Só Queria Dizer Que Te Amo...
21 Descobertas
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Nas proximidades de Konoha
Já era possível sentir a mudança dos ventos. O tempo nublado denunciava que em breve escureceria e que a lua não se mostraria imponente no céu. “Perfeito para provocar uma chuva” Sakura pensou se lembrando do seu treinamento com Mei na Vila da Água.
(...)
“Tsunade-Sama, mandou me chamar?” Tsunade a olhou de cima a baixo, como esperado, ela cumpriu suas ordens. “Sim Ino, eu mandei. Lembra-se que te expliquei tudo que a Mizukage nos passou sobre o estado mental de Sakura?” Ino acenou em concordância “Pois bem, nos portões da Vila ela será encaminhada para meu escritório e você a receberá aqui. Usará o justo necessário e fará um primeiro contato com a mente dela para saber melhor que dano é esse causado pelo genjutso, se é algo psicológico ou se foi algo físico. Entendido? Então, depois você explicará a ela que estamos todos envolvidos com a festa dos Hyuugas e que ela deve se encaminhar para um apartamento que reservamos para ela. E ainda hoje você me passa o que descobrir. De acordo?”
(...)
Já era noite, o céu como ela imaginava, continuava nublado. Com os olhos marejados ela parou mais uma vez naquela pequena estrada, observando os portões da sua amada Vila. Era oficial: ela estava de volta a casa. Quatro dias de viagem e enfim a recompensa: o ar de Konoha invadia e limpava seus pulmões e sua alma. Parou com os ninjas vigilantes, e sorridente se pronunciou “Haruno Sakura, minha chegada já era esperada.”
(...)
“Entre” e seus ouvidos treinados logo identificaram que não se tratava da voz de sua mestra. Ela empurrou a pesada porta de madeira e sentada no interior da sala estava alguém que ela não imaginava encontrar “Ino?” ela disse perplexa. A loira, emocionada se levantou e correu ao encontro da amiga “Sakura” e assim elas se abraçaram como forma de matar a saudade. Com lágrimas de felicidade a dona das madeixas rosas argumentou “O que faz aqui vestida para matar?”
Ino se afastou e deu uma voltinha típica de quem quer expor um figurino “Hoje é dia de festa em Konoha. Mas primeiro Tsunade me designou para cuidar de você. Venha, sente-se e me conte tudo.”
Capítulo 21: Descobertas
Sakura estava abismada. Não que ela não tivesse ficado feliz em ver sua amiga, longe disso, é só que ela esperava encontrar com Tsunade. Ela queria muito encontrar sua mentora, receber um grande abraço e sentir um pouco do familiar calor humano que irradia de pessoas queridas e importantes. Mas ela não estava lá, ela simplesmente estava fazendo algo mais importante que receber sua pupila que estivera dois anos fora devido a um exílio. “Tudo bem” ela pensou, “eu não sou mais uma criancinha.”
Mas era inegável que essa foi sua primeira decepção da noite.
No meio desse devaneio, a Haruno simplesmente se desligou do mundo ao seu redor, mais especificamente, da loira que chamava pelo seu nome já pela quarta vez. Na quinta pronuncia de “Sakura sua testuda, está me ouvindo?” ela como que despertou e direcionou sua atenção a Ino. “Ande Sakura, tire essa capa e sente-se aqui comigo”. Sakura a olhou de forma curiosa e em partes obedeceu ao pedido, afinal, ela não estava afim de tirar capa coisa nenhuma tendo em vista que não pretendia demorar por ali.
Então elas se sentaram frente a frente no pequeno sofá que compunha o cenário daquela tão familiar sala. Com um olhar dócil, beirando a complacência, Ino analisou a mulher a sua frente, procurou vasculhar os mínimos detalhes que marcavam o rosto, a expressão e a alma de sua amiga. Simplesmente soltou um suspiro quando percebeu que a tarefa de recebê-la não seria das mais fáceis.
