Ruínas da Guerra
13 Acordos de Guerra
Luna olhava pela janela do quarto e visualizava diversas chamas acesas nas casas da cidadela sob a luz do luar. Luna estava imersa por pensamentos sobre o que estava por vim. Pensamentos como Hector arrancando a cabeça de seu pai e de sua mãe. O castelo destruído. As pessoas do castelo sendo mortas. Tudo isso ficou passando pela cabeça de Luna, seu coração começou a acelerar, o ar a sua volta começou a gelar e o mundo parecia para ela, pela primeira vez na vida, perdido. Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da porta sendo aberta.
Luna olhou para a entrada da porta e lá estava Dante, entrando no quarto e olhando a sua volta. Ele não trajava nenhum tipo de armadura, somente roupas de couro e em sua cintura trazia a espada mágica.
—Belo quarto! Aposto que por aqui vem muitos homens. — O sorriso de Dante apareceu. – O que é tão importante a ponto de me chamar aqui a essa hora?
—Alguém seguiu vocês? – Perguntou Luna para Brielly ignorando a pergunta de Dante. – Porque demoraram tanto?
—Eu demorei para encontra-lo. – Respondeu Brielly depois de fechar a porta do quarto. – Me certifiquei para que ninguém estivesse nos seguind0.
—Porque quando eu resolvo me divertir um pouco, todo mundo resolve me procurar? – Perguntou Dante.
—Porque temos missão importante para você. – Respondeu Luna.
—Meu pai também tinha... – disse ele enquanto circulava o quarto, admirado pela beleza. – O que querem que eu faça?
—Queremos que roube um manuscrito na biblioteca. – Respondeu Brielly enquanto Dante remexia nos livros que estavam por cima de um aparador encostado na parede.
—Ei! – Exclamou Luna para Dante. – Não toque nos meus livros!
Dante levantou as mãos, mas não se virou, em seguida ele foi a uma pequena mesa redonda ao lado e pegou uma das maçãs no cesto de frutas e perguntou:
—Então querem que eu roube um manuscrito da biblioteca? – Ele então se virou para Luna com a maçã em mãos.
—Sim. – Respondeu Luna.
Ele então começou a gargalhar das duas. Luna e Brielly trocaram olhares sem entender o motivo.
—Qual é a graça? – Perguntou Brielly.
—Vocês. – Respondeu ele. – Vocês me dizem que precisam que eu faça uma missão. Pálidas do jeito que estão eu supus que era algo importante, mas pelo visto...
—É importante! – Disse Luna.
Dante então se aproximou de Luna enquanto jogava a maçã para o ar e em seguida ele mesmo pegava.
—Roubar o manuscrito é muito importante? – Perguntou ele enquanto fazia a maçã rodar no ar.
—Sim. É importante. – Respondeu ela depois de pegar a maçã no ar quando Dante já estava na sua frente.
—Eu não vou fazer isso. – Disse ele para ambas. – Eu não vou roubar um manuscrito contendo uma receita para pó de fadas.
—Não é sobre pó de fadas. – Disse Brielly.
—Então é sobre o que? – Perguntou Dante.
—Não podemos lhe dizer. – Respondeu Brielly.
—O que aconteceu com você, fada? – Perguntou Dante enquanto Luna ia em direção ao cesto de frutas na mesa redonda. – Cadê a Brielly que eu conheci hoje cedo?
—É complicado. – Respondeu Brielly cabisbaixa.
—É sobre Hector. – Disse Luna enquanto colocava de volta a maçã no cesto.
—PRINCESA! – Exclamou Brielly.
Contar sobre do que se tratava era apenas uma pedra no sapado de Luna. Problemas maiores estavam por vir e se isso quisesse dizer que ela precisaria ir para as masmorras ou ser castigada junto com a fada por obter informações que pertenciam apenas para o conselho, então que isso fosse feito. Mas Luna não aceitaria ver seus pais mortos por Hector, ela faria qualquer coisa para isso não acontecer.
—Como... Como vocês sabem sobre isso? – Perguntou Dante com curiosidade e seriedade.
Luna então se virou para ele, deu alguns passos para a sua direção e lhe respondeu:
—Não importa. O que importa é que precisamos roubar o manuscrito para que essa guerra não aconteça.
