Rápida fuga no natal
1 Capítulo único
Por os enfeites na árvore, assar o peru, receber os parentes que não vemos o ano inteiro... Esse era o natal! Não era algo que Catarina gostava muito de comemorar, mas já que era algo obrigatório procurava se divertir o máximo! Afinal, era mais um dia a ser vivido com alegria não é mesmo? Sim! Pode crer, irmão! Bom pelo menos era assim para Catarina... Claro que ela não deixava de se preocupar com a sua namorada desanimada... Afinal, esse era um contraste um tanto curioso entre as duas: Uma transbordava alegria e simpatia por onde passava, e a outra estava sempre à espera da próxima catástrofe.
Depois de ajudar a sua mãe a temperar o peru, ouvir pela enésima vez a piada do pavê e perguntarem onde estavam os namoradinhos, ao qual Catarina respondeu que no momento estava apenas arrasando corações, a mesma foi para o quarto. De inicio encarou a sua coleção de lhamas de pelúcia coloridas que estavam em uma prateleira, com exceção da sua lhama favorita que ficava em sua cama e dormia com ela, depois focou no vaso de gérberas vermelhas e sorriu ao lembrar quando ganhou a primeira daquelas flores de Noele... Foi no dia em que ela confessou seus sentimentos por Catarina, e ela se derretia toda vez que lembrava da declaração tímida da namorada. E claro, com os cuidados certos a única gérbera que lhe foi dada se tornou um lindo arranjo!
Pegou uma das flores e o ajeitou sobre a sua orelha em seu cabelo afro cor de rosa, pegou sua lhama preferida e abriu a janela... Precisava ver Noele... Pretendia dar uma saída rápida, afinal a casa da namorada não ficava muito longe. O único e grande problema era que estava chovendo... Oras porquê tinha que chover justo naquele dia? Não havia chovido a semana inteira... Se soubesse dirigir poderia pegar o carro de sua mãe emprestado e... Quer saber? Foda-se! Catarina não era de açúcar e pretendia enfrentar aquela chuva idiota e desnecessária para ver o seu amor! Afinal, ela detestava ficar se lamentando por coisas bestas, e em sua opinião, isso era algo besta!
Abriu a janela e pulou para fora. Já que seu quarto era no primeiro andar, não teve problemas com isso... Apesar de que havia uma poça de água suja bem aonde ela havia pousado, logo de cara molhando os seus tênis e suas meias... Pior sensação...
—Eu definitivamente odeio chuva!
Saiu correndo as pressas debaixo da chuva, tentando proteger a lhama de pelúcia (como se fosse adiantar de algo), Por vezes sorria e começava a rir pensando em como o céu estava lindo, ou admirava algumas das casas que estavam cheias de pisca-piscas pelas quais passava. Por fim, depois de alguns minutos correndo, finalmente chegou a casa de Noele, já nem ligando mais para a chuva, pois já estava toda encharcada.
—A mamãe vai me matar quando eu voltar – Ria divertida.
Agora a grande questão do momento: Como entrar na casa sem ser percebida e sem sujar tudo? Poderia dar uma de papai Noel entrando pela chaminé, afinal praticava parkour e subiria no telhado facinho. O único empecilho era que eles não tinham uma chaminé... circundou a casa e percebeu que tinha uma árvore nos fundos, e um desses galhos alcançava a janela... Bem, para quem planejava subir no telhado, o que é subir em uma árvore?
Botou a lhama de pelúcia na boca e foi escalando a grande aroeira com cuidado para não escorregar e não acabar com um dedo enfarpado. A chuva finalmente deu uma estiada, e Catarina conseguiu ir até o galho desejado próximo a janela. Só então se tocou que não sabia se aquele quarto pertencia a Noele, pois nunca havia entrado de fato naquela casa, apenas acompanhou a namorada até o local. Mas a julgar pelos posters de banda de rock e a maquete do sistema solar sobre a cama, deveria ser o quarto dela sim... Agora invadiria? Como chamaria atenção da namorada? Ficou um tempo se segurando nos galhos até que a própria Noele entrasse no quarto com a expressão habitual de desanimo e percebesse Catarina na janela com uma pelúcia na boca sorrindo. Prontamente a mesma correu até a janela e a abriu desesperada.
—Catarina! O que faz aqui? Ohh meu deus você está toda encharcada – A ruiva lamentava – Desça daí, vou ai fora! – Dito isso virou as costas apressada e saiu, voltando depois de dois segundos para pegar o seu par de botas de borracha e saindo novamente apressada. Catarina desceu da árvore com menos cuidado do que quando subira, estava ansiosa para ver sua querida, que logo apareceu e a abraçou.
—Meu amor!
—Catarina é muito bom te ver mas o que você faz aqui? Achei que tivesse a cerimônia da sua própria família...
—E tem! Mas eu dei uma fugidinha pra te ver! Sei que você anda desanimada ultimamente...
—Eu ando desanimada sempre, principalmente quando estou com a minha família desanimadora – Fez um bico – Só você que torna os meus dias mais leves – Ambas sorriram – Ohh você está usando a flor que eu te dei!
—Na verdade acho que é uma das filhas da flor que você me deu! Incrível o que o amor pode fazer, não?
—É... – Sorriso tímido — E Você trouxe uma das suas pelúcias...
—Ohh sim! Essa é a Calabresa – se refere à lhama – É a minha favorita! Eu durmo com ela toda noite a anos, tem o meu cheirinho! Quero que você fique com ela para se lembrar de mim!
—Ohh... Você trouxe para mim? – Indagou Noele, pegando a pelúcia levemente rubra – Mas você acabou de dizer que é a sua favorita... Não posso tirar isso de você...
—Você não está tirando, eu estou te dando de todo o meu coração! E de qualquer forma, ela voltará para mim quando formos morar juntas! – Disse mexendo os ombros como se dançasse...
—Eu nem sei como te agradecer... Nem comprei nada para te dar...
—Não precisa – Catarina pegou no rosto de Noele delicadamente – Você já é meu maior presente...
Noele sorriu, e ambas selaram seus lábios em um beijo calmo e cheio de ternura.
—Eu desejo que no próximo ano nós possamos ficar mais unidas do que já somos...
—Amém...
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