Só Queria Dizer Que Te Amo...

18 Meu Maior Medo é te perder!


Notas iniciais
Eu sei que falei que iria postar muitos capítulos nas minhas férias. Mas, eu fui enganada e não tive férias. Minha orientadora de pesquisa/monografia não me deu sossego. Coisas da vida além Nyah.

Enfim.
Escrevi dois capítulos para vocês, e não foi fácil.
Vou postar um hoje e o outro segunda agora, dia 07.
Gente, espero verdadeiramente que vocês perdoem minha demora. E espero por comentários também.

Para as lindíssimas, gatíssimas "Rany-chann, Sambi e Anne D Taylor" um grande beijo, eu agradeço imensamente pelas recomendações. Esse capítulo é para todos/as, mas especialmente para vocês!!!!!!! =)

No capítulo anterior...

Ele estava com suas roupas rasgadas, totalmente desgrenhado e extremamente sujo, sujo do sangue dela. Sangue que manchava seus braços, seu abdômen, seu rosto e seu coração. Sangue que o fez lembrar o quanto ela havia sido ferida naquele dia, e o quanto seu interior sofria agora com medo de perdê-la. Sangue que o fez ignorar cada um dos que ali estavam presentes e caminhar para longe daquele local, porque tudo o que ele queria agora era ficar sozinho.

Capítulo 18: Meu maior medo é te perder!

NARUTO POV ON

Quando sai daquela tenda hospitalar, deixando para trás a pessoa que julgo ser a mais importante, essencial e indispensável da minha vida, eu senti meu coração diminuir a um tamanho doloroso.

E isso consequentemente me causou um aperto no peito.

Quando desativei o manto de chakra, e enfim me percebi no meu verdadeiro estado, eu me assustei.

Me assustei porque estava coberto do sangue dela.

Cada parte do meu corpo se encontrava suja.

E então eu percebi que aquele sangue impregnado na minha pele, nas minhas roupas, na verdade fazia mais que me sujar.

Aquele sangue me marcava.

Cada partícula de sangue em cada poro do meu corpo havia me marcado.

Por que depois daquele dia...

Depois daquele sangue...

Diante de tanto medo...

Eu jamais seria o mesmo.

Quando parei fora daquela tenda, e encontrei todos os meus amigos me olhando, eu não fui capaz de corresponder a seus olhares. Eu apenas fui capaz de erguer minhas mãos e enxergar que em cada parte dela, em cada poro de minha pele, debaixo de cada unha, em todos os lugares havia sangue dela. Me olhei até onde pude e percebi que eu estava encharcado. Fechei meus olhos e na minha mente a única cena que me vinha era da minha Sakura sendo atingida pela katana dele...

E sangrando logo em seguida...

Respirei fundo e senti o cheiro de sangue. Na minha memória eu só via sangue. Em mim, grudado a meu ser, havia mais sangue.

Sangue dela...

Sangue que ele derramou...

Quando abri meus olhos, não quis olhar para lugar algum, para nenhum alguém.

Simplesmente não quis.

Com minhas mãos fechadas em punho, comecei a caminhar.

Em silêncio...

Com passos firmes...

Sem olhar para ninguém...

E sem que alguém me interrompesse...

Ou tentasse me impedir...

Ou tentasse me falar algo.

Eu apenas caminhava. Rumo a não sei onde. Só sei que caminhei.

E tudo que ouvi foram meus passos e o silêncio mórbido em que todos estavam.

E agora eu estou aqui. Em um lugar, perto e distante ao mesmo tempo, de onde ela está.

Estou aqui sozinho, sentado de baixo de uma árvore de cerejeira.

Que ironia do destino, foi o que eu pensei quando vi a cerejeira sem nenhuma flor sequer. E isso me doeu ainda mais o coração.

Meus olhos estavam vidrados e perdidos no horizonte. Eu via várias coisas, mas não sabia o que via.

E desde que aqui sentei não me levantei mais.

Já estou aqui há mais de dezesseis horas.

Sem banho. Sem descanso. Sem comida. Sem paciência. Sem humor.

Apenas eu, Kurama e minha esperança.

Mas Kurama se manteve calado. E minha esperança não fala direito comigo. Talvez porque eu tenha perdido um pouco das esperanças nela.

