Ryushi
1 Prólogo
Notas iniciais
O início de tudo fora marcado por um árduo conflito: A batalha entre Luz e Escuridão.
Embora tomasse formas e rumos diferentes, toda essa conflagração se resumia no anseio de ambas as partes para permanecer no mundo atual.
Não importava quantas vezes a Escuridão falhasse, esta sempre retornava, e isso era inevitável. Afinal, o equilíbrio é o princípio básico de tudo…
[Março de 2000 — 2ª Era Ryushi]
O território continental das nações que formavam o "Círculo Harmônico" era composto de diversas ilhas, cada uma com sua respectiva extensão territorial, cultura, tecnologia e meios.
Apesar de possuírem seus próprios líderes, as ilhas se mantinham unidas em um tratado de não agressão e livre tráfego.
Após as intensas guerras provocadas na 1ª Era Ryushi, o conhecimento e estudo da Energia Mística chamada Tsuyobu mostrou-se um mal necessário.
Embora não conhecida apenas desta maneira, a Tsuyobu era forma mais genérica de controle da Energia que envolve os seres vivos e não-vivos do mundo.
Essa ação era na verdade um ato de prevenção para que a Escuridão não prevalecesse novamente. A 2ª Era estava em seu início, e em seu apogeu, os Dragões antigos iriam desaparecer… Todos deviam estar preparados...
…
Em um templo distante, isolado dos distúrbios e agitos do centro, um velho homem meditava sobre uma rocha no centro de uma poça redonda.
Seu corpo era musculoso, e seus cabelos, apesar de brancos, aparentavam possuir um estranho brilho dourado.
Este estava trajado com uma batina característica do templo de cor branca e um colete dourado no centro.
A área era fechada, porém as chamas que a iluminavam davam a impressão de que estava ao ar livre sendo iluminada pela luz do sol.
Árvores de diversos tipos decoravam os arredores, e suas pétalas marcavam o solo, formando uma passarela colorida.
Dentro da poça, pequenos peixes seguiam o fluxo espiral da leve corrente. Tudo aquilo arranjava uma fraca porém doce harmonia, era a Tsuyobu.
Tudo corria bem, até que algo chamou a atenção do homem, que imediatamente abriu seus olhos, estes que eram verdes.
Ao avaliar a poça ele notou que um dos peixes estava morto, afogado no fundo, contaminando o resto da água com sangue.
Lentamente, o sangue tomou conta dos outros peixes, os cobrindo por completo, e ironicamente, os afogando…
Em alguns instantes, as águas cristalinas se tornaram grossas e negras…
Uma energia intensa emanou da poça, provocando uma vibração desarmônica nesta. Na medida que o tempo passava, ela se tornava mais forte, e em uma questão de segundos uma poderosa explosão ocorreu desta.
— !! — Rapidamente, o homem saltou da rocha, esta que foi destruída. Enquanto ainda estava fora do solo, um forte fluxo de água disparou violentamente contra a sua direção, porém, ao canalizar a Energia na ponta de seus dedos, ele a repeliu, a arremessando a uma parede próxima. Antes que a água colidisse, esta retornou até sua forma original, assim como o restante da poça. — Isso é ruim… — Bufou o homem.
Imediatamente, dois monges adentraram a sala preocupados. Eles trajavam a mesma batina, e ambos tinham cabelos loiros.
— Mestre Kiniro!! — Gritaram ambos.
— Não se preocupem, já está tudo bem novamente... — Respondeu Kiniro enquanto analisava a poça.
— A-A gente sentiu uma energia estranha, e depois veio esse estrondo e…
— Eu já disse que tá tudo bem! Eu não sou tão velho assim sabia?! — Brincou Kiniro.
— Tem certeza disso, mestre?
— É claro que eu tenho! Ai, ai... Onde foi que eu deixei meu telefone hein?…
— É… Mestre?
— Ah, enquanto a vocês dois? Deixa eu ver… Ér... Vão e falem para todos que está tudo bem com um sorriso no rosto, depois meditem o 2º pilar por mais algumas horas!
— ? — Ambos se olharam confusos, mas logo em seguida se curvaram. — Sim Mestre Kiniro!! — Após aceitarem, ambos se retiraram imediatamente da sala.
Após suspirar, o homem deixou a sala, fechando os portões logo em seguida. Uma aura dourada foi posta nestes os trancando.
Do bolso de sua batina, Kiniro sacou um telefone portátil, e ao transferir a aura dourada neste, uma ligação foi feita.
— … Sim, e chame os outros também... Sim, noite eterna… — Disse Kiniro em um tom sério.
…
[Ilha do Sol]
O território da Ilha do Sol era marcado por um grande vale montanhoso, o que impossibilitava a construção de moradias apropriadas no local.
Porém, apenas uma estrutura se mantinha nesta, no topo da montanha localizada no extremo norte da Ilha, um templo, um lugar onde os guerreiros mais poderosos se encontravam e decidiam assuntos isolados do Conselho Harmônico, o Templo do Dragão.
Dentro deste, uma grande mesa redonda de mármore permanecia estável acima de um profundo lago, assim como os assentos de mármore que acompanhavam esta.
Eram 6 no total, porém apenas 4 estavam presentes, um destes era Kiniro. Aqueles eram os Ryushi, os guerreiros que possuem o Espírito dos Dragões em sua alma.
[Midori — O Dragão Esmeralda] — Você parecia estar bastante nervoso quando ligou… — Ele trajava uma jaqueta verde assim como seus olhos, seus cabelos eram longos e negros e seu rosto se assemelhava a de um jovem adolescente.
[Kiniro — O Dragão Dourado] — Se é com a minha saúde que se preocupa, nada mudou, hoje ainda será meu último dia…
[Ao — O Dragão Turquesa] — Isso não é um motivo pra não ficar preocupado. Você vai fazer bastante falta velhote! — Ela possuía cabelos curtos em uma coloração azul escura e trajava um vestido azul. Também aparentava estar nos últimos estágios de uma gestação.