Quanto a Sakura, ela optou por permanecer em silêncio. Sabia que não seria um momento dos mais fáceis de viver, era muita coisa para ser dita, era muita ausência para ser tratada. Decidida, ela olhava para Ino a espera que ela começasse a falar. E assim ficaram em silêncio por mais de cinco minutos. Foram várias as vezes que a loira abriu a boca e ameaçou se pronunciar, mas cada tentativa se silenciava com uma expressão de receio. Ino simplesmente não sabia o que dizer. Depois de muito tentar, ela por fim disse as palavras mais óbvias que podiam ser ditas “Eu sinto muito por tudo que aconteceu” e Sakura um pouco incomodada respondeu da maneira mais óbvia possível “Obrigada”. Com isso se seguiu mais algum tempo de silêncio, até que a impaciente Yamanaka explodisse em ansiedade “Não consigo sabe?! Não sei o que te dizer!”
Sakura bufou, mas não em descontentamento ou impaciência, longe disso, bufou porque estava meio tumultuada demais, era coisa demais para ela aguentar e resolver. Com um olhar compreensivo ela se pronunciou “Diga o que seu coração quer dizer. Despeje as palavras, como você costuma fazer. Pare de tentar selecionar o que vai dizer.” Ino a olhou com um ar de surpresa “Mas tenho medo de magoá-la” ela disse num tom baixo. Nesse momento a rosada bufou em irritação, cansada, deixou que seus ombros caíssem “Deixe de bobagens e me conte tudo, no fim das contas, ninguém melhor que você para me por a par da situação!”
Ino a olhou com um falso ar de quem fora caluniada “Está me chamando de fofoqueira?” pergunta que Sakura respondeu de forma zombeteira “Você não tem uma festa para ir?”. A loira assentiu em consentimento, respirou fundo e mentalizou o fato de que não podia ficar adiando o que devia ser dito, sendo assim, tomou mais poucos minutos, organizou sua mente e então enfim começou a falar o que era necessário. “Bem Sakura, como sabe Tsunade não pôde recebê-la e eu fui encarregada para tal. O motivo real para que eu esteja aqui e não qualquer outra pessoa é o fato de que a Godaime, sabendo dos danos causados –nesse ponto a loira hesitou– você sabe. Bem, em resumidas contas, o que ela quer é que eu faça um exame prévio em seu psicológico, para que possamos desde já começar a entender porque você tem tido pesadelos. Ela realmente se importa Sakura.”
Sakura ouviu tudo com um silêncio resignado. Sua garganta, diante da simples menção sobre os “danos” da “situação” que lhe ocorrera, seu estômago se embrulhou, seu coração apertou no peito e ela passou a sentir aquela sensação que preenche as pessoas quando elas estão angustiadas. Debilitada emocionalmente como estava, principalmente pelo fato de saber que alguém, mais especificamente Ino remexeria em seus pesadelos, Sakura fora incapaz de formular alguma frase que demonstrasse a Ino o que ela sentia diante de suas palavras proferidas. Angustiada como estava, fora capaz apenas de acenar em demonstração de entendimento. Mas sua amiga a surpreendeu quando segurou as suas duas mãos entre as dela, fazendo com que ela olhasse dentro dos seus olhos azuis, e foi somente quando Sakura olhou em seus olhos que ela tomou coragem para falar o que realmente queria dizer naquela noite.
“Sabe Sakura, as ordens de Tsunade foram claras: te receber, te examinar e reportar tudo a ela, mas eu não vou fazer isso Sakura, simplesmente porque você não é uma desconhecida.” E a rosada mais uma vez fora apenas capaz de acenar em consentimento. “Entenda bem, eu sei que não podemos colocar tudo em dia agora, eu quero que você esteja ciente que o que mais desejo é poder sentar com você, com tempo, e poder ouvir tudo o que você tem a dizer. Quero que você saiba também que não te julgo por nada e te acolho com toda minha sinceridade, eu senti sua falta sabe?!” A loira dizia com a voz meio embargada, e logo percebeu que Sakura dava sinais que a conversa continuasse por esse caminho muito em breve lágrimas rolariam dos olhos esmeraldas. “Olha, nada de choro aqui e nem agora, isso vai ficar para depois. Ok?! Veja, lá no campo de batalha, eu me lembro de quando você chegou e me lembro de como o Naruto estava. Quando ele chegou com você inconsciente eu me lembro de ter visto muito sangue, muita dor e desespero e também angústia. Ficamos todos apreensivos esperando que você acordasse, e temendo que você nunca mais acordasse. E o Naruto sofreu muito com isso.”
