Só Queria Dizer Que Te Amo...
23 Tensão
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Mas antes que Sakura realmente se afastasse daquele lugar, ela pode ainda ver e ouvir aplausos. [...] “Que belo gesto! Um gesto desses é uma prova de gratidão, uma retribuição que prova a honra e a bondade de um verdadeiro líder Hyuuga!” A Haruno não pôde evitar achar graça daquilo, ainda mais quando olhando para trás pôde ver de soslaio uma Hinata muito sem jeito sendo cumprimentada por alguns bajuladores. A rosada concluiu que de fato as pessoas acreditaram no seu teatro, com exceção de Hinata, é claro. Não querendo se demorar nem mais um segundo naquele lugar, ela tratou de saltar para o ponto mais próximo, visando seguir seu caminho.
Logo em seguida, ouviu-se um trovão cortando o céu: em breve iria chover.
Não foi preciso nem mais um segundo para que o Uzumaki tomasse uma iniciativa, aproveitando-se da distração causada pela cena anterior [...] Não pensou duas vezes antes de sair em disparada atrás de Sakura.
Capítulo 23: Tensão
Ela era rápida, ele podia perceber, mas ele era mais rápido que ela. Observou que Sakura seguia para a direção do Hospital de Konoha, e foi essa direção que ele também tomou saltando pelos telhados da Vila. O ar havia esfriado um pouco assim como era perceptível uma maior umidade, de forma que não demorou muito para que os primeiros pingos de chuva tocassem os corpos daqueles que estavam ao ar livre. Mais trovões se fizeram ouvir, e gradativamente a chuva foi se intensificando.
Primeira constatação: É verdade que mais cedo ou mais tarde choveria, entretanto, Sakura colaborou para que fosse mais cedo.
A Haruno podia sentir o chakra que a seguia numa distância razoável, e sabendo de quem se tratava, ela sentiu uma pontada de medo ao pensar que quando parasse de correr teria que encará-lo. Ela havia esperado dois anos por esse momento, havia contado dia após dia, hora após hora para revê-lo, e agora que tinha a oportunidade diante de si, ela temia o momento. Não sabia o que falar, não sabia o que fazer, não sabia o que esperar. A chuva caia-lhe pelo corpo como que lavando sua alma, seu coração saltava frenético em seu peito diante do iminente encontro. Ela queria parar, mas ela não conseguia. Percebeu-se seguindo por caminhos que há muito não passava, e quando deu por si, estava em um dos pequenos parques que compunham uma área de lazer nas imediações do hospital. O lugar estava deserto, frio, pouco movimentado e cheio de vazio, assim como ela havia estado nos seus anos de exílio.
Naruto estava correndo atrás dela, há uma distância razoável, ela sabia que era ele que vinha ao seu encalço. Sentiu-se extremamente ridícula, afinal, uma hora ela teria que parar de correr e nessa hora ela teria que encará-lo. Ela o conhecia perfeitamente bem para saber que ele correria atrás dela o resto da noite se fosse necessário, caso ela decidisse fazer tal insanidade. A Haruno sabia que tinha que parar, mas ela não conseguia ainda. Ela queria cansar um pouco mais as suas pernas, acelerar mais o seu coração, forçar mais seus pulmões, tudo isso visando distrair-se das turbulências que a atormentavam.
Segunda constatação: Sem dúvidas a Haruno estava vivendo um conflito interno. Todavia, quem pode culpá-la? Ela tinha dentro de si palavras de dois anos de ausência, palavras de uma batalha, de uma quase morte e de um exílio. Havia palavras do amor que descobrira.
E o Uzumaki seguia atrás dela, numa distância até então considerada por ela como segura. Segura porque naquela distância e velocidade a rosada imaginava que ele não a alcançaria de imediato. Mas depois, avaliando bem a situação, ela chegou a conclusão que na verdade ele só não a alcançara ainda porque não quisera fazer tal coisa. Ele estava deixando que ela corresse, e ela não conseguiu deixar de pensar que talvez ele fazia isso como forma de avaliar o quão maluca e desesperada ela estava.
