Série Titânio: Valentina Gucci
1 Série Titânio: Valentina Gucci
Notas iniciais
Para entender esse conto, leia Henrique Cruz, antes: https://fanfiction.com.br/historia/654257/SerieTitanioHenriqueCruz/
Série Titânio- Valentina Gucci.
Assim que abri os olhos, percebi que estava num quarto vazio. Minha cabeça latejava, devido à batida que o táxi havia sofrido. A última coisa que me lembro é que um cara me raptou. Dois homens me olhavam e eu me encolhi ao ver meu raptor.
— Está tudo bem. — Ouvi sua voz, pela primeira vez, calma. — Não vou te machucar agora. — Ele tentou se aproximar, mas eu me levantei num pulo, correndo para o canto do quarto.
— Ei. — O segundo homem se manifestou. — Ele só estava... Com raiva. — Ele se aproximava lentamente de mim, com seus olhos escuros me fitando, enquanto o meu raptor apenas olhava tudo ao longe, com receio. — Só queremos te ajudar.
— Eu quero ir pra casa. — Sussurrei, olhando-o nos olhos. — Qualquer circo serve, prometo que não conto a ninguém o que aconteceu lá. — Prometi esperançosa, não me sentia à vontade ali.
— Circo? — O outro esbravejou. — Não vou te largar num circo! Você não é algum tipo de objeto para eles exporem por aí!
— Olha, eu não tenho uma vida boa como vocês, isso é tudo que eu sei fazer para ganhar a vida. — Murmurei, antes de me encolher de medo dos gritos dele.
— Vida boa! — Ele gargalhou alto, jogando a cabeça para trás. — Pare de se fazer de vítima, eu te tirei de lá, mas não vai sair daqui tão fácil. — Ele voltou a ficar sério, como se falasse de um segredo importante. — Não antes de descobrir o que aconteceu naquele circo.
— Eu controlo os quatro elementos, posso ir embora agora? — Questionei debochada, me colocando de pé e me aproximando dele, com uma súbita onda de coragem.
— Olha, eu vou deixar vocês dois conversarem... — O homem que estava mais perto de mim avisou, se dirigindo para a porta. — Não se matem.
— Qual é o seu problema, projeto de Hulk? — Perguntei curiosa, encarando-o com os braços cruzados no peito.
— O meu? Raiva, talvez. E o seu, Dama Elementar? — Perguntou, se encostando numa parede e me encarando. — Todos temos alguns.
— Meu nome é Valentina Gucci. — Contei. — No momento, meu problema é você. Por que me raptou? — Perguntei ao me aproximar dele e tocar o seu rosto.
Seus olhos se fecharam no mesmo instante, e suas narinas inalaram o ar com força. Logo ele voltou a abri-los, se afastando de meus dedos.
— Não é bom ficar muito perto de mim. Ainda não sei me controlar direito. — Comentou, coçando sua nuca. — Aliás, eu nem sei o que tenho que controlar, só sei que é parecido com o que você fez hoje.
— Você destruiu minha torre de terra. É forte, não é? Realmente forte. — Perguntei incerta. — Se acha que não deve ficar perto de mim, explica por que me tirou de lá. — Pedi. — Sei controlar minha habilidade, pois faço isso desde os cinco anos... — Murmurei perdida.
— Bem, nem mesmo eu sei o porquê de ter tirado-a de lá. Só... Achei errado. Aquele idiota não tinha o direito de lhe tratar daquele modo Sem falar que você deve ser a única pessoa no mundo que entende como é ser um m... — Ele cortou sua frase no momento em que a primeira letra da palavra saía de sua boca, mas eu entendia bem o que era.
— Exatamente por isso vivia num circo. — Sussurrei, abaixando a cabeça.
— Falei sem pensar. — Ele resmungou, se jogando na cama. — Eu sou o monstro aqui, não você. Afinal, você tem uma espécie de dom, eu, uma maldição. — Podia sentir a raiva e dor que emanavam dele.
