Ruínas da Guerra
17 Fugitivos
Lá estava a princesa. De baixo da árvore no centro do grande jardim enquanto o sol se estendia na imensidão do céu azul. Ela deu um belo sorriso inocente quando viu Dante indo ao seu encontro. Seus cabelos brancos esvoaçavam ao vento juntamente com o seu vestido, um pouco sujo das brincadeiras de criança que frequentemente ocorriam. O sorriso da princesa contagiava até a alma mais impura das terras de Nomentum, fazendo-a rir juntamente com aquela criança de cabelos brancos. Tão inocente.
Dante finalmente chegou ao encontro da bela princesa, perguntando:
—Do que vamos brincar hoje?
—Nós vamos morrer. – Respondeu a princesa com um sorriso entre os dentes.
Dante finalmente abriu seus olhos e o caos ocorreu. Chuva caia pesadamente dos céus enquanto trovões ecoavam por todos os lados, o cheiro de terra molhada adentrou as narinas de Dante. Ele não conseguia se mover, tão pouco se levantar, seus olhos começaram a pesar, mas antes de perder o cociente ele viu, ao seu lado, poucos passos dali Brielly tentando acalmar um cavalo que relinchava enquanto trovões cortavam os céus atrás de si.
Luna estava mais próxima e olhou diretamente para Dante, fazendo cara de surpresa enquanto a chuva escorria de sua face e de seus cabelos brancos.
—ELE ACORDOU! – Gritou a princesa tentando ser ouvida em meio aos trovões.
Em seguida o mundo virou preto novamente para Dante. O corpo de Dante começou a ficar frio, o ar ficou pesado e ele ficou impossibilitado de mover seu corpo. O cheiro de terra molhada invadiu novamente as narinas de Dante e ele percebeu que poderia finalmente se mexer, foi então que de subido ele se senta em busca de ar.
Brielly e Luna estavam na frente dele, perto de uma fogueira e ambas gritam de susto.
—Pelos deuses! – Disse Luna enquanto colocava a mão no peito para tentar controlar o coração.
—Tem maneiras mais rápidas de se matar alguém. – Falou Brielly. – Nunca se deve assustar alguém que está nessa condição que nós nos encontramos! Mas é bom ver que você está vivo.
Dante olhou ao redor e viu que a chuva continuava a cair dos céus exceto o lugar no qual estava. Dante olhou para a sua direita e viu o que parecia um tronco branco, ele acompanhou com os olhos até a parte de cima e viu um cogumelo enorme que o protegia da chuva.
—Isto é um cogumelo gigante? – Perguntou Dante já sabendo a reposta. – O que houve? O que aconteceu? Onde nós estamos?
—Sim, isto é um cogumelo gigante. – Respondeu a princesa logo após se recuperar do susto.
—Não sei exatamente onde estamos, mas creio que seja bem longe do Reino das Fadas. – Também respondeu Brielly. – Eu vi no mapa que a uma ponte no qual podemos passar e chegar a Sanvitale.
Brielly o olhava com frieza, aquele olhar doce e simpático da fada havia desaparecido e isso dava um ar mais adulto a fada. Dante então olhou para Luna que também o olhava enquanto o seu colar brilhava em azul devido as chamas da fogueira.
—Você está melhor? – Perguntou Dante para Luna. – Desde quando você se recuperou?
—Sim, estou melhor. – Respondeu a princesa. – Desde que sai da floresta repleta de Orlyx, eu fiquei bem.
—Como saímos do Reino das Fadas? – Perguntou Dante olhando novamente para Brielly. – Quem nos tirou de lá?
—Está olhando para ela. – Respondeu a fada com um sorriso inocente.
Dante riu daquilo como se fosse uma piada leve e disse:
—Você que nos tirou de lá? Como?
—Já escapei daquele reino diversas vezes antes. Uma a mais não iria fazer diferença. – Respondeu Brielly. – Além do mais, depois que passamos pela floresta eu não fui a única a carregar você.
—Quanto tempo eu apaguei? – Perguntou Dante logo após ambas trocarem olhares.
—Acho que você quer dizer “quanto tempo eu passei entre a vida e a morte? ”. – Falou Brielly. –Não sabemos ao certo. Creio que foram dois dias.
—Algo em torno disso. – Afirmou a princesa.
—E o que vocês fizeram nesses dias? – Perguntou novamente Dante. – E como assim eu quase morri?
—Apenas avançamos em direção ao sul, mas essa chuva não nos ajuda muito. – Respondeu Brielly olhando para os céus.
—Você foi envenenado pelo rei das fadas e antes de sair do reino Brielly fez um antidoto para você tomar. – Luna respondeu a outra pergunta.
