Ruídos Da Morte
3 A preparação do Antecedente
Notas iniciais
Mesmo assim, espero que gostem!~
~~~~ Human, Windpown, Warrior & Immortales
Jinka estremeceu quando virou seu rosto, deparando-se com aquela enorme arma na mão de Madoka, até então desconhecida pelo ruivo, suja de sangue. Seus olhos estavam arregalados, ele tentou gritar, mas o som se perdeu dentro de sua boca, fazendo-o simplesmente abrir a boca, sem sair nada.
Não passou-se alguns segundos, e já se podia ouvir os gritos das pessoas, que haviam visto o corpo, já morto. As lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Jinka, fazendo o mesmo se ajoelhar e lamentar.
— Não… ela não podia morrer… não agora…!— Jinka não sabia o que dizer. Sua melhor, e até agora única, amiga acabara de morrer diante de seus olhos.
— "E a culpa é minha… Meu Deus, como pude ser tão estúpido?!"— Ele pensava, ainda ao chão chorando, enquanto as poucas pessoas ligavam para uma ambulância, e outras simplesmente ignoraram.
— Ora, e esse menino aqui? Ele nos enxerga?— Madoka fitou Jinka assustada.
— Ah, é o que parece.— Nao falou, saindo de trás do balcão, jogando o avental em um canto qualquer. Ela olhou de relance para Kenta, que continuava encostado na parede encarando a situação. Ela sorriu, enquanto se dirigia a sessão onde Mika encontrava-se.
— Hum… o que faço com você?— Madoka falou sorrindo, colocando subitamente a boca do cano da arma em seu pescoço, bem abaixo de sua cabeça, inclinando a mesma para cima, fazendo Jinka olhar para a menina com pavor, com seu coração batendo rápido.
— Não encoste no menino, ou eu te mato.— Kenta andava em direção aos dois, com as mãos no bolso do casaco e já com seu capuz jogado para trás, deixando-se a vista seus lindos cabelos cinzas.
— Hum… e quem seria você?— Madoka perguntou, olhando para Kenta com dúvida. Jinka estremeceu a ouvir aquela voz, e sem se importar com a arma de Madoka em seu pescoço, o mesmo virou sua cabeça para trás, na direção do meio-anjo, a fim de descobrir de quem era aquela conhecida voz, que assombrava Jinka em seus piores pesadelos.
— Me chamo Kenta. Suukune Kenta.
— Lhe conheço?— Madoka perguntou, arqueando as sobrancelhas.
— Kenta, venha me ajudar a pegar o corpo antes que a polícia chegue!— Nao saiu da sessão onde Mika encontrava-se, já com seu muito usado vestido branco e seus enormes cabelos soltos, voando por consequência da chuva, que ao invés de cessar aos poucos, parecia aumentar a cada minuto.
— Não Madoka, você não me conhece.— Kenta falou, sorrindo de modo sincero, indo em direção ao corpo de Mika em seguida. Madoka olhava para o meio-anjo estranhando-o cada vez mais. Mesmo assim, a mesma resolveu obedecer e "soltou" Jinka, que colocou a mão no pescoço do mesmo assim que sentiu a arma se afastar de seu corpo.
— O-o que… está acontecendo?— Perguntou Jinka.
— Não faço a menor idéia…
— Por que… a mataram?
— Ela já deveria estar morta faz tempo. E você pirralho, você vem comigo. Levante-se!— Madoka falou, fazendo um gesto com a mão para que o mesmo se levantasse.
Nao e Kenta esperaram o melhor momento para desaparecerem com o corpo, exatamente quando todos que estavam cuidando do mesmo foram receber a polícia, que finalmente havia chegado. Os dois amigos pegaram o cadáver com pouco cuidado, fazendo-o ficar invisível para que os Humans não estranharem.
— O que irá fazer com o corpo?— Nao perguntou.
— Absolutamente nada. Irei somente o devolver para sua dona.— Ele sorriu, virando-se e desaparecendo em seguida.
— O que fará com Jinka?
— Quem é Jinka?— Madoka perguntou, entreolhando-se.
— E-eu…— Jinka falou baixinho, levantando-se em seguida, com um pouco de dificuldade. O mesmo não sentia-se mais tão com medo assim. Ele sentia que podia confiar daquelas duas, mas o mesmo não sabia do porquê de sua mudança de opinião.
— Ah, certo… Não sei, irei levá-lo para Kyouya e Tsubasa analisar.
— Ótimo, irei com você. Tenho coisas a resolver com Kyouya.— Nao levantou a mão entusiasmada, pensando na reação dos dois meninos depois de conhecerem Jinka. O ruivo era realmente interessante, se você levasse em conta que ele parecia estar normal, e não com medo e peso na consciência, como alguns outros Humans que Nao já havia visto.
— Nao…
— O que?
— Por que está com um olhar tão psicótico?— Madoka falou, enquanto limpava rapidamente sua arma, tirando todos os vestígios de sangue que poderiam conter na mesma. Jinka só observava as duas, cabisbaixo, até porque o medo não o deixava falar nada.