[ Akado — O Dragão Carmesim] — E você ainda consegue dizer isso com tanta calma! Você não tem coração não?!
— Hm. Eu agradeço a preocupação de todos, mas agora devemos tratar do assunto principal… — Disse Kiniro. — Hoje enquanto meditava pela última vez, a poça reagiu de uma forma que eu nunca havia visto…
— Então não foi um simples presságio do retorno da Escuridão não é?… — Comentou Midori.
— De fato não… Desta vez, a carpa corrompida consumiu todo o resto com seu sangue, cobrindo toda a poça em escuridão, Noite Completa... O Dragão Negro irá retornar, e será pior que das outras vezes…
— É difícil de acreditar… — Disse Ao. — Shiro selou grande parte do seu poder!
— E ele tentará retomá-lo, em algum momento desta 2ª Era…
— Todos já estão tomando as precauções necessárias. — Disse Akado — Desta vez, nós poderemos nos defender.
— … Eu espero que isso seja o suficiente... Não é certo o quanto vai demorar até a próxima encarnação do Dragão Dourado, muito menos quem será… Também espero que isso ocorra o mais cedo o possível. Quanto mais de nós, melhor.
— Isso quer dizer que… — Disse Ao.
— É uma pena, mas seus filhos irão fazer parte disso...
— Não há porquê não estar confiante em relação às crianças. — Disse Akado no tom confiante de sempre. — Eles serão primeiros legítimos filhos de Dragões, não apenas reencarnações!
— Eu esperava poder dar a eles uma vida normal, mas eu temo que não será possível… — Disse Ao.
— Akado está certo em confiar neles. Os filhos dos Dragões Carmesim e Turquesa. Eles estavam em minha meditação, e em boas visões...
— Isso é confortante de se ouvir. Obrigada velhote.
— No final das contas eu acabei os reunindo aqui para um aviso bem breve... Ao menos foi bom para vê-los uma última vez. — Disse Kiniro com um sorriso no rosto.
— Para! — Brincou Midori. — Desse jeito você vai me fazer chorar!
…
O pôr do sol projetava as sombras das montanhas na água do rio, soprando o frio da noite que logo iria tomar conta do céu.
— É uma bela vista… — Disse Akado. — De poucos lugares é possível ver o sol tão livremente, que privilégio.
— É, sem dúvida. — Disse Kiniro.
— Você tem mesmo que partir hoje? Eu… Queria que visse meus filhos... — Comentou enquanto permanecia encarando a vista.
— Não há porque esconder seus sentimentos agora, jovem Akado...
— ...
— Aliás, não é necessário que se preocupe com isso, minhas visões foram belas, e você sabe melhor que os outros que eu quase nunca erro! Afinal, eles irão nascer hoje!
— H-Hoje?! Mas os médicos falaram que!-
— Hehe! O seu tom mudou bastante agora!... Não dia a Ao que eu te contei isso, ela ficaria brava comigo!… Você será um bom pai Akado, assim como Ao será uma ótima mãe. Hum, bem, eu acho melhor você se apressar! Você ainda tem muito pela frente…
— Então isso é um adeus, velhote... — Disse Akado ao se virar. — Eu espero que possamos nos reencontrar algum dia.
— Eu também…
Na medida em que o sol descendia, as sombras cobriam o templo, e a sua hora chegava.
— Não se esqueça de mim velhote! Pois eu certamente não esquecerei de você, mesmo em meus últimos momentos!!
Em um piscar de olhos, uma energia vermelha envolveu Akado e "desfez" sua imagem do local, uma projeção de Tsuyobu, e assim fez Kiniro, porém este não era uma projeção.
— É claro que eu não irei... Adeus companheiros…
O sol se foi, e assim o brilho dourado de sua alma. O vale fora coberto por sombras, e o templo, já não abrigava mais ninguém...
…
[2010 — 2ª Era Ryushi]
Encontrado no Leste do Círculo Harmônico, o País do Rosário misturava os aspectos do progresso com a arquitetura e estilo tradicionais.
Os cidadãos, apesar de incluídos em toda essa tecnologia, ainda aderiam às religiões e costumes antigos, o que tornava aquele local único, um dos principais pontos turísticos e sede de diversos encontros diplomáticos.
Por entre as calmas ruas, e o trânsito fraco, dois jovens usando uniformes de escola se apressavam até um lugar específico. A empolgação era facilmente notada nos rostos dos dois.
— Se apressa, Hiro! Você vai ficar pra trás!! — Disse um dos jovens, seus cabelos eram negros e medianos e seus olhos possuíam uma coloração azul escuro.
— Você vai acabar chegando cansado, Akira! — Disse Hiro. Sua aparência era semelhante a do outro jovem, porém seu cabelo era curto e um pouco espetado.
Após alguns minutos de corrida, ambos adentraram em uma trilha que levava para um lugar longe da cidade, uma mansão entre a floresta.
Ao adentrarem, ambos se desfizeram de suas mochilas e trocaram suas roupas.
— Ah, droga! — Disse Akira enquanto retirava seus sapatos.
— Bote eles em ordem, Akira! — Advertiu Hiro.
De uma escadaria próxima do local, uma figura se aproximou. Ela trajava vestes casuais, seus cabelos eram curtos e azul escuro, era Ao!
— Vocês fazem muito barulho!… — Disse Ao no meio de um bocejo. — Por que tão ansiosos assim?…
— A gente aprendeu sobre a Tsuyobu hoje! — Disse Akira.
— E você tinha prometido nos ensinar quando acontecesse! — Completou Hiro.
— Eu tinha é? — Indagou Ao ainda despertando. — Hm… Deixa isso pro seu pai…
— Mas ele vai chegar tarde! — Reclamou Akira. — E você tinha prometido!
— É! E pelo visto você também acabou de acordar! — Disse Hiro. — Você deve tá bastante descansada!
— E quem você pensa que é pra falar assim comigo?! — Disse Ao furiosa. — Hum… Tá bom, eu ensino vocês!