De súbito Brielly olhou para o chão, admirando-o no exato momento que Luna acabou de falar e Dante olhou-a.
—Obrigado. – Dante agradeceu a Brielly. – Obrigado por tudo.
A fada deu um sorriso entre os dentes e toda aquele olhar doce e simpático da fada voltou como de costume. As asas da fada começaram a cintilar a luz das chamas da fogueira até que ela falou:
—De nada! – A empolgação da fada era clara. — É bom ser útil algumas vezes!
—Certo. – Falou Dante se levantando e olhando ao redor. – Precisamos ir. Deveremos chegar ao castelo antes que sejamos mortos seja lá pelo que tem nesta floresta.
—Você não vai comer ou beber nada? – Perguntou Luna
—Eu não concordo em retornamos para Sanvitale! – Anunciou Brielly ignorando a pergunta da princesa.
—O que? – Perguntou Dante enquanto o vento frio batia contra a sua pele, fazendo-o arrepiar.- Está louca?
—Por que não esperamos a batalha acabar para podermos retornar?
—Porque as fadas estão atrás de nós, estamos provavelmente perto do exército de Hector e não temos para onde ir. – Respondeu Dante. –A nossa única opção é retornar para Sanvitale.
A fada olhou novamente para o chão, agora pensativa no que acabou de ouvir. Ela olhou para Dante novamente e disse com pesar na voz:
—Tem razão.
Luna se levanta do chão, olha para a chuva que caia e pergunta:
—Vamos na chuva?
—É isso ou morrer por animais que vivem por aqui. – Respondeu Dante. – O que prefere?
—Melhor irmos então.
Brielly pega um pouco de terra molhada e joga na fogueira, em seguida se levanta. Dante coloca a mão na cintura para sentir a sua espada e percebe que ela não está lá. Ele olha para a cintura e a sua visão confirma.
—Onde está a minha espada? – Pergunta ele querendo saber a resposta imediatamente.
Brielly e Luna trocam olhares novamente. Dante suspira e pergunta novamente:
—Onde está a porcaria da minha espada?
—Meu pai pegou! – Finalmente respondeu Brielly.
— O QUE? – Perguntou Dante incrédulo.
A facada no coração de Dante foi enorme. Ele passa a mão pelos cabelos com grande preocupação, dá as costas para Brielly e Luna e fica de frente a estipe do enorme cogumelo.
—Ele disse que levaria para Hector como parte de um acordo.- Respondeu Brielly que o fitava pelas costas. – Eu não pude fazer nada! Me desculpe.
—Ela realmente não pode fazer nada Dante. – Afirmou Luna.
Dante serrou os punhos e então socou com toda a sua força a estipe do cogumelo, então mais um soco e depois outro. Ele começou a gritar de ódio, depois se virou e apontou para Brielly.
—CULPA SUA! — Gritou Dante para Brielly. – SE NÃO TIVESSE IVENTADO DE TERMOS IDO PARA O REINO DAS FADAS NADA DISSO TERIA ACONTECIDO!
—Dante, você está com raiva pela perda da espada e está tentando colocar a culpa em alguém para se sentir melhor! – Falou Luna tentando amenizar a situação.
—QUEM ME DERA ME SENTIR MELHOR DEPOIS DE COLOCAR A CULPA NELA! – A voz de Dante era estridente.
—É só uma espada! – Retrucou Luna.
—“É SÓ UMA ESPADA! ”? – A raiva de Dante estava retornando. – Aquela espada tem a alma do irmão de Hector aprisionada nela e é exatamente para ele que a espada está indo nesse EXATO MOMENTO!
—Hector pode reviver o seu irmão? – Perguntou Brielly.
—Sim. – Respondeu Dante respirando fundo e prosseguindo: – Não sei como, mas ele pode.
—E o que tem demais nisso tudo? – Perguntou Luna. – É apenas mais um elfo negro no meio de um exército.
—Se Hector é os músculos, seu irmão é o cérebro. – Respondeu Dante se acalmando. – Ele é um estrategista de guerra melhor do que Hector, é por isso que ele nunca frequenta uma batalha.
—E a guerra é exatamente o que está preste a acontecer. – Afirmou Luna.
—Exatamente... – Concordou Dante percebendo que os trovões haviam cessado.
—Ops... – Falou Brielly para ninguém em particular.
—Você ferrou com tudo Brielly! – Acusou Dante. – Nada disso teria acontecido se ...
Dante foi interrompido por um zunido que passou diante de seus olhos, fazendo cravar no estipe do enorme cogumelo. Era uma flecha que ainda balançava devido a força do impacto. Na direção de onde veio a flecha um pequeno goblin surge por entre os arbustos, enquanto trovões cortam os céus.
