Notas iniciais
Eu sei que não existe plural para a palavra "pokémon", mas dei a liberdade de usar para ficar melhor no texto. Bom Halloween!

Lavender era um Cemitério de Pokémons, mas a aura pesada fez com que as pessoas chamassem de Cidade de Lavender, embora não fosse uma cidade, algumas pessoas tentaram habitar, além do cemitério havia uma torre, algumas casas foram construídas e pequenas lojas, mas todos que moraram ou trabalharam em Lavender diziam que a cidade era amaldiçoada.

Que a torre era assombrada e que não se deveria chegar próximo do cemitério. Então, coisas estranhas começaram a acontecer na cidade, as luzes piscavam na torre, em sequência de andar por andar ou se apagavam completamente. “São os fantasmas dos Pokémons” diziam os moradores.

As crianças que habitavam a cidade sofriam de sonambulismo e perambulavam na entrada do cemitério, mas nunca entravam. “É a energia das almas”, os moradores insistiam.

O cemitério trouxe a presença de curiosos e também de treinadores, pois eles descobriram na torre muitos pokémons do tipo fantasma. Isso logo trouxe pesquisadores e fez com que Lavender se tornasse mais habitada.

Até que crianças começaram a desaparecer das cidades próximas, elas sumiam à noite de suas próprias casas, com a ajuda da polícia e de pokémons treinados, descobriram que era obra de um Pokémon do tipo fantasma, um Drifflon, uma criatura que as crianças descreviam como Pokémon Balão.

As crianças foram encontradas num andar da torre, todas as crianças quando retornaram para casa diziam não se lembrar de como foram parar em outra cidade, todas as crianças retornaram com comportamentos estranhos, distúrbios de personalidade e todas desenhavam o Drifflon e pareciam falar sozinhas quando em seus quartos.

Nada mais foi descoberto, apenas que havia alguma ligação com a misteriosa torre de Lavender.

Depois desse acontecimento, a entrada da torre foi selada e as pessoas passaram a utilizar outros cemitérios de Pokémons, em outras regiões.

O destino de Lavender parecia selado junto com sua torre, mas os pokémons não saíram de lá, e as vezes algum treinador ainda se aventurava pela cidade, já era de conhecimento que haviam feito uma nova porta da torre e que era possível capturar os mais diferentes pokémons.

Foi assim que Jungkook se viu se esgueirando pelo acesso a Lavender, não havia mais placas, a estrada ainda existia, mas a mata estava descuidada, ele só chegou na altura do cemitério por com o pôr do sol.

Riolu estava ao seu lado esse tempo todo, mas ao avistar o cemitério, o Pokémon se escondeu atrás do treinador. Riolu é o tipo lutador, especialidade de Jungkook, é pequeno, de cor azul e preto, com uma cauda e colarinho amarelo, com uma máscara preta e olhos vermelhos.

— Ei, o que foi? Você não pode ter medo, sabia para onde estávamos indo.

O Pokémon balançou a cabeça negativamente. Jungkook sentiu um calafrio e viu alguma coisa em sua mente, uma pessoa andando dentro da torre, uma aura negra se esgueirando a sua volta. Seis braços saindo das sombras.

— É disso que você tem medo? – Riolu assentiu. – Eu não tenho medo, eu não tenho medo de fantasma, além disso, eu vou manda-los para Namjoon Hyung.

Jungkook se agachou para ficar na altura do pequeno Pokémon e tirou a pokebola do cinto.

— Você pode voltar, obrigado pelo trabalho.

Riolu é capaz de se comunicar através de aura. Namjoon ainda estava tentando entender como isso funcionava, Jungkook só sabia que as vezes imagens viam em sua cabeça, coisas que ele nunca tinha visto, nem sempre elas eram claras e objetivas, as vezes eram uma sensação colorida.

Como a torre de Lavender. Riolu não queria que ele entrasse lá.

Jungkook viu a porta selada e começou a andar ao redor da torre procurando a segunda entrada, que estava logo na parte de trás, não era bem uma porta, tinha a metade do tamanho.

Ele pegou a lanterna e se agachou pela passagem, as luzes piscavam no primeiro andar, a torre era bem grande e o entardecer ainda passavam pelas janelas, ele escutou risadas e barulhos na direção da escada.

— Tem mais alguém aqui?

Um lustre no teto se sacudiu e chama por chama foram acessas em seus braços, totalizando quatro chamas nas armações e uma mais forte no meio, o lustre então abriu os olhos e duas bolas amarelas encararam Jungkook.

Chandelure era o Pokémon.

Jungkook caiu sentado no chão, levantando poeira. Ele rapidamente esticou a pokedex na direção da criatura que dançava no teto.

— Isso é um absurdo, por que tem um Pokémon aqui que só evolui com pedra?