Sakura tentava ser forte e não chorar, mas ela não estava conseguindo se concentrar nessa tarefa. É que seu peito doía tanto e sua garganta estava tão embargada que sua mente não conseguia se concentrar na árdua tarefa de evitar lágrimas. “Bem, eu só sei que os dias passaram e Tsunade estava preocupada com ele, ela queria que ele voltasse para Konoha conosco e pediu que Hinata falasse com ele. Nós não sabíamos do exílio Sakura, ele não sabia. Ele só concordou em vir porque não sabia. Você nem imagina como foi para todos nós saber que te deixamos lá entre a vida e a morte para só te ver, caso você sobrevivesse, dois anos depois.” A ninja chorava, mas chorava de forma comportada, afinal, não queria se desmanchar mais uma vez, queria ser o mais forte possível para ouvir o que a loira tinha a lhe dizer.
Mas ela não podia mentir para si mesma. Saber que seus amigos partiram enganados, enganados por sua Sensei, foi sua segunda decepção da noite.
Ainda segurando as mãos de sua amiga, ela continuou “E depois ficamos sabendo melhor de tudo que aconteceu, de tudo, ou quase tudo que você fez, e o que Naruto fez. Soubemos sobre o Uchiha.” Nesse ponto Sakura baixou o olhar, e Ino segurando mais forte suas mãos, como em incentivo pediu que a kunoichi a olhasse “Eu não te julgo pelo que fez. Sei que você fez o que achou que era melhor.” Sakura abraçou a amiga e conseguiu murmurar um obrigada. Desfeito o abraço, a loira a encarou e mais animada disse “E dando um salto na história, hoje estamos aqui e você está de volta. Hoje por acaso também é o dia que a Hinata assume a liderança do Clã e por isso eu estou vestida assim. É também o aniversário dela e pode-se dizer que a festa da década está rolando agora no Clã Hyuuga.” O peito de Sakura se aliviou um pouco, o simples fato de mudar um pouco o rumo da conversa já era algo benéfico. Ficou feliz, sinceramente feliz pelo sucesso daquela que ajudou a salvar sua vida, daquela a quem confiou seu último pedido, quando pensou que morreria. “Então estão todos na festa da Hinata?”a rosada disse mais em afirmação do que em interrogação e por fim estampou um sorriso singelo e sincero que não passou despercebido por sua amiga “Por que o sorriso?” e a rosada com sinceridade respondeu “Eu gosto da Hinata”.
Na festa Hyuuga
Naruto estava em um canto meio isolado, com um copo de saquê em mãos ele não conseguia deixar de pensar que Sakura já poderia estar na Vila naquele momento. Pensativo como estava, não percebeu a anfitriã se aproximando de onde estava. Com seu jeito doce e com sua voz calma, ela chamou por seu nome “Naruto-kun”, e depois de repetidas tentativas, ela tocou delicadamente a mão masculina. Ao sentir o toque aveludado em suas mãos ele acordou de seu devaneio “Hinata-chan” e ela meio rubra sorriu em resposta antes de continuar a falar “Que bom que veio” e ele gentilmente e com toda a animação que podia reunir, respondeu “Claro que viria! Você está muito bonita” e ela mais ruborizada ainda agradeceu.
Ela usava um magnífico kimono branco, com flores azuis bordadas em sua barra e mangas, mescladas com igualmente belas flores de tom violeta. Seus longos cabelos negros estavam presos em um coque refinado, com uma flor branca dando o requinte final ao penteado. Nas costas de seu kimono, o símbolo do clã Hyuuga se estampava majestoso. Ela estava delicadamente linda. Simplesmente porque tudo que envolvesse Hinata Hyuuga tinha que ser delicado. Sua voz, seu olhar, seus jeitos, seu sorriso, suas roupas e até a forma como tratava seus amigos. Havia há muito superado sua timidez que tanto causava transtornos, também havia superado em muito a sua insegurança, mas em momento algum permitiria que sua delicadeza e suavidade se esvaíssem com seus defeitos, simplesmente porque eles eram suas maiores armas.
Antes que se despedisse de Naruto, ela agradecida o olhou e de-li-ca-da-men-te disse “Obrigada por aceitar dançar comigo” e o Uzumaki com toda a gentileza e carinho que sentia pela mulher a sua frente lhe respondeu polidamente “Não precisa agradecer”. E assim Hinata saiu, deixando Naruto mais uma vez divagando por seus pensamentos, observando o céu nublado e bebericando o seu saquê.