Foram doze horas angustiantes, o tempo em que a Sakura passou naquela mesa de cirurgia. Foram doze horas que passei ignorante e alheio a tudo. Eu simplesmente decidi esperar.

Por que se ela morresse me avisariam.

Se ela vivesse também.

Se não haviam vindo, é porque nada havia mudado. Ela devia estar ainda no meio termo entre a vida e a morte.

Mas quando passou um pouco mais de doze horas sentado ali, alguém se aproximou. Não me pergunte quem. Foi um alguém que me disse que os procedimentos haviam acabado... E a Sakura estava viva, por enquanto...

Esse alguém falou algo sobre um tempo crítico. Quarenta e oito, setenta e duas, vinte e quatro horas... Não sei.

Só sei que balancei a cabeça em consentimento e esse alguém saiu.

Ele deve ter entendido que eu queria ficar ali. Sozinho.

Quando se passou mais quatro horas, dezesseis horas de pura inércia, percebi mais alguém se aproximando. Só que esse alguém não era tão determinado como o outro, julgo isso por não ter tido coragem de dar a primeira palavra.

Eu estava tão frio por dentro, que diretamente perguntei “Ela morreu?”, e esse alguém, desesperado começou a abanar as mãos em negativa, dizendo que nada havia mudado.

Ou seja, ela ainda estava no meio termo. Entre a vida e a morte.

Então o alguém disse que foi enviado para me chamar. Para que eu me alimentasse e outras baboseiras do tipo. Logicamente eu o expulsei e mandei dizer que sairia dali quando eu quisesse ou quando ela estivesse bem.

Passado mais três horas, agora 19, meu corpo nem sequer chegava perto de reclamar de algo. Meu corpo estava inerte, sem dor ou fadiga... Totalmente diferente da minha alma.

Foi por esse tempo que percebi que não havia prestado atenção se já havia passado uma noite. Eu não sabia, porque tudo para mim naquele momento era escuridão. Eu só contava as horas, apenas isso.

Foi por esse momento que senti vários chakras chegando às redondezas e imaginei que era Kakashi e sua equipe. E pensei que talvez aquele bastardo estivesse junto. Pensei na possibilidade de socar mais um pouco aquela maldita cara dele, mas mesmo assim não quis ir verificar, porque essas possibilidades não eram suficientes para me tirar dali.

Quando dei por mim, já havia passado mais de um dia naquele local. E sem que mais nenhum idiota viesse me incomodar. O segundo alguém foi o último.

Por esse tempo minha mente já não estava tão vazia. Comecei a pensar em tudo que havia ocorrido. E constatei que as coisas não ficariam boas para Sasuke quando eu o encontrasse.

Constatei que as coisas também não ficariam boas para a Sakura quando ela acordasse. Ora, ela havia se comportado idiotamente colocando meu bem mais valioso, ela mesma, em risco.

Quanto a mim, as coisas não estavam boas para mim desde o momento em que vislumbrei aquela cabeleira rosa se aproximando de mim e do Teme. E para mim, para meu castigo, basta minha culpa. Culpa por não ter sido capaz de socar aquela teimosa e cabeça dura se fosse preciso, tudo para mantê-la bem, e viva.

A raiva então se apoderou de mim. Mas não só ela. Também a indignação. A dor. O nervosismo. O medo. Pânico. Euforia.

Frus-tra-ção.

Quando as vinte quatro horas já haviam se estendido para mais de trinta, eu não agüentei mais. Notei todo aquele espaço a minha frente e então resolvi que era hora de gritar um pouco. Ao meu jeito, é claro.

E então lancei mão do Rasengan.

Afinal, destruir algumas coisas poderia me fazer bem.

NARUTO POV OFF

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Na tenda da Hokage

Ela estava quieta em seu canto. Com uma garrafa de saquê ao seu lado, se encontrava nesse momento massageando suas têmporas. Havia passado exatas doze horas na mesa de cirurgia para estabilizar o quadro clínico em que sua pupila se encontrava. Setenta e duas horas, esse era o tempo crítico em que ela ficaria num estado entre vida e morte. E por mais que ela conhecesse sua aluna, a força e determinação que ela trazia dentro de si, Tsunade tinha medo. Um medo profundo de que ela morresse, ela que era uma criatura tão bondosa, forte e determinada. Uma menina linda que merecia ser feliz e se tornar um dia uma linda mulher, realizada e feliz com suas escolhas.