— É! — Comemoraram os jovens.
— Mas comam primeiro! E tomem um banho antes de tudo! Vocês tão fedendo!
…
Nos fundos da residência havia uma grande área isolada. Ela estava disposta com vários alvos, equipamentos e bonecos de treino. Lá, Ao, Akira e Hiro se encontravam, todos trajando vestes especiais para a ocasião.
— Muito bem, eu acredito que vocês tenham prestado atenção na aula e que sabem como funcionam os 3 Pilares da Tsuyobu, certo? — Perguntou Ao. — Akira?
— É… Tinham 3? — Perguntou Akira nervoso.
— Os 3 Pilares: Força, Harmonia e Espírito! — Disse Hiro. — Você tava viajando ou algo assim?
— Eu acho que sim, hehe! — Respondeu Akira.
— Muito bem. Pra resumo de tudo, a Tsuyobu emprega esses 3 Pilares independente de tudo, e todos que a dominam dominam também o básico de cada um dos 3. O 1º Pilar é a Força, a capacidade de utilização da Tsuyobu em seu próprio corpo; O 2º Pilar é a Harmonia, a capacidade de sintonizar a sua energia com o exterior; O 3º e último Pilar é o Espírito, é a manifestação individual da Tsuyobu em um ser, ele pode apresentar forma e propriedades infinitas, cabe a você manipular seu espírito à sua vontade.
— Nossa! — Disse Akira maravilhado. — Qual é o meu Espírito?
— Isso é uma pergunta que não cabe a mim responder, mas sim a você.
— Hã?
— E como a gente pode ver o Espírito? — Perguntou Hiro.
— Bem, o Espírito reside entre a Força e a Harmonia, se você quiser vê-lo fisicamente, vai ter que concentrar a Tsuyobu nesses dois Pilares ao mesmo tempo!
— E como se faz isso? — Perguntou Akira.
— Bem, pra que a Tsuyobu desperte, você primeiro precisa ter uma completa noção de "quanto" você é, qual é o seu objetivo é várias outras coisas.
— E o que acontece se alguém mudar completamente? — Perguntou Hiro.
— A Tsuyobu muda da mesma maneira. Isso pode ser bom em alguns casos, mas em outros, a energia se torna completamente diferente do que o usuário estava acostumado.
— Nossa… Mas pensar num objetivo é bem difícil!
— Não se preocupe, isso é o que menos importa! Por enquanto, apenas pensem em: "Eu quero aprender", sempre funciona em jovens como vocês!
— Ok! Assim vai ser muito mais fácil! — Comemorou Akira.
Ao se posicionarem, ambos fecharam os olhos e começaram a meditar. Em súbitos segundos, era como se tudo ao redor tivesse simplesmente desaparecido. Nenhum som ou sentimento, aquele momento estava isolado de todo o resto, e era disso que eles precisavam.
Aos poucos, uma leve melodia se juntava a cada pensamento, e com ela, as respostas eram trazidas em uma questão de segundos.
Estava lá, a Harmonia, a Tsuyobu! Como uma luz que fornecia calor e ao mesmo tempo esfriava seus corpos. Um véu que os unia e os separava ao mesmo tempo, uma chama queimando em suas almas!
— Isso, eu já consigo sentir a Tsuyobu em vocês! — Disse Ao. — Agora, forcem seus músculos com a Força e expulsem-na para o lado de fora, usando a Harmonia!
— Ha! — Os dois gritaram em uníssono.
Em um instante, uma poderosa aura foi materializada de ambos, afastando todas as folhas próximas com um poderoso vento. De Akira, um brilho azul intenso foi emanado.
— Uau! Isso foi rápido! — Disse Ao impressionada. — É bem mais poderosa do que o esperado pra idade de vocês!
— O que a gente faz agora?! — Perguntou Akira empolgado.
— Nossa, e pelo visto vocês ainda conseguem a manter neste estado! Muito bem! Antes de mais nada, agora precisamos descobrir o elemento de suas Auras!
— Elementos? Não tinham falado disso nas aulas… — Comentou Hiro.
— Bem, os elementos servem como uma base para seu Espírito. Existem técnicas que podem ser aprendidas apenas tendo o domínio de certo elemento, diferente do Espírito individual. Mas de qualquer maneira é como um bônus, ele não atrapalha, apenas ajuda.
Ao materializar sua Tsuyobu, Ao conjurou um pequeno pedaço de papel em cada uma de suas mãos.
— Agora, pra saber qual é o elemento, eu colocarei este pedaço de papel dentro de suas Auras, se ele queimar, o elemento é Fogo, molhar, Água, se for repelido, é Ar e se solidificar, Terra.
— Uau! — Disse Akira empolgado. — Testa em mim!
— Se você diz… — Com o papel em sua mão direita, Ao se aproximou da Aura expelida por Akira, e no exato instante em que este a adentrou, sua superfície sofreu uma intensa queimadura. — Olha só, parece que é fogo!
— Eu não esperava por isso mas, é ótimo! — Disse Akira.
— Muito bem, agora para Hiro…
Ao aproximou o papel à aura de Hiro, e com o menor contato, este fora repelido para longe.
— Então é ven- — Antes que pudesse terminar, uma explosão foi ouvida, era o papel! E em meio a fumaça, pequenos pedaços de pedra assim como gotas de água caíram no chão. — O que?
— Ah! — Disse Akira maravilhado.
— Ele!… — Disse Hiro surpreso.
— Nesse caso foram, todos os 4?! Isso… É realmente impressionante!
— Caramba, Hiro, isso é demais! — Disse Akira.
— (A aura de Akira é poderosa, é possível sentir a energia do Dragão até mesmo nesse estado inicial! Em contrapartida, eu não consegui sentir a mesma intensidade na de Hiro, porém o fato de possuir todos os 4 elementos é bastante raro! Eles com certeza não são como crianças comuns…)
— Agora como eu faço pra "soltar" o meu Espírito?!
