Só Pode Ter Alguma Coisa na água!
7 Capítulo 8
POV CARLISLE
Carlisle estava se arrumando para ir até a cidade. O tempo ainda não estava tão frio, parecia que o inverno iria se atrasar um pouco.
Ficara de se encontrar com Esme ali, para que eles escolhessem e discutissem já a lista de convidados para o Natal, o cardápio da ceia, e o que dariam para as \"crianças\", de presente. Isso pq eles ainda estavam em princípios de outubro...
Esme era uma mulher muito ocupada. Ainda muito bonita, era contratada para alguns desfiles, mas a principal ocupação era a cadeia de lojas que possuía, que levavam a sua marca.
Entre o trabalho dele, e o constante vai e vem do trabalho dela, pouco se viam. Na verdade, aquilo não incomodava nem a um, nem a outro, visto que há muito tempo, o casamento deles vinha sendo só de fachada. A atração sexual que havia entre eles no início do casamento não mais existia, e hoje eles eram somente como amigos mais chegados que, vez ou outra, se relacionavam. Ela não ligava se ele se relacionasse com outras mulheres, desde que fosse discreto (pelo menos era o que ele pensava) e ele tampouco se importava que ela agisse assim também (o que ele nunca soubera que ocorrera alguma vez).
Isso trouxe à mente de Carlisle algo que ele tentava esquecer. Que acontecera no dia anterior.
FLASHBACK
Ele terminara de dar a aula para o penúltimo ano, quando sentiu uma sombra acima de si e enxergou Lauren, a melhor amiga de Rose. Olhou em volta e viu que todos os demais alunos já haviam ido embora.
A garota tinha os 3 primeiros botões da blusa abertos, e os longos cabelos presos em um rabo de cavalo bem alto, com alguns fios soltos.
Ela rodeou a mesa e se postando ao lado dele, abaixou-se, deixando o rosto de Carlisle a poucos centímetros de seu decote.
- Tio Carlisle... eu gostaria que o sr. me explicasse de novo aquele lance dos compostos orgânicos... não entendi bem.
- Srta. Wilde — ele disse, tentando soar profissional — aqui nessa escola, eu não sou o tio Carlisle. Eu sou o Professor Cullen.
- É verdade... me desculpe, professor — ela disse, mordendo o lábio inferior, num meio sorriso, atraindo o olhar de Carlisle para os lábios cheios.
Ela sentou-se na mesa, as pernas meio entreabertas, a saia subindo um pouco, o que o deixava entrever boa parte das coxas da garota.
Ele fechou os olhos e procurou se concentrar em qualquer outra coisa. Aquela era a garota que ele conhecia desde bebê, a filha do Wilde, por Deus! Se fosse ao contrário, se Wilde tivesse pensamentos com a sua filha, com Rose, ele o mataria no mesmo instante!
- O que posso lhe aconselhar, srta. Wilde, é que tome aulas particulares com algum aluno de ano mais avançado. Eu tenho muitos outros compromissos, e se fosse dar atenção especial a cada um dos alunos, eu não conseguiria dar conta de todos.
E levantou-se.
- Obrigada professor. Vou seguir o seu conselho. Tchau! — e ela deu-lhe um beijo no rosto que quase beirou o canto da sua boca, dirigindo-se em seguida, à porta, meneando os quadris.
Fim do Flashback
Até agora esses momentos martelavam na cabeça de Carlisle. Isso era errado, muito errado...
Tinha de fazer qualquer coisa para tirar aquela garota da cabeça. Aquilo era insanidade!
POV ALICE
Definitivamente, ela estava louca! Como pôde fazer um acordo daquele calibre com o Cullen? Tudo bem que ele era seu amigo, mas escrúpulos não eram exatamente a marca pessoal dele. Se a sua mãe estivesse viva, era fato que teria um ataque cardíaco com o comportamento da filha. Talvez ela tivesse mais de Emily em si do que imaginava...
De qualquer maneira, já era tarde demais para voltar atrás.
Ela não poderia deixar aquilo passar batido, ela faria alguma coisa, mas não naquele dia. Tinha de fazer ainda o trabalho de literatura. Escolhera como tema, horóscopo e astrologia.
\"Mon Dieu, por que eu fui escolher justo esses temas? Agora estou eu aqui, estudando, enquanto todos estão passeando na cidade! Por quê? Porque existem uma paulada de constelações e todas elas têm efeito sobre a personalidade de uma pessoa... e o pior: eu tenho que estudar todas!!!! Que ódio...\", murmurou enquanto folheava um pesado livro que pegara na biblioteca.
A garota não sabia, todavia, não estava sozinha. Um par de olhos negros a encarava, e seu dono foi se aproximando aos poucos da jovem, sem emitir qualquer som. Quando já estava perto o suficiente, fechou o livro que ela consultava com um estrondo, de modo a assustá-la.
A francesa, rapidamente, virou-se para encará-lo. Ao ver perpassar pelos olhos dela um brilho de reconheciomento, abriu um sorriso de escárnio.
- Não é possível...- sussurrou espantada, arrancando dele mais um sorriso de lado.
- Sentiu minha falta, chérie?
- Como você me encontrou aqui? — exigiu saber Alice.
- O mundo não é engraçado, mademoiselle? Você que veio ao meu encontro...
- Como assim? — perguntou ao ajeitar-se na cadeira em uma tentativa frustrada de se afastar de seu interlocutor.
- Elementar, minha cara... Eu sempre estudei na Forks.
- Mas... mas... — tentou replicar confusa.
- Isso tudo é emoção de me ver? — indagou ao soltar um riso frio.
- De jeito nenhum, Gewandsznajder. O máximo que você pode causar em alguém é nojo, mas, em geral, é indiferença mesmo.
- É, Licezinha... Meu pai tem razão ao falar que você se parece, e muito, com \"his dear Lizzie\", sabe até responder torto.
- Não fale assim da minha mãe!
- Oh! Claro que não... Ela era uma aristocrata pura, já o seu pai...
Ela já sabia o que estava por vir: diversas provocações e insultos. Será que aquele guri não sossegava?
Era muito pedir para que deixasse a memória de seus pais em paz? Esse pensamento fez seu rosto ficar vermelho.
- Nossa! Tão brabinha... Sabia que você fica até bonitinha assim? — dizendo isso, ele chegou perto dela. Perigosamente perto... — Então, princesinha, vai fazer o que sem os amiguinhos por perto? Hã?
\"Maldita hora que eu fiquei nesse lugar sozinha...\", pensou.
- Então? O gato mordeu a sua língua, é? -outro riso sem emoção. Quando seus olhares se encontraram, Alice sentiu um arrepio subir pela sua espinha.
- Parece que agora os Gewandsznajder vão ter a sua revanche não? Sua mãe deve estar se revirando no túmulo agora, chérie.
- Eu sempre disse para vovó que a sua família não prestava. Pena que ela nunca me ouviu.
O jovem ficou furioso com o comentário, puxou-a pelo braço e tacou-a no chão. A garota ficou momentaneamente paralisada pelo susto, mas logo se recuperou e tentou engatinhar para longe dele. Contudo, não obteve êxito, teve os seus cabelos puxados, sendo forçada a se levantar.