Sakura merecia viver. E foi esse pensamento, essa certeza que a moveu nas doze horas em que esteve com ela naquela mesa de cirurgia, foi esse pensamento que a levou a gastar praticamente todo seu chakra para salvá-la.

E agora ela estava lá, entre a vida e morte. Inerte, com seus excêntricos cabelos rosados espalhados sobre o travesseiro. Ela estava entubada, dependendo de aparelhos para sobreviver e sob a vigilância constante de um médico.

Tsunade tinha a certeza de que Sakura merecia viver. E além disso ela tinha outra certeza: Sakura precisava viver.

Nesse momento de reflexão, e loira não conseguia deixar de pensar na dor que a morte dela causaria na sua própria vida. Ela que havia se tornado uma das pessoas mais próximas e importantes para si.

E é claro, Tsunade estava extremamente preocupada com Naruto. Com todas as reações que ele vinha demonstrando ter, desde que chegou com Sakura em seus braços, passando pela completa destruição da área próxima a onde eles estavam, até sua fúria ao encontrar Kakashi e seus companheiros.

TSUNADE FLASH BACK ON

“Ele ainda não saiu de lá? Até quando ele pretende se manter isolado Shizune?” Tsunade disse depois de tomar uma longa golada de seu precioso saquê.

“Ele está transtornado Tsunade. Eu não consigo achar outra palavra para definir essa situação. Estão todos muito abalados e distantes. E quanto ao Naruto, como eu disse, ele está num estado de espírito lastimável.”

“Eu sinceramente estou extremamente preocupada com as reações que ele está tendo e tenho muito medo de como ele reagirá e lidará caso...”

Ouviu-se então um forte barulho de uma explosão.

Tsunade assustada se levantou, ignorando seu precioso saquê. “Naruto” foi o que ela disse em tom pensativo, para em seguida se dirigir até a saída, em passos rápidos. Do lado de fora ela encontrou com todos os ninjas ali presentes, em alerta e prontos para uma eventual necessidade de ação.

Mais e mais explosões foram ouvidas. Ao longe, era possível ver a poeira levantada e a destruição que era propositalmente promovida.

Um grupo logo se prontificou a ir ver o que estava acontecendo, mas Tsunade os impediu. “Ninguém sai daqui”, ela falou autoritariamente. “Shizune, de olho em Sakura”, fechou os olhos e respirou fundo “Preparem algo para Naruto comer, providenciem roupas limpas e um lugar para ele descansar, porque daqui a pouco eu o trarei de volta para cá.” E em seguida saiu em disparada ao local das explosões com apenas um pensamento “Ele finalmente está colocando o que sente para fora.”

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Ele se encontrava num estado de espírito insano. Explodia árvores, pedras e o solo como quem estoura bolas de festa. Sem nenhum tipo de dificuldade ou remorso. Junto com seus jutsos disparados, ele gritava e urrava de raiva e dor. Estava colocando tudo para fora.

Foi essa a impressão que Tsunade teve quando o viu ao longe.

Ela esperou que ele parasse por um momento, para então se aproximar. “Ei garoto” foi o que ela disse. Ele ofegante não respondeu nada, continuando com suas mãos apoiadas nos joelhos, tentando normalizar sua respiração.

“Sabe. Finalmente você tomou uma atitude. Eu estava começando a ficar preocupada com sua inércia.” O loiro se prontificou a responder com apenas um resmungo “Hm” e não conseguiu evitar o lampejo de pensamento de que isso era muito a moda Sasuke.

“Shizune estava certa, ele está transtornado” ela pensou antes de continuar a falar. “Naruto, olhe para mim”, ela o pediu, mas ele sequer moveu um músculo do seu corpo, demonstrando que não pretendia obedecê-la. Tsunade suspirou cansada antes de prosseguir “Tudo bem, olhe para mim quando quiser e se você quiser. Mas preste atenção no que tenho para te dizer...”