—Que fofinho! – Falou Brielly. – Ele acha que pode ganhar de nós!
O pequeno goblin então olha para trás, por entre as árvores e arbustos e grita. De súbito os arbustos começam a se agitar e diversos goblins saem de lá, mais do que Dante poderia contar. Alguns com machados, outros com espadas e até com arco e flecha, prontos para abater os inimigos.
—É... – Retrucou Dante sem empolgação. – Ele pode ganhar de nós!
Do lado esquerdo de Dante um pequeno goblin pula em sua direção, mas é parado quando um círculo azul se forma no ar, fazendo-o ricochetear e voltar de volta para entre os arbustos.
Dante olha para Luna e percebe que o mesmo círculo que estava no ar, estava na mão da princesa de forma diminuta. Dante se vê surpreso, mas não havia tempo para pensar sobre aquilo.
O goblin gritou de novo e todos os outros começaram a avançar em direção aos invasores. Pequenas flechas sobrevoam o céu chuvoso enquanto os pequenos goblins avançam.
—Corram! – Disse Dante. – CORRAM!
Logo depois das palavras, Brielly fica diminuta e sobrevoa os goblins, jogando pó mágico e fazendo os atingidos pelo pó serem queimados de imediato, mesmo na chuva, ganhando tempo para poder fugir.
Dante e Luna começam a correr pela terra molhada em direção ao sul. Luna corria na frente e Dante corria um pouco mais atrás enquanto olhava o exército de goblins correm em sua direção. Quando Dante finalmente voltou a olhar para a frente, um goblin pulou das árvores e caiu sobre as suas costas fazendo-o cair.
Dante se levanta rapidamente e o goblin tenta acerta-lo com um golpe de seu machado, mas Dante lhe dá um chute na face, fazendo o pequeno goblin cair no chão. Dante pega o machado do goblin e começa a correr novamente.
Adiante Luna continuava correndo, sem perceber que um goblin em cima da árvore mirava uma flecha em sua cabeça. Dante parou alguns estantes e arremessou o machado de suas mãos, acertando o peito do goblin que antes de cair disparou a flecha perto de uma árvore que estava à direita de Dante. Um grunhido surgiu e um goblin desata da árvore com uma flecha na cabeça, caindo em uma poça de lama.
Dante começa a correr novamente e vê a fada diminuta passando por si, em direção a princesa. Logo adiante Luna escorrega na lama e cai no chão. A esquerda da princesa surge dois goblins, um com machado e outro com espada. Brielly joga o pó mágico em ambos os goblins que começam a pegar fogo e caem mortos no chão.
—Vamos logo princesa! – Disse Dante ao se aproximar de Luna, ajudando-a a se levantar. – Rápido!
—Vou atrasa-los novamente! – Falou Brielly diminuta enquanto voava em direção ao exército de goblins.
Dante e Luna olharam para a grande concentração de goblins que gritavam freneticamente enquanto avançava.
—Vamos logo! – Falou ele.
Ao continuar avançando, Dante e Luna percebem que outro grande aglomerado de goblins se aproximam. Brielly retorna e diz:
—Estamos cercados!
—Obrigado pela informação útil! – Falou Dante ironicamente.
De súbito uma grande cúpula nasce em torno dos três, fazendo a chuva parar e o som dos trovões cessarem. Os goblins se aproximaram e começaram a bater com suas espadas e machados, sem fazer efeito algum na cúpula. Dante olha novamente para Luna e percebe os mesmos círculos em ambas as suas mãos.
—E o que fazemos agora? – Pergunta Dante enquanto retornava a olhar os goblins de fora da cúpula.
—Eu tive uma ideia. – Disse Luna.
De súbito a cúpula se expandiu e explodiu todo o seu exterior fazendo os goblins voarem para trás.
—Continuem a correr! – Anunciou Dante puxando Luna.
Luna e Dante começaram a correr novamente sob a terra molhada e escorregadia enquanto Brielly voava perto deles. Ao avançar mais à frente a fada diz:
—A ponte é logo adiante. Eu consigo vê-la!
Depois do termino das palavras da fada um goblin pula de entre as árvores e com um movimento rápido Dante coloca o seu braço direito na frente de sua face. O goblin derruba Dante novamente, fazendo-o cair sob a lama, sujando o seu rosto, ele então morde o seu braço adentrado a carne com seus dentes afiados. Dante arquejou de dor e gritou para Brielly e Luna:
—CONTINUEM CORRENDO! ENCONTRO VOCÊS DEPOIS DA PONTE!