Um Hitmontop saiu da pokebola e se colocou na frente de Jungkook, mas antes de qualquer comando, Chandelure lançou esferas de fogo que Hitmontop conseguiu desviar de algumas, mas mesmo assim as esferas derrubaram Hitmontop contra a parede, ele se levantou zonzo.

— Hitmontop, earthquake!

Ele não iria conseguir vencer com ataques de luta e Jungkook estava na desvantagem com seu time. Chandelure pareceu pior que do que Hitmontop.

— Chandelure, Shadow ball.

— O que?!

Com o golpe do tipo fantasma, Hitmontop caiu desmaiado e Jungkook não teve escolha senão retorná-lo. Ele rapidamente se colocou de pé, Chandelure apagou as chamas e desapareceu para o segundo andar.

Ele tinha razão, havia mais algum treinador dentro da torre e Jungkook não estava satisfeito em cair numa luta sem ser avisado.

— Yah! Não seja um covarde e apareça! – Ele pegou uma pokebola do cinto e um Houndoom saiu de lá. Um Pokémon com chifre, quadrúpede e com rabo pontiagudo. Eles subiram a escada rapidamente.

Acrobatics.

Jungkook e Houndoom se viraram na direção da voz que ainda estava escondida pelas sombras da torre. Um Drifblim atingiu Houndoom. Um Pokémon balão com quatro braços, Jungkook arregalou os olhos, ele ainda se lembrava da história das crianças trazidas para Lavender, seria a evolução do Drifloon da época?

— Todos os seus pokémons tem habilidades especiais!? – Uma risada, mas nenhuma resposta. – Não é o seu dia de sorte. Houndoom, Dark Pulse!

O único golpe derrubou Drifblim, mas Jungkook estranhou não ter visto a luz vermelha da pokebola ao retornar o Pokémon.

— Eu estava sendo legal, porque o seu Hitmontop foi derrubado tão fácil.

— Por que parece que eu estou num ginásio!? Eu não vim para treinar meus pokémons, eu vim para capturar fantasmas.

— Quem disse que eles querem ser capturados? Você está lutando contra tipo fantasma.

Jungkook não pareceu satisfeito e Houndoom continuou fora da pokebola enquanto eles subiam para o terceiro andar. Um Sableye estava os esperando, a princípio ele viu apenas os olhos de pedra brilhantes, depois o corpo e as garras, ele tinha um sorriso com seus dentes afiados.

Jungkook nunca pensou num Sableye como uma criatura assustadora, até aquele momento.

— Sabe que dizem que o Sableye pode capturar a alma das pessoas quando seus olhos tem uma aura mais pesada? – A voz soou próxima, como se estivesse bem atrás do Pokémon, mas não havia ninguém ali.

Jungkook sentiu um calafrio, como se algo estivesse o cercando.

— Houndoom, fire blast! – Ele cansou de esperar pelo ataque partir do adversário, mas o golpe sequer atingiu Sableye.

Low Sweep. – Seu adversário estalou os dedos parecendo entediado.

Sableye usou um golpe de luta, um chute baixo, o que era uma das fraquezas de Houndoom. Jungkook mordeu a bochecha, por que todos os pokémons tinham TMs? Parecia um líder de ginásio.

Fire Blast!

Low Sweep.

Quando Houndoom caiu e rolou e não conseguiu mais se colocar de pé, Jungkook o fez retornar. Sableye foi recuando na escuridão até desaparecer. Jungkook encarou o próximo lance de escadas.

— Sableyes vivem em cavernas, por que tem um na torre?

— Quem disse que ele não fez uma ligação das cavernas próximas do cemitério até aqui? Você nunca viu a torre na luz do dia.

No quarto andar ele viu uma pequena criatura caminhando, pequeno como uma criança, seu corpo parecia feito de névoa, seus pés se misturavam com as sombras e seus olhos pareciam duas chamas.

Marshadow, a pokedex emitiu, mas não havia mais nenhuma informação.

Jungkook tirou uma dusk ball, Namjoon havia o dado especialmente para suas aventuras à noite. Era uma pokebola desenvolvida para captura de Pokémons selvagens durante a noite ou locais escuros.

Ele atirou a dusk ball, mas a mesma foi capturada por uma mão sombria e rolou para o chão.

— Acho que eu não me fiz claro, você não vai capturar nenhum Pokémon aqui. – A voz grave do outro treinador soou mais sombria e pesada.

O Pokémon que interceptou sua dusk ball, era outro desconhecido, parecia um Pikachu, mas... seu corpo era mole e em sua barriga havia olhos...

Mimikyu, aparência desconhecida.

— Namjoon Hyung ia perder a cabeça, dois pokémons desconhecidos por aqui.