Cada centímetro que ele se aproximava dela era um suplício. O que aquele louco faria? Ficou assustada com a idéia do que viria a seguir e começou a se debater freneticamente, o que não foi uma solução inteligente, posto que acabava por machucar-se mais ainda.
No auge de seu desespero, ela sentiu uma ponta de esperança ao ver um vulto entrar na sala. Talvez conseguisse ajuda. No entento, tão rápido quanto surgiu, esse sentimento se dissipou ao reconhcer quem era.
\"Cullen errado... \", pensou, deseperada.
POV EMMETT
- Bella, vai ficar aí batendo papo? Vc tem o tempo todo pra isso durante o passeio!
- Cruzes, Emm, que coisa! Parece que vai tirar o pai da forca!
- Vc sabe que eu odeio esperar. E vc já demorou muito pra se arrumar. Se já não fosse tão tarde, aliás, eu mandaria vc voltar e trocar essa roupa!
- Sem essa, Emmett! A saia não é tão curta assim!
- Mas o decote nas costas dessa blusa aí é tão grande que parece que nem tem pano!
- Vc não está com pressa? Então desencana. — disse a irmã, sentando-se na garupa da Kawasaki ninja de Emmet, que ele ganhara de presente do avô e tivera permissão pra trazer.
Ele acelerou a moto e tratou logo de deixar a irmã em frente à uma loja de doces, antes de se encaminhar para o bar Unicórnios Galopantes.
Flashback
\"Julieta e Romeu\" estavam sentados na escuridão da sala de astronomia na noite de quinta feira.
- Eu tenho de te contar uma coisa sobre mim...
- Hum... confidências?
- Então... é que eu canto. Canto e toco guitarra.
- Isso é bem bacana!
- Mas não é só isso. Sábado, na visita à cidade, eu vou cantar em um bar.
- Você? Cantando num bar?
- Não tira sarro! Nem o meu irmão sabe, aliás, ninguém mais sabe.
- Fico lisonjeado que confie em mim.
- Eu queria saber se vc gostaria de ir lá assistir. Vai ser no \"Unicórnios Galopantes\". Você vai?
- Vou fazer o possível pra estar lá.
E deu um beijo na garota.
Fim do Flashback
Ele deu uma disfarçada e levou a moto pra estacionar em um local mais afastado. Viu Jasper entrando com Christine na doceria onde tinha deixado Bella. Estava feliz pelo amigo, mas sabia que ainda não era o ideal pra ele. Não adiantava namorar uma garota gostando de outra. Só ia fazer os dois sofrerem.
Colocou um boné na cabeça, óculos escuros e se encaminhou para o local onde Rose faria o show.
Entrou pela porta e sentou-se numa mesa mais ao fundo. Ela estava no palco, usando uma peruca preta, estilo channel, talvez como disfarce, a família era bem conhecida na cidade. Se preparava para começar a cantar e procurava por alguém na platéia. Teve de se conter pra não levantar a mão e se denunciar. Havia por ali mais alguns rapazes novos, nenhum que ele conhecesse da escola, então não teria jeito de ser reconhecido.
Ela estava com uma blusinha de renda sobre uma calça jeans justa e sandálias de salto alto.
Os primeiros acordes se fizeram ouvir e ela falou.
- A primeira música é para uma pessoa muito especial. Espero que vc esteja aqui ouvindo.
OBRIGATÓRIO: http://www.youtube.com/watch?v=6sfjIhWbOJA&p=6A4ACDD11AF1BFEA&playnext=1&index=41
Emmet sorriu. A voz dela era maravilhosa e mal podia acreditar que ela estivesse expondo tanto de seu íntimo como fazia agora. Cada vez mais se convencia de que Rose era uma caixinha de surpresas.
Os caras presentes babavam. Ela era realmente linda. Mas ele se sentia bem ao saber que somente ele importava pra ela.
Sabia que tinha de se revelar, mais cedo ou mais tarde. Quanto mais o tempo passasse, pior ficaria. Ela começaria a questionar o mistério, e aí mesmo é que ele a perderia. E não podia se arriscar. Estava começando a se apaixonar por ela, se é que já não se apaixonara.
Por um acaso do destino, desviou os olhos para a janela e seu sangue gelou. Carlisle Cullen e a esposa estavam se encaminhando justo pra lá! Não queria nem pensar no que aconteceria se o pai de Rose a pegasse ali, em cima daquele palco, cantando!
Então fez a única coisa que achou ser possível naquela hora. Correu, pulou no palco e agarrou Rose, colocando-a por sobre os ombros e correu pra porta dos fundos, saindo com ela à toda por ali, enquanto ela o socava nas costas, gritando para ele soltá-la.
Quando já tinha uns 500 metros de distância ele a colocou no chão.
Ela o olhou confusa, e, num repente, arrancou o seu boné e o óculos.
- Swan?! Mas o que é que vc pensa estar fazendo? Aliás, o que é que vc estava fazendo na Uni...
Ela se calou, como se de repente tudo fizesse sentido na sua cabeça.
Emmett, não conseguindo dizer nada, colocou a mão no bolso e tirou a correntinha, mostrando-a a ela.
- Romeu... VOCÊ é o Romeu?
Ele somente fez que sim com a cabeça. Pensou que ela fosse socá-lo, estapeá-lo, fosse o que fosse. Mas somente ouviu a voz dela, num tom de decepção.
- Vc quis brincar comigo, não foi? Foi tudo uma grande brincadeira... enganar a idiota da Rose, fazer a grande esnobe se apaixonar por vc...
- Não! Não foi nada disso!
- Pois eu te odeio, Swan! Vc não vale nada! Acha que pode sair por aí, jogando com a vida das pessoas?! Vc não estava satisfeito com a Alice não? Vai lá, corre, ela deve estar sentindo falta dos seus beijos com gosto de menta e...
Emmett não aguentou e puxou a menina para um beijo. No desespero de tentar mostrar a ela que aquele sentimento não era uma mentira. Por um momento, ela se entregou, mas depois, como que lembrando quem ele era, a garota o empurrou e saiu andando, rumo a escola.
Emmett correu, pegou a moto e começou a segui-la.
- Rose, sobe na moto.
E a garota ia se equilibrando como podia nos saltos altos, andando pelo terreno acidentado.
- Vc devia ter ficado quieto e me deixado lá, cantando.
- Seus pais estavam prestes a entrar no bar. Eu deveria ter deixado eles te pegarem no flagra?
Ela titubeou.
- Qualquer coisa seria melhor do que saber a panaca que eu fui! Mas melhor agora que depois!
E continuou andando.
- Rose, o caminho é muito longo, deixa que eu te levo!
- É Cullen pra vc, Swan! E eu me viro muito bem sozinh...
De repente o pé da garota virou e ela percebeu que não conseguiria apoiá-lo no chão, tamanha a dor.
Emmett pegou-a no colo, colocando-a à sua frente na moto.
- Pare com isso, me larga!
