Só Por Uma Noite

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Notas iniciais
Boa Leitura!

'Eu procurei em outros corpos encontrar você
Eu procurei um bom motivo pra não, pra não falar
Procurei me manter afastado
Mas você me conhece eu faço tudo errado'

Alice Narrando:

Acordei com a pouca claridade que passava pelo fino pano da cortina. Peguei meu iPhone e o liguei. A primeira coisa que procurei saber foram as horas. 7:10 am. Eu ainda tinha uma hora para a escola. Suspirei pesadamente. Últimas semanas de aulas, fim de ano, sexta-feira era o dia de hoje. Me arrastei até o banheiro e me olhei no espelho... Eu estava horrível. Me despi e tomei meu banho. Logo em seguida fui até o closet, e escolhi uma roupa. Me vesti com uma saia rosa de babados, uma blusa branca, um salto alto preto e uma bolsa da mesma cor... Terminei de me vestir e fui até o banheiro novamente, dessa vez para fazer uma maquiagem, que foi somente uma base para esconder as olheiras, uma sombra branca e um gloss na cor coral.

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Me olhei e sorri com o resultado de hoje. Fui até a janela do meu quarto e puxei as cortinas. Olhei para a janela de frente a minha. A cortina estava aberta, e não havia sinal de alguma movimentação. Ele com certeza já havia saído. Desci as escadas e dei 'bom dia' para Elisa, uma das criadas. Perguntei pelos meus pais e ela disse que eles já haviam saído. Respirei fundo... Eu já havia me acostumado. Fui até a cozinha e tomei meu café da manhã, e logo quando terminei me chamaram e disseram que o meu motorista já me esperava. Entrei na grande limusine e esperei até chegar na escola. Sai do carro e atravessei o portão. Como eu queria, todos me olharam, menos uma pessoa... A que eu mais queria que tivesse olhado. Suspirei pesadamente e o sinal tocou. Me encaminhei até a sala onde seria a primeira aula. Entrei na sala e sentei no lugar de sempre. Logo ele adentrou a sala. O observei andando até a sua mesa, que ficava logo a minha frente. Ele... Sempre com o seu sorriso radiante. Ele se sentou e eu suspirei pesadamente, abaixando a cabeça logo em seguida. Mesmo sem olhar eu soube que ele olhou para trás.

[...]

Alice Narrando:

Eles me olhavam, cochichavam, e a pergunta era: 'Por que ela está sentada sozinha?' Mais uma vez eu o estava observando. Ele sorria... Como sempre. Minha atenção foi tomada pela garota que andava em direção a sua mesa. Ela se aproximou dele, e sussurrou algo em seu ouvido, algo que lhe arrancou uma gargalhada. Continuei o observando. Ele voltou seus olhos para mim, mas logo eu desviei o olhar, abaixando a cabeça. Senti uma presença do meu lado. Olhei para a pessoa, e voltei a abaixar a cabeça.

XX: Você precisa esquece-lo.

Alice: E você acha que eu não sei?

XX: Você já tentou, tipo mesmo mesmo?

Alice: Será que você não pode nem me deixar em paz?

XX: Tarde de mais! — Olhei em volta, Roberta vinha abraçada com Diego, e Tomás fazia careta atrás deles.

Diego e Roberta se sentaram um do lado do outro, e Tomás do lado de Carla.

Tomás: Ainda bem que achei você Carlinha, eu não tava aguentando ficar de vela. — Eles se beijaram, e Carla interrompeu o beijo.

Carla: Tava aqui falando com a Alice. — Piscou para mim e eu revirei os olhos. Eles ficaram no agarra-agarra assim como Diego e Roberta.

Alice: Odeio ficar de vela!

Me levantei e sai andando.

Andei pela escola toda... O intervalo nunca foi tão longo! Encontrei em uma parte um pouco afastada da escola. Passei pelo monte de mato que havia ali, e encontrei um pequeno e lindo jardim. Havia uma árvore, e em cima dela uma casinha. Em um galho, havia um daqueles balanços de pneu, sabe? As flores diversas e coloridas no chão... Me sentei abaixo da árvore... Não sei por quando tempo fiquei alhi, mas eu não me importava. Observei o tempo, pensei na vida. Por que era tudo tão difícil? Por que eu gostava tanto dele? Ele que não saia da minha cabeça. Observei uma pequena trilha, que não ia muito longe. Me levantei, e a segui. Encontrei um lugar diferente, parecia um depósito. Me aproximei, e empurrei a porta, que não emitiu nenhum som. Adentrei de vagar o lugar. Havia uma parede, com outra porta, mas esta estava aberta. Atrás desta porta havia uma estante, com alguns produtos de limpeza, e apoiado nela havia algumas vassouras, rodos e esfregões. Me aproximei da porta, e o vi... Ele não estava sozinho, estava com sua namorada, e o que faziam não era apropriado para se fazer em uma escola.

Eles se beijavam com volúpia, eu podia ver o volume na calça dele, e ela já estava sem sutiã. O que eles iriam fazer ali eu já sabia. Os observei por mais um tempo, e lágrimas já rolavam pela minha face. Mesmo não querendo ver aquilo o meu corpo não me obedecia. Eu queria correr, e esquecer aquilo, mesmo que fosse impossível. Juntando muitas forças eu consegui dar um passo para trás, um passo que foi suficiente para derrubar várias coisas: o que estava apoiado na estante e também o que estava em cima dela, fazendo um baita barulho. Logo que seus rosto iam se virar para ver quem estava ali eu corri... Cori até não pode mais, corri até não ter mais forças, corri até já ter chegado em casa. Subi as escadas e me joguei na cama do meu quarto. Chorei por muito tempo.

Ele não sabia como isso doía em mim, mas a final, ele nem sabia que eu existia! Por mais que eu fosse Alice Albuquerque, ele era Pedro Costa, e isso era muita para mim. Por mais que eu me arrumasse, que eu tentasse chamar atenção, eu nunca teria a atenção dele. Perdi a noção de quanto tempo eu fiquei ali, com a cara afundada no travesseiro, e chorando. Mas tenho certeza que foi por muito tempo, pois quando parei e olhei para a janela, o vi do outro lado, ele já estava em casa... A casa ao lado da minha. Porque diabos ele tinha que morar justo ao meu lado? Porque diabos a janela dele tinha que ser de frente a minha? Peguei o iPhone e olhei... Haviam várias mensagens perdidas, algumas de Roberta, outras de Carla, algumas até de Tomás, e VÁRIAS de Diego. Sorri, era legal a preocupação deles comigo, legal mas chato ao mesmo tempo, até porque as vezes tudo que queremos é ficar sozinhos.

Puxei a cortinha, e sentei na minha cama, a janela dele estava aberta. O observei por muito tempo... Ele estava tocando violão. Não prestei atenção na letra, ou em qual música era, eu só fiquei ali, curtindo aquele harmonioso som. Vez ou outra ele me lançava olhares, mas logo voltava sua atenção para o violão. Ele terminou de tocar, deixou o violão na cama, veio até a janela e a fechou, mas antes me lançou um sorriso, e ah, que sorriso! Logo em seguida fechou a janela e puxou a cortina. Peguei o meu violão e comecei a tocar.

'Eu procurei em outros corpos encontrar você
Eu procurei um bom motivo pra não, pra não falar
Procurei me manter afastado
Mas você me conhece eu faço tudo errado'

Continua...