— Se você ver a verdadeira forma do Mimikyu você vai morrer, é um favor que ele faz usando essa fantasia.

— Então você vai batalhar ou não? – Jungkook liberou um Gligar. Que lembrava uma mistura de escorpião voador.

— Você quer lutar com um Pokémon que você não sabe os movimentos?

Mimikyu era assustador apesar da falsa aparência de Pikachu, quando usou as garras, foi como quando capturou a dusk ball, uma mão sinistra saiu de dentro do tecido. Jungkook decidiu que não queria saber a verdadeira forma da criatura.

Namjoon já havia dito que o mundo Pokémon era cheio de mistérios e provavelmente eles nunca conseguiriam descobrir todos.

Jungkook não ficou surpreso quando perdeu, ele nunca ouviu falar de um Pokémon tipo fantasma/fada.

Seu Machoke foi derrotado no quinto andar por um Banette, seu último Pokémon era Riolu, a pokebola estava tremendo inquieta. Jungkook não gostou da sensação.

O sexto andar parecia o último, havia mais luzes e Jungkook finalmente achou seu adversário, ele estava sentado numa poltrona velha que era semelhante a um trono. O garoto usava uma máscara igual a que Duskull usava, seus olhos também brilhavam em vermelho por trás dela.

Riolu saiu da pokebola por vontade própria.

O garoto tirou a máscara, mas não havia nada de assustador em sua aparência, era jovem, talvez jovem demais para ter uma voz tão grave, cabelo acinzentado, mas poderia ser só a falta de luz.

— Era você na visão do Riolu.

O garoto olhou na direção do Pokémon que estava em pose de luta.

— E mesmo assim entrou na torre? Você é bem tolo. – Jungkook franziu o cenho. – O que aconteceu quando eu derrotar o seu pequeno?

Olhos apareceram atrás dele. Um Gastly, Haunter e Gengar ao fundo.

— Nada, eu perdi.

— Não é assim que funciona a torre de Lavender, você tem que me dar algo. – Ele se ajeitou na cadeira, pernas cruzadas.

Jungkook cruzou os braços.

— É assim que o seu time usa TMs? Você pega de outros treinadores.

— Você quer dizer essas coisas?

Mochilas e bolsas apareceram flutuando no teto, muitas delas.

— Você captura pessoas!? Como as crianças? Não era um Pokémon, era? Era você.

— É bem presunçoso da sua parte.

— Quem é você? Você não é um líder e também não é um treinador, os Pokémons em cada andar, eles são da Torre, mas não são seus.

— Kim Taehyung. E eu nunca disse que eu era um treinador ou que eram meus Pokémons, aliás, eu não gosto da ideia de posse, eu não gosto de treinadores.

Riolu estava novamente nos pés de Jungkook, parecendo um pouco menos corajoso. As imagens invadiram a mente de Jungkook, a mesma coisa, a pessoa andando dentro da torre, mas dessa vez mais claro, Taehyung, uma aura negra saindo de sua sombra, seis braços que são asas, seis pés com garras de ouro, mais seis meias argolas douradas em seu pescoço.

Jungkook abriu os olhos e estava deitado no chão, os braços protegendo o rosto. Taehyung agachado ao seu lado.

— Você espiou? Você? – Ele olhou na direção de Riolu. – Vocês não podem ver a verdadeira forma dele, ele não pode sair, está aprisionado. Vocês morreriam.

— O que é aquilo?

— Giratina. É um Deus, está preso em outro mundo. – Ele voltou para próximo do trono. – Eu pergunto de novo, o que aconteceu quando os meus pokémons derrotarem o seu? Eu te desafio para uma luta e sabe o que acontece?

Jungkook se lembrou das lendas de Lavender, eram tantas que a maioria parecia inventada, uma delas era do treinador que captura um Pokémon desconhecido no cemitério e decide fazer sua jornada, mas ele não derrota pokémons, ele mata.

O treinador e seu Pokémon enfrentam líderes de ginásios e pegam todas as insígnias, eles matam pokémons e pessoas, até que retornaram para o cemitério de Lavender, eles transformaram tudo num grande cemitério, então o Pokémon desafia seu mestre para um duelo.

O mestre sabe o que vai acontecer quando perder.

Taehyung sorria de onde estava.

Jungkook nunca pensou que iria morrer, nunca sentiu medo ou paralisado pelo medo. Ele deveria ter confiado em Riolu, ele nunca deveria ter entrado na torre de Lavender, as histórias eram reais.

A cidade era amaldiçoada.

— Você está errado. – Taehyung falou como se pudesse ler os pensamentos de Jungkook. – Não é “Síndrome de Lavender”, é sobre os suicídios de Lavender. As crianças que voltaram para casa, o que aconteceu com elas? Só ficaram desenhando Drifloon? Todas as crianças morreram no andar térreo da torre, suas almas voltaram para casa.

