Russian winter night
1 Cold night
Notas iniciais
Estou louca pra que comecem a aparecer fics com as nyos na categoria, então, nada mais justo do que eu começar.~
Um yuri RoChu fofinho pra vocês, aproveitem o/
Nota: Acho que não preciso dizer, porém, Chun-Yan é a China, Anastácia a Russia, e há uma menção a Sakura, que é a Japão.
“Crianças correndo, três meninas, e um rapaz, todos sorriem acenando. Eu me aproximo pegando a mão da mais velha, ela sorri fracamente, o que raramente acontece. Vendo a cena, os outros se aproximam, abraços, sorrisos e risadas para todo lado.
Todos se deitam no gramado do mais puro verde, alegres como nunca vi antes. Não consigo ouvir suas vozes, mas parece que concordo com algo. Eles me abraçam, os sorrisos crescendo cada vez mais...”
- Chun-Yan, Chun-Yan, acorde. — a chinesa sentiu-se ser sacudida de leve.
Seus olhos se abriram preguiçosamente, a luz, mesmo faca, agredindo-os.
- Hã? O que foi...? – perguntou ainda não estando completamente desperta.
Ajeitando-se na cadeira, olhou ao redor, a sala de reuniões estava tomada por uma penumbra, apenas uma fraca luz vinda de fora fazia com que a escuridão se afastasse.
- Que horas são? A reunião já acabou? – continuou a questionar bocejando.
Observando o local vazio, perguntou-se quem a havia acordado. Sua pergunta ganhou resposta quando seus olhos pousaram-se sobre uma garota de cabelos brancos e olhos violetas, que estava curvada sobre si com um sorriso, que em sua opinião, era um pouco assustador.
- São seis horas, a reunião acabou faz uns vinte minutos. – Anastácia respondeu-lhe. – Desculpe, não tive coragem de acorda-la antes.
A russa abrandou sua expressão, fazendo a pequena asiática sorrir de volta.
- Não, tudo bem, sinto muito ter dormido assim... no meio de uma reunião no seu país.
A verdade era que Chun-Yan andava muito cansada. Sempre ficava daquele jeito antes das reuniões mundiais, acabava tendo noites de insônia, por causa do nervosismo, e com o final do ano chegando seu estado ficava ainda pior. O fato de que veria sua “família” de novo, todos juntos, a deixava daquele jeito.
- Não se desculpe, tenho certeza de que tem trabalhado muito, as festas estão chegando, então nossa cargo horária acaba aumentando muito.
Olhando atentamente para a garota a sua frente, a morena podia perceber que esta tinha grossas olheiras embaixo dos olhos, provavelmente resultantes do que havia dito, o trabalho acumulado com as festas. A face angulosa estava esboçada com um sorriso cansado, que como o país, apresentava certa frieza, os olhos violeta prendiam sua atenção.
Mesmo que tivesse certo receio da russa, Chun-Yan muitas vezes pegava-se observando aquele rosto, sempre prestando atenção nos mesmos pequenos detalhes.
- Bom – sorriu – você deve estar cansada, não é Anastácia? Acho melhor eu ir, assim você fica livre para descansar.
A chinesa ergueu o corpo levantando-se da cadeira. Soltando mais um bocejo, espreguiçou-se, ouvindo uma risada curta vianda da garota mais alta.
- Não se preocupe, eu pretendia convida-la para dar uma volta. Pode não parecer, mas o inverno em São Petersburgo é bonito. Você aceita?
Não sabendo se era por causa do convite, ou pela expressão que viu naquele no rosto da garota, porém, Chun-Yan sentiu seu rosto esquentar, aquela seria a primeira vez em muito tempo que as duas sairiam juntas por algo que não fosse o trabalho.
- Claro, faz muito tempo que não vejo São Petersburgo.
Aquilo era somente parcialmente verdade, fazia muito tempo que não andava pela cidade, porém, ainda se lembrava muito bem dela. Seu principal motivo para aceitar o convite era Anastácia, mesmo que às vezes se assustasse um pouco com a russa, ainda gostava muito dela.
O inverno russo era muito rigoroso, mas como a maior havia dito, não deixava de ser bonito. Não estava nevando, e a noite estava “agradável”, o céu estava claro, e não havia vento. Estava maravilhoso para dar um volta, o que pareceu ter agradado Anastácia.
A conversa fluiu de