- Agora chega! Pare de agir como uma garota mimada e aceite que não ia conseguir chegar sozinha ao colégio!
Ela bufou, mas se aquietou.
Quando chegaram à escola, ele a pegou nos braços e a levou até a porta dé entrada, quando ela falou que já podia andar, com dificuldade, mas podia.
- Estou esperando vc na nossa sala, às oito da noite. Acho que nós precisamos conversar.
- Não sei se eu vou.
- Vou ficar esperando. Vc sabe tão bem quanto eu que temos de resolver as coisas entre nós.
- Não existe nós, Swan!
- Vc acha mesmo que não?
E dando um selinho nela, se encaminhou para seu dormitório.
POV BELLA
Bella saltou da moto e se encaminhou rapidamente para a entrada da doceria, onde havia marcado de encontrar Angela.
Pouco depois, as duas saíram de lá e o primo de Angie, Eric, chamou a amiga pra conversar, de modo que Bella ficou sozinha um tempo, dando umas voltas.
De repente, uma mão puxou-a para trás da doceria, e sentiu um corpo pressionado ao seu.
- Cullen! O que vc pensa que está fazendo?
- Continuando o que vc começou há uma semana atrás, Swan... — ele disse, o hálito esquentando sua orelha.
- Eu não começei nada na semana passada, imbecil! Eu só estava provocando o meu irmão!
- Vc sabe, e eu também sei que teve mais que provocação naquele beijo. — e enquanto ele falava, suas mãos percorriam as costas nuas da garota, e sua boca percorria seu pescoço.
Ela tava começando a ficar mole e sabia que isso não podia acontecer. Afinal, aquele era o Cullen, o cara mais galinha de todo o colégio! E ela não iria ser somente mais uma naquela lista enorme dele.
Juntando toda a sua força de vontade, ela o empurrou.
- Vc está achando o que, Cullen? Que eu sou mais uma dessas garotas que se desmancha cada vez que vc dá um sorriso? Essas descerebradas que concordam com cada coisa que vc fala? Não vou te dar o gosto de figurar na sua lista telefônica!
- Se é assim que vc quer... — ele deu a volta e sumiu.
Ela respirou fundo, tentando se recompor, e dois minutos depois tomou o mesmo rumo.
Se encontrou com Angela, que indicou algo com a cabeça a ela.
- Olha só, vê se pode isso...
E Bella enxergou Edward de agarração com Jessica Stanley, a mais metida aluna do penúltimo ano (tirando Rose, logicamente), a quem Angela não suportava, pq tinha namorado seu irmão mais velho e aprontado com ele.
Bella sentiu-se meio decepcionada. Andava pensando mais em Edward do que seria recomendável durante aquela semana, e sabia que o melhor seria ficar longe dele, como havia feito. Mas algo nela, no fundo, tinha a ilusão de que o rapaz poderia ser melhor do que aquilo, do que ele aparentava para o mundo.
Mas não. Um cara capaz de tentar ficar com uma garota e menos de cinco minutos depois estar agarrado a outra, não merecia a mínima confiança.
O que melhorou mesmo seu ânimo, foi que Angie não deixava as coisas barato. Quando as duas passaram por eles (e Bella notou que Edward olhou para ela quando isso aconteceu), Angela soltou bem alto:
- Será que a Stanley contou pra ele que ela sofre de herpes e hoje uma despontou bem no canto da boca?
Bella riu discretamente, quando, pelo canto do olho, viu o Cullen afastar rapidamente sua boca da da garota. Isso é que dava sair beijando Deus e o mundo sem critério nenhum...
POV EDWARD
Somente quando Bella e sua amiga estavam distantes o suficiente, foi que Ed empurrou Jessica pra longe, limpando a boca.
- Ficou maluca, garota? Agora vou ter que correr atrás de um remédio pra herpes! Eu mereço, Deus, eu mereço!
Sem esperar uma resposta da menina, ele se afastou, entrando em uma farmácia.
Enquanto andava, pensava no seu dia até ali, e sorriu de um jeito torto.
- Ai, Swan... — sussurrou baixinho, e as pessoas que passavam por perto nem ao menos conseguiram escutar algum som vindo dele.
Não negava pra si mesmo que havia gostado mais do que deveria do beijo de Bella. Ele só não entendia pq havia sido tão... especial? Não, não especial, disse pra si mesmo. Apenas diferente. Talvez fosse apenas um talento da menina. É, deveria ser isso. Ela beijava muito bem, e ele, como um bom homem, sentia as reações do seu corpo.
E queria mais, oh como queria!
Fora por isso que ele foi procurá-la naquele dia. Queria mais daqueles deliciosos beijos. Mas a nanica queria fazer jogo duro? Ok. Ele não se importava. Não ia ficar correndo atrás de uma garota quando toda Forks corria atrás dele. E foi apenas dar dois passos para encontrar Jessica.
Não havia sido a escolha mais sábia, mas a garota era bonita, tinha um belo corpo e parecia querer fazer de tudo pra agradá-lo.
Mas, no fundo, algo diferente o estava incomodando. Mesmo sabendo que não ficaria correndo atrás de Bella, ela o havia despertado. Havia se destacado entre as outras. Ganhar outro beijo dela teria um gosto ainda mais especial.
POV EMMETT
Emmett foi direto para o seu quarto.
Precisava de um banho para relaxar a tensão. Ao tirar o jeans, a correntinha de Rose caiu de seu bolso, fazendo-o notar que esquecera de devolvê-la.
Desejou poder voltar no tempo, e não ter ido à sala de astronomia naquele dia. Seria tudo tão mais fácil se ele simplesmente tivesse seguido seu caminho e ido se encontrar com aquela outra garota...
Ás vezes tinha vontade de colocar tudo aquilo no papel. Tudo o que estava sentindo.
Gostaria de entender por que fora se apaixonar por Rose. Se fosse honesto consigo mesmo, admitiria que se apaixonara mesmo antes daquele encontro na torre.
Sempre pensara que quando se apaixonasse ia ser uma coisa tranquila, que ele teria todas as certezas e garantias nas suas mãos. Que a garota seria totalmente compatível com ele, os mesmos gostos, o mesmo temperamento.
Mas não. Ao invés disso, era aquele turbilhão de sensações, nada era regrado, certo.
Por outro lado, ele contara a Rose coisas que nunca confidenciara a mais ninguém, por medo de ser erroneamente entendido. Podia se mostrar a ela como realmente era.
E não conseguia esquecer isso. O quanto era perfeito quando eles estavam juntos.
Não podia dizer que nunca tivera pensamentos sobre terminar tudo, aquele jogo. Já olhara outras meninas pensando em como seria mais fácil namorá-las. Mas não adiantava. Quando fechava os olhos, o que vinha à sua mente eram os cabelos loiros dela, que cheiravam à pêssego... era a imagem de Rose.
Sabia que também não era perfeito e sabia que ela deveria, naquele momento, estar amaldiçoando a hora que se envolvera com ele. Na verdade, nenhum dos dois era perfeito. Mas ficavam perfeitos juntos.