— Você é uma delas? Uma das crianças de Lavender.

Taehyung assentiu.

— O que vai acontecer com você, Jungkookie?

Riolu entrou novamente em pose de luta, mas seus braços tremiam.

— Você quer lutar comigo? Mesmo sabendo que vai perder?

O Pokémon cria uma esfera com seu poder de aura e lança na direção de Taehyung, mas o golpe explode contra uma parede invisível.

— Gengar, está tudo bem. – Taehyung sinaliza para o Pokémon, mas seus olhos tem um brilho avermelhado.

Jungkook puxa o próprio Pokémon pelo braço. Gengar sumiu na escuridão, ficando apenas seu olho vermelho e dentes no fundo. Jungkook sentiu outro calafrio.

— Sabe, se o Gengar ficar próximo você sente algo como um calafrio. – Jungkook tinha certeza que o calafrio vinha da presença de Taehyung e não do Pokémon, mas achou melhor não contestar. – Ele pode estar te amaldiçoando ou roubando sua energia.

— E agora?

— Você pode ir.

— Como é?

— Lendas não são contadas se não sobrar ninguém vivo, pode ir falar sobre Giratina, pode tentar dizer para nunca virem para Lavender, mas não vai funcionar, você não ouviu as lendas, não é? Mas da próxima vez não serei tão bonzinho.

As luzes piscaram iluminando toda a escada, mas o acesso estava mais escuro do que antes, parecia pegajoso também.

— Pode ir, rápido se eu fosse você, quando as luzes se apagarem não tem mais volta.

— O-obrigado. – Jungkook correu sem olhar para trás ainda com Riolu em seus braços, a cada passo parecia que algo o acompanhava, cruzar os andares parecia correr na névoa, com braços e garras passando por seu corpo.

A cada andar que ele cruzava a luz se apagava com um estalo.

Ele escutou passos e se perguntou se era Taehyung descendo, mas a última coisa que iria fazer seria olhar para trás. Havia algo em sua cabeça dizendo para não olhar para trás.

No térreo ele ouviu a risada de crianças e ele se jogou na passagem e se rastejou pela saída que parecia menor do que antes, suas mãos se afundaram na terra e era como sair do próprio túmulo.

Era manhã na cidade de Lavender, Jungkook estava tremendo mesmo com o sol. Ele viu um, par de olhos vermelhos o encarando da janela do terceiro andar e ele tinha certeza que pertenciam a Taehyung.

Jungkook nunca mais colocou os pés na Cidade de Lavender, mas quando sonhava ele estava sempre lá. Ele passou a morar no santuário que Hoseok era responsável e as vezes ajudava Seokjin no ambulatório Pokémon, ele libertou todos os Pokémons no Santuário, Riolu quando evoluiu para Lucario passou a andar sempre ao seu lado.

Com sua habilidade de controlar aura ele agia como uma técnica de hipnose. Namjoon classificou todo o acontecimento como Estresse Pós-Traumático com reabilitação na presença de Lucario.

Hoseok e Seokjin ficavam sempre de olho no mais novo, mas tirando os pesadelos, não parecia a ver nada de errado com ele.

Namjoon foi pessoalmente até Lavander e nunca encontrou uma entrada que não fosse a porta principal, nenhum tipo de selagem, nada, a torre estava perfeita, as portas principais bloqueadas com madeira.

Ele olhou para o céu acinzentado da cidade e num relâmpago viu uma sombra de seis braços.

As luzes da torre piscaram em sequência e um Pokémon apareceu do lado de fora, Namjoon o seguiu e viu uma entrada que antes não estava lá. Mesmo de dia era impossível ver dentro da torre.

Namjoon entrou na torre e Jungkook acordou de um pesadelo, Lucario tinha um olhar preocupado.

No laboratório de Namjoon havia várias pesquisas sobre Giratina e Pokémons lendários, e por último um mapa da torre de Lavender.

— Ele pegou Namjoon Hyung. – Jungkook falou por mensagem para Hoseok e Seokjin. – Lucario, nós temos que voltar.

Hoseok e Seokjin ficaram ainda mais preocupados quando receberam a mensagem, Namjoon chegou no Santuário alguns minutos depois. A porta do quarto de Jungkook foi aberta e estava coberto de desenhos de Pokémons, alguns que Namjoon jamais havia visto.

As janelas do quarto estavam pintadas de preto.

O nome Kim Taehyung estava entre os desenhos. Era um nome relacionado a Lavender, era o nome de uma das crianças desaparecidas, de um treinador, de um policial que ajudou com o caso, de alguma forma o nome sempre aparecia nas lendas.

Jeon Jungkook e Lucario desapareceram na Síndrome de Lavender.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!