Só mais uma história de amor
6 Não tenha medo
Notas iniciais
– Vai querer de que sabor? – Perguntei à Júlia.
Nós estávamos na fila do Bob’s, comprando milk-shakes.
– Pode ser chocolate. – Ela deu de ombros.
– Certo. Então um de chocolate e um de ovomaltine, por favor. – Pedi à atendente.
– Dezesseis. – Ela me deu o preço e eu paguei com o cartão. – Aguarde ao lado, por favor.
Nós obedecemos e caminhamos até a área do balcão destinada à entrega dos pedidos. Depois de alguns minutos os milk-shakes foram entregues e nós saímos dali.
– Nossa, isso tá bom! – Júlia exclamou, ao tomar um gole do seu shake. Eu ri.
– Aposto que o meu está mais! – Brinquei e ela riu.
– Eu duvido.
– Posso experimentar? – Pedi.
– Não! É todo meu! – Ela exclamou e eu ri.
– Ok, então nada de ovomaltine para você também! – Dei de ombros.
– Ah, tá bom. Toma aqui. – Ela me estendeu o copo.
Nós fizemos mais algumas brincadeiras e passeamos um pouco pelo shopping antes de irmos embora.
– Ju! – Chamei-a quando entramos no carro.
– Fala, Mari.
– Dorme lá em casa hoje? – Pedi e ela olhou para mim, sorrindo.
– Claro. Mas eu tenho que passar lá em casa antes, pra pelo menos pegar algumas roupas para mim.
– Então vamos lá agora, ué! – Eu exclamei.
– Tá bem. – Ela sorriu novamente.
Não demorou muito, e logo nós estávamos paradas em frente ao prédio em que Júlia morava.
Subimos rapidamente até o terceiro andar, e lá entramos no seu apartamento. Eu já havia estado ali algumas vezes; era um apartamento pequeno, mas bonito.
– Vai esperar aí? – Júlia perguntou-me, estávamos no meio da sala.
– Ah, sei lá. Tanto faz. – Dei de ombros.
– Vem cá, vamos lá. – Ela disse, puxando o meu braço.
A segui até o quarto e me sentei na cama de solteiro enquanto ela se enfiava dentro do armário.
– Mari, pega aquela bolsa ali para mim? – Ela pediu, indicando uma bolsa bege média que estava sobre a mesa.
Peguei-a e entreguei na mão de Júlia. Ela colocou algumas peças de roupa dentro da bolsa enquanto eu observava os livros empilhados na mesma mesa.
– Viagem ao Centro da Terra? – Perguntei, pegando o exemplar meio antigo do livro de Júlio Verne.
Júlia olhou-me sobre o ombro.
– Comprei num sebo há alguns dias. – Ela deu de ombros e eu sorri.
– Já leu?
– Há algum tempo. Comprei por ter, e por que estava barato. – Nós rimos.
– Sempre.
– Pronto, tô pronta. – Ela colocou a mochila nas costas. – Vamos?
– Vamos, ué. – Sorri e estendi a mão para ela.
Ela segurou-a e nós saímos do apartamento.
Não demorou muito tempo para que chegássemos ao prédio onde eu morava. Entramos no apartamento logo depois.
– Ai... eu estou com sono. – Júlia reclamou, colocando a sua mochila sobre o sofá.
– Pode ir arrumando a cama, se quiser. Eu vou só lavar aquilo ali. – Indiquei a pia com algumas vasilhas sujas.
– Eu até te ajudaria, mas... – Ela se interrompeu com um bocejo.
Dei uma risada e a beijei.
– Não precisa. Pode ir lá. – Falei em tom baixo, os lábios próximos da sua orelha.
– Tá bem. – Ela sorriu e adentrou o corredor.
Não demorei muito para lavar as vasilhas e arrumar a cozinha, então logo eu estava indo até o quarto.
Júlia ressonava tranquilamente no lado direito da cama. Observei seus olhos fechados, os lábios entreabertos, o peito subindo e descendo em um movimento ritmado.
Era incrível como, mesmo depois de quase seis meses, eu ainda conseguia me surpreender com a beleza daquela garota.
Sorri levemente e, me esforçando ao máximo para não fazer muito barulho, andei até o armário. Tirei os tênis, os jeans, a camisa xadrez e a camiseta branca, colocando outra camiseta cinza um pouco maior que eu.
Apaguei a luz do quarto e fui até o banheiro, escovando os dentes antes de voltar ao quarto e me deitar no lado esquerdo da cama, ao lado de Júlia. Não demorou muito para que eu pegasse no sono.
. . .
Acordei ao sentir uma movimentação ao meu lado.
Me sentei na cama e pude ver – graças à luz de uma lâmpada da rua que vinha da janela – Júlia deitada, se debatendo. Seus olhos estavam fechados, mas ela murmurava algumas palavras desconexas em um tom choroso. Era um pesadelo.