Terceira constatação: Desde pequeno o Uzumaki aprendera a guardar –ou prender – coisas dentro de si. O desprezo dos aldeões, a saudade dos pais que não tivera, a raiva do abandono e uma Bijuu. Quando cresceu, decidiu que já havia guardado coisas demais, por isso, fazia questão de a todo momento expressar seu amor pela doce menina de cabelos cor de chiclete. Só que agora, mais uma vez ele sentia aquela sensação sufocante causada pela prisão de sentimentos. Ora, ele também tinha palavras de dois anos de ausência presas dentro de si, palavras de uma batalha, de uma quase morte e de um exílio. Palavras do amor que se intensificara.
Sakura sentia que seu coração e sua mente trabalhavam em total discordância, lutando entre si para definir o vencedor. E foi assim que mil absurdos passaram por sua mente, menos a coerente ideia de parar de correr. Distraída com seus sentimentos, ela pulou de um muro em direção ao chão, visando tomar impulso para seguir sua corrida contra aquele inevitável, esperado e temido encontro. E quando seus pés tocaram o chão, num salto meio desiquilibrado por conta da chuva que a fizera escorregar, quando ela se ajeitou para levantar seu corpo e seguir correndo, deparou-se com uma barreira diante de si. Uma barreira alta, forte e humana. Uma barreira de cabelos loiros e olhos azuis.
Quarta constatação: Naquele lugar, diria um observador comum, havia bancos, balanços, jardins, um riacho e uma pequena ponte. Naquele lugar, diria um observador atento, havia a chuva, um homem, uma mulher e o amor.
Quando enfim se pôs ereta, quando depois de alguns segundos ela concluiu que esperara tempo demais para ver aqueles olhos azuis – e que por isso mesmo não deixaria que seus receios alongassem essa demora – a rosada levantou sua cabeça, respirou fundo e abriu seus olhos, e com esse gesto ela pôde ver os olhos azuis que a mantiveram longe da insanidade todo esse tempo. Mas o gesto de abrir os olhos não permitiu que Sakura visse muita coisa, porque seus olhos não podiam ver o que os olhos dele viam. Por que quando as jades se fizeram notar, os olhos cor de céu se encheram de alegria. Afinal, as jades que ela carregava consigo, jades que andaram tão sem brilho naqueles últimos tempos, eram elas que davam brilho às safiras; eram elas que davam sorrisos, alegrias e amor. Por que os olhos femininos não viam, mas o coração do homem a sua frente estava aquecido de novo, só pelo simples fato de poder olhar dentro das esferas esverdeadas e permitir-se viajar nos encantos e na paz que o olhar da sua amada era capaz de lhe proporcionar.
E assim eles ficaram: um olhando o outro.
Sem reações.
Sem palavras.
Sem gestos.
Em transe.
O único movimento que se fazia presente era o da chuva. O único som, o da chuva. O único contato, com a chuva. Eles estavam tão próximos, mas não ousavam se tocar, como se um toque fosse quebrar a magia daquele momento.
Enquanto se encaravam o casal se via refletido um no outro. Ambos mudos, ofegantes, hipnotizados e molhados. O som dos trovões era audível e o clarão dos relâmpagos trazia mais luz ao local de maneira que, a cada fecho de luz que o céu lhes proporcionava era como um presente divino, capaz de iluminar a alma, o pensamento e o coração. Pode parecer loucura, mas era como se Kami-sama estivesse no alto céu, ansioso esperando por um desfecho, era como se Kami-sama orquestrasse cada pingo de chuva, cada trovão e cada relâmpago; a chuva para lavar a alma, o trovão para garantir a intensidade e os clarões para iluminar ainda mais aquele reencontro de almas.
Quinta constatação: Mais do que um reencontro de corpos, aquele momento era um reencontro de almas. Almas que sempre se amaram e que finalmente se reencontraram para viver o amor.
