Síntese
8 Eu deveria ser como ela.
Notas iniciais
Certa vez conheci uma garota chamada Laura. Não que eu saiba muito sobre ela, creio que deve ser muito mais do que aquilo que pude observar.
A Laura não é a princípio, especial, é só alguém a quem, de ímpeto, se faz inspirar apenas pela razão de ser ela mesma. Vou lhe contar sobre ela:
Em percepção geral se trata de uma garota normal, comum, não representa algo extraordinário e não é alguém que está a frente de grandes causas. Nunca fez mal a ninguém e ninguém faz mal a ela, até porque ela não se importa. Sem gostos extravagantes e eu nunca consegui definir o seu gosto musical, mas repudia filmes de romance, ou qualquer coisa que seja casual ou clichê. Seu hobbie é basquetebol, ela sabe todas as posições e escalações dos times de basquete norte americano e principalmente sabe o que é praticar o esporte, leva isto muito a sério, é o que ama fazer, faz muito bem. Pelo menos é o mínimo a se esperar de uma garota com mais de 1,76m de altura, não que ela acredite nestes estereótipo trivial. Laura tem orgulho de ser uma garota alta, tem orgulho de jogar basquetebol, e mais ainda por não estar nenhum pouco dentro dos padrões banais de beleza. Ela nunca se importa com sua aparência, a extensão do seu quadril, se o seu cabelo loiro escuro está desalinhado ou em desordem, não se importa em usar maquiagem para cobrir imperfeições pois afinal, se surgir uma câmera é só sorrir. Ela gosta de fotografias, principalmente em se fotografar na frente ao espelho, seja a aparência que estiver, ela nunca esta na posição ou iluminação errada.
A garota grande com perfil de atleta tem uma risada extravagante, e como ela ri! É alegre, divertida e engraçada. Fala alto em público ou em particular com uma voz grossa. Muitas vezes ao conversar com ela, cheguei a achar que ela estava sendo grosseira, mas depois entendi que é só a sua maneira de se comunicar. Conversa sobre tudo e tem resposta a tudo, não tem vergonha de dizer o que pensa , mesmo que até venham a achar ignorante, é o que ela pensa não é mesmo? E nem repara no olhar desaprovador daqueles que a observam saborear o maior sanduíche juntamente com o maior prato de batata frita do cardápio da lanchonete. É comum a encontrar usando a camiseta do New York Knix e tênis de basquete com tanta frequência quanto usa vestidos delicados com salto alto, e como ela mesma diz “a sexualidade não tem qualquer relação com as roupas que se usa, e mulheres não precisam necessariamente gostar de usar salto, vestido ou maquiagem para mostrar a sua feminilidade, de qualquer modo continua sendo uma mulher”.
Laura é segura a respeito de si e suas escolhas, seus modos, pensamentos e ideologias. Não tem receio de sair na rua de mãos dadas com quem ela ama, mesmo que seja alguém do mesmo sexo, afinal é quem ela ama.
Fiquei a me questionar depois que conheci a Laura. A invulnerabilidade dela me causa cobiça, ela não sente a necessidade de ser agradável e não tem medo de enfrentar o mundo sozinha, e é exatamente isto que a torna uma pessoa única apenas por ser ela mesma, agradando ou não. Julgo a entender que conclusões cheguei, a de que eu deveria ser como ela.
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