— Bem, vocês ainda precisam de tempo pra dar forma a ele, contanto, há uma pequena chance de vocês serem capazes de materializar algo semelhante ao meu e ao do seu pai.
— Mas como?! — Perguntou Hiro.
— Algumas técnicas são passadas hereditariamente, o que significa que membros de uma mesma linhagem podem "imitar" o Espírito uns dos outros. Akira, tente focar a Tsuyobu em um de seus punhos usando a Força, mantenha ela assim e ataque aquele alvo de madeira! — Disse Ao apontando para um boneco de madeira.
— É igual aquele golpe que você faz? — Perguntou Akira.
— Quase isso. Se você conseguir se lembrar de como é a sua forma, você pode fazê-lo com mais facilidade.
— Ok!
Ao fechar seus olhos novamente, Akira controlou o fluxo da Tsuyobu. Era como se uma única gota de água estivesse viajando pela superfície de seu corpo. Ao concentrar bastante, ele a focou em seu punho direito, que logo brilhou com um fluxo de energia azul.
— Uau! — Disse Hiro maravilhado.
— Ótimo, agora ataque o alvo! — Ordenou Ao.
Ele sentia que não iria aguentar por muito tempo, então rapidamente correu em direção ao seu alvo. Enquanto avançava, Akira memorizou como a técnica de Ao funcionava, ele estava pronto para atacar!
Com um salto, Akira se aproximou do alvo e posicionou seus dedos em posição de ponta desferiu um poderoso golpe contra o alvo.
No último instante, a Tsuyobu deixou seu punho, fazendo com que o golpe apenas arranhasse a superfície de madeira.
— Droga! — Reclamou Akira.
— Não se lamente, você foi bem! — Disse Ao. — Seu pensamento em pular pra encurtar a distância entre o alvo foi quase certo! Mas você deve considerar mais aspectos antes de simplesmente atacar!
— Como assim? O que deu errado?
— Você sabe dizer, Hiro?
— Eu acho que foi por conta da Força… — Disse Hiro. — A Tsuyobu tava envolvendo todo o seu corpo, talvez você tenha aplicado força em seu pulo sem perceber... Você pulou bem alto!
— É mesmo? — Disse Akira ao reparar a distância atual. — Eu nem percebi…
— Em um combate, um guerreiro deve manter um equilíbrio constante nos 3 Pilares, mas geralmente só se pode ser efetivo em 2 deles. — Disse Ao. — Avaliação, adaptação e controle, essas virtudes são essenciais para a vitória em um combate de verdade. Agora, Hiro, tente fazer o mesmo!
— Sim! — Disse Hiro confiante.
Ao se concentrar, Hiro sentiu a Tsuyobu tomar forma em seu antebraço direito. Um estranho formigamento foi sentido neste, era sinal de que tudo estava pronto!
Ele sabia que não poderia avançar da mesma maneira que seu irmão, então o que ele podia fazer no momento? Como ele iria acertar o golpe? Ele deveria usar a Força? A Harmonia? Preso em seus pensamentos, Hiro perdeu a concentração de sua Energia, fazendo com que o Espírito recém formado em seu braço explodisse e desaparece junto com sua aura.
— Ack! — Grunhiu Hiro exausto.
— Muito bem Hiro, porém desta vez você foi o oposto de Akira. — Observou Ao. — Você tentou pensar em uma forma de disparar, e isso tirou sua concentração. No último segundo você usou a Força em seu antebraço, mas pelo visto não adiantou de muita coisa.
— E pensei que com a Harmonia eu pudesse disparar, mas não pude.
— Exato. Tudo que é emitido do nosso corpo até o exterior usa a Força. Assim que seu Espírito deixa seu corpo, você pode então controlá-lo com a Harmonia, mas ele perderá sua Força. Vejam:
Ativando sua Aura, Ao concentrou a Tsuyobu em seu punho, e logo em seguida a disparou, porém antes que o projétil energizado deixasse completamente, esta uniu seus dedos e o controlou com os movimentos de sua mão.
Quanto mais o projétil se movimentava, menos intenso ele se tornava. Quando este finalmente foi disparado no alvo, apenas alguns pequenos arranhões e buracos foram feitos.
— Agora eu só irei usar a Força!
Concentrando novamente, Ao preparou um novo disparo, mas desta vez apenas o expulsou de seu corpo.
Diferente de anteriormente, o projétil avançou rapidamente até seu alvo, e ao colidir com este, o destruiu completamente.
— Uau! — Disse Hiro.
— Beleza! — Disse Akira. — Então a gente só precisa treinar Força e Espírito pra ficar forte!
— Hehe! Não vai se enganando! — Disse Ao. — É verdade que só é possível se especializar em 2, mas como eu havia dito antes, todos os Pilares são importantes! E além disso, a Harmonia é bastante útil quando bem utilizada!
— Se o Akira vai focar na Força, então eu vou focar na Harmonia! — Disse Hiro.
— Vocês serão bem fortes, independente do que quiserem focar! — Afirmou Ao. — Ainda há muito o que aprender sobre a Tsuyobu, mas eu tenho certeza que vocês vão aprender rápido!
— É, pode contar com isso! — Afirmou Akira confiante.
…
[2012 — 2ª Era Ryushi]
As folhas sopradas pelo vento cruzavam o por do sol e aterrisavam no solo. Era possível sentir o movimento de cada uma, como linhas desenhadas no espaço a cada movimento.
Akira e Hiro, ambos concentravam sua Tsuyobu, preparavam seus corpos… Seu opoente, Akado, o Dragão Carmesim!
Após respirar fundo, este cerrou seu punho e se posicionou...
— Comecem! — Ordenou Akado.
Em um instante de segundos, ambos avançaram contra o oponente, suas Auras queimavam em seu corpo, fortificando cada movimento.
— Ha! — Com um salto, Akira desferiu um poderoso chute contra Akado, que bloqueou facilmente, o repelindo para trás.