—O que tem no manuscrito? – Perguntou Dante diante de Luna.
—Luna, não creio que seja necessário ele... – disse Brielly sendo interrompida com um único gesto de Luna com as mãos.
—Um mapa. – Respondeu Luna. – Ele revela uma passagem secreta na cidade que leva direto para a floresta.
—Como sabem desse manuscrito? – Perguntou Dante. – Alguma de vocês já leram ele?
—Não. – Respondeu Brielly. – Foi a bibliotecária que me contou sobre esse manuscrito.
—E você confia nela? – Perguntou Dante para Brielly.
—Sim. – Respondeu a fada enquanto suas asas brilhavam com a luz das velas do quarto.
—E porque a floresta? – Perguntou Dante.
—O ranger. – Respondeu Luna. – Vamos fazê-lo lutar contra Hector. O único caminho para Sanvitale é a floresta e é lá que vamos acabar com o exército de Hector.
—Ele vai matar vocês duas antes que digam a primeira palavra. – Disse Dante.
—Não. Não vai. – Disse a fada. – Creio que ele não seja assim.
—Ele matou todos os seus homens exceto o Pedragon, sem recitar. – Disse Dante para a fada.- Você não tem que crer em nada.
—Nós vamos de boa vontade. – Disse Brielly. — Ele possui magia, eu pude perceber. Ele deve saber o que pretendemos fazer para com a floresta.
—E o que pretendem fazer com a floresta? – Perguntou Dante.
—Salva-la. – Respondeu Luna. – Se Hector ganhar a batalha não haverá floresta para o ranger proteger.
—Isso não significa que ele não vá matar vocês. – Dante falou para Luna. — Isso é loucura princesa!
—Não. Loucura é ficar aqui sabendo disso e não fazer nada! – Exclamou Luna. – Achei que você defendesse as pessoas. Esse é o seu código!
—E o que você acha que estou fazendo agora? – Perguntou Dante sem querer saber a resposta. – Deixe isso com seu pai, você não deve fazer isso.
—O rei já está fazendo algo. – Disse Brielly. – Agora mesmo ele está dobrando os guardas por toda a cidade.
—Ótimo. – Disse Dante. – Agora fiquem calmas e não falem com ninguém sobre essa conversa. O rei sabe o que fazer.
Dante então olhou para Luna em sua frente e em seguida para Brielly, que estava por detrás dele. As duas ficaram em silêncio e Dante deu as costas para sair do quarto.
A cada passo que Dante dava para sair do quarto era um pensamento assombrado na mente da princesa, os mesmos pensamentos que ela tivera antes, o pai e a sua mãe sendo mortos por Hector, o castelo sendo destruído e sobrando apenas ruínas.
Brielly olhou para Luna esperando que ela fizesse alguma coisa, Dante era a única esperança para que todos os pensamentos de Luna não se tornassem realidade e agora a esperança estava saindo pela porta.
—NÃO!
O grito de Luna ecoou por todo o quarto fazendo Dante parar de frente a porta. Ele então se virou para a princesa e perguntou:
—O que?
—Eu disse, não! – Respondeu Luna enquanto ia em direção dele. – Eu não irei ficar aqui sem fazer nada enquanto sei que uma ameaça está vindo.
—Eu também sei que uma ameaça está vindo, nem por isso fico pensando em fazer alguma loucura. – Disse Dante enquanto Luna estava diante de si.
—Eu não vou ver meus pais mortos por aquele monstro! – Falou Luna com raiva no coração. – Eu nunca saio desse maldito castelo, a não ser para pegar um vestido que me fizeram questão de ir pegar. Essa é minha chance de mostrar que eu sou mais do que um rostinho bonito. Vou sair desse castelo e salvar a todos aqui e você vai fazer exatamente o que eu estou lhe dizendo!
—Você é muito mimada, sabia? – Falou Dante.
—E você acha que eu ligo para o que você pensa?
Após Luna proferir tais palavras Dante olhou sério para ela e em seguida caiu na gargalhada como se acabara de ouvir uma bela piada.
—Você é muito ousada. – Falou Dante.
—Você nem imagina... – Disse Brielly, vendo que Luna e Dante olharam sérios para ela. – Ah, desculpa.
—Eu aceito essa sua missão. – Disse Dante olhando novamente para Luna. – Mas com duas condições.