“Eu não quero ouvir nada.” Ele respondeu secamente, agora com sua respiração quase que completamente normalizada. “Eu ainda não terminei”, e assim começou a movimentar seus dedos. Mas Tsunade o impediu, segurando suas mãos e fazendo com que ele a olhasse. Ele assustado com a atitude inesperada, a olhou com um misto de raiva e surpresa. “Escuta aqui garoto. Eu entendo o seu sofrimento. Eu também estou sofrendo e todos os amigos dela estão sofrendo.” Naruto lhe lançou um olhar de escárnio “Vocês não fazem nem a mínima ideia do que eu estou sofrendo. Não venha tentar me convencer que o sofrimento de vocês se compara ao meu. Sabe por quê?” e nesse momento ele soltou suas mãos do agarre de Tsunade e com raiva continuou a falar “Por que vocês não estavam lá. Por que vocês simplesmente não viram o que eu vi. Vocês não viram o alguém que deveria ser seu melhor amigo cravar uma maldita katana na pessoa mais importante da sua vida. E vocês não viram essa pessoa mais importante sangrando e morrendo. Vocês não se sentiram inúteis por não terem conseguido evitar isso. E nem tiveram que correr contra o tempo com a pessoa mais importante da sua vida em seu colo, entre a vida e a morte.” Lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ele falava, ainda que sua voz se mantivesse firme, alta e audível.

Finalmente, depois de exaustivas horas, o loiro havia enfim extravasado seus sentimentos conflitantes, não só por meio de palavras, mas também de lágrimas. Lágrimas que expressavam dor, angustia e medo. O medo de perder Sakura. Para sempre...

Tsunade apenas o escutava, com lágrimas nos olhos também, e sem ter coragem de dizer uma palavra sequer, afinal, por mais que fosse duro admitir, ela sabia que Naruto tinha razão.

“Eu não vi o sangue dela em nenhum de vocês. Eu não vi nenhum de vocês quebrando regras e ordens para mantê-la viva. Vocês não viram, não fizeram nada do que eu fiz, e por conta disso eu concluo que não sabem o que eu estou sentindo e muito menos tem noção da dimensão da dor, do medo e do desespero que eu sinto e venho sentindo desde o momento que vi Sakura pela primeira vez no meu campo de visão, intervindo pela primeira vez na minha luta com Sasuke, até esse momento aqui e agora. Ela está lá, viva, mas você não pode me garantir que ela ficará bem. Você não pode me garantir nada. Ninguém pode. Só o tempo e Kami-Sama podem fazer alguma coisa em relação a isso tudo. Então, eu não quero ouvir nada que você ou outra qualquer pessoa tenha a me falar, porque simplesmente o que vocês disserem não mudará nada.”

Tsunade suspirou cansada. Com lágrimas nos olhos e com a voz embargada ela se pronunciou “Só não seja injusto menino. Ela é importante para mim, para cada um de nós, talvez não na mesma intensidade e não da mesma forma, mas isso não desmerece o fato de que estamos sofrendo também. Eu não vim aqui para te pedir para não sofrer, ou para te julgar. O que eu queria aqui nem era te falar algo, ou te consolar. O que eu queria é que você colocasse tudo para fora, de uma maneira diferente de socos, chutes, gritos e jutsos destruidores. E isso você já fez.” Ele a olhou impressionado, e em sua mente ele pensou no quanto aquela mulher era perspicaz. Ela lhe lançou um sorrisinho de vitória, um sorrisinho triste, é verdade, mas teve um bom efeito. “Não se sente mais aliviado agora? Você não havia falado com ninguém sobre isso até agora, e colocar nossos sentimentos em palavras, por mais que seja difícil, faz bem.”

Ele não lhe respondeu nada, apenas lançou lhe um olhar um pouco mais calmo e com sua expressão mais suavizada resmungou mais uma vez a moda Sasuke em resposta. Ele não a olhava, fitava apenas o horizonte a sua frente. Estranhamente, não sentia mais vontade de destruir as coisas ao seu redor, e num movimento que expressava exatamente isso, ele suavizou inconscientemente a tensão em seus ombros e soltou um suspiro de cansaço. “Ela vai viver?” ele perguntou secamente, sem deixar de fitar um ponto qualquer a sua frente.

“Não sei.” Ela disse calmamente, da forma mais objetiva e sincera possível.