Sorriu ao lembrar dos jogos que faziam... olhando as estrelas, fazendo pedidos às cadentes. Falando besteiras sem se preocuparem com o que o outro iria pensar. Os amassos encobertos pela escuridão.
Mas e agora, como seria? Tinha medo de levar um fora dela. Justo ele, que raramente tinha medo de algo...
A ele, agora, só restava esperar. Saiu do banho, vestiu um short e se deitou, esperando o tempo passar...
POV ROSE
Rose esperou até que Emmett sumisse no corredor que o levaria a seu dormitório e então, e levou a mão aos lábios, sentindo neles o sabor dos dele.
Encostou em uma pilastra, de modo a ficar escondida de qualquer um que passasse, mesmo suspeitando que ninguém passaria, já que 99% dos alunos, com certeza, estava na cidade, em um dos dois passeios liberados por mês pelo colégio.
Deus, o Swan a vira cantar! Era a primeira pessoa que ela havia visto mais de uma vez que a vira cantar. Ela escondia bem o segredo, com medo que o pai descobrisse, pois sabia que ele era totalmente contra. Edward também gostava de música, e sempre fora reprovado pelo pai (fato que fez o desejo do irmão pela música aumentar ainda mais). E naquela tarde, o Swan ainda a salvara.
E, todo o tempo, ele era o \"Romeu\"! Sentiu o rosto esquentar quando se lembrou de alguns fatos da semana que passara.
Flashback
- Está atrasado, Swan. — Rose estava elegantemente sentada em uma das cadeiras da sala de ciências.
- Dez minutos, Cullen. Isso nem mesmo é considerado atraso. — resmungou, indo direto para a mesa do professor, abrindo um livro e espalhando alguns materiais.
- Não se poderia esperar pontualidade britânica de alguém como vc, não é? — ela o encarou, superior, mas não houve resposta, o que a deixou, de certo modo, irritada. — Ah, já entendi... Estava de amassos com a Alice por aí... Asqueroso!
- Não precisa ficar com ciúmes, eu não estava com a Alice.
Ele deu um sorriso (muito irritante, na opinião dela). Na hora, ela entendeu aquilo como provocação, mas só agora entendia que o sorriso tinha um ar de quem sabia de algo mais que ela desconhecia.
- O dia que eu ficar com ciúmes de uma criatura tão deprimente como você, Swan, pode me procurar no hospício!
- Pq vc não admite logo que pensa em mim o tempo todo, Cullen? — ele largou as coisas que estava arrumando e a encarou, ainda com aquele sorriso incrivelmente irritante.
- Só se for pra pensar em diversas maneiras de te transformar em um roedor! Além do mais, eu tenho gente mais interessante pra ocupar minha mente... E ele é muito melhor que você.
Emmett riu, voltando a buscar algo no livro.
- É, claro. Agora, se não se importa, precisamos começar a aula, ok?
Fim do Flashback
Deus, era ele! Todo o tempo, o idiota, grosso, sem educação, chato e irritante Swan! E pensar que ela buscava em todos os alunos do último ano o seu Romeu.
Chegara mesmo ao ridículo de ficar na porta da sala de aula dos veteranos, com a desculpa de esperar o irmão, só pra poder analisar cada rapaz que saía dali. Naquele dia, um loiro passou conversando com um outro e ela olhou bem pros dois. Um era gordo demais pra ser seu Romeu. O outro, baixo demais. Suspirou frustrada, e começou a analisar os demais.
Um moreno alto, de olhos cor de mel, passou. Ele tinha o tipo físico perfeito pra ser seu Romeu, e Rose gostou. Deu um sorriso presumidamnte sedutor, dando atenção especial para a bunda do rapaz. Quase deu um pulo quando escutou uma voz atrás de si.
- Perdeu alguma coisa, Cullen? — Emmett Swan perguntou, erguendo as sobrancelhas ao ver o que ela olhava com tanta atenção.
- Deus, era tão óbvio! — ela gemeu, ao recordar tudo, levando a mão à testa.
Ela precisava entrar, tomar um banho quente, colocar uma roupa nova e se sentiria melhor. Talvez até fosse mesmo na sala aquela noite, encontrar Emmett. Encontrar não. Esclarecer tudo. Era isso. Apenas esclarecer o que estava acontecendo.
Por um segundo, achou que Alice estava apenas se agarrando com algum garoto (e ela já estava acrescentando comentários maldosos na lista de defeitos da garota). Mas no segundo seguinte, absorveu a cena em choque. Parecia mais era que ela estava sendo atacada!
Silenciosamente, pegou um grosso livro que estava em uma das mesas, e procurando não fazer barulho, chegou bem perto dos dois e, usando de toda a sua força, golpeou a cabeça do rapaz, que apagou.
- Agora sim. — E se virou para Alice, num tom falso que ela tentou esconder. — Algum problema aqui, amiguinha?
POV EMMETT
Emmett estava já na sala de astronomia, andando de um lado para o outro.
\"Será que ela vem? E se ela não vier? Não... mas ela tem que vir. É, pelo menos para pegar de volta a correntinha... mas... e se ela não quiser mais nada comigo?\"
Estava tão preocupado que nem ouviu o barulho dos passos se aproximando.
Ele olhou para perto da escada e a viu. Em um vestido azul claro, com estampas de flores miúdas. Uma faixa nos cabelos.
Ele passou a mão pelos próprios cabelos e massageou a nuca.
- E aí?
\"Emmett, seu idiota... não acredito que vc disse isso: e aí?\", uma voz dentro dele ecoou.
- E aí, o que?
- Como você está?
- Como você queria que eu estivesse, Swan? Estou me sentindo a maior idiota do mundo! Se vc queria fazer a Cullen aqui se sentir humilhada, parabéns, vc conseguiu!
- Eu nunca quis nada disso!
- Corta essa, \"Romeu\" — disse ela, ironicamente — vc usou o truque mais velho do mundo. Simplesmente queria se vingar de mim por te desprezar, e resolveu fazer isso brincando com meus sentimentos, fazendo com que eu me... — ela se interrompeu.
- Fazendo o que? Com que você se apaixonasse por mim? É isso que você ia dizer?
- Não faz a mínima diferença o que eu ia dizer ou não... a coisa toda foi uma mentira. - Não foi. Não pra mim. Você até pode duvidar, mas... eu nunca quis me vingar ou brincar com você. As coisas simplesmente foram acontecendo e não dava mais pra parar ou impedir. E pra falar a verdade, eu nem queria que acabasse. Por isso eu não me revelei. Por que eu sabia que quando vc descobrisse que era eu, não haveria nem mais Romeu, nem Julieta.
- Emmett...
- Me deixa acabar, por favor. Eu sabia que só restaria aquela frieza com que vc sempre me tratou, aquele desdém da \"princesa da Forks\". E eu não poderia aguentar isso. Não depois de ter conhecido uma outra Rosalie Cullen.
Ela não falava nada. Parecia travar sua própria luta interna.