— Você é bonito, Hulk. Só precisa se acalmar. — Sugeri, acariciando o rosto dele.
— Bonito? — Ele gargalhou novamente. — Não comece a me cantar, menina. Você é muito nova pra isso. — Brincou, me deixando um tanto constrangida. Só não estava corada pela maquiagem que me cobria. — Quantos anos têm, Valentina Gucci?
— Só estou dizendo a verdade. — Retruquei. — Tenho quinze anos. — Respondi simplesmente.
— Sou velho demais para você. — Disse, como quem falava do tempo. — Bem, tem um banheiro ali. — Apontou para uma porta no canto do quarto. — Com toalhas. Vou deixar uma troca de roupas em cima da cama. Tome um banho e descanse, sairemos amanhã bem cedo. — Falou, sem esperar uma resposta.
— Um banho e uma cama decente seriam ótimos, mas eu não vou a lugar algum. — Afirmei convicta.
— Não estou pedindo, menina. — Deu de ombros. — Agora vá, ou eu faço isso por você, mas não garanto que vá relaxar tanto. — Ameaçou, se levantando e me fitando. — Acho que minhas roupas vão ficar um pouco grandes, talvez ache uma de Bruno.
Saí dali com raiva, enquanto batia a porta do banheiro com força. Logo estava embaixo do chuveiro quente, a água relaxando meus músculos tencionados. Estraguei duas ou três buchas para tirar toda a maquiagem permanente de meu corpo.
Quando saí do banheiro, enrolada numa toalha azul, encontrei uma camisa vermelha gigante e um conjunto de peças íntimas femininas. Peguei tudo e voltei ao banheiro, onde me vesti antes de voltar ao quarto novamente. Ambos estavam ali
— Desculpe, isso foi o melhor que encontramos... — Murmurou Bruno. — Minhas roupas estão na casa de uns parentes e as de Henrique são grandes demais. — Ele estava claramente constrangido, enquanto meu sequestrador — que eu acabara de descobrir se chamar Henrique — me olhava de cima a baixo.
— Tudo bem, está muito melhor que as roupas esfarrapadas que tinha no circo. E foi ótimo tomar banho num chuveiro decente. — Disse a Bruno. — Quer um babador, adulto? — Brinquei.
— Por favor, criança. — Respondeu sorrindo, lançando-me um último olhar, antes de desviar e soltar um sorrido de lado.
— Perdi algo? — Inquiriu o treinador de Henrique, nos olhando intercaladamente, mas nós não respondemos.
— Adulto, estou com fome. — Avisei à Henrique, quando ouvi meu estômago roncar.
— Vou trazer algo para comermos. Henrique não pode sair nas ruas daqui por enquanto, e você não está em condições de... — Ele gesticulou para meu corpo, enquanto vestia um casaco.
Concordei com a cabeça e me deitei na cama, suspirando de prazer em seguida. Ah, como a cama é macia! O projeto de Hulk se sentou aos pés dela, mas não me olhava.
— Há quanto tempo não interage assim com seres humanos? — Questionou, com um leve riso na voz.
— Por que você se importa? — Perguntei, com a voz abafada pelo travesseiro.
— Porque estou vendo sua calcinha. — Gargalhou, se jogando aos pés da cama. Era meio cômico, ver um cara daquele tamanho todo vermelho por conta da risada.
— Desde que saí do orfanato, era tratada como uma mercadoria pelo Mestre de Cerimônias. — Balbuciei triste.
— Ele... Ele já... — Henrique queria perguntar, mas parecia temeroso demais. — Por favor, diga que não. Eu vou me arrepender de não ter batido mais naquele idiota. — Ele rosnava, como um cão. Minha pele começou a pinicar, mas, diferentemente de quando eu fazia algo, vinha de fora, dele.
— Ele tentou une vez... Eu tirei todo o ar do trailer e ele foi parar no hospital. — Disse, olhando-o. — Você está fazendo minha pele formigar. — Comentei inocentemente.