“Eu não quero que ela morra.” Ele disse emocionado.

“Nem eu Naruto. Nem eu...” Ela respondeu com um aperto no peito, sabendo que as chances dela viver eram bem menores do que as de morrer.

Ele cansado se deixou cair sentado ao chão. Com os joelhos flexionados, apoiou seu rosto entre eles, e voltou a chorar.Tsunade num gesto solidário sentou ao seu lado, e inesperadamente o trouxe para perto de si, fazendo com que ele apoiasse em seus ombros. Ela então acariciou seus cabelos, como uma mãe que cuida de seu filho choroso e triste. Ela não disse nada. Apenas ficou ali com ele, deixando que ele chorasse o quanto quisesse, permitindo-se chorar também. Quando ela percebeu que já era a hora, enfim se pronunciou mais uma vez “Nós temos que ser fortes. E estar preparados para o que vier” ela disse encarando os olhos azuis. Ele assentiu com um balançar positivo de sua cabeça. “Agora, vamos voltar para a base. Acredito que seja preciso que você tome um banho, se alimente e descanse. Afinal, depois disso eu iria te pedir para ficar de vigília junto a Sakura sabe. Eu não quero que ela fique sozinha, e eu e Shizune precisaremos descansar.”

“Desde quando se tornou manipuladora e chantagista Tsunade?” Ele perguntou sério. “Desde que as circunstâncias me obrigaram” ela respondeu. “Você não vai me deixar de vigília, eu não sou médico.” Ela soltou um pequeno sorriso mediante a constatação do loiro “Não, não vou deixar mesmo...” e com essa resposta ele a olhou confuso “...mas pode ser que eu deixe você visitá-la.” Naruto a olhou sério “Eu não quero ver e ter que falar com ninguém.” Tsunade o olhou brava, e como uma mãe que repreende o filho disse “Naruto, você precisa estar lá. E se ela acordar?” Ele então soltou um doloroso e angustiante sorriso “E se ela não acordar?” Tsunade então, com o coração apertado e com a voz forçadamente firme disse “Você tem que estar lá também.”

Ela saiu então com ele, em direção à base. Havia o convencido a voltar. No entanto, não conseguia deixar de sentir algo parecido com remorso, já que era ela a responsável por trazê-lo de volta a realidade, de certa forma o forçando a encarar algo extremamente doloroso. Ela se sentiu como uma mãe naquele momento, uma mãe que apesar da dor do seu filho faz a coisa certa, incentivando e convencendo-o de que fugir não adianta nada. De que é preciso ter coragem.

TSUNADE FLASH BACH OFF

“Shizune?!” ela chamou num tom baixo, que demonstrava preocupação. “Naruto dormiu?”

Meio sem graça e com ar de cansaço ela respondeu “Sim Tsunade. Eu consegui induzi-lo ao sono. Mas acredito que o efeito vai ser curto. Você sabe, a raposa.”

“Kakashi?” Tsunade o chamou uma, duas, três, quatro vezes. Mas ele não respondeu. Encontrava-se absorto de tal forma em suas memórias que simplesmente não conseguia ouvir ou perceber nada que acontecia ao seu redor. Ele simplesmente não estava pronto para sair de seu torpor.

KAKASHI FLASH BACK ON

Ao longe os ninjas avistaram Naruto caminhando ao lado da Godaime. Perceberam como sua áurea estava mais tranqüila e menos tensa.

Menos perigoso.

Kakashi em especial ficou aliviado ao constatar que apesar de tudo, Naruto estava bem. Por debaixo de sua máscara ele se permitiu sorrir, aliviado por ver seu aluno. Mas imediatamente o alívio de todos os ninjas ali presentes voltou a se tornar tensão. Assim que os ninjas que se encarregaram de auxiliar e interromper Naruto na sua luta contra Sasuke entraram no campo de visão do Uzumaki, ele como que ligou um botão. Um botão conectado a sua fúria.

Ele parou sua caminhada bruscamente, cerrou seus punhos. Seus ombros voltaram a se tencionar.