— Estou? Ah, é mania. Vamos?!— Nao piscou algumas vezes, vendo que Madoka a olhava curiosa, talvez até com uma pitada de medo. Os três começaram a caminhar, indo em direção à porta, mas foram barrados por um policial qualquer, que pegou no braço de Jinka com um olhar sério, fazendo o ruivo se virar assustado.
— Calma menino. Aonde pensa que vai?
— E-eu…— Jinka não fazia a menor idéia de onde estava indo, e por um minuto, pensou que parecia bem suspeito aos olhos dos policiais.
— Olha garoto, você terá que vir conosco e…
— Ei ei, não toque no garoto, humano impuro.— Nao arqueou as sobrancelhas, colocando-se entre os dois, já visível aos olhos de qualquer um. Nao estava parada, com seus braços cruzados e com uma expressão ameaçadora, fazendo com que um calafrio percorresse a espinha do policial, que nesse estado olhava incrédulo para a baixinha na sua frente, aquela que havia aparecido do nada, uma coisa impossível aos olhos humanos.
Madoka pegou Jinka e o puxou pelo braço, fazendo-o sair de perto daqueles dois, que pareciam que iam se matar a qualquer momento.
— Olhe, não sei nada sobre sua inútil vida, mas você vem conosco, e talvez não volte nunca mais a esse mundo em que se encontra agora. Então, coma isso.— Madoka explicou, mostrando, no final da conversa, uma pequena bala vermelha, de tamanho médio, e a colocando em cima da mão esquerda de Jinka, que continuava mudo, simplesmente encarando aquela bala.
— "Ou eu como isso e vou com elas rumo ao desconhecido, ou tento fugir e acabo quebrando um braço e sendo pego pela polícia…"— Jinka refletiu. A primeira opção parecia a mais sensata a se fazer, e foi exatamente o que o ruivo fez, colocando a estranha bala na boca, a mastigando enquanto percebia que a mesma não tinha nenhum tipo de gosto, engolindo-a em seguida.
— Bom garoto. Nao, vamos logo, já está tarde!— Mas Madoka calou-se, prestando atenção no que estava acontecendo dentro da loja. O policial havia tentado pegar Nao, que desviou-se rapidamente, bocejando. Depois de alguns minutos de enrolação, o policial ficou mais rápido e hábil, indo para cima de Nao sem pudor, desejando capturá-la. Nao, por sua vez, quando sentiu aquelas mãos frias tocarem sua cintura, gritou como jamais havia gritado antes, fazendo uma cara de nojo que daria medo no pior dos monstros, fazendo todos que assistiam a cena estremecer.
— Seu… Impuro… Não. Me. Toque!— E Nao pirou. Ela abriu um sorriso assassino digno de sua personagem, avançando em cima do policial, que a essa hora já tremia de medo daquela estranha menina. Nao pegou a mão direita do homem e a puxou para trás, o imobilizando-o, para depois quebrar seu braço, fazendo o policial gritar de dor. Ele tentou revidar, pegando sua arma e tentando acertar Nao, que a essa hora estava sentada nas costas do homem rindo, enquanto desviava naquela arma estúpida.
— Não me faça rir, seu ignóbil!— Nao havia pegado a arma da mão do policial, e a apontava na direção de seu pescoço. Estava pronta para matá-lo, mas foi impedida por aquela voz já tão familiar aos ouvidos da psicopata mirim.
— Pare!— Jinka gritou, do lado de fora da loja, em uma tentativa em vão de entrar no supermercado de novo, pois Madoka o segurava com força. Nao suspirou, recobrando a consciência aos poucos, soltando o braço daquele homem, só para vê-lo ligar para um número desconhecido a fim de pedir reforços, segurando o braço que sangrava.
Madoka puxou Jinka e Nao para fora daquele lugar, correndo dos policiais e também das próprias pessoas, que começaram a estranhar de toda aquela alforria.
— Abre logo a porcaria do portal!
— Fique invisível primeiro! E faça o pirralho ficar também!— Madoka falou, parando de correr enquanto ofegava.
— Humpft…— ela desapareceu, socando de leve o ruivo na cabeça, fazendo-o ficar invisível também, fazendo os Humans pararem atordoados, olhando para os lados a fim de encontrar aqueles três estranhos.
~~~~ Warrior, Human & Windpown
— Então… o menino não pode mais voltar ao mundo humano?— Tsubasa olhava para Jinka com um olhar de indiferença, mas ao mesmo tempo curioso com aquele menino que parecia ter a mesma idade de Tsubasa.
— Err… em minha defesa, a confusão foi inevitável. E a culpa foi de Nao.— Madoka falou, aponta do para a pequena, que estava sentada em uma cadeira balançando as pernas.
— Cadê o Kyouya?
— Talvez em seu quarto. Ele disse que ia se arrumar porque tinha que ir par algum evento qualquer. O que quer com ele?— Tsubasa falou, ainda encarando o ruivo, que estava calado, sentado cabisbaixo em uma cadeira perto dos demais.
