Ruínas da Guerra
5 Sombras do Passado
Na noite anterior...
O castelo estava sendo iluminado pela luz da lua e o vento soprava contra ele, fazendo grandes barulhos contra as paredes abertas do castelo. Hector estava de pé contra a parede visualizando um grande quadro na parede enquanto uma elfa negra tocava acordes suaves na grande harpa. Só havia eles dois no grande salão do castelo.
O quadro era uma grande pintura sobre a guerra entre elfos negros e humanos. Nela havia diversos elfos e humanos batalhando, mas o grande foco da pintura era um elfo negro com um grande lança em cima do cavalo perfurando o coração do rei humano.
Hector ouviu a porta do salão sendo aberta e o que acaba de entrar estavam a passos pesados.
—Senhor. – disse um de seus aliados. –Senhor, veja o que encontramos ao sul daqui, ele disse que estava fazendo patrulhamento a comando do rei.
Hector ouviu então alguém sendo colocado de joelhos perto dos degraus da escada, mas ainda não havia visto quem era.
—Vamos! – disse o aliado de Hector. –Diga a ele!
—D-dizer o q-que... – gaguejou a voz.
—O que você contou sobre o rei. – o silêncio reinou no salão, apenas as cordas da harpa tocavam. — Vamos! Saiba que você não é o único sobrevivente, podemos pegar outro para contar ou eu mesmo posso me dar o luxo de fazer isso.
—Então porque não o faz? – disse Hector para o seu aliado, olhando ainda para a pintura.
—Por que quero que as palavras saiam da boca desse verme, senhor. – respondeu ele.
—O... O rei e-ele... — gaguejou novamente a voz. -... Ele se casou com uma elfa.
—Ainda não é tudo senhor. – disse o aliando enquanto Hector cerrava os punhos. – Conte o resto!
—E-eles... Tiveram uma filha. A princesa, já faz alguns meses desde o seu vigésimo quarto aniversário. Há boatos que ela pretende se casar... Se casar com um humano.
—Agora fale sobre a espada! – ordenou o elfo negro.
—A-a espada senhor, e-ela... Ela está com um leão dourado chamado Dante. – o homem contou a verdade. – O pai dele... O próprio pai dele me contou.
Hector então fez um gesto com a mão para a música cessar e se virou, quando se deparou com um humano de aparência avançada, cabelos grandes e uma espessa barba, ele possuía armadura com o grande brasão do rei. Estava ajoelhado com uma faca na garganta e com a mão do elfo negro, atrás dele, segurando o seu cabelo.
O salão estava à luz de velas e em suas grandes aberturas a luz da lua penetrava, fazendo ficar mais claro do que os elfos precisavam. Hector pós as mãos por detrás do corpo, olhou para o humano e disse:
—Esse é o grande problema de se viver longe, as pessoas fazem coisas como essa e nem sequer fiquei sabendo. –ele suspirou e continuou. – Aprecia a arte senhor...?
—Uwen, senhor. – disse o homem. – Meu nome é Uwen.
—Você aprecia a arte senhor Uwen? – perguntou Hector novamente.
—Creio que não senhor. – respondeu ele.
—Não? Bom, ao menos deveria saber que de acordo com os grandes artistas, a arte fazem as pessoas, independendo da raça, sentir algo que nunca sentiu antes. – disse Hector descendo os degraus. – Você concorda?
—Creio que sim, senhor.
—Então me diga Uwen, o que você sente ao olhar essa pintura? – perguntou Hector de frente ao humano apontando para a pintura.
—Eu não sei senhor. – respondeu ele.
—Vamos, ao menos tente. – disse Hector com voz amigável enquanto circulava os dois.
—Glória. – disse o humano depois de um longo tempo. – Eu- eu... Eu vejo glória
—Exatamente! – disse Hector já ao lado do humano. – Glória e superioridade. Eu mesmo mandei fazer essa pintura para mostra à verdade ao mundo. A verdade que nós, os elfos, somos superiores a todas as raças e seria tolice se rebaixar para poder se casar com um humano e ainda ter tal ser chamando-lhe cariosamente de filha. Isso é uma verdadeira abominação, tanto para a que se casou com o humano quanto para a raça élfica.