Todavia, parecia que os esforços divinos não surtiam efeitos, afinal, os dois continuavam sem reações, inertes olhando uma ao outro, de forma que suas mentes não eram capazes de executar ato algum. Foi então que um trovão se fez ouvir, mais forte que qualquer outro que o precedera, tão intenso que fora capaz de acordá-los do torpor que os prendia. Mas Kami-sama estava mesmo ansioso, e então decidiu que antes de mandar mais um clarão, sussurraria bem baixinho lá no íntimo do coração “Olhe a pedra”. E como que captando a mensagem divina, Naruto fez o que lhe fora sugerido, e com isso ele desviou dos olhos femininos no exato momento em que a luz de um relâmpago refletiu sobre a pedra azul que Sakura trazia em seu peito, presa em um colar. E Naruto achou aquela cena realmente divina, avaliando como esplêndido o efeito que a luz do relâmpago causara na preciosidade da pedra.
Um conselho: Se eu fosse você, não duvidaria que Kami-sama estivesse intervindo.
O corpo masculino então reagiu, ainda que minimamente, e então lentamente sua mão foi erguendo-se até poder tocar a pedra. A pedra azul, a pedra que tinha exatamente a mesma cor dos seus olhos. No começo ele apenas permitiu que a ponta de seus dedos a tocasse, mas passados alguns segundos, ele segurou-a de fato, permitindo-se sentir a sensação do toque e da textura que aquele contato permitia-lhe. Com sua palma aberta, ele mantinha a pedra em mão e olhando-a ele não conseguiu deixar de pensar que ela era da cor dos seus olhos e não da cor dos olhos dele. E foi então que seu coração entrou em conflito, afinal, a lógica gritava que aquela pedra deveria ser vermelha. Por que ela sempre o amou, por que ela quase morreu por ele, por que mesmo com a katana em si cravada ela disse que o amava, por que ela chamou pelo nome dele quando esteva em coma, por que ela disse que fizera tudo por ele.
Ele. Sempre ele. O Uchiha.
Quando viu o Uzumaki levando a mão até a pedra que carregara consigo durante tanto tempo, a pedra que lhe fazia lembrar dos olhos dele, Sakura sentiu seu coração aquecer um pouquinho. Ele tinha a pedra na palma da mão, olhando-a intensamente, como se aquela pedra estivesse conversando com seu interior naquele momento. Kami-sama então calmamente sussurrou baixinho “Toque” e obediente a mão feminina fez o mesmo processo que a masculina havia feito: direcionou-se lentamente para tocar a pedra. Mas quando estava chegando perto, quando Naruto percebeu o que ela faria, foi nesse momento que a mão masculina se fechou fazendo com que a mão feminina parasse a milímetros da dele. E então eles se olharam mais uma vez: ele trazia nos olhos uma amargura explícita e ela, uma dor insuportável.
Mais um trovão: o atestado de que a calmaria ainda não era permitida.
O gesto interrompido prosseguiu: sem poder tocar a pedra, ela tocou a mão que a escondia. E o gesto feminino fez com que finalmente a magia que os mantinha presos e inertes, se quebrasse um pouco. Com o choque elétrico que o toque causou em seu corpo, Naruto permitiu que uma parcela de suas emoções fosse liberada, e reagindo como que automaticamente, ele de forma brusca afastou sua mão da mão que o tocara.
Ele de forma brusca afastou-se do toque. Mas ele não soltara a pedra, então, de forma brusca ele arrancara o colar da posse feminina.
Sexta constatação: Havia muitas coisas a serem esclarecidas. Erros para serem corrigidos. Palavras para serem ditas. Mentiras para serem desmascaradas. Dores para serem sanadas.
Ela se espantou com o gesto do homem a sua frente. Se o seu gesto de tocar a mão masculina havia quebrado uma parte da magia, o brusco gesto masculino fora responsável por quebrar a magia por completo. E as mãos femininas instantaneamente reagiram indo ao encontro do lugar onde deveria estar a pedra, e atestando o que seu coração se negava a acreditar, Sakura se sentiu nua sem o peso do objeto que para ela tanto significava. Quanto a Naruto, ele agarrou ainda mais forte o objeto em sua mão e justificou para si mesmo que não tinha culpa se seu cérebro ordenara que ele afastasse a mão sem ter ordenado antes que soltasse a pedra.
E então, eles se olharam em desafio.
E mais um trovão cortou o céu.