Tsunade como que por impulso colocou um braço a frente do loiro “Naruto, se acalme.” Ele continuou encarando cada um daqueles ninjas. Kakashi, Lee, Shizune, Sai. Fechou seus olhos e se concentrou em identificar os traços de chakra ali presentes. E nada. Nada do chakra dele. Quando abriu seus olhos eles haviam adquirido mais uma vez os traços de raposa. Sua face transmitia fúria. A mais pura e destilada fúria. “Onde ele está?” perguntou com uma voz ameaçadora, olhando diretamente para seu ex sensei.

Não foi preciso dizer mais nada para que todos ali presentes entendessem a quem Naruto se referia. E todos ficaram naturalmente assustados.

Tsunade percebeu que um braço seu estendido a frente do rapaz não seria suficiente, de forma que se posicionou a frente dele. “Respire Naruto. Não deixe a raposa te dominar.” Naruto então percebeu o olhar assustado da Godaime, assim como cada olhar que seu campo de visão lhe permitiu observar, e neles Naruto encontrou vários sentimentos, mas apenas um em comum, o medo. Ele então riu. Soltou uma gargalhada que só fez por aumentar o medo dos ninjas ali presentes. “Por favor! Kurama me dominar?” ele então parou de rir, olhou para Tsunade com um olhar sério e com o máximo de respeito que conseguiu ancorar a sua fala ele disse “Godaime-Sama, me deixe passar”, sendo que antes que ela desse passagem ele já havia saído do lugar onde estava, com passos firmes e determinados. “Isso não é a raposa. Essa fúria é minha. E agora eu quero saber onde está o maldito Uchiha!” ele gritou para os ninjas ali presentes, pousando seu olhar em específico sobre Kakashi. Entretanto, nenhuma palavra foi dita em resposta. “Está morto?”, ele disse olhando para a Hyuuga, e ela amedrontada foi apenas capaz de balançar timidamente a cabeça em negativa.

Foi então que tudo aconteceu como um relâmpago.

Naruto avançou sobre Kakashi, segurando pela gola de seu colete. “Onde está o Uchiha Kakashi? Você o deixou viver? Você deveria tê-lo matado, ou ter trazido aquele maldito para que eu o matasse.”

Kakashi ficou sem reação. Não conseguia entender o que havia acontecido para que Naruto mudasse tão radicalmente seu tratamento para com Sasuke. Ele sabia sim, que Sakura era um fator nesse caso, mas ainda assim, ele nunca imaginou ouvir tais palavras dele, do seu aluno, do menino de bom coração, de Uzumaki Naruto. Estupefato ele foi apenas capaz de balbuciar umas poucas palavras “Matá-lo Naruto? O que houve com você?” Naruto mais uma vez surpreendeu a todos rindo, para em seguida soltar Kakashi, que se manteve imóvel a frente do loiro.

“O que houve com o Naruto? É isso que tem passado na mente de vocês desde que cheguei aqui né? Prestem atenção todos vocês -e lançou seu olhar sobre Kakashi- eu e Kurama estamos em perfeita harmonia, logo, não há o que temer. Por isso, desfaçam essa cara horrorosa de vocês, de medo e seja lá qual outro sentimento que vocês tenham. Sabe o que houve comigo Kakashi? Você não sabe, porque você não estava lá. Ninguém aqui estava lá. E mesmo quem estava -ele olhou para Hinata- não pode entender toda dimensão do que sinto, porque não viveu o que vivi hoje.” Naruto fechou os olhos e respirou profundamente algumas vezes antes de continuar “Vocês me decepcionaram. Queriam me impedir de salvá-la. Não prenderam o Uchiha. E agora vem me perguntar o que houve? O que houve é que ele espancou, torturou e cravou uma katana nela. E não vi ninguém verdadeiramente, genuinamente disposto a ajudá-la. Eu vi regras, normas e ordens falarem mais alto do que o dever, o amor e o coração. Eu a vi quase morrer. Eu vi e senti o sangue dela. Eu não sei se ela vai viver. E eu quero que Sasuke pague por tudo isso, e ele vai pagar por tudo isso.” Ele terminou seu discurso e encarou cada um dos ninjas ali presentes, e seu olhar era acusatório. Sai e Lee que não o deixaram terminar de acabar com Sasuke. Shizune que relutou em curar Sakura. Kakashi que não queria deixá-lo trazê-la até Tsunade.