Na sala da Hokage
Ino meio receosa encarou a amiga e disse “Está pronta para me mostrar?”
Sakura silenciou mais uma vez. E a angustia mais uma vez voltou. É claro que não estava pronta, ela queria dizer. Ela queria dizer que não desejava nada daquilo. Ela podia exigir que a tirassem dali e a levassem para perto de quem ela realmente queria. Ela queria poder gritar que a dor e os traumas de tudo que o Uchiha fizera com ela, ainda machucavam demais e ela simplesmente não conseguia lidar com eles. Sem falar nos traumas de um exílio, de uma separação forçada e suas consequentes ausências e palavras não ditas. Queria explicar que estava com saudades de dizer aquilo que não pôde dizer, e também com saudades de viver o que ainda não pôde viver. Mas algumas dessas coisas ela não podia fazer, outras ela não devia e umas outras ela não queria. Por isso ela disse que estava pronta, afinal, quanto antes começasse tanto antes terminaria.
Sentando-se de frente para a Haruno, Ino fez os selos necessários, tocou na fronte da Haruno e pronunciou o jutso. No instante seguinte ela estava na mente de Sakura, e lá ela se deparou com uma Inner um tanto dócil demais, haja vista que conhecia bem a relutância da Inner de sua amiga. Ela se aproximou e pegou-a pela mão e com um sorriso terno lhe disse “Só me mostre. Apenas uma parte do que tem te atormentado nos últimos dias e depois eu vou embora” e a isso a inner Sakura respondeu com um fraco “Hai, eu te mostro”. Dito isso, a loira viu tudo girar em torno de si, para então se deparar com as cenas angustiantes que Sakura lhe permitiu ver.
E o que ela viu foi uma Sakura moribunda confessando seu amor por Naruto e uma Hinata prometendo transmitir o último pedido que lhe era feito. Ela viu Naruto ser atingido pela katana de Sasuke e Sakura gritar de dor. Viu sua amiga chorar pelo Uzumaki e gritar pelo seu nome. Viu a dona dos olhos de safira beijar ternamente os lábios ensanguentados do dono dos olhos cor do céu. Ela viu dor. Mas viu também o amor. Um amor desconhecido.
Quando deu por si inner Sakura já havia a expulsado e ela estava de volta ao ambiente da sala da Hokage. Sakura chorava copiosamente e num ato impulsivo Ino, também chorando, a abraçou. Meio desesperada ela acariciava as costas da amiga, e sem largar do abraço e nem do choro começou a dizer “Me diga por favor que tudo isso foi a memória de um genjutso. Por favor, diga que foi” e atordoada Sakura não entendeu o porquê daquelas palavras, no entanto, em meio ao choro, conseguiu dizer que não. E com o não por ela dito a loira entendeu que nem tudo era genjutso e isso fez com que ela chorasse ainda mais e sentisse ainda mais a dor que sua amiga sentia. A Yamanaka não tinha coragem de perguntar o que era e o que não era real, então esperou que ambas estivessem mais calmas e que a própria Sakura lhe falasse. Mas isso não aconteceu, a Haruno estava incapacitada para falar e entendo isso com o olhar que ela lhe transmitira, Ino fez a temida pergunta “O que era real?”
Sakura respirou fundo algumas vezes. Não entendia muito bem porque da angustia estampada no rosto da amiga e com muita dificuldade falou o que conseguiu “Hinata”. Ino entendeu que ela queria dizer da parte em que Hinata aparecia junto de Sakura. A Yamanaka respirou fundo com essa constatação e se negou a acreditar nas demais coisas que havia entendido por consequência. Mas ela não podia ignorar que sua mente trabalhava a mil processando a informação que Sakura, e ainda mais, não podia ignorar o que sua intuição lhe dizia. A Haruno assustou-se com o espanto que a Yamanaka demonstrava e sem conseguir formular muitas palavras chamou por ela, na tentativa de captar sua atenção “Ino!”. A loira sabia que precisava tirar a prova, e atendendo ao pedido de Sakura ela segurando o choro fez a pergunta que temia ter a resposta “Sakura você ama o Naruto como quem ama a um irmão?” E diante de tal pergunta Sakura sentiu seu coração afundar no peito, e assim como Ino, entendeu subitamente muitas coisas com aquela pergunta, mas sua mente e seu coração se negavam a acreditar. Ela olhou espantada para Ino, transmitindo com sua expressão incredulidade e indignação.
