escorpião concordou: ‘Não farei isso, pois se te ferroar também morrerei, afogado.’ Aliviada a rã ofereceu as costas para o escorpião subir. Na metade do caminho o escorpião ferroou a rã jogando todo o seu veneno nela. Sentindo o corpo já não corresponder aos seus comandos a rã perguntou: ‘Por quê? Agora nós dois vamos morrer!’ O escorpião afundando junto com a rã respondeu: ‘Sinto muito, é minha natureza’.

Eu odiava essa história. A rã morrer só por que ajudou o escorpião e o escorpião ter sido capaz de matar ela mesmo depois dela tê-lo ajudado.

Mas, naquele instante enquanto ouvia aquele monte de acusação com o dedo apontado para a minha cara, foi exatamente essa história que se passou na minha cabeça. Eu sou rã a idiota que ofereceu as costas para o escorpião Kikyo poder ferroar. Só que diferente da história o escorpião me ferroou e conseguiu chegar em terra firme.

Eu não consegui falar, o veneno estava me impedindo enquanto ela gritava para todo mundo ouvir que eu obriguei ela a tudo isso.

— Ela SEMPRE sentiu inveja de mim, papai! Quantas vezes eu já disse isso para você? Agora você acredita que a Kagome quer ser como eu??? — Fechei os olhos quando ela disse isso. Ser uma pessoa triste? Que vive num mundo de mentiras? Dá um tempo sua naja de duas caras! — Eu juro senhor Taisho! ELA é a culpada disso tudo, eu não queria, eu não deixei! Mas ela me obrigou. — A linha de raciocínio dela era tão furada que nem uma justificativa para ameaçar ela, ela deu. Mas eu deixei, ela falou até espumar o canto da boca e assim que meu irmão mais novo brotou dali para me defender tapei a boca dele.

— Kagome, não tem nada em sua defesa? — Perguntou o senhor Kouki sério.

— Ela não tem defesa!!! Ela quis ROUBAR o meu lugar! Eu não tenho culpa se você é pobre! — Disse para mim. Ela estava desesperada, ela sabia que se eu abrisse a boca não ia perder só a credibilidade com os sogros, ia perder namorado e nem quero pensar no que o Sr. Kouki vai fazer. O muro de aparências da Kikyo estava em minhas mãos, se eu falasse destruiria tudo de uma só vez.

— Pedi a Kikyo que me apresentasse o Sr. Mamoru, ela se recusou, então eu dei meu jeito. — Falei apenas olhando para o meu padrasto.

— Fez isso para conhecer o Sr. Mamoru? — Pigarreei afirmando. Meu irmão me encarou como se eu tivesse fazendo uma loucura.

— Eu sabia que os Taisho estavam se aproximando dele para fazer um acordo, então... Não é como se eu quisesse me passar por uma perua descontrolada. — Voltei meu olhar para ela. Abriu a boca e eu apontei o dedo. — Só... Que fugiu o meu controle, eu sinto muito. —Completei e claro que isso não bastava para eles.

— Você sente muito? — A voz masculina ecoou pela sala. Inuyasha se levantou furioso. — Você SENTE muito? Você engana a minha família, e acha que um simples ‘sinto muito’ basta? Quem você pensa que é, hein?! Se passou pela minha namorada... — deu uma risada histérica. — ...E quis me dar lição de moral?! VOCÊ é uma impostora! É uma mau caráter!!! É o tipo de ser que o senhor não devia SE quer deixar perto da sua filha! — Cruzei os braços segurando a raiva dentro de mim. — Você falou da Kagura, mas você é muito pior que ela, garota! — Ele deu a volta em si mesmo rindo incrédulo. — Eu não acredito que consegui confundir uma pobretona como você com a Kikyo! — Apertei os olhos zangada.

— Eu não tenho vergonha das minhas origens, esse ‘pobretona’, não me ofende. — Abriu a boca mais nervoso ainda se aproximando de mim.

— Que tal FALSA? Que tal GOLPISTA? Que tal... — Girou os olhos pensando e eu sorri com desdém.

— Meu pedido pelo seu cérebro não foi atendido. — Ele rosnou.

— Vá para o inferno!!! Aliás volte para o buraco que você veio que é lá o lugar da sua gente! — Arregalei os olhos ‘sua gente’?

— Inuyasha! — Repreendeu Izayoi.

— Pelo menos minha ‘gente’ não é um inútil que suga o dinheiro dos pais! — Revidei sem paciência.