Um argumento: Eles estavam em um lugar deserto, um lugar afastado. Para garantir a solidão do lugar, chovia forte. Para garantir o silêncio, havia os trovões para abafar qualquer som. Tendo em vista essas questões, você ainda duvida da intervenção divina?
Sustentaram o olhar de desafio, e o silêncio proporcionado pelos trovões até o momento em que um deles decidiu que era hora de falar.
E permitindo que a pedra escorregasse de sua mão, sendo agora segurada pelo cordão que a prendia, Naruto a levantou de forma que ficasse visível não só para ele, mas também para ela. Olhou-a de maneira firme e disse “Deveria se vermelha.” A reação de Sakura, ao contrário do esperado, não foi contestar as palavras do loiro “Devolve o meu cordão!” ela disse no mesmo momento em que tentava pegá-lo da mão de Naruto, uma tentativa vã, haja vista que ele mais alto que ela, ergueu seu braço de forma que não permitia que ela alcançasse o objeto desejado. Frustrada ela olhou-o com sofreguidão, e ele tomado de uma frieza repentina, reafirmou sua fala anterior somando a ela um pouco de irritação “Eu disse que deveria ser vermelha!”, e diante do desprezo de Sakura para com suas palavras, ele agarrou o braço feminino que tentava alcançar a pedra e com o gesto fez com que a rosada se concentrasse nele, e quando isso aconteceu ele repetiu mais uma vez “Vermelha. Deveria ser vermelha”. E então a Haruno entendeu que havia chegado a hora de falar tudo que tinha para ser dito.
“Não, não deveria... -ela respondeu em desafio, e o tom da voz dela estava um pouco acima do normal- ...me devolve o colar, ou...” ela disse ameaçadora. A ameaça não foi exatamente a melhor das estratégias, e de imediato a amargura de Naruto se soltou “Ou o que? Hein Sakura? Ou o que?” ele gritou a última parte, e ela muda não sabia o que dizer. “Ou o que? Vai me dar um soco, vai me jogar longe e sentar-se em cima de mim? Vai usar chakra e me prender com suas pernas? É isso?” e ela continuava sem responder aos questionamentos que ele fazia questão de gritar. “Ou vai me seduzir para pegar a pedra de volta?” e da parte dela havia apenas silêncio.
Mas o silêncio dela o matava, o silêncio dela somado com os olhos que aparentavam dor, descontrolavam o Uzumaki. E ele não conseguia algo diferente de um tom de voz alto, autoritário, duro e amargo. “Para que uma droga de pedra azul? Para que você voltou? Por que estas cores? Por que você está me olhando assim? Você deveria ter ido atrás dele e não ter voltado para essa droga de Vila, nem deveria usar essa pedra idiota!” Sakura se sentiu então ofendida, afinal, aquela pedra não era idiota, e diante dessa ofensa ela reagiu a altura “Cala a boca!”, mas o grito dela alimentou ainda mais a amargura dele “Ou o que Sakura?” e ela meio derrotada falou mais baixo e em tom mais suplicante “Não fala mais nada”. Entretanto o fato de ter mudado o tom da fala e as palavras não ajudou em nada, e então o loiro prosseguiu “Essa pedra deveria ser vermelha –balançou então a pedra diante dos olhos cor de jade, e ela mais uma vez tentou capturá-la, e mais uma vez foi em vão – sabe por quê deveria?” e ela em resposta balançou a cabeça em irritação “Responda se sabe Sakura-ele gritou”
E quando ela iria falar algo, ele não permitiu. “Deveria ser vermelha Sakura, porque os olhos do seu Sasuke-kun são vermelhos. Por que você o ama. Por que você fez tudo por ele” e a cada afirmativa que Naruto pronunciava, ela respondia com um baixo ‘não’. “Por que foi o nome dele que você chamou Sakura. É ele que você ama, é ele que você idolatra.”
“Não. Não. Não” era o que ela dizia baixinho, sem ganhar por isso a atenção dele. Mas cada afirmativa dele fazia com que uma forte sensação preenchesse seu peito, uma sensação incômoda que lutava para sair de dentro de si.