Antes que pudesse se recuperar, Hiro restringiu sua Aura, se mantendo fora da atenção e investindo logo após o golpe de seu irmão.
Com rajadas rápidas e precisas, Hiro suprimiu a defesa de seu adversário, e assim que sentiu a Aura de Akira se aproximar, reforçou seu pé direito e desferiu uma poderosa rasteira em Akado, que abaixou a guarda com o impacto.
— Hm!! — Com uma disparada, Akira avançou contra Akado, desferindo uma sequência de dois poderosos socos, o forçando a recuar.
— Hm! — Grunhiu Akado enquanto se reposicionava.
Sem descanso, ambos avançaram com uma poderosa saraivada de socos e chutes.
Com a Harmonia, Akado facilmente bloqueou todos, e ao abrir uma brecha, este contra-atacou com golpes que atingiu seus respectivos alvos.
— Akira, agora! — Ordenou Hiro.
Enquanto caíam, Akira reprimiu sua Aura, e Hiro amplificou a sua com a Harmonia, envolvendo ambos com sua aura.
Em um piscar de olhos, os dois se reposicionaram no ar, e ao aterrissar firmemente, ambos avançaram ao mesmo tempo.
Algo estava diferente. Seus golpes estavam síncronos, não desgovernados como antes! O golpe de um era completado pelo outro, deixando Akado sem tempo para bloquear.
— Agh! — Com um poderoso golpe, a defesa de Akado foi quebrada, e sua guarda estava finalmente aberta!
— Agora! — Disse Hiro. — Rapidamente, ambos saltaram em direção ao oponente com um golpe, porém antes que colidissem, algo deu errado. — Hã?! — De repente, a Aura de Hiro foi reprimida, o fazendo perder a direção de seu golpe, e a causa disso, Akira.
Ativando sua poderosa Aura, Akira preparou a Energia em seu punho, porém desta vez, ela estava cercada por intensos raios de eletricidade! Ao alinhar seus dedos, ele se preparou para atacar!
— Te peguei! — Disse Akira enquanto se aproximava.
— Não! — Disse Akado ao rapidamente segurar seu antebraço. — Eu te peguei!
Com um movimento limpo, Akado derrubou Akira ao solo, fazendo sua aura desaparecer.
— Agh! — Grunhiu Akira. No momento em que seu punho tocou o solo, uma pequena cratera foi feita neste, repelindo o mesmo para longe. — Ai, ai, ai, ai!!
— Akira! Você disse que não ia usar o Espírito! — Reclamou Hiro.
— Aff!! Mas ele tava tão aberto!
— Hehe!… — Riu Akado. — Impressionante! Vocês estavam mais sincronizados do que antes! Andaram treinando hein?!
— Na verdade, isso foi plano do Hiro… — Disse Akira balançando seu punho direito.
— Do Hiro? Espera, o que você fez ali?
— Você não conseguiu notar? — Indagou Hiro. — Hmpf, bem, essa era a intenção! Basicamente, no momento em que Akira reprimiu sua Aura, eu o envolvi com a minha usando a Harmonia. Dessa maneira nós dois compartilhamos o mesmo pensamento, assim nossos golpes e movimentos se tornaram iguais e se complementaram!
— Caramba! Eu nunca tinha visto algo assim antes! Você conseguiu criar um técnica sozinho!
— Não, Akira me ajudou com isso. Na verdade, eu só consigo fazer isso com ele! Nós chamamos de Rush do Rei!
— Hehe! Vocês tem que me ensinar isso depois! E por falar nisso, Akira, você conseguiu usar o elemento Fogo junto com seu Espírito não foi?
— É! Fica mais legal desse jeito!
— Impressionante, vocês evoluíram bastante! Mas ainda precisam treinar para me derrubarem um dia!
— Você precisa seguir mais com o plano! — Advertiu Hiro.
— E você precisa arriscar mais! — Disse Akira. — Assim a gente nunca vai a lugar algum!
— Você que pensa!
— (O Hiro possui uma mente brilhante, mas ainda assim receia em se arriscar. Já Akira, embora seja impulsivo, tem um poder e uma capacidade de se revigorar incrível! Hm, isso é empolgante!)
…
[2013 — 2ª Era Ryushi]
Localizado na região central da cidade de Hana, o Complexo do Rosário, era o centro político do País do Rosário.
Apesar de ser um local mais formal, a arquitetura tradicional ainda se mostrava presente. Santuários e árvores decoravam todos os cantos do Complexo.
Dentro do maior edifício do local, eram encontradas as figuras mais importantes do país, incluindo Akado, o líder político deste.
Trajando vestes pretas com proteções e um pingente de rosas no peito, Hiro aguardava as instruções de seu pai enquanto este organizava um grande evento.
Após alguns minutos de espera, uma porta foi aberta, e Akado adentrou a sala, aparentemente com pressa.
— Pai! — Disse Hiro enquanto se curvava.
— Hiro… — Disse Akado. — Desculpe te fazer esperar! Na verdade o trabalho vai ser mais simples do que eu esperava. Bem, pelo menos pra você...
— E-E o que é?
— Você deve guiar a Princesa do País das Nuvens até os pontos turísticos do nosso país. Não se preocupe com o transporte, todas as companhias já foram avisadas.
— M-Mas, o que eu devo falar?!
— Só seja você mesmo, Hiro! — Disse Akado enquanto se conferia em um espelho.
— Você sabe que o Akira é bem melhor pra esse tipo de situação!
— Ele ja está com um trabalho pra ele! Você vai se encontrar com ela na Praça do Rosário, não se preocupe, vão haver guardas pelo perímetro. Me disseram que ela tem a sua idade, não deve ser difícil né?
— Hum… Onde eu assino então?
— Deixa a parte burocrática pra lá, estamos atrasados, quer dizer, eu tô atrasado! — Disse Akado se apressando até a saída, onde um carro o esperava. — Eu devo me encontrar com o líder do País das Nuvens, e sua mãe também vai estar lá. Eu tô numa situação pior que a sua hein! Boa sorte! — Disse Akado ao entrar no carro.