- Foi meio que inevitável, sabe... me apaixonar por vc. Não digo que foi uma coisa que eu escolheria de livre vontade. E acho que veio mesmo de antes do nosso primeiro encontro, aqui nessa sala. Mas era mais fácil lutar contra isso enquanto vc ainda era aquela garota que eu julgava, e que se mostra sempre para os outros, como uma pessoa fútil, vaidosa e sem grandes dotes intelectuais...
- Ei, eu não...
- Eu sei que vc não é assim. Pelo menos, não totalmente... só não sei pq vc faz questão de não mostrar como vc realmente é. Mas não vou tentar descobrir. Deve ser algo seu.
- O que você quer que eu diga?
- Eu não sei. Ou melhor, eu sei o que eu gostaria de ouvir. Mas a decisão é sua. Eu somente vim aqui ouvir a minha sentença. Mas gostaria de te pedir algo.
- O que?
- Eu andei trabalhando em algo esses dias. E eu queria que você ouvisse.
Emmett pegou no violão que trouxera e estava encostado ali perto. http://www.youtube.com/watch?v=LP0I71V2V_s \"Amar, é quando não dá mais prá disfarçar
Tudo muda de valor, tudo faz lembrar você
Amar, é a lua ser a luz do seu olhar
Luz que debruçou em mim
Prata que caiu no mar
Suspirar sem perceber
Respirar o ar que é você
Acordar sorrindo
Ter o dia todo prá te ver
O amor é um furacão
Surge no coração
Sem ter licença prá entrar
Tempestade de desejos
Um eclipse no final de um beijo\" Quando ele terminou de cantar, Rose tinha os olhos marejados.
- Você fez essa... essa música... pra mim? — disse Rosalie, a voz meio embargada.
- Eu fiz pra garota que não sai dos meus pensamentos desde o dia do nosso primeiro beijo...
- E a Alice?
- A Alice é somente minha amiga. Aquilo ocorreu por causa de uma aposta que ela fez com o seu irmão. Ela me pegou de surpresa...
- Aquilo foi depois do nosso primeiro beijo! E vc retribuiu, que eu vi!
- Eu estava meio furioso, meio confuso. Você só me esnobava, vivia falando mal de mim. E eu não entendia por que tinha cedido à tentação de beijar você, que parecia me odiar tanto.
- Então quer dizer que vocês não... ela meio que se vangloriou pra mim sobre você, sabe?
- Ela comentou comigo uma vez que achava que vc tinha uma queda por mim. De ter querido te provocar. Além do mais, eu tenho quase certeza que ela gosta de outro.
- Eu espero mesmo. — disse ela, se aproximando dele.
- Espera?
- Espero sim. Porque vc já tem dona. Você é meu, Swan. E de mais ninguém!
Emmett soltou algo como \"Graças, Deus existe!\" e a pegou nos braços, rodopiando com ela, e juntando os lábios para um beijo. Dessa vez, às claras...
POV BELLA
Já era domingo e Bella, com uma manta e uma cesta pequena, do tipo daquelas de piquinique, fora para a beira do lago.
Naquele dia, colocara uma camiseta de alça e uma daquelas calças de cotton lycra, de ginástica, que terminam na batata da perna, e tênis. Fizera uma trança de cada lado do rosto, o que a deixava com cara mesmo de menina.
Como não estava a fim de almoçar na escola, levara um pequeno lanche para comer enquanto lia o mais novo livro de sua coleção de romances, intitulado \" O Cavaleiro de Negro\".
Enquanto pegava um sanduíche de salada de atum na cesta, e uma latinha de suco de manga geladinho, ela ia lendo. A história era muito boa e ela não conseguia desgrudar os olhos da história ambientada na Inglaterra trouxa da época puritana, onde a sobrinha de Oliver Cronwell se apaixonava por um galante salteador de estradas, que apoiava o rei que havia sido deposto.
\"Ela sentiu a carruagem dar um solavanco e ouviu os cavalos relincharem. De repente se sentiu jogada para frente. Haviam parado.
Olhou pela janela. Salteadores! Não podia acreditar!
Tateando a capa, sentiu as jóias costuradas no forro. Estavam seguras. Tentou tirar o anel de noivado do dedo, não queria perder a jóia que Robert havia lhe dado.
Um homem alto, descendo de um cavalo, se aproximou da carruagem e solicitou que todos descessem.
Ele passou os olhos pelos passageiros e se deteve nela.
Ela observou que ele era alto. Muito mesmo, comparando com os 1.65 dela.
Totalmente vestido de negro, ele usava uma máscara que deixava entrever seus olhos, verdes, de um tom muito límpido, que escureceram ao olhá-la. A boca era sensual, parecendo acostumada a sorrisos.
Os cabelos eram desalinhados, em um tom de cobre quase dourado.
Ele pegou-a pela mão, sem desviar os olhos dos dela a levou para perto de uma árvore que havia na beira da estrada.
- O que está querendo de mim? Não tenho dinheiro, nem nada de valor para que possa levar.
- Uma dama como vós, tão linda, não precisa de jóias. Nem mesmo dessa que leva no dedo. Especialmente dessa.
Ela tentou esconder a mão.
- Não. Meu noivo, Robert, me deu esse anel, quando pediu minha mão.
- Robert Schwartzman? — ela assentiu — Tanto melhor. A livrarei de um equívoco. — disse ele, deslizando o anel de seu dedo.
- Meu noivado não é um equívoco! Devolva-me o anel!
- Pode pensar assim, minha dama. Agora. Mas logo verá que existem opções muito melhores...
- Como o senhor, eu suponho?
- Sem falsa modéstia, sim. - Deve dizer isso para todas as mulheres!
- A beleza foi dada a muitas nesse mundo... mas a senhorita tem algo mais. — disse ele, puxando-a para si, colando seus corpos.
- O que está fazendo, seu paspalho?
- Apenas o que nós dois estamos morrendo de vontade de fazer, benzinho...
E ele a beijou. Como nunca ninguém a beijara antes. Ela sentiu as pernas bambas, o corpo mole, e, por alguns instantes, esqueceu-se de tudo, perdida no ardor daquele beijo.
Até que recobrou o juízo e o afastou.
- Já tem o anel, não é? Então se dê por satisfeito, e me deixe ir embora!
- Não tão cedo, benzinho... tire a capa.
- Como?!
- Você me ouviu. A capa.
- Mas a capa é velha, ela não vale muita coisa!
- Mas o que está costurado nela, aposto que vale algo.
Como ele soubera?
- Senti quando te abracei. — ele disse, como se soubesse o que ela pensara.
Ela bufou, mas entregou a tal capa.
- Satisfeito, agora?
- Ainda não. Quando você for minha, talvez...
-Somente em seus pensamentos.
- Ainda nos veremos, linda dama!
- Duvido muito que se arriscará a adentrar no castelo de meu tio.
- Seu tio?
- Oliver Cronwell, o lorde protetor da Inglaterra.
- Hum... difícil. Mas isso só fará as coisas ficarem mais interessantes.
Puxou-a para si mais uma vez, rapidamente e deu um rápido beijo. Em seguida, subiu em seu cavalo.
- Em breve, minha lady, em breve...\"
- Sonhando comigo, Bella?