Ambas ficaram cravadas no chão sem se mover e sem saber o que fazer.
—VÃO! – Gritou Dante novamente.
As duas começaram a ir em direção a ponte. Dante conseguiu tirar o goblin de seu braço e disse:
—Morde essa!
O soco de Dante na face do goblin fez com que dentes voassem para todos os lados. Dante então se levanta, olha para trás e vê mais goblins vindo, três deles se aproximam. Primeiro, um deles com lança, tenta acerta a face de Dante que se esquiva para o lado e segura a lança dando um chute no rosto do goblin.
Dante joga para o lado a lança e se esquiva de outro ataque de um goblin com machado. O goblin passou direto, mas Dante conseguiu pegar seu machado, rodou e então deu um golpe de um lado para o outro no próximo goblin, cortando-o a cabeça. Dante então se vira novamente para o goblin que havia passado por ele e crava o machado em sua cabeça. O goblin cai morto no chão.
Dante começa a correr novamente e consegue ver a princesa e a fada lutando com mais goblins. Dante então arremessa o machado novamente, a princesa não vê e fica na direção do machado, ela percebe algo vindo em sua direção e se abaixa, fazendo o machado atingir um goblin que havia pulado.
—CONTINUEM! – Gritou Dante logo após começar a correr novamente.
Brielly usa o pó mágico e acaba com os restantes dos goblins queimando todos eles e então juntamente com a princesa, vira para a esquerda por entre as árvores.
Dante vira à esquerda logo em seguida e se depara com uma ponte de madeira que era sustentada por cordas. Brielly e Luna já estavam na metade da ponte e próximo de Dante dois goblins estavam tentando cortar a corda para que a ponte caísse. Dante conseguiu dar um chute na nuca de um e no outro ele o pegou com ambas as mãos e jogou no desfiladeiro. O goblin bate em uma pedra enquanto cai e logo em seguida desaba no rio abaixo.
Dante adentra a ponte correndo e quando estava na metade da ponte ouviu Luna gritar do outro lado:
—Atrás de você!
Dante rapidamente olha para trás e percebe dois goblins a poucos passos dele. Um estava com uma lança e tenta acertar a face de Dante novamente, ele se esquiva, pega a lança e dá um chute na face do goblin que cai para trás. O outro goblin com espada se aproxima, mas Dante crava a lança em seu peito e o levanta jogando o goblin e a lança no rio abaixo.
Dante tenta correr novamente, mas o goblin que havia caído se levantou e pulou em suas costas fazendo ambos saírem da ponte, mas Dante segurou na corda da ponte antes de cair para fora. Ele estava segurando-se com apenas uma mão, se soltasse cairia da ponte e morreria rio abaixo. Ele criou forças e se segurou com ambas as mãos, mas o goblin ainda estava preso em suas costas e lhe deu uma mordida em seu pescoço no lado direito. Dante grita de dor e então consegue dar uma cotovelada no goblin que se solta e cai no rio abaixo.
—Mau dia! – Falou Dante para si mesmo enquanto se segurava na ponte.
Dante estava subindo, mas ele parou de imediato quando percebeu que a ponte afrouxou um pouco e então olhou na direção na qual havia vindo. Mais goblins se aproximavam enquanto outros estavam cortando a corda da ponte.
—Realmente um mau dia! – Falou Dante novamente para si.
Dante então consegue voltar para a ponte, mas ao pisar na madeira percebe que a madeira estava em má condições e seu pé fica preso ao piso da ponte. Ele tenta retirar o pé, mas fracassa. Um goblin se aproxima e pula em suas costas, retira uma adaga do cinto e crava no ombro esquerdo de Dante que grita de dor novamente.
Em seguida a ponte afrouxa mais um pouco e Dante olha para Brielly e Luna que estavam lhe encarando com pavor. Dante então escuta um som de corda se torando e a ponte começa a cair. Ele se segura na tábua de madeira da ponte e percebe a parede do desfiladeiro se aproximar rapidamente, enquanto a ponte caia. Dante bate com força na parede rochosa e então o seu mundo fica preto.
—ACORDA! – Gritou alguém em meios aos trovões.
Em seguida algo começou a se mexer e Dante abre rapidamente os olhos assustado. Ele estava de ponta cabeça, preso a ponte enquanto mais goblins subiam pela ponte para alcançá-lo. Dante se ergue novamente e se segura na tábua de madeira da ponte, retira o seu pé preso e continuar a subir. Uma tábua de madeira após a outra.
Algo toca o seu pé e ao ver o que era ele se deparou com um goblin que ria freneticamente. Dante consegue dá um chute na face do goblin que derruba outros e caem no rio.