— Boa sorte?… Ótimo… (Ele ainda consegue ficar sorrindo dizendo isso...)
Os quarteirões próximos à Praça do Rosário eram áreas livres para pedestres, o que facilitava o tráfego de cidadãos.
Sentando em um banco no centro da Praça, Hiro esperava nervoso por seu "encontro"
— (Mas que merda… Por que logo eu?…) — Pensava Hiro. — (Eu aposto que o Akira tá se divertindo com seu trabalho…)
Cortando seus pensamentos, uma Tsuyobu estranha dominou o espaço. Ao redirecionar sua atenção, ele notou passos vindos da escadaria que levava para a sua direção.
Rapidamente, Hiro se levantou e manteve a postura. A tensão subia, até que uma figura pôde ser vista se aproximando.
Era uma garota, com cabelos longos e loiros. Seus olhos eram verdes e pareciam emanar um brilho próprio, ela trajava vestes reais de cerimônia, era a Princesa do País das Nuvens! Ele nunca havia visto alguém com um semblante tão brilhante em sua vida, era realmente bonita, o que o deixou ainda mais nervoso.
Também era possível avistar seus guarda costas de longe, 2 no total. Aparentemente eles iriam os acompanhar durante o passeio, ele só não conseguia compreender o porquê da distância.
Alguns segundos se passaram, e para a sua infelicidade, ela não havia o notado ainda. Tudo isso só o deixava mais e mais nervoso.
Relutante ao seu medo, Hiro caminhou na direção da garota, e após engolir o seco e tomar coragem, ele se aproximou.
— V-Vossa Alteza? — Disse Hiro nervoso. — (Eu espero que essa seja a maneira certa!)
— Ah, então você é o meu guia... — Disse a Princesa voltando sua atenção a Hiro. — Meu nome é Emilia, é um prazer conhecê-lo…
— Hiro! E-Eu me chamo Hiro! O-O prazer é todo meu, alteza!…
— Hum... — Imediatamente, Emilia estendeu sua mão na direção de Hiro, que imediatamente a sacudiu com um aperto de mão. — Oh!…
— Hehe… (Merda! Eu acho que não era isso que eu tinha que fazer!)
— Hehe, não precisa ficar todo nervoso! Eu prometo que eu não mordo! — Brincou Emilia.
— M-Me perdoe vossa alteza…
— Pode me chamar só de Emilia é mais fácil assim… — Disse Emilia com um sorriso no rosto.
— Ah, então tudo bem, Emilia. — Disse Hiro. No final das contas, não foi como ele havia imaginado. Mesmo que vagamente, ele podia se sentir confortável em sua presença. — Me acompanhe!
…
As vistas que o País do Rosário oferecia eram realmente belas. Os pequenos e esverdeados morros. As grandes cachoeiras e montanhas distantes. Todas essas belezas podiam ser vistas da janela de um trem que viajava entre todos os pontos turísticos.
— … Então assim que a última arma foi enterrada, a fauna e a flora tomaram conta de todo o horizonte, deixando para trás qualquer vestígio de sangue e de guerra. — Concluiu Hiro.
— Uau… Lá não tem tantas montanhas assim… Pra falar a verdade, acho que não tem montanha nenhuma…
— Isso não impede de ser um lugar bonito. As pessoas que conseguem viajar pra lá são realmente privilegiadas!
— Hm. Que bom que alguém pense dessa forma… A maioria quando vem ao nosso país só consegue se lembrar da destruição. Foi um grande sacrifício para Shiro mantê-lo tão longe. De certa forma foi um sacrifício para todos… Saber que existem pessoas que ainda nos aceitam, é realmente confortante! — Disse Emilia com um sorriso.
— C-Claro! Tem muitas pessoas que gostam do País das Nuvens! — Disse Hiro nervoso.
— Próxima estação: Cidade de Ume. — Anunciou a voz no trem.
— Ei, Hiro, eu queria te pedir uma coisa, mas você pode recusar se quiser...
— Ah! O-O que é?
— Se eu fizer algo realmente muito estúpido, você, promete não contar para os meus guardas?
— O quê?
— Desembarque pela direita… — Anunciou a voz.
— Me desculpe…
— ?!
De repente, uma poderosa Aura foi expelida de seu corpo, fazendo com que os equipamentos do trem entrassem no estado de interferência.
— Tsuyobu?! — Disse Hiro surpreso.
— Desculpa mesmo! — Disse Emilia.
Com sua Energia, Emilia posicionou sua mão esquerda em forma de "arma" e disparou na direção da porta do vagão.
O disparo iluminado passou por entre as pessoas até encontrar uma área aberta, e em uma questão de segundos, ela foi translocada de dentro do trem para o projétil, aterrissando no solo em seguida.
— Me desculpa, Hiro! — Gritou Emilia enquanto as portas do trem fechavam.
— Não! Mas que droga! Espera! — Gritou Hiro enquanto tentava abrir a porta.
— Alteza! — Gritaram os guarda costas com nervoso. — Parem o trem! Parem agora! — Ordenou um deles enquanto ligava seu comunicador.
Por que ela havia feito aquilo? Se foi tão longe, significa que ela não queria que seus guardas a encontrassem. Hiro precisava agir, e antes deles!
Rapidamente, Hiro avançou até o vagão mais próximo, e ao abrir a porta, ele se posicionou na ponte entre estes e saltou para cima do transporte usando a Força.
— Preciso me apressar! — A velocidade do trem diminuía gradativamente, ele estava prestes a parar!
Com um poderoso salto, Hiro aterrissou na praça à frente, e usando a Harmonia, se movimentou livremente até um edifício mais próximo.
Concentrando a Força na ponta de seus pés, Hiro saltou para muito alto, garantindo assim uma visão vantajosa de grande parte da cidade.