“Então é vingança que você quer?” um desconhecido gritou em meio à pequena multidão que se formara ali.

Naruto respirou fundo antes de responder, mesmo que tal ato não tivesse conseguido aliviar sua áurea raivosa “Vingança? Eu não quero uma maldita vingança. Olhem o que a vingança fez com cada um de nós. Foi por uma maldita vingança que a Sakura está quase morta. Eu quero justiça. Eu quero ainda encontrar com o maldito Uchiha e fazê-lo pagar por cada arranhão que ele causou nela, e se eu não encontrar arrependimento nos olhos dele, aí sim ele vai pagar com a vida.”

“Naruto” Tsunade chamou bem perto dele “Venha, vamos cumprir com o combinado” e o segurou pelo braço, guiando-o em direção a uma das tendas de repouso. A medida que eles passavam, as pessoas abriam caminho automaticamente, até que por fim eles entraram em uma tenda, mas não sem que antes o loiro falasse em alto e bom tom “Eu disse Tsunade. Eu disse que não queria ver ou falar com ninguém.”

E Kakashi, assim como todos ali presentes, ficaram ali parados refletindo sobre as palavras de Naruto. Refletindo sobre até que ponto falharam naquele dia.

KAKASHI FLASH BACK OFF

“Kakashi!!” Tsunade gritou socando a mesa, e enfim conseguiu chamar a atenção do ninja a sua frente.

“Perdão Godaime.” Ele disse um pouco sem jeito.

Tsunade percebeu o que estava acontecendo. “Você sabe que ele estava e está fora de si.”

“Eu sei Tsunade. Mas apesar disso, ele tem razão. É só que eu não imaginava que a Sakura fosse tão importante para ele, ao ponto de fazê-lo ignorar todos os princípios ninja.”

Tsunade lhe lançou um sorrido terno antes de se pronunciar “Kakashi. Pare e observe a situação. Você realmente se surpreendeu com o Naruto? Então te peço para deixar para mais tarde as reflexões sobre o comportamento de Sakura.” Kakashi a olhou assustado, com um olhar carregado de surpresa e dúvidas. “Eu pedi para deixar para depois”, ela o olhou carrancuda. “Mas vamos ao que interessa. Eu tive uma reunião com os outros Kages e com o Conselho Shinobi, e eu não consegui persuadi-los.”

“Como assim?” Kakashi e Shizune perguntaram juntos.

“Eles querem uma punição para Sakura, caso ela saia viva. Eles não gostaram nem um pouco da quantidade de regras que ela quebrou, e nem dos superiores que ela desobedeceu, ainda que, a intervenção dela tenha sido decisiva para a preservação da integridade física de Naruto. Não vou enumerar as acusações, mas ela, assim como outros serão punidos.”

“Então estamos todos juntos nessa -Shizune disse um pouco aliviada- não entendo sua preocupação Tsunade.”

Tsunade a olhou meio pesarosa “Não Shizune, vocês não estão juntos nessa. Sakura foi considerada o pivô de tudo, foi graças à primeira desobediência dela que se formou uma cadeia de transgressões as normas, regras e ordens. Por isso o castigo dela vai ser mais severo, e exemplar.”

“E você permitiu?” Kakashi perguntou secamente.

“Eu aliviei muito Kakashi. Mas mesmo assim, nem vocês e nem ela vão gostar disso e muito menos...”

“...Naruto”, Kakashi completou a frase que ficara solta no ar. Ele suspirou cansado, imaginando que tempo difíceis estavam por vir.

Continua... (na segunda, dia 7)

Espero por comentários!

Notas finais
Bem, só quero dizer que é muito grande esse capítulo!!!!! Bem que recompensa a demora... E o outro é enorme também....(Isso é bom ou ruim??? Me digam!!!)

E eu como vocês devem ter observado, eu usei "flash back" com o intuito de fazer a estória correr mais rápido. Sem enrolos. a ordem da vez agora é "Sem enrolo!!!" Tô doida para chegar na melhor parte!!!!!

Aí que acontece, depois do próximo a estória vai finalmente chegar onde eu quero. Mas, literalmente, quem vai ditar os rumos serão vocês. Portanto, conto com uma participação efetiva de vocês, leitores queridos!!!!!!!!!!!

Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!