Cansado, ele por fim disse de maneira mais contida “Foi tudo por ele”. E quando essa última afirmativa foi pronunciada, aquela sensação que enchia Sakura quis sair, e saiu em forma de palavras, palavras ditas num tom igualmente alto “Você está vendo o Sasuke aqui? Você está vendo alguma pedra vermelha? Me diga se vê!” e ela fez um gesto amplo com os braços como que indicando o local onde estavam. Quanto a Naruto, ele a olhava ainda de maneira firme, porém um pouco mais receptiva. Estressada ela continuou “Você está vendo o Uchiha? Não, não está! Não tem nenhum Uchiha aqui, não tem batalha, não tem vida e morte. Só tem eu e você!” e então a sensação que preenchia Sakura, não satisfeita, quis extrapolar também por meio de gestos, e foi assim que a rosada começou a socar o peitoral masculino, como forma de dar mais ênfase e veracidade a seus argumentos “Não tem Uchiha! Não tem!” E nesse momento, talvez Naruto não percebesse, mas Sakura estava chorando. Suas lágrimas porém, estavam disfarçadas pela chuva.
Mas os socos não duraram muito. Em pouco tempo, sem largar o colar, Naruto agarrou os pulsos femininos e quando Sakura deu por si, tinha seus pulsos presos entre as calejadas mãos. Tinha a costa cercada por uma superfície rochosa. Tinha o corpo preso entre um muro e o amor da sua vida. Tinha os pulsos erguidos acima da altura de sua cabeça e pendendo da união de uma de suas mãos com a dele, estava o colar. O Uzumaki mantinha presas as mãos que o batiam, e diante de si estava então ela, Sakura, presa e rendida, vulnerável.
“Não tem Uchiha” ela sussurrou.
“Tem Uchiha sim” ele gritou em resposta.
“Não tem” ela igualmente gritou.
“Tem” ele falou um pouco menos convencido.
“Não tem” ela falou alto, firme e convincente.
E ele a olhava, e sua respiração cada vez mais se descontrolava.
“Tem sim Sakura” ele disse desanimado, porém ansioso por ser mais uma vez desmentido. Ele poderia ficar eternamente ouvindo-a dizer aquelas palavras.
“Não!” ela gritou.
“É ele que você ama!” ele voltou a gritar.
Sakura sentiu-se então deveras acuada, ainda mais, sentiu-se confrontada. Irritada com sua submissão perante ao Uzumaki, e sabendo o quão cabeça dura o mesmo era, ela decidiu que não era momento para perder tempo. Ela havia esperado por dois anos em um exílio, sem poder receber ou dar notícias, sem nenhum tipo de contato. Sua principal companheira: a saudade. E quando finalmente voltara a Vila, voltara feliz para enfim viver o amor que sentia, havia então sido recepcionada pela mais cruel das recepcionistas: a traição. Sakura sabia que era a hora de agir, de concertar tudo de errado que ela mesma fizera e que aqueles em quem confiou fizeram contra ela.
Foi assim que a Haruno concentrou chakra em seus braços, e num movimento rápido e brusco desfez o agarre masculino. Livre do enlace ela afastou-o um pouco de si, tomando espaço para melhor se movimentar. Aborrecido como estava, o loiro não perdeu a oportunidade de provocar a mulher, questionando-a se ela o jogaria ao chão como fizera na batalha. E sem responder a provocação, ela apenas agiu depressa, agarrando o braço masculino de forma que, com a força do chakra acumulado em seus próprios braços, Sakura o empurrou ao encontro do muro que antes a cercava. Antes que ele pudesse reagir, seja com palavras ou gestos ela disse “Se sua guarda estivesse baixa, de fato o teria jogado ao chão.” E diante dessas palavras ele apenas a fitou com um semblante de falsa surpresa.
No próximo capítulo...
“Não vejo o porquê de continuar te ouvindo Sakura. Já entendi que ama Sasuke.”
“Esquece tudo que te falaram e ignora tudo que você pensa saber”. Ele finalmente reagiu, mas ainda de forma débil, foi apenas capaz de pronunciar em tom de dúvida “Hinata?” e a rosada respondeu-o de forma séria “Mentiu para você.”
E quando ele deixou de olhar para o céu, ele a encarou, pela primeira vez na vida, com uma alegria verdadeiramente genuína.
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