— (Agora eu só devo me lembrar de como era sua Aura…) — Usando a Harmonia em seus olhos, Hiro pôde enxergar a Energia que envolvia todos os cidadãos e animais lá presente. E lá estava ela, a mais abundante entre todas as outras! — (Achei!)
Com a Força, Hiro foi capaz de transmitir parte de sua Tsuyobu na direção de Emilia, o que marcou exatamente a sua posição, e não estava longe.
De telhado em telhado, Hiro saltou na direção de seu alvo, até finalmente se aproximar. Com mais um salto, ele aterrissou em um beco, bem à frente de onde Emilia iria se esconder.
— Ah! — Gritou Emilia recuando.
— Espera! — Disse Hiro enquanto arfava de cansaço. — Você... Huff… Corre… Bastante... Huff!...
— Eles estão vindo com você!
— Não! Eu…
— Não foi uma pergunta! Eles estão chegando!
Assim que Emilia sinalizou, Hiro pôde sentir a Tsuyobu dos guardas se aproximando rapidamente do beco.
— Argh, ótimo! — Reclamou Hiro. — Olha, reprima a sua Aura, eu tenho um plano! — Completou fechando suas mãos.
— Eu espero que dê certo! — Disse Emilia reprimindo sua Aura no mesmo instante.
— Se eu misturar Água e Fogo eu tenho vapor, e adicionando Ar eu tenho neblina… — Sussurrou Hiro enquanto esfregava as palmas de suas mãos umas nas outras.
— O quê?!
— Agora!
Ao soltar suas mãos, gotas de água foram arremessadas ao espaço, sendo aquecidas logo em seguida e se transformando em neblina!
Usando a Harmonia, Hiro espalhou a neblina por todo o beco.
— Fique atrás de mim! — Ordenou Hiro enquanto mantinha a neblina.
Em uma questão de segundos, os guarda costas chegaram ao beco. Ambos extremamente nervosos.
— Eu não sinto mais a Aura dela! — Alegou um deles.
— É, mas com certeza há uma Energia aqui! — Disse o outro. — Pode ser um dos seus truques!
— Tem razão! Ela está aqui em algum luga-
— Ei! — Chamou uma voz familiar.
— Mas o quê?!
De repente, cortando toda a neblina, algo foi arremessado na direção dos dois. Uma lâmina em uma bainha metálica cruzou o espaço e atingiu um dos guardas em cheio, o nocauteando no mesmo instante.
— Ugh!
De repente, raios de eletricidade foram emanados desta, a fazendo mudar de direção ainda no ar, acertando um golpe preciso na nuca do outro, o desmaiando.
— Argh!
A força dos raios fez com que esta fosse arremessada novamente para direção de onde veio, dissipando assim completamente a neblina.
De longe, um jovem pegou a espada como se fosse guiada até sua mão. Seus cabelos eram negros e medianos, ele carregava em sua boca um espeto com salgados e este vestia uma jaqueta de couro preta aberta com uma camisa azul marinho por baixo.
— Parece que você tá se divertindo mais do que eu Hiro! — Disse Akira.
— Akira! — Disse Hiro surpreso. — Isso foi incrível!
— Eu pensei em partir pra cima dos dois, mas eu tava segurando muitas coisas ao mesmo tempo! Segura ae!
Akira arremessou uma lâmina semelhante na direção de Hiro, que agarrou com facilidade, logo depois, este o arremessou um espeto de salgados.
— Então foi pra isso que o papai te enviou… — Disse Hiro analisando a lâmina.
— É, o ferreiro tinha acabado de terminar! Deu tempo de comprar esses espetinhos, mas no caminho eu me lembrei que iam esfriar antes deu chegar em Hana. Quase que eu como os dois sozinho! E, quem é ela?
— Ah, ela é Emilia, a Princesa do País das Nuvens.
— Ô, cacete! Quer dizer, é um prazer em conhecê-la, alteza! — Disse Akira após se engasgar com seu aperitivo. — Vem cá, Hiro, por que você não me avisou antes? — Sussurrou Akira.
— Bem, eu não esperava te encontrar aqui em Ume!
— Prazer em conhecê-lo! — Disse Emilia. — E pode me chamar só de Emilia!
— Então, Emilia, por que está fugindo de seus guardas costas? — Perguntou Hiro.
— Eu… Não quero voltar para o meu país!
— Nossa. — Disse Akira.
— Mas, e quanto tudo aquilo que havia dito? — Perguntou Hiro confuso.
— Meu país é belo, mas, desde o início da 2ª Era, a Tsuyobu foi algo extremamente restrito por lá. Meu pai, ele… Ele teme que possa acontecer tudo de novo… Mas ele está errado! A Tsuyobu é algo belo, algo que não pode ser negado a alguém! Eu queria ficar aqui, e aprender sobre a Tsuyobu, mas os meus guardas tinham ordens para impedir isso…
— Aprender sobre a Tsuyobu? Mas você tinha acabado de usá-la no trem e até mesmo agora...
— Eu sei… Eu cheguei a ser treinada quando ainda era menor mas, minha mentora se foi antes de completar os ensinamentos... O País do Rosário é conhecido por ser o foco dos monges da Tsuyobu. Já que meu pai tinha assuntos para resolver aqui, eu achei que seria uma boa oportunidade!
— Entendi… Então, você quer aprender sobre a Tsuyobu, certo? Nós te ensinaremos! — Afirmou Akira.
— Mas Akira, nós também não sabemos tudo! — Completou Hiro.
— E daí, todo conhecimento é precioso! Você mesmo tinha dito isso pra mim! E então, o que acha?
— Sim! — Afirmou Emilia com empolgação.
— Então tá decidido! Mas primeiro, se você quiser se esconder desses caras, tem que vestir outras roupas! Isso aí atrai bastante atenção!
— Ok!
Naquele momento, novos laços de amizade se formavam, e a melodia se tornava mais grave. O momento anterior ao por do sol, onde a noite, será eterna...