— Não precisa ficar excitada perto de mim. — Gracejou, mas logo voltou ao seu tom sério. — Eu sinto isso quando estou com raiva, então vem a força... — Ele parou por um momento, parecendo se lembrar de algo. — Mas então senti de novo, no espetáculo, vindo de você.
— Acho que é você quem está babando por mim. — Ri também. — É, você é mesmo o Hulk, mas é bonito. — Brinquei de volta. — Será que isso significa que estamos ligados? — Questionei curiosa.
— Não acredito nessas coisas, menina. — Ele negou com a cabeça. — Só precisamos descobrir o que somos sem irmos parar na Área 51. O que não é fácil, considerando que você sabe o truque da natureza e eu consigo quebrar a cara de quem eu quiser. — Fez um gesto exasperado com as mãos, tentando, inutilmente, me imitar na apresentação.
— Assim. — Me concentrei, como sempre fazia, sentindo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. A formicação voltou, mas não era mais difícil, eu fazia aquilo há anos. No começo, era sufocante, hoje não. O ar virou algo sólido para mim, que eu podia facilmente brincar, o que estava a fazer. — Você poderia ser um mercenário. Se estiver à procura de um emprego, lá seu dom não seria um problema, adulto. — Pontuei, lhe mostrando a língua.
— Já tenho um emprego, e é algo do tipo. — Murmurou ofegante, fechando os olhos e apertando os punhos com força. O formigamento em minha pele aumentou, e sabia que vinha dele também. — Por favor, pare, isso me machuca. Me deixa nervoso. — Sua voz estava entrecortada.
Então eu esvaziei-me daquilo e deixei que o ar fluísse como algo normal por minhas mãos. O formigamento parou no mesmo instante. Puxei uma manta, com a qual eu me cobri depois de deitar.
— Sinto muito. — Murmurei, fechando os olhos.
— Ei, criança. — Ele me cutucou o pé depois de um tempo, quando parei de sentir aquela coisa emanar de seu corpo. — Me desculpe, eu só... Não estou acostumado com isso. Não consigo me controlar como você, é impossível.
— No orfanato, me batiam toda vez que eu usava meu dom, aprendi na marra. — Disse de forma monótona. — Estou com sono, adulto. Me acorda quando o outro chegar. — Pedi antes de bocejar.
— Espera! — Gritou Henrique, me sacudindo. — Do que você chamou? — Inquiriu de olhos arregalados.
— Adulto. Se eu sou criança, você é o adulto, certo? — Questionei, sentindo minhas pálpebras pesarem.
— Não é isso, menina. Você chamou de dom. — Ele parecia exasperado, mas vi sua expressão se suavizar quando olho para meu estado. — Conversamos mais depois, criança. Durma.
E foi isso que eu fiz, me virei de lado e fechei os olhos, vendo sua sombra se dirigir para o outro lado do quarto, apagando as luzes. Tudo que ouvi antes de imergir no sono foi um “agora é seguro”.
***
Eles riam de mim conforme eu passava pelas fileiras de beliches. Eu entendia, não era todos os dias que alguém com roupas circenses entrava num orfanato, principalmente naquele estado. Toda roxa, suja, estranha. Estranha, fora disso que meu pai me chamara. Anormalidade, dissera minha mãe, enquanto me jogava para fora do carro.
Tudo porque eu os salvei, não sei como fiz isso. Porém, no fundo, sabia que eu mesma causara o incêndio. Estava apenas fascinada com a chama que se acendia no pequeno fogão de nosso trailer, então imaginei como seria ser a chama, quente e dançante. E, de repente, eu era. E ela me “obedecia”. Porém, quando achei que a controlava, tudo saiu do controle.