—Isso mesmo... – disse o elfo negro com um sorriso entre os dentes.
—Vocês humanos são covardes, acham que toda glória pertence a vocês. Se não acredita em mim olhe a sua volta. – esticando os braços para que o humano pudesse olhar em volta. -Era um castelo de um lorde humano há muitos anos atrás, ele era ambicioso e sempre buscara a glória. Mas isso acabou quando eu o matei e tomei o seu castelo.
Uwen olhou em volta sem acreditar no que via.
—Ainda não acredita em mim? – perguntou Hector. – Então eu vou lhe contar uma história clássica. Já ouvir falar da Batalha do Triunfo do Norte?
—Sim senhor. – disse ele. –Todos já devem ter ouvido tal história.
—Pois bem. – disse Hector. – Eu estava lá e vi o medo mais profundo que qualquer raça poderia ter quando eles avistaram os dragões. Devo confessar que a principio eu também fiquei apavorado, mas acha mesmo que se houvessem humanos lá, as coisas seriam diferentes?
—Não. – disse o elfo negro com a faca.
—Não. – confirmou Hector balançando o dedo. – Mas quem somos nós para julga-los? Vamos ouvir a resposta de um deles.
—Isso mesmo. – disse o elfo com a faca. – Diga o que você acha, humano.
—Não. Não seria diferente. –mentiu o humano. – Seria pior, bem pior.
—Uriath discordava disso. – disse Hector. – E se ao invés de mim fosse seu rei fazendo a mesma pergunta? A resposta seria a mesma?
—Sim senhor, a resposta seria a mesma. – mentiu novamente o homem.
—Vocês humanos ainda não aprenderam a mentir, depois de todos esses anos e ainda não aprenderam a mentir, mais uma prova que é inferior. – disse Hector. – Levante-se.
E então o elfo retirou a faca da garganta do homem e o ajudou a levantar. Hector então esticou o braço e pediu a faca do elfo, que lhe deu de bom grado.
— Sabe o porquê de me colocarem como rei dos elfos negros? — perguntou Hector olhando para a faca.
—Não sei o porquê senhor. – respondeu o Humano. – Por quê?
—Por que eu sou o melhor. – disse Hector olhando para ele. — Pode perguntar a qualquer um nesse castelo repleto de elfos negros, não há nenhum deles que discordam disso. Já o seu rei... Não posso dizer o mesmo.
Hector olhou para os elfos negros no salão e eles estavam acenando a cabeça e rindo.
—Quero que você leve um recado para o seu rei. – disse Hector.
—Que recado senhor?
—Ah, isso não importa, eu escrevo algo no papel. – disse Hector com um sorriso no rosto. – O importante é que você vai sair vivo daqui não é?
Havia esperança nos olhos do humano, mas Hector acabou com isso rápido. Com um único movimento Hector cortou a garganta do homem com a faca. Sangue jorrou da garganta dele e sujou a face de Hector, o homem colocou as mãos em volta de sua garganta tentando desesperadamente evitar que a dor cessasse e o sangue parasse.
O homem caiu no chão do salão ainda vivo enquanto o sangue jorrava da garganta e ele se debatia. A elfa negra que tocava a harpa foi de encontro a Hector e lhe entregou um pano seco. Hector limpou a face do sangue e disse para o homem no chão:
—É assim que se mente.
—E agora senhor? – perguntou o elfo negro que estava segurando a faca. – O que faremos?
—Arranque a cabeça dele. – respondeu Hector olhando para o humano e jogando o pano no corpo morto. – Em seguida mande para o rei.
—E depois senhor?
—Depois vamos marchar para sul. – disse Hector olhando para o elfo. – Vamos finalmente para a guerra.
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