—Quais são as condições? – Perguntou Brielly.
Dante então respirou e disse:
—Existe uma garota chamada Janett, ela é uma taberneira numa taverna chamada Sacerdote Vermelha. A garota foi abusada por um soldado real e agora carrega um filho em seu ventre. Ela precisa de dinheiro para sustentar seu filho. Janett é muito bela e eu achei que ela poderia ser uma de suas criadas.
—Essa é a sua condição? – Perguntou Brielly.
—Sim, uma das condições. – Respondeu Dante.
—Desde quando se importa com essas coisas? – Questionou Luna.
—Você fala como se realmente me conhecesse. – O olhar de Dante era sério. – Mas para ser sincero princesa, você não me conhecesse.
—Qual é a outra condição? – Perguntou Brielly.
—Eu irei com vocês. – Respondeu ele.
—Ótimo, nós iriamos querer leva-lo de todo jeito. – Respondeu Brielly. –Nos encontre no muro leste, perto do mercado quando o sino da igreja der treze badaladas.
—Esteja lá com o manuscrito. – Disse Luna.
—Sim, eu sei. – Falou Dante. – Tomem cuidado para que não vejam vocês duas. Sejam discretas.
—Deixa comigo. – Disse Brielly.
Ele então saiu do quarto e fechou a porta. Brielly olhou para Luna e falou:
—Me encontre no bosque por detrás do castelo quando o sino da igreja tocar treze badaladas, estarei lá com o seu cavalo e os suprimentos para a viagem.
—Certo.
—Agora vá descansar, princesa. Está tarde e precisa repousar.
—Você também. Amanhã será um longo dia.
—Sim, princesa. Quer que eu chame as suas criadas?
—Não. Obrigado. Sei me virar sozinha. – Luna não precisava de ninguém agora, só de seus próprios pensamentos. – Pode ir Brielly.
—Vossa majestade. – Disse ela fazendo uma reverência e saindo do quarto.
Após a saída da fada, Luna entrou em sua banheira e tomou um curto banho, pois seus pensamentos negativos não a deixava descansar. Logo em seguida vestiu suas vestes para dormir, apagou todas as velas do quarto e foi deitar. Teve dificuldade para dormir, mas quando finalmente conseguiu dormir seus pensamentos negativos se transformaram em pesadelos.
Luna acordou em um pulo devido aos pesadelos que tivera, ela estava suada e seu coração estava batendo fortemente. Em seu quarto a luz do sol atravessava as cortinas das janelas e através delas iluminava o quarto.
A sua rotina matinal permaneceu a mesma. Tomava um belo banho com ajudas das criadas, se vestia com um belo vestido, quebrava o jejum com seus pais, tudo pereceu o mesmo, mas os pensamentos na cabeça de Luna não iam embora. Tudo que ela fez pela manhã havia sido feito com despreza.
Ela voltou para seu quarto sozinha e quando a igreja deu a sua décima segunda badalada, ela já estava colocando o seu colar azul de princesa, seu vestido que a mãe de Brielly havia lhe dado e seu enorme sobretudo com capuz para ninguém notar seus cabelos brancos e para disfarçar a sua face.
Sozinha, Luna passou por alguns guardas e criados, todos eles perguntaram se ela precisava de alguém para protege-la. Ela disse não a todos. Brielly estava no bosque como havia prometido, com dois cavalos com suprimentos, um de cor marrom dela, e um branco de Luna. Elas deram a volta pelo bosque e saíram na cidadela sem ninguém as ver.
Luna falou para Brielly que antes de ir para o lugar marcado, elas iriam passar na Sacerdote Vermelha para falar com Janett e cumprir a condição de Dante, e assim foi feito. Elas estavam agora de frente a taverna e antes de entrar, Brielly havia dado as rédeas de seu cavalo para Luna, que ficara de fora montada em seu cavalo branco para poder evitar confusões na taverna.
Enquanto Luna esperava do lado de fora da caverna, algumas das pessoas que entravam na taverna olhavam para Luna e ela desviava o olhar e colocava o capuz mais para frente para que ninguém pudesse ver a sua face. Minutos depois de Luna ficar esperando do lado de fora da taverna, Brielly sai de lá com o seu sobretudo que escondia as suas asas, e seu capuz que escondia a sua face.