Bella se assustou, pois praticamente entrara na história. Era uma coisa que fazia comumente. Sempre se imaginava no papel da heroína, mas até então, seus heróis não tinham rosto. Não tinham...
- Você está maluco? Seria um pesadelo se fosse o caso, não um sonho...
Reparou que ele estava suado, provavelmente devia estar jogando futebol. Camiseta, bermudão (que deixava entrever pernas grossas) e tênis. Os cabelos despenteados e os olhos verdes refletindo a luz do sol.
Ela tomou um choque. Se colocasse uma venda nos olhos e o vestisse de negro, estaria diante do salteador do livro... Que na verdade, era bem loiro e de olhos azuis, nada a ver com o que ela imaginara...
Edward riu e aquilo desencadeou algo dentro dela que não soube definir. Não conseguiria mais ficar ali, portanto começou a guardar as coisas e a dobrar a manta.
- Mas já vai embora, Swan?
- Tá difícil de respirar aqui.
- Eu tiro o seu fôlego, não é verdade? Pode admitir. Eu costumo causar esse efeito nas garotas.
- Cullen... olha bem na minha cara e vê se eu estou com cara de doente?
- Não. Me parece bem saudável.
- Pois é. Pra eu ficar afetada por você, eu precisaria estar bem debilitada.
- Ah, qual é, benzinho.... A gente podia se divertir juntos. Ia ser tão gostoso...
Ele pegou a mão dela e encostou no peito dele.
- Tá vendo? Eu estou fervendo por você.
- Ah, você tá sentindo calor, é?
- Muito. Você nem sabe o quanto... — disse ele, com aquela carinha de desamparado que fazia pra todas e que quase, veja bem, \"quase\" a fez sucumbir também.
- Você quer que eu apague o seu fogo?
- Não posso pensar em nada melhor...
- Então lá vai. Feche os olhos, meu bem.
Ele fechou, dando aquele sorriso de quem se sente vitorioso.
Ela virou o conteúdo que sobrara da lata de suco bem na cabeça dele.
- Você ficou maluca, garota?! — ele vociferou.
- Puxa, \"benzinho\"... vc não queria se refrescar? Pois está aí. Não precisa nem me agradecer. Foi um prazer! Tchauzinho...
E foi embora dali, assobiando uma canção, parecendo despreocupada. Mas, por dentro, sabia que havia algo muito errado acontecendo. Ou estava muito enganada, ou estava se apaixonando pelo Cullen. Era tudo o que ela menos queria que acontecesse...
POV ALICE
“Droga, droga, droga! Esse roxo não sai! Maldito seja, Gewandsznajder”, resmungou Alice ao observar a imagem de seu pescoço no espelho, “Como que eu vou encontrar com o Jasper, pra estudar, nesse estado? No mínimo ele vai achar que eu estou namorando alguém!”.
Mexeu na bolsinha que trazia consigo e tirou de lá uma base e um pó compacto. Tentou ao máximo disfarçar a marca que ficara em sua tez alva. Como não foi muito eficiente, resolveu soltar o cabelo para que o arroxeado ficasse menos evidente.
Depois disso, correu para o quarto, não antes de checar se não esquecia algo no banheiro, pegou o seu material e saiu. Sua cabeça fervia. Estava preocupada com o fato do dia anterior e com o namoro de Jasper. Tinha sido um custo convencer o rapaz de estudar com ela naquele domingo. Era nisso que pensava enquanto seguia distraidamente em direção da biblioteca.
Não notou quando uma figura se aproximou, escondendo-se atrás de uma estátua.
***
Ferdinand estava no salão comunal quando viu a francesinha sair do quarto com uma mochila nas costas. Imaginou que ela ia para a biblioteca. Decidiu esperar mais um pouco antes de sair para não levantar suspeitas. Por mais que o salão estivesse vazio, poderia encontrar alguém pelos corredores.
Esperou uns cinco minutos e tomou um atalho, um caminho mais curto, que era pouco conhecido pelos alunos. Contudo, ele como monitor, conhecia o colégio um pouco melhor.
Quando encontrou Alice, ela ainda estava longe do seu destino e, por uma tacada de sorte – no caso dela, azar – o corredor estava completamente vazio. Escondeu-se atrás de uma estátua, tirou o lenço e um frasco de clorofórmio de dentro do bolso, e assim que ela passou por ele, pressionou o lenço molhado no nariz da moça, que em questão de segundos, desfaleceu em seus braços.
Vendo aquele rosto angelical, um turbilhão de sentimentos o invadiu. Como ele podia amá-la e odiá-la ao mesmo tempo? Como sentimentos tão antagônicos poderiam estar tão entrelaçados?
Era assim desde pequeno, confuso sobre o que sentia pela moça. Sentia raiva, ódio por tudo o que a mãe dela fizera a seu pai, por toda humilhação por que ele passara anos antes e, acima de tudo, pelo desprezo que este sentia pela mãe de Ferdinand. Ele nunca perdoaria Elizabeth Lion, nunca! Era por culpa dela que o casamento de seus pais tinha fracassado. Se não podia se vingar da mãe, que se vingasse da filha!
Decidido, pegou a garota no colo e começou a andar, se esqueirando pelos corredores. Pôde ver a marca que deixara no pescoço dela e lembrou-se do que tinha acontecido.
Flash back
- Não fale assim da minha mãe!
- Oh! Claro que não... Ela era de pura classe alta, mas já o seu pai – implicou. Percebeu que a francesa ficara vermelha e acrescentou:
- Nossa! Tão brabinha... Sabia que você fica até bonitinha assim? – sentiu uma vontade súbita de beijá-la conforme fazia quando namoravam, mas sabia que ela não cederia por bem. Aproximou-se dela.
- Então, princesinha, vai fazer o que sem os amiguinhos por perto? Hã? Então? O gato mordeu a sua língua, é? – riu sem emoção.
Quando seus olhares se encontraram, sentiu Alice estremecer e ficou com raiva, sabia que ela estava com medo, medo dele. Como ela poderia pensar algo assim dele? Logo ele, que nunca pensara em machucá-la até aquele momento. Sentia-se ferido e desejava que ela sentisse a mesma dor.
- Parece que agora os Gewandsznajder vão ter a sua revanche não? Sua mãe deve estar se revirando no túmulo agora, chérie.
- Eu sempre disse para vovó que a sua família não prestava. Pena que ela nunca me ouviu — disse a moça, com o tom de superioridade que ele tanto odiava. Quem ela pensava que era? Só porque a família dela era uma das mais ricas da França, ela podia tratar os outros assim? Não... Pelo menos, ele não!
Puxou-a pelo braço e tacou-a no chão. A garota ficou momentaneamente paralisada, mas, segundos mais tarde, tentou engatinhar para longe do dele. Para que lutar? Se ela não podia ganhar?
Pegou-a pelos cabelos, forçando-a a se levantar. Pôde ver algumas lágrimas escorrerem pelo rosto rosado pelo esforço feito. O cheiro dela o inebriava. Começou a se aproximar do pescoço da garota, tão logo tocou-o, mordeu-o.