— Kagome! — Kouki me puxou zangado. Eu me soltei ficando cara a cara com aquele idiota.

— Não! Agora ele vai me ouvir! Eu posso não ter brasão ou o que for seu inútil, mas eu não dirijo bêbada e coloco a vida dos outros em riscos, eu não sou um idiota que fica resmungando da vida enquanto tem pai e mãe que te amam, eu não fico perdendo meu tempo com futilidades enquanto poderia estar fazendo algo de bom! A minha ‘GENTE’ não é um babaca mimado que não consegue ouvir a verdade! — Ele ficou furioso que me segurou pelos ombros.

— Inuyasha! — Rosnou o pai dele o obrigando a me soltar.

— Eu sempre me perguntei por que a Kikyo não queria que eu conhecesse a família dela, agora... Eu entendo muito bem, eu também teria vergonha. — Disse para mim.

— AGORA chega! Isso já foi longe demais, nós nos reunimos aqui para resolver a questão e não para criar outro problema! Sejamos civilizados! — Falou o senhor Kouki. Kikyo? Estava paralisada com tudo. — O que você fez Kagome foi muito sério, e me custa acreditar que foi capaz de algo assim. — Meu irmão ao longe pediu com os olhos para eu contar.

— Eu já pedi desculpas, o que mais eu preciso fazer? — Questionei. Sr. e Sra Taisho se olharam sem resposta quando os encarei.

— Suma daqui! É isso que precisa fazer! Sumir das nossas vistas, desaparecer! — Revidou Inuyasha furioso. Mordi o canto da boca, ressentida, mas não demonstrei.

— Muito bem, isso eu posso fazer e acredite Inu-boboca é com muito prazer! — Acenei para os pais deles e para o Senhor Kouki. — Eu vou voltar para a minha ‘gente’.

— NÃOO! — Gritou meu irmão. — Não!!! Kagome NÃO!

— Sota depois nós conversamos! — Ele tornou a negar.

— Não, papai escute a Kagome só... — Essa não ele ia contar.

— Sota, por favor. — Pedi e ele não entendeu, mas abaixou o rosto obedecendo. Claro que todo mundo estranhou. Suspirei.

Kouki continuou implorando desculpas. Kikyo foi com Inuyasha para fora, acho que ela estava tentando acalmar e convencê-lo que a culpa é minha. Eu? Fiquei ali tentando explicar para o meu irmão a real.

Peguei uma mala e comecei a juntar minhas coisas.

— Mas você não tem culpa. — Disse ele segurando o choro.

— De certa forma eu tenho, você me avisou, não foi?! Mas é até bom que isso aconteceu, por que agora qualquer sentimento que eu tinha pela Kikyo, mesmo que do passado, morreu. — Falei ressentida. — Ela nem... Argh!

— A mamãe não vai deixar você ir. — Me virei para ele.

— Sota entenda, depois do que aconteceu se eu ficar aqui... Minha nossa a situação vai ser horrível, eu não quero e você sabe que eu não gosto de morar aqui! — afirmou.

— Eu não quero que você vá... — Fez o biquinho mais lindo do mundo e eu quase mordi ele.

— Pede a mamãe para te levar, vamos nos ver sempre que der... Mas eu não vou conseguir morar nessa casa mais, muito menos estudar naquela escola junto com ela.

— Eu odeio a Kikyo. — Respirei fundo e segurei na garganta o ‘eu também’.

Segui o conselho do Inu-boboca. Desapareci daquele bairro, desapareci daquela escola e desapareci daquela casa. Na verdade, eu estava indo para casa.

Confesso, uma lágrima escorreu do meu rosto quando parei para relembrar tudo, de repente eu conheci um cara que escrevia músicas lindas e até conseguia ser gentil e no outro ele se transformou num monstro. Eu sei lá o que eu esperava, porém tentei me convencer que ouvir aquilo não deveria me ferir.

Embora o que tenha me machucado mais tenha sido Kikyo.

“Hey Kagome, a gente podia ser irmã gêmea de verdade, não é? Seria tão legal! Mas amigas, sim, isso a gente vai ser para sempre!” Soltei um sorriso amargo dentro do ônibus quando recordei.

Se quebrou, aquela imagem pura na minha mente se quebrou por completo, em tantos pedaços que duvido que um dia eu volte a ver essa imagem com carinho novamente.

Notas finais
Acho que todo mundo já previa isso né?! Kikyo não ia dizer nunca que a ideia foi dela logo para os pais do Inuyasha! kkkkkk Até o proximo!