A fada usava o sobretudo, pois ela era a única fada que existia em Sanvitale e todos ali sabiam que a fada só andava lado a lado com a princesa. Quem avistasse a fada consequentemente avistaria a princesa.
A fada subiu no cavalo e Luna lhe entregou a rédea lhe perguntando:
—O que ela disse?
—Ela aceitou a proposta. – Respondeu Brielly. – Ela até chorou de tanta emoção.
—Por isso essa demora?
—Sim. – Respondeu novamente a fada enquanto fazia o cavalo andar e Luna a seguia. – Ela é realmente bela, princesa.
—Queria tê-la visto.
—Mas você vai vê-la. Em breve.
As duas seguiram lado a lado por entre as vielas e ruas das cidades de Sanvitale. Luna pode ver as pessoas passando por ela e não a reconhecendo, outras estavam agitando tapetes no primeiro andar da casa, enquanto saia poeira do tapete. Havia pessoas por todo os lados, algumas pessoas conversavam na rua, outras em suas cadeiras em frente a casa, outras olhavam estreitamente para Luna, não só havia adultos como também crianças, que passavam correndo por Luna enquanto brincavam entre si.
—Por aqui princesa. – Disse Brielly virando à esquerda em uma viela.
Luna seguiu a fada e entrou atrás dela na viela. Após a viela, Luna viu um grande mercado a céu aberto que se estendia por todo o lugar. Luna e Brielly tiveram que atravessar o mercado enquanto o cheiro de frutas, peixes, carnes e legumes penetravam suas narinas. Era possível ouvir vozes e mais vozes no grande mercado, pessoas que vendiam seus peixes, outras que conversavam com o vendedor e outras que trocavam moedas.
—MAÇÃ! OLHA A MAÇÃ! – Gritou um dos vendedores perto de Luna enquanto ela passava de cavalo. – MAÇÃ POR UMA MOEDA DE PRATA! A MAIS BARATA DO MERCADO!
Enquanto o vendedor gritava, um garoto que estava completamente sujo, pegou uma das maçãs da prateleira e saiu correndo.
—EI GAROTO! PARADO AI! – Gritou o vendedor para o garoto, mas ele já estava longe demais. –MALDITO!
Em seguida Luna apressou o passo e ficou do lado de Brielly e pergunto:
—Como você sabe que a passagem secreta está na torre leste?
—A bibliotecária disse que leu o mapa e que a passagem ficava em algum lugar perto da torre leste.
—Espero que ela esteja certa. – Falou Luna.
Após passar pelo mercado Luna ouviu ao longe o sino da igreja badalar treze vezes, em seguida Brielly e Luna passaram por mais uma viela e chegaram a torre leste. A torre estava mais à esquerda das duas e se estendiam por cima do grande muro da cidade que era feito de pedra. Na torre, guardas vigiavam o lado de fora do castelo, mas estavam altos e distantes demais para ouvir os cavalos de Brielly e Luna.
—É aqui. – Anunciou Brielly. – Agora é só esperar por Dante.
—E se ele não conseguir? – Perguntou Luna.
—Ele vai conseguir princesa. – Falou a fada positivamente.
Logo após a fada falar o silêncio no lugar reinou, a própria fada quebrou o silêncio falando:
—Tem uma coisa que eu não gostei na Janett.
—O que? – Perguntou a princesa.
—Ela disse que não sabia fazer tortas e nem bolos. Eu amo bolos, sabia?
—Sim, sabia. Você já falou isso milhões de vezes.
—Certa vez eu estava trabalhando em uma taverna e o dono estava doente, então eu fiz uma boa ação e levei um bolo para ele. – Disse Brielly ignorando Luna. – Ele morava em cima da taverna, mas eu nunca havia visitado o lugar. Quando eu peguei o bolo e subi as escadas, derrubei o bolo porque me deparei com um quadro pintado de várias figuras que parecia estarem mortas.
—Mortas?
—Sim. – Respondeu Brielly. – O quadro mostrava homens sendo mortos por figuras pálidas que possuíam carne e sangue saindo de suas bocas, como se fossem demônios.
—Que bizarro. – Disse Luna.
—Muito. – Confirmou Brielly.