Depois disso, fui deixada para trás, como um brinquedo velho. No orfanato só de meninas, tinha um grupo de garotas que sempre me atazanaram por eu ter origem circense. Mas então pararam e escolheram outro motivo para tal feito. Como eu era uma criança solitária, tive de aprender a brincar sozinha, e o que melhor que meus dons para tal feito? Aprendi a domá-los vez ou outra, mas sempre escondida, com medo.
A chuva caída forte lá fora, por isso fomos mandadas para a cama mais cedo. Ao entrarmos no dormitório, notamos várias goteiras sobre nossas camas, mas sabíamos que não podíamos reclamar ou ficaríamos sem sobremesa no dia seguinte. Assim que me deitei na minha cama, uma gota pingou em meu rosto. Não conseguiria dormir assim. Queria que parassem mas não sabia direito como controlar. Após algumas tentativas e um formigamento forte em minha pele, adormeci rapidamente, seca. Acordei horas mais tarde, com a diretora do orfanato gritando, pois queria saber por que na minha cama não tinha goteira.
Mas não tinha forças o suficiente para manter aquela conversa. Nunca segurara aquilo por tanto tempo, e a dormência em meu corpo estava me deixando zonza. Acabei desmaiando por alguns minutos, e, quando voltei a mim, os pingos tinham voltado a cair em minha cama. Todos me olhavam assustados, com nojo.
Desde daquele dia, eu fui colocada na solitária, um quarto minúsculo, com apenas uma janela alta, uma cama enferrujada com colchão e travesseiro polidos e um baú. Lembro que a diretora me disse que ninguém adotaria uma aberração da natureza.
Mas então adotaram, e eu preferia que nunca tivessem o feito. Quer dizer, que criança renegada pelos pais, jogada num orfanato, maltratada, não ficaria feliz se seu padrinho lhe adotasse? Foi aí que o pesadelo realmente começou.
Eu tinha apenas dez anos quando fui levada ao Circo Coliseu e forçada a trabalhar como mágica. Desde que minhas apresentações começaram, o faturamento do lugar cresceu exponencialmente, mas eu mal ganhava comida e água, ou tinha direito a descansar. Depois da escola, eu passava todo o meu tempo livre levando chibatadas nos treinos de meu dom ou me apresentando.
***
Já se passaram dois anos que Henrique e eu fugimos da Itália. Literalmente fugimos, já que a polícia começou a investigar a morte de meu padrinho. Voltei a estudar, e hoje, com dezessete anos, estou no Ensino Médio. Bruno sumiu, o que foi bom, ele era alguém de ótimo caráter, não merecia se envolver nisso. Henrique pegou toda a poupança que tinha ganhado em sua curta carreira como lutador e então nos mudamos para Pequim. Foi difícil de me acostumar com essas coisas, mas, também, preciso.
Henrique trabalha na segurança de um importante empresário, e vive me perguntando se eu quero fazer faculdade. Bem, que garota não quer, não é mesmo? E tudo estava pronto. No próximo ano eu iria me formar e cursar direito, trabalharia como advogada e nós seguiríamos nossas vidas como o casal feliz que nos tornávamos.
Bem, foi isso que pensei quando ele chegou esta noite em casa, cansado, mas ainda preocupado comigo.
— Como estão os estudos, criança? — Ele perguntou enquanto devorava seu jantar. Mesmo depois de um tempo ele mantinha essa brincadeira. E eu participava dela, maravilhada com tudo que ele me causava.
— Estão bem, adulto. Já não preciso mais ir às aulas, pois fechei todas as disciplinas, minha menor nota foi oito, já estou de férias. — Contei orgulhosa. — E como foi seu dia? — Questionei, acariciando seu rosto.
— Foi engraçado. — Ele parou de comer e me fitou. — Um bêbado tentou entrar na sede, alegando que o dono era seu marido. Assim que ele me viu parado lá, deu meia volta e saiu cambaleando. — Respondeu gargalhando. — Estou orgulhoso de você. — Segredou, e pude ver sinceridade em seus olhos.