Em resposta, a garota começou a se debater freneticamente. No entanto, ele não a soltou, nem notou quando outra pessoa adentrou no recinto.
Foi então que sentiu a pancada na cabeça, e quando acordou, Alice já não estava mais ali. Mas ele não iria desistir do plano dele, de sua vingança, não mesmo...
Fim do Flash back
Usando uma passagem escondida que descobriu por acaso, existente desde a guerra civil americana, quando o prédio da escola já existia, arrastou-a para fora da escola, colocou-a em seu carro e dirigiu-se para a reserva indígena de La Push.
Já tinha tudo armado, com dois homens de confiança para tomar conta dela, em uma cabana afastada.
***
Quando Alice acordou, estava deitada no chão do que parecia uma cabana de caça. Olhou em volta. Uma cama, uma mesa com duas cadeiras e a lareira compunham o ambiente. Pela janela, via que já era noite, e estava em algum tipo de floresta sombria. As árvores tinham os seus troncos e galhos muito retorcidos e estavam encobertas por uma neblina. De repente, uma voz veio de um canto escuro:
- Acordou, chérie?
- Onde estou? – indagou apavorada.
- No seu pior pesadelo, mon amour, no seu pior pesadelo... – respondeu ao se afastar, saindo pela porta da cabana.
“Mon Dieu! Onde é que eu estou? O que esse louco quer comigo?”, disse chorando.
Tentando manter a calma, deu um tempo e tentou abrir a porta. Em vão. Já devia imaginar que Ferdinand a trancaria.
Tentou a janela. Estava emperrada, mas usando de força e jeito, conseguiu abrir um pequeno vão. Assim que colocou os pés no chão, foi detida por braços fortes. POV EDWARD
A noite passara devagar pra Edward. Ele não sabia dizer porquê, mas se pegara pensando em Bella algumas vezes. Aliás, mais vezes do que deveria. Na noite anterior, antes de dormir, acrescentara pra si mesmo que era pelo simples fato da menina estar bancando a durona com ele. Era isso que chamava a atenção dele, mas admitia que até estava se divertindo.
Quando acordou naquele domingo calorento, decidira que faria uma coisa que há muito não fazia por vontade própria. Jogar futebol. Não era sua principal paixão, mas gostava do esporte. Mas apenas isso, como um esporte, um hobbie. Não que dissesse isso aos quatro cantos, mas sabia não ser o melhor jogador do colégio. Apesar de ter certeza absoluta que era o mais charmoso, e o que ficava mais sexy no uniforme de goleiro.
Porém, devido o calor, decidira usar apenas uma camiseta e um bermudão. Nada de uniformes.
Quando chegou ao campo, já havia outros rapazes lá, então pode tranquilamente jogar, tanto no gol quanto no time.
Estava se sentindo ótimo, e deixou passar apenas três, de cinqüenta chutes a gol e resolveu tomar uma chuveirada, sem nem reparar em algumas meninas que estavam nas arquibancadas, suspirando por ele.
Quando estava tomando o caminho para o vestiário, seus olhos o fizeram parar. Ou melhor, o que seus olhos capturou.
Deitada de bruços em uma manta, com uma pequena cesta de piquenique, na beira do lago, estava o objeto de seus pensamentos da última semana. Deu graças à Deus por estar calor, pois a moça estava com uma roupa típica, marcando seu pequeno e belo corpo. Abriu um sorriso maroto, de quem vai aprontar, e mudando a direção, tomou o rumo até Isabella.
Enquanto fazia o caminho até ela,a observou, o sol refletindo em seus cabelos. Ela tinha um pequeno livro nas mãos, como o que ele pegara dela no trem. Tinha uma expressão sonhadora nos olhos, e ele se sentiu desconfortável ao imaginar que ela poderia estar sonhando com o tal Robert. Preferiu pensar que ele era o alvo de seus delírios. - Sonhando comigo, Swan? – perguntou, com seu típico sorriso torto nos lábios, parando ao lado da menina de modo a tapar o sol que antes lhe batia na face.
Ela pareceu se assustar, fechando o livro correndo e olhando pra cima, encontrando o belo rosto dele.
- Você está maluco? Seria um pesadelo se fosse o caso, não um sonho...
Ed riu. Qualquer outra garota estaria suspirando, dando seus doces sorrisos e já se pendurando em seu pescoço. Mas a baixinha ali não. E isso fez seu coração bater mais rápido (obviamente ele não se deu conta disso).
Ela começou a guardar a manta, mas ele não queria parar por ali.
- Mas já vai embora, Swan?
- Tá difícil de respirar aqui.
- Eu tiro o seu fôlego, não é verdade? Pode admitir. Eu costumo causar esse efeito nas garotas.
- Cullen... olha bem na minha cara e vê se eu estou com cara de doente?
Ele perdeu dois segundos a encarando. Definitivamente não tinha aparência de doente. Tinha um tom rosado nas bochechas, e os lábios vermelhos... mas que lábios!
- Não. Me parece bem saudável.
- Pois é. Pra eu ficar afetada por você, eu precisaria estar bem debilitada.
- Ah, qual é, Swan! A gente podia se divertir juntos. Ia ser tão gostoso...
Isso era verdade. Se ela concordasse, os dois poderiam passar horas se divertindo. Mas ela preferia continuar bancando a difícil...
Ele pegou a mão dela e encostou no peito dele.
- Tá vendo? Eu estou fervendo por você.
- Ah, você tá sentindo calor, é?
- Muito. Você nem sabe o quanto... — disse ele, com aquela carinha de desamparado que fazia pra todas e que quase, veja bem, \"quase\" a fez sucumbir também.
- Você quer que eu apague o seu fogo?
- Não posso pensar em nada melhor...
- Então lá vai. Feche os olhos, meu bem.
Ele nem conseguia acreditar naquilo. Estava sorrindo, e sabia que mesmo que não quisesse, aquele sorriso idiota não iria sair de seu rosto. Esperou. Esperou pelos lábios macios de Bella, como naquela outra tarde. Mas o beijo não veio. Quando sentiu algo escorrer por seus cabelos, descendo pelo seu rosto, ele abriu os olhos. Maldita Swan! Ela havia derramado o conteúdo que restava na lata em sua cabeça. Agora estava todo melado com aquela porcaria de suco!
- Você ficou maluca, Swan?! — ele vociferou.
- Puxa, benzinho... vc não queria se refrescar? Pois está aí. Não precisa nem me agradecer. Foi um prazer! Tchauzinho...
E foi embora para o colégio, os quadris rebolando naturalmente. Edward a observou ir, sentindo o sangue ferver. Quem aquela anã pensava que era?! Qualquer garota poderia ser de Edward Cullen, se ele escolhesse. E ele havia escolhido a caçula McCarthy Swan. Ele a conseguiria, ou não se chamava Edward Anthony Masen Cullen!
POV JAZZ
Jasper andava pelos corredores naquele domingo, dirigindo-se à sala de estudos que sempre usava com os amigos. Havia marcado uma aula extra com Alice.