…
[Cidade de Hana]
Em um dos edifícios do Complexo do Rosário, Akado e Ao, assim como outras figuras políticas do país se encontravam com o Rei do País das Nuvens.
No momento, o restante dos políticos se encontravam em um jantar para comemorar o encontro, mas em um corredor separado do salão, os Ryushi sabiam da verdadeira dimensão do encontro.
— Então quer dizer que Midori… — Lamentou Ao.
— Nós confirmamos esta manhã, mas o corpo aparentava ter sido deixado faz alguns dias… — Disse o Rei preocupado. Ele possuía uma estatura musculosa, seus olhos eram verdes assim como os de Emilia, e seus cabelos eram brancos e espetados. — Se o Dragão Negro está voltando, então ele está vindo nesta direção.
— Nós mobilizamos pequenas evacuações no momento em que havia nos alertado. — Disse Akado. — Se algo acontecer, eu tenho a garantia de que conseguirei salvar o máximo de pessoas a tempo.
— O País das Nuvens os receberá de braços abertos se este for o caso…
De repente, grunhidos e estrondos foram escutados vindo do salão do jantar. O que imediatamente atraiu a atenção de todos.
Uma poderosa presença maligna infestou a atmosfera de um segundo para o outro, era a Energia da Escuridão!
— Isso não é bom! — Com a Tsuyobu, Akado abriu os portões, se deparando com uma cena horripilante.
Sangue e vísceras decoravam todo o local. Vários homens eram mortos enquanto tentavam fugir desesperadamente. Em meio ao sangue e cadáveres, homens e mulheres trajando um sobretudo negro se encontravam. Os arautos da discórdia, a escuridão que tudo envolvia, aquela energia, era ele sem dúvida, o Dragão Negro!
— Eliminem os Dragões, não segurem suas forças! — Ordenou um dos homens, que no exato instante, disparou uma poderosa energia negra na direção deles.
— Atrás de mim! — Com seu Espírito, Akado conjurou uma poderosa barreira carmesim, mas o choque entre esta e a energia fez com que uma explosão fosse feita.
Naquela noite, tudo beiraria ao caos…
…
Sobre um telhado perante a noite na cidade de Hana, Akira, Emilia e Hiro descansavam todas as lições e treinos realizados anteriormente.
Agora trajando um casaco verde, junto de uma camisa branca e calça jeans, Emilia se sentia muito mais livre, longe de toda a formalidade e restrições.
— Deve ser cansativo viver sem a Tsuyobu… — Comentou Akira. — Depois que eu aprendi a controlar, eu comecei a usá-la sem mesmo perceber!
— É, realmente é… — Disse Emilia. —Como ser um pássaro preso em uma gaiola pequena demais para ele...
— Bem, de qualquer maneira, não é bom deixar o seu pai preocupado… — Comentou Hiro. — Apesar de tudo, você não deve esquecer que tem alguém que se importa com você...
— Você tem razão... Mas o que eu vou dizer quando voltar?
— Deixa isso com a gente! — Disse Akira.
— Nem pensar, você vai acabar falando alguma besteira! — Advertiu Hiro.
— Relaxa, nós vamos dar um jeito… Argh… Eu mal consigo me levantar daqui...
— Vamos lá, você não precisa da Tsuyobu pra isso! — Brincou Hiro.
— Hehe… — Riu Emilia.
Após alguns segundos todos se levantaram, partindo em direção à Praça do Rosário. Porém antes que estes deixassem o telhado, uma perigosa atmosfera tomou conta do lugar.
— Ah! — Disse Hiro assustado. — Akira, você tá sentindo isso?
— S-Sim. — Respondeu Akira. — É como se alguém estivesse nos observando!…
— Vamos logo embora daqui!
Suas preocupações se intensificaram quando gritos e passos apressados foram escutados vindos das ruas.
— Olhem! — Apontou Emilia assustada. — As pessoas estão…
Desesperados, os cidadãos corriam na direção do centro, aparentemente fugindo de algo. Na medida em que se distanciavam dos edifícios, todas as luzes e velas acesas eram misteriosamente apagadas.
Naquele momento, uma Energia terrível pôde ser sentida por todos. Uma Tsuyobu, mas que não apresentava melodia como as outras, ou muito menos luz. Algo horripilante.
Em um flash de segundos, sombras misteriosas avançaram na direção dos civis, os abatendo como presas em caça.
O sangue e os corpos iam lentamente tomando o quarteirão, até que nada mais restou além de morte.
— Ah!! — Gritou Emilia assustada.
— Vamos, agora! — Ordenou Hiro enquanto avançava, mas antes que pudesse continuar, algo o parou, uma atmosfera avassaladora suprimiu todos seus sentidos…
Tangente à luz da lua, uma silhueta saltou sobre o prédio, aterrissando bem à frente dos 3. Era grande, e emanava uma Aura assustadora. De suas costas, uma espécie de cauda composta de lâminas com um ferrão na ponta podia ser vista. Entre seus segmentos, sangue e partes de corpo humano podiam claramente ser notados.
— Ah! — Gritou Hiro.
Em um segundo, a cauda se retraiu, desferindo um corte em seu rosto, que sangrou no mesmo momento.
— Hiro! — Gritou Akira enquanto se aproximava.
— Hehehe… — Riu a sombra. — Eu estava receoso sobre isso, mas agora eu tenho certeza.
Lentamente, seu semblante era revelado à luz. Seu rosto lembrava o de um adulto, porém seus olhos eram cobertos por uma escuridão total. Seus cabelos eram longos e brancos, e este trajava um sobretudo negro que mesclava com a escuridão ao redor.
Naquele momento, os jovens estavam à frente de um perigo desconhecido. O inimigo da luz, o destruidor de Eras, o Dragão Negro…
— Hora de brincar, "Dragões"... — Disse o homem com um sorriso macabro no rosto.
A partir dali, Akira e Hiro se encontrariam com uma terrível noite. Uma noite eterna…
Continua…
Ryushi — Prólogo — Fim.
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