— Obrigada. — Sorri abobalhada. — Estive pensando que poderíamos fazer uma pequena horta em vez de um jardim, ali nos fundos. — Comentei, acariciando seu cabelo. — Você é tão lindo. — Sussurrei, mordiscando a ponta do nariz dele.
— Acho uma boa ideia. — Sorriu, se levantando e depositando seu prato na pia. — Quer que eu lave a louça? Deve estar cansada. — Mudou de assunto rapidamente. Ele era péssimo em relação a essas coisas de sentimentos.
— Se você lavar a louça, vou ligar o aquecedor do quarto, a previsão do tempo diz que hoje de madrugada fará frio. — Falei, ignorando o fato dele ter dificuldades de assumir seus próprios sentimentos.
Ele murmurou um “obrigada”, enquanto lavava a pouca louça de fim de dia que restara ali. A noite já caíra lá fora, e nosso bairro era calmo o suficiente para que eu apenas chaveasse a porta e descesse para o porão. Liguei o aquecedor e logo subi para nosso quarto, que ficava no mesmo andar que o resto. Era uma casa pequena, mas perfeita, em minha opinião.
Fui para o armário e peguei um pijama flanelado, antes de seguir ao banheiro me trocar. Ao voltar, me deitei sob as cobertas e apoiei a cabeça no peito de Henrique.
— Posso ficar assim? — Questionei baixinho.
Ele não respondeu, apenas me puxou mais para perto e acariciou meus cabelos, mostrando uma fraqueza que eu sabia que ele não tinha. Mas logo minhas pálpebras pesaram e o sono me venceu.
***
Não sei por quanto tempo eu dormi, mas acordei com sons vindos da cozinha. Alguma coisa quebrou ao se chocar com o chão. Decidi que precisava ir fechar o vidro ou logo a casa estaria gelada, sorte do Rick, que tem sono pesado, pensei ao sair de baixo das cobertas.
Passei pelos corredores, ainda sonolenta. Isso acontecia com frequência, quando eu esquecia alguma janela aberta. Cocei meus olhos, alcançando o interruptor da cozinha e acendendo as luzes. Esperei que minha visão se acostumasse com a claridade, e logo gritei com o que vi.
Um homem loiro entrara pela janela da cozinha. Dei um grito ensurdecedor e, ao gritar, Rick apareceu atrás de mim, me puxando para si.
— Se eu fosse você... — Ele começou, e logo senti minha pele formigar com sua raiva se sobrepondo. — Eu sairia daqui.
Mas o rapaz continuou nos fitando sem expressão alguma, até que seus lábios se curvaram num sorriso estranho, quando as vibrações de Henrique ficaram mais fortes. Então ele estendeu sua mãe em nossa direção, e ouvi Henrique soltar um grunhido de dor. Quando me voltei para ele, o mesmo estava parcialmente agachado, segurando fortemente a cabeça.
— Fica. Longe. Dele. — Grunhi entredentes, me abaixando e tocando o ombro de Rick.
Comecei a entrar em desespero. O grandão estava, claramente, com muita dor. Eu não sabia o que fazer. Olhei para o cara na minha cozinha, ele parecia concentrado, olhando fixamente para Henrique. Eu não podia deixá-lo morrer assim. Não aquele que me salvou de meu padrinho.
E então eu lembrei daquilo que fizera anos atrás. Não usava meus dons há muito tempo, e provavelmente me machucaria com aquilo, mas não tinha escolha. As lágrimas brotaram em meus olhos, quando me concentrei o suficiente para que minha pele começasse a formigar também, de modo absurdo, pois não vinha só de mim, mas Rick estava quase desacordado...
Então inspirei fundo, tomando cada vez mais ar, que era retirado do ambiente. Conforme o ar entrava em meu corpo, eu observava o rosto do invasor ficar pálido e sua concentração. Eu podia senti-lo em minhas mãos, como se fosse meu brinquedo, e eu o privasse daquele homem.
— Estão vindo. — Sussurrou esganiçadamente, antes de cair inerte no chão.
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