— Preciso que ele me dê uma arma. Uma metralhadora, de preferência. Ou uma bazuca…
— O que quer com uma arma?
— Preparar-se para a guerra. Não sei lutar, no fim das contas.
— Não sabe?! O que foi aquilo então?— Madoka falou, arqueando uma das sobrancelhas.
— Apenas defesa própria.
— Alguém poderia me explicar o que… realmente… está acontecendo?— Jinka falou, ainda de cabeça baixa, olhando simplesmente de relance para as três pessoas a sua frente.
— Tenho que ir atrás de Kyouya. Tchau!— Nao falou, se livrando da responsabilidade de explicar sobre o óbvio para aquela criança perdida. Ela saiu da sala sorrindo, deixando Madoka e Tsubasa furiosos.
— Não me peça para explicar, sabe que não sou boa nisso.— Madoka falou, sorrindo, olhando para Tsubasa, se soltou um longo suspiro, fechando os olhos e abrindo-os depois de alguns segundos.
— Mandarei Kyouya contar para você. Por enquanto, venha comigo até seu novo quarto.— Ele se levantou, abrindo a porta do aposento em que estavam e saindo em seguida, acompanhado de Madoka e, depois de alguns segundos, de Jinka, que olhava para os lados atordoado.— "Devo confiar neles?"— era o que o mesmo pensava.
— "Sim. Eles estão do mesmo lado que você, criança."— Foi a voz que ecoou na mente de Jinka, como sendo a resposta aos seus pensamentos. Uma voz doce, que parecia frágil, mas direta, uma voz feminina, que era um tanto familiar ao ruivo, mas o mesmo não se lembrava de onde. Ele espantou-se com a voz, olhou para os lados, incomodado, tentando achar de onde aquilo vinha, mas não conseguiu obter a resposta, e então continuou andando, começando a prestar mais atenção à explicação que Tsubasa estava dando, algo sobre onde ficava cada cômodo.
Os três adentraram no elevador, parando no terceiro andar onde Kyouya e Nao entraram no mesmo. Kyouya estava com uma expressão zangada, enquanto Nao se encontrava sentada em cima dos ombros de Kyouya, rindo enquanto carregava uma SMT 40 em suas mãos.
— Oras, olá Kyouya! Olá Nao!
— Não acredito que deu uma SMT 40 pra ela! Eu queria essa!— Tsubasa falou, bufando, exigindo explicações. O pequeno estava querendo aquela arma desde ano passado, mas Kyouya nunca a dava para ninguém, pois o mesmo gostava muito da arma.
— Eu não dei a ela! Ela pegou de mim! E não vamos discutir isso aqui, porque eu já estou super zangado.— Kyouya gritou, cruzando os braços e encostando-se em uma das paredes do elevador, assustando a todos, inclusive Nao, que saiu das costas do maior e deu alguns passos para trás, ainda com aquela arma em mãos.
— O que você fez?— Madoka perguntou a Nao baixinho, notando que Kyouya estava com os cabelos encharcados.
— Nada…
— Invadiu o quarto dele não foi? E ainda deu um tapa na sua cara quando percebeu que ele estava no banho…?!— Jinka falou com a cabeça abaixada, depois de notar a marca vermelha no lado esquerdo da bochecha de Kyouya.
— Como sabe?
— Intuição…— Jinka respondeu, simplesmente.
O elevador parou de novo, dessa vez no 20º andar, onde todos desceram, inclusive Kyouya e Nao, deparando-se com um corredor mediano que se dividia no final. Eles andaram até um pequeno quarto, que se encontrava no final do corredor, do lado direito, onde havia escrito, em letras de tamanho médio pintadas de branco, "Convidados".
— Vai deixá-lo aqui?
— É perto de meu quarto, e do quarto de Madoka e Douchi. É mais fácil ficar de olho nele.
— É o menino problemático, não é?!— Kyouya falou, olhando para Nao.— Aquele que Kenta mandou eu ficar longe?!— E Nao apenas concordou com a cabeça, sorrindo ameaçadoramente por um breve momento, para depois voltar a ter a expressão de sempre, enquanto Tsubasa e Jinka se perguntavam que seria "Kenta".
— Kyouya. Você explica para ele oque está acontecendo né?! Eu tenho coisas para fazer, e preciso dormir. Já passa das 1:00 da manhã.— Tsubasa falou, abrindo a porta do quarto de Jinka para o mesmo entrar.
— Tenho uma reunião. Não falei? Mande alguém explicar para ele, tenho que ir agora. E Nao, volte pro seu mundo.— Kyouya suspirou, virando-se para trás e saindo sem esperar a resposta de alguém. Tsubasa bufou, dizendo que ia morrer de sono se não dormisse agora, dizendo para Jinka que de tarde ele explicava, e mandou todos irem dormir em seguida.
Madoka e Nao se foram, e Tsubasa também, deixando Jinka sozinho, dentro de um lugar desconhecido pelo ruivo. Tudo que pôde fazer foi entrar em seu quarto, deitando-se naquela confortável cama, e adormecer, tendo os mais estranhos sonhos dentro de sua mente.
Fale com o autor