Síndrome de Diógenes
1 S.O.S.
Notas iniciais
linguagem de sinais
Olivia
Vó:Marina
cachorro: Black
mãe:
pai:
irmã:
oliveira- arvore
Sentada ali, ao olhar para o céu daquela porporção e identificar pequenos pássaros cruzando o céu a fazia sentir mais calma. Depois de todos os estudos e provas no ensino médio, pensar em férias deveria trazer alívio, mas não o fazia.
Olivia teria que voltar em uma semana para a cidade e enfrentar o temido vestibular, em sua mente ele era mais ou menos parecido com uma cartolina gigante com braços de papel cortante a lhe prender e aprensentar suas falhas. Apavorante e frustante por ter medo de algo que poderia ser facilmente amassado.
Resolveu se deitar, no chão, com a mala que deveria ser desfeita colocada ao lado da varanda, seus pais descarregavam o carro, sua irmã mais nova fazia festa com o cachorrinho de sua avó e a jovem só queria alguns segundos de imersão em paz, para apreciá-los melhor, resolveu contá-los:
— Um, dois, três, quatro, cinco...
— Livia, você pode por favor nos ajudar? — chamava sua mãe.
Com um respiro profuundo e a sensação de desejo não realizado, a jovem se levantou, mas um reflexo forte veio do vale além das montanhas, além das terras de sua família veio em sua direção. Algo no mínimo irritante, que só a fez despertar com mais raiva.
— Diga, mãe..
— Ajude seu pais com as provas, a vovó não pode carregar tanto peso, querida. E lhe entregou uma caixa com as pães enlatados. Outra coisa estranha em sua vida, o fato da sua avó adorar "pães enlatados".
Na soleira da porta encontrava-se sua vó, sorridente ao checar sua família ao longe. Chegando mais perto, Olivia liberou sua mão e cumprimentou a vó em libras e a abraçou.
Sua avó havia perdido a fala ao 50 anos quando teve um AVC após um incidente familiar e desde então todos se adaptaram e aprenderam a linguagem para se comunicar. Ela saiu da Cidade de Pedra Azul no interior de Minas Gerais e se mudou para a fazenda da família que por muitos anos era usada apenas para reencontros familiares nas festas de final de ano e ano novo. Dona Marina se tornou mais reclusa por não conseguir mais se comunicar com o resto da sociedade e vivia com seu pequeno vira-lata Black.
Cruzou a porta alta que rangeu ao ser aberta e seguindo por um corredor estreito e cumprido encontrou seu pai na cozinha guardando os mantimentos.
— Olha quem resolveu nos ajudar! Ele comentou com tom de irônia.
—Eu só queria descansar um pouco.. resmungou.
—Logo todos vamos, só preciso pegar o galão de... — ele se levantou bruptamente e colocou as mãos na cinta — não acredito que esquecemos o galão.
Olivia olhou em volta da cozinha, repetindo os movimentos do seu pai e o fato de que estavam quase sem água foi confirmado.
— Tudo bem, vou lá correndo e sua mãe não vai perceber.
— Ela vai perceber
— É obvio que ela vai, mas eu não vou estar aqui para ouvir as reclamações. E ele saiu da cozinha.
Olivia acabou de guardar os mantimentos e foi para a varanda ao fundo da casa. Parou um momento para contemplar a grande oliveira no quintal, plantada pelo seu avô quando pediu sua avó em casamento. Era quase como se ela pudesse ver os dois plantando e regando juntos essa árvore ao longo dos anos de casados.
— Vamos tomar um banho, você vai depois ok? ouviu a voz de sua mãe ao fundo.
— Tudo bem. — ela respondeu dando atenção agora as montanhas mais ao fundo e foi tocada pela sua avó que perguntou como ela estava se sentindo.
Olivia sorriu e respondeu que estava bem, mas precisava descansar. Sua avó respondeu que a Oliveira é fonte de vida e força, que a neta deveria tocá-la para absorver sua energia.
A jovem fui sendo empurrada e caminhou em direção a árvore para não contrariar sua avó e quando a tocou sentiu uma brisa gelada e pesada que a fez se afastar.
Olhou para trás e não encontrou mais a avó, olhou em volta e parecia que tinha anoitecido, voltou-se para a frente da árvore e chocou-se com uum ser em sua frente. Assustada, ela tentou gritar, mas tudo parecia estar no mudo.
Olivia se afastou com dois passos para entender o que estava em sua frente. Sua capa era comprida e a protegia de corpo inteiro, era como se fosse um reflexo do ambiente em sua volta e tinha um rosto fino que lhe lembrava uma garota de sua sala. Os olhos brancos como uma perola e a boca era um traço preto de pele acinzentada. Parecia doente.
Ouviu então um arranhar em vidro que a fez cair e tampar os ouvidos. O que estava acontecendo.
A persona se aproximou, cheirando e assimilando Olivia. E quanto mais a jovem tentava entender pior ficava em sua mente.
Pare. E esticou sua mão aberta na frente da persona, que a fez parar e cessar o barulho. Levantou levemente a cabeça e se viu sendo analisada.
A estranha fez uma série de movimento estremamente rápidos com suas mãos, mas Olivia entendeu " Quem é você?".
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