Segurei seus ombros e balancei o seu corpo com leveza, chamando-a. Tentei outra vez, mas ela só abriu os olhos quando puxei seu corpo com mais força, chamando o seu nome em voz mais alta.
Sentada na cama, à minha frente, Júlia estava estática. Seus olhos levemente arregalados fitaram o meu rosto por alguns momentos, até que ela me agarrou com uma força surpreendente e, enterrando o seu rosto na curva do meu pescoço, deixou que as lágrimas se derramassem.
Envolvi seu corpo com os braços e comecei a acariciar vagarosamente suas costas e seu cabelo.
– Calma, amor. Foi só um sonho, só isso. Não precisa se preocupar. Não precisa ter medo. Já passou. – Eu dizia em um tom calmante.
Depois de algum tempo, muitas lágrimas derramadas e alguns sussurros, Júlia finalmente se soltou de mim.
Sequei com os dedos as lágrimas que estavam sob seus olhos.
– Foi só um sonho, relaxa. Já passou, ok? Não precisa chorar.
Ela deu um sorrisinho de canto.
– Foi “só” um sonho terrível.
– Se quiser contar, eu estou aqui. – Sugeri.
– Não precisa. – Ela deu de ombros.
– Já que você diz.
Naquele momento eu parei para observar novamente a garota à minha frente.
Seus cabelos estavam soltos pelas costas, e as alças da camisola caíam pelos ombros, deixando à mostra grande parte do seu colo e dos seios – que, querendo ou não, não eram muito pequenos.
Balancei a cabeça na tentativa de afastar aquele pensamento e desviei o olhar para baixo. Não adiantou muito, já que logo abaixo das alças caídas da camisola haviam pernas cruzadas no estilo “índio”, sem a menor cobertura da barra da peça cor-de-rosa de roupa.
Fechei os olhos em um reflexo, abrindo-os logo depois e desviando meu olhar para o lençol da cama, algo neutro.
– Não estou mais com sono. – Júlia sussurrou.
– Eu também perdi o meu. – Dei de ombros. – Mas vem, vamos deitar aqui. Eu te protejo. – Sorri e ela riu.
– É, pode ser.
Ela deu de ombros e as alças da camisola desceram um pouco mais, tomando novamente a minha atenção para aquela área.
Aquilo era provocação demais para a sanidade de qualquer um. Principalmente para a minha, que já estava se esvaindo.
– Vem, vamos deitar. – Murmurei rapidamente, pegando a sua mão e puxando-a para perto de mim.
Júlia subiu uma das alças da camisola – me fazendo respirar quase aliviada – e se deitou no meu peito.
Comecei a fazer carinho em um dos seus ombros até que o silêncio e a imobilidade se instalaram no quarto. Acreditando que Júlia já dormia, tirei a mão do seu ombro. Assim que o fiz, ela esticou-se, me dando um beijo nos lábios.
Mas não era algo carinhoso. Era provocativo.
Logo o seu corpo estava completamente sobre o meu. Enquanto eu segurava a sua cintura ela arranhava meus braços com as unhas curtas, me beijando e, quando perdemos o fôlego, deslizando os lábios até o meu pescoço, dando beijos e mordidas que provavelmente deixariam marcas e que me arrancavam suspiros deliciados.
– Vem cá. – Sussurrei de súbito, girando em um movimento rápido e fazendo-a se deitar com as costas na cama, meu corpo sobre o dela.
Olhando-me nos olhos, Júlia sorriu e mordeu o lábio. Suas mãos, que haviam descido para a minha camiseta, agora a puxavam, erguendo e tirando rapidamente uma das únicas peças de roupa que eu vestia.
Ao me deitar novamente sobre seu corpo, beijei, chupei e mordi-lhe os lábios, a mandíbula e o pescoço, me detendo por alguns segundos para sussurrar uma palavra em seu ouvido.
– Injustiça. – Disse e mordi-lhe suavemente o lóbulo, arrancando, assim, mais suspiros de Júlia.
Mordendo o lábio apenas pela expectativa, desci de um modo lento a boca pela pele morena e macia do colo da minha namorada, enquanto baixava, ao mesmo tempo, o tecido fino da sua camisola.
Quando esta já lhe cobria apenas da cintura para baixo, me ergui, antes de voltar a tocá-la, apenas para apreciar a beleza do seu corpo. No decorrer desse momento, aproveitei para descer-lhe mais a camisola cor de rosa, acompanhando-a de sua calcinha branca.
Quando as duas peças finalmente estavam livres do seu corpo, voltei a tocar-lhe com os lábios e as mãos, sentindo, com um prazer inigualável, seus suspiros e arranhões nas minhas costas e nuca.
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