Ao longe Luna viu Dante em seu cavalo. Ele trajava um sobretudo com uma placa de peito com um grande símbolo do rei e em sua cintura trazia a espada como de costume.
—Desculpe deixar as damas esperando. – Disse ele já na frente das duas.
—Por que a demora? – Perguntou Luna.
—Depois que roubei o pergaminho eu me deparei com uma moça que carregava um bolo. – Contou ele. — Ela estava correndo de alguma coisa e derrubou o bolo, então eu ajudei a ficar de pé e ela me agradeceu falando muitas coisas ao mesmo tempo. Eu não conseguir entender quase nada.
—Eu também já derrubei um bolo! – Falou Brielly com empolgação.
—E onde está o pergaminho? – Perguntou Luna ignorando Brielly.
—Aqui. – Disse ele retirando o mapa de uma bolsa em seu cavalo.
—Ótimo, passa para cá! – Disse Brielly.
—Antes eu quero saber uma coisa sobre o soldado que sobreviveu. – Falou Dante com o mapa em mãos.
—O que tem o soldado? – Perguntou Brielly.
—Como ele chegou ao castelo em apenas um dia? – Perguntou Dante. – Sei que ele passou toda a noite cavalgando, mas isso não quer dizer nada. Nem o cavalo mais rápido de Nomentum conseguiria realizar tal feito.
—Livros revelam passagens rápidas que apenas um homem pode passar. – Responde Brielly. – Talvez ele tenha pegado uma dessas passagens.
—E como você pode garantir que o exército de Hector não está lá fora? – Perguntou Dante.
—A floresta é o único caminho que um exército pode passar. – Respondeu Brielly.
—Você é muito inteligente, fada. – Disse Dante jogando o mapa para Brielly.
—Obrigada. – Disse ela enquanto pegava o mapa no ar.
Com o mapa em mãos, Brielly quebrou o selo que prendia o mapa e abriu, revelando para ela e para Luna que estava em seu lado, um grande desenho do muro de pedra no qual elas estavam de frente.
—É por ali. – Disse Brielly depois de ter lido o mapa. – Me sigam.
Brielly abriu caminho e ficou mais distante de Dante e Luna e os dois seguiram a fada como foi pedido, todos em silêncio. Dante estava ao lado de Luna, ele olhou para o colar dela e perguntou:
—Você sempre está com esse colar? – O tom de voz dele era baixo.
—O que? – Perguntou ela meio perdida. – Ah, isso aqui? Eu não saio sem isso, é meio que costume.
—Na verdade você não sai nunca. – Brincou ele. – Escuta, seja lá o que acontecer lá fora, fica junto de mim, certo?
—Certo. – Confirmou ela.
Mesmo não possuindo certa intimidade com Dante, toda a ajuda para Luna ali, era bem-vinda. Na frente, Brielly desceu do cavalo e anunciou algo:
—É esta pedra! –Disse ela apontando para uma das pedras do muro.- Alguém tem que ficar aqui.
—Eu fico. – Disse Dante descendo do cavalo e ficando de frente a pedra apontada por Brielly.
—Luna, aquela! – Apontou Brielly para outra pedra no muro a dois passos do lado direto de Dante.
Luna desceu de seu cavalo e ficou na pedra como pedido.
—E eu fico com está.- Disse Brielly.
A pedra de Brielly ficava a dois passos do lado direto de Luna, assim como do lado esquerdo de Luna, a dois passos, ficava Dante.
—N0 três nós empurramos juntos as pedras. – Anunciou Brielly. – Um... Dois... Três
Ao terminar a contagem Luna empurrou a pedra juntamente com Dante e Brielly. Em seguida todas as pedras do muro se deslocaram, uma por uma, formando uma grande passagem. Depois da passagem, a floresta fechada começava, as árvores cobriam ao redor fazendo com que ninguém pudessem ver quem passava por ali e havia uma pequena estrada para guiar quem quer que fosse para floresta a dentro.
—É perfeito. – Disse Luna. – Dá para passar com os cavalos e ninguém nos verá.
—Sim. – Afirmou Dante. – Vamos.
Os três subiram em seus cavalos e partiram para a grande missão. O frio na barriga de Luna começou a crescer, ela sabia que aquilo era importante e se ela falhasse pessoas iram morrer. Agora toda a cidade de Sanvitale contava com ela.
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