—Malditos duendes verdes! – Xinga Dante.
Dante ouve uma explosão logo acima e percebe que os goblins do outro lado estavam arremessando bombas caseiras para atingir Luna e Brielly. Dante consegue ver Luna olhando em sua direção e depois ela desaparece para se proteger das bombas.
Do outro lado um goblin aponta para Dante na ponte e bombas começam a voar na direção dele. Bombas explodem por todos os lados, fazendo estilhaços voarem. Dante começou a subir mais rápido com a ponte balançando enquanto as bombas explodiam e a chuva pesada continuava a cair.
Logo acima Brielly ficou diminuta e voou até o outro lado enquanto jogava o seu pó magico fazendo as bombas cessarem. Luna apareceu na beirada perto de Dante e gritou:
—RÁPIDO! VOCÊ ESTÁ CONSEGUINDO!
Dante percebe que a adaga ainda estava cravada em seu ombro e consegue retira-la com uma mão, mas ao fazer isso a ponte começou a romper as cordas, até que as cordas se soltaram por completo, fazendo a ponte cair. Dante pulou para o lado antes da ponte cair e cravou a adaga na parede rochosa. Os goblins que estavam na ponte caíram no rio.
Dante ouviu mais uma explosão, desta vez possuía um som mais alto do que todas as outras. Ao olhar para o outro lado, Dante viu a noite se transformar em laranja com a explosão. Uma espada veio em sua direção, mas Dante se virou rapidamente ainda segurando a adaga e a espada cravou na parede rochosa com extrema força. Dante olhou novamente a explosão e viu Brielly diminuta caindo, ele se esticou o máximo e com uma das mãos conseguiu segura-la. A adaga na qual Dante estava segurando começou a sair da parede com o movimento para salvar a fada, ele então se soltou da adaga e segurou rapidamente na espada cravada. A adaga caiu rio abaixo.
—VOCÊ TEM QUE PULAR! – Gritou Luna enquanto olhava para Dante.
Dante olhou para a princesa e seu coração começou a acelerar, a adrenalina tomou conta de seu corpo. Ele então colocou ambos os pés na parede e então saltou para a princesa que esticava ambos os braços para segurar.
Dante conseguiu chegar até os braços da princesa, mas a chuva fez com que os braços de Luna ficassem escorregadios e deslizou enquanto tentava segura-lo. Com um pensamento rápido Dante jogou Brielly fazendo a fada cair perto da princesa.
Ele ficou olhando a princesa se afastar dele cada vez mais enquanto caia em direção a morte. De súbito ele parou no ar e ficou flutuando, ele não entendeu aquilo, ficou assustado até ouvir a princesa gritar:
—TE PEGUEI!
Dante olha para Luna que estava com os círculos em ambas as mãos e de súbito começou a subir novamente, em direção a princesa. Ela colocou Dante ao seu lado que caiu no chão. Ele olhou para ela surpreso e percebeu que sangue saia das narinas da princesa.
—Desde quando você faz isso? – Perguntou Dante.
—Eu não faço. – Respondeu ela enquanto limpava o sangue com a parte de trás da mão.
Os trovões e a chuva cessaram. Brielly deixou de ser diminuta.
—Essa foi por pouco! – Disse ela se levantando aos poucos.
Algo se move atrás da fada que pula rapidamente para olhar.
— O que foi isso? – Perguntou Brielly. – Mais goblins?
Então um cavalo sai dentre as árvores.
—O meu cavalo! – Disse Dante se alegrando. – Finalmente um pouco de sorte.
—Você acaba de escapar de um exército de goblins e está dizendo que isso aqui é sorte? – Perguntou Brielly enquanto apontava para o cavalo.
—Sim. – Respondeu Dante com um sorriso no rosto enquanto se levantava.
Dante olhou para Luna que estava sentada, coberta de lama e com alguns ferimentos, e estendeu a mão para que ele a ajudasse a se levantar, ela aceita a ajuda, olha para ele já de pé e fala:
—Está machucado!
Dante passa a mão na face e percebe um pouco de lama com sangue saindo de sua testa, um pouco acima do olho direito, exatamente onde havia batido contra a parede rochosa.
—Todos nós estamos machucados e sujos. – Retrucou Dante. – Vamos sair logo daqui.
Brielly volta a ficar diminuta. Dante olha para o outro lado, onde havia uma ponte e percebe o grande estrago que ocorreu, então olha novamente para frente e percebe a princesa montada no cavalo enquanto esticava a mão para ajudá-lo a subir. Ele abre um sorriso entre os dentes e aceita a ajuda.
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