E por mais que quisesse não acreditar, essa foi sua terceira decepção da noite.
Reuniu todas as forças que tinha e perguntou meio vacilante, bem baixinho, num sussurro rouco “Por que está perguntando isso?” e com essa pergunta a loira soube que não precisava de mais nenhuma prova, soube que realmente tinha entendido tudo, que finalmente as peças haviam se encaixado. Mas o tempo lhe ensinou a ser cautelosa e objetiva.
“Me responda Sakura!”
Atônita ela veementemente disse “Não!”
Ino gelou inteiramente e seu estômago afundou em angústia. “Como você o ama?”
Diante da pergunta Sakura demonstrou incompreensão e surpresa. “Co-como assim?” ela estava ficando muito nervosa e temerosa com o rumo da conversa.
“Ora Sakura! Se você não ama um homem como um irmão, o ama como um...” e deixou a frase no ar para que Sakura completasse.
A rosada não queria aceitar o que a lógica colocava diante dos seus olhos. Se antes havia dor e angustia dentro de si, pouco a pouco elas cediam espaço para o desespero. Nervosamente ela começou a gesticular “Se eu não amo um homem como um irmão, eu ama como um... como um... como um homem oras! Eu amo como uma mulher ama um homem que não é seu irmão... e...” com a respiração descompensada ela viu Ino se levantar em um supetão com feições atordoadas e com uma das mãos em frente a boca, num típico gesto de espanto.
Ela via sua amiga se encaminhar para o lado da janela, soltando muxoxos ora de indignação, ora de incredulidade. Nervosa ela não conseguiu se levantar “O que está havendo Ino?” mas a loira não a respondia “Ino, por Kami-Sama, me diga o que está acontecendo aqui?” e a Yamanka apenas murmurava “eu não acredito...” tomada por uma onda de ansiedade Sakura se levantou e foi até a amiga, segurou-a pelos ombros e fez com que ela lhe olhasse, sacudindo-a a cada palavra pronunciada “Por que me perguntou aquilo? Diga Ino” e chorando Ino soltou as palavras “Por Kami-Sama Sakura” e em seguida a abraçou.
Só que a Haruno não queria abraços, ela queria entender o que estava acontecendo. Ela precisava de palavras que lhe dissessem o que acontecia na realidade, simplesmente porque não podia acreditar naquilo que sua intuição e raciocínio lhe mostravam. Bruscamente desfez o abraço e quase que gritando disse “Me diga!” e soltando-se do agarre de Sakura, levando as mãos à cabeça, num típico gesto de desespero ela finalmente disse “Mas não foi isso que ela disse a ele Sakura” e não era preciso que mais nada fosse dito. Sakura soltou um ruído de descontentamento e com uma feição de quem acaba de ver a verdade desenhada diante dos olhos, ela pronunciou abobadamente “Fui traída...”
E essa foi a quarta e mais dolorosa decepção que sofrera naquela noite. Ela fora traída.
Depois sua face passou para a expressão de surpresa “Fui traída...”
Depois indignação “Fui traída...”
Depois raiva “Fui traída.”
E por fim, determinação “Fui traída.”
No momento em que o olhar de Sakura encontrou o de Ino, ela soube que a festa seria agitada e que ela, Yamanaka Ino, não tinha mais nem um pingo de vontade de estar na festa da década a não ser que fosse junto de Sakura. E bastou que se passasse alguns segundos para que a rosada se dirigisse até a porta da sala, sem dizer uma palavra sequer. Ino correu a seu encontro, postou-se a sua frente e muito séria disse “Você acabou de voltar de um exílio, não vá fazer nada que te leve de volta para lá ou para a prisão de Konoha.” A expressão da Haruno era determinada, em seus olhos a Yamanaka viu que a dor havia sido substituída pela determinação, pela força e pela coragem. Ao aviso da loira, a rosada respondeu de forma decidida “Confie em mim Ino e não interfira. Eu não vou fazer besteira.” E assim ambas se direcionaram até o clã Hyuuga.
Continua...
Gente! O próximo já está prontinho! Posto amanhã mesmo, MAS eu quero muito mais do que 6 comentários né???
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