Os últimos dias andavam sendo esquisitos. Desde que começara o namoro com Christine que os dois quase não se desgrudavam. Não imaginara que a garota fosse tão possessiva. Ele quase não tinha tempo pra respirar, não encontrara os amigos no passeio à cidade, porque a namorada o arrastara atrás de si pra todo canto.
Fora estranho ser pedido em namoro. Não esperava que as coisas evoluíssem tão rápido, pensara somente em um passeio, em conhecer a garota melhor, mas quando dera por si, já estava sendo beijado e concordando com o namoro.
Fora um custo convencer a garota de que ele tinha outras coisas pra fazer naquele dia, e marcarem de se encontrar somente mais à noite. Ela quisera saber o que ele ia fazer, e como Jasper não gostava de mentiras, dissera a verdade. Ia dar aulas para Alice.
Christine não gostara nada, nada, mas não poderia fazer nada pra impedir, já que ele era muito responsável com os compromissos que assumia.
Chegou à tal sala e ficou esperando que Alice aparecesse.
Deu 15 minutos, meia hora, até que 40 minutos depois ele desistiu de esperar e foi embora. Estava furioso, mas algo dentro dele dizia que aquele não era o comportamento normal dela. Ela insistira tanto para que ele lhe desse essa aula, não ia dar o cano assim, por nada.
O que será que havia acontecido?
Mais tarde iria perguntar a Bella se sabia de Alice. Esperava que ela estivesse bem.
E sabia que não ia conseguir deixar de pensar nela, um só instante, como não conseguia mesmo quando estava beijando Christine... POV ROSE
Rose não parava de sorrir. Chegava a ser irritante pra quem visse, mas ela simplesmente não conseguia. As vezes estava andando pelos corredores, e apenas lembrava de Emmett, de suas palavras e de seus beijos, e pronto, estava sorrindo tolamente de novo.
Era desconfortável passar por ele pelos corredores da escola e precisar se controlar para não puxa-lo para um beijo ali mesmo. Mas se limitava a lhe sorrir pelo canto dos lábios e seguir adiante.
- Onde você vai? – Lauren perguntou, escovando os longos cabelos loiros.
As duas estavam um pouco distantes aquele ano, devido a falta de tempo. Rose estava sempre em aulas habituais, e ainda tinha as aulas extras com o Swan.
Tentara se encontrar com a amiga naquele final de semana em Forks, mas com todo o rolo que deu, novamente não fora possível. As duas estavam precisando conversar, e Rose precisava contar pra alguém sobre Emmett, mas aquele não era o momento.
- Tenho aula com o Em... — e se corrigiu — Swan.
- Mas hoje é domingo!
- Eu sei. Mas estamos perto das primeiras provas, e o perdedor do Swan acha que preciso de mais aulas pra conseguir pegar toda a matéria.
- Ele é um babaca... Não sei como você consegue suportar.
- É divertido ver a cara de impaciente dele quando eu erro algo, de propósito, é claro.
Isso era verdade. Emmett fazia um esforço engraçado pra não brigar com ela, quando errava alguma fórmula.
- Pelo menos deixe pingar alguma coisa tóxica na pele dele... – Lauren pediu, um sorriso malvado nos lábios. Rose jogou os cabelos pra trás, pingando duas gotinhas de perfume atrás das orelhas. Se olhou no espelho, satisfeita com o resultado.
- Prometo que farei. Agora preciso ir, ou irei me atrasar.
Pegou a bolsa em cima da cama e saiu do quarto, deixando a amiga sozinha.
Quando Rose deixou o quarto, Lauren se virou para o espelho, mirando a própria imagem de um jeito narcisista. Ficou algum tempo ali, até que o reflexo de algo a chamou atenção. Ela se virou para trás, encarando a cama de Rose. Levantou e, acabando com suas suspeitas, retirou sob o travesseiro da amiga um casaco masculino.
O que Rose estaria fazendo com aquilo? POV EMMETT
Emmett estava no salão principal, acabando de tomar o seu café, para poder se encontrar com Rose na sala de química, a fim de tentar dar uma aula à ela, fato em que precisava se concentrar mais. Afinal, a vida não era só ficar de agarramentos, embora ficar de agarramento com a garota fosse muito bom. Muito bom mesmo!
Observou a irmã sair pela porta principal, munida com uma cesta de piquenique nas mãos. Outra sessão de leitura no jardim se anunciava. Bella sempre dizia que precisava de um tempo sozinha, ás vezes, para ler e imaginar o best-seller que ela lançaria um dia. Com a imaginação que sua irmãzinha tinha, ele não duvidava que um dia ela conseguiria o que pretendia.
Levantou-se, e não deu cinco passos uma garota parou à sua frente. Irina, a garota com quem ele ficara de se encontrar no dia que beijara Rose pela primeira vez.
A garota era alta, os cabelos castanhos lisos caindo até os ombros e olhos castanhos.
- Emmett! Puxa, fiquei te esperando aquele dia e vc me deu o maior bolo! — disse ela, colocando as mãos por trás da cintura dele, e fazendo biquinho.
Naquele instante Rose apareceu no salão. Emmett fechou os olhos e rezou para que aquilo não desse em confusão.
- É, não deu. E, sabe, eu ando muito ocupado, com várias coisas, e não vai dar mais pra gente ficar se encontrando não. Emmett disse isso em um tom alto, na esperança de que Rose ouvisse, tirando as mãos da garota de cima dele.
- Ah, que pena... a gente se divertia tanto juntos, lembra?
- Swan, posso saber o que você ainda está fazendo aqui, perdendo tempo com uma garota qualquer, quando devia estar se preparando para ministrar a minha aula de química?! — o salão inteiro virou-se para encarar Rose, que tinha as mãos na cintura e batia um dos pés impacientemente no chão e um olhar que parecia querer fuzilar a garota à sua frente. — Não tem noção de responsabilidade não? Eu não quero ser reprovada, então, se vc tiver amor à sua vida, é melhor vc se mexer rapidinho e sair daqui!
- Ei, sua desaforada! Vê lá como fala comigo! Eu não sou uma qualquer não!
- Pra mim, mulher que fica dando em cima de um cara que claramente não quer nada com ela é, no mínimo, uma sem noção.
- Eu vou partir a sua cara!
- Eu só quero ver você tentar!
Emmett olhava aquela cena, estupefato. O que Rose estava fazendo? Dali a pouco o salão inteiro ia começar a comentar que a Cullen estava dando ataques de ciúmes por causa do Swan, e daí, tchau namoro escondido!
- Bom, estamos atrasados pra aula,, não é? Então melhor a gente ir andando... e Irina, estou sem tempo nenhum mesmo, ok, então se sinta à vontade para sair com qualquer outro cara. A gente não tinha mesmo nada fixo, né?
Emmett se afastava, levando uma Rosalie contrariada pelo braço, quando ouviu a última frase de Irina:
- Emmett, quando vc estiver livre, me procura, tá? Pra vc eu sempre vou arranjar um tempinho...
E o rapaz, passado, tratou de apertar o passo, sabendo que aquela história ainda estava longe de terminar. Era só olhar a cara que Rose fazia...
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