Eu tenho levado rasteiras desde quando me coloquei de pé pela primeira vez. Doce e inocente eu, substituída por uma camada grossa de maus sentimentos e presságios, você sabia disso quando decidiu partir meu coração e sair na calada da noite como a droga de um ladrão covarde. Existem coisas que fazemos que torna difícil olhar no espelho depois, não é? Eu sei de algumas suas quase tanto quanto sei das minhas e isso é assustador principalmente quando você comete o primeiro erro comigo. Todos sabem: Não pode vacilar na lealdade comigo ou eu vou voltar dos mortos com a faca que enfiou nas minhas costas pra esquartejar você. É a minha arte. Você sabia muito bem disso quando decidiu finalmente partir o coração que eu escondo do mundo. Indiferença é pros insignificantes, pra você querida, minhas maiores e mais elaboradas crueldades. Mas acho que você sabe, não é? Quem mais teria medo da pequena e descontrolada eu do que quem a conheceu?

Sabe o pior? Eu estava errada. Eu admiti o erro. Eu fui atrás de você e você fechou a porta na minha cara. Não sou como suas amigas que vão se humilhar aos seus pés por perdão. Eu sei meu valor. Aja de acordo ou seja cortado da minha mesa. Todos sabiam. Era tão simples, apenas uma breve conversa resolveria. Agora as coisas escalaram e me sinto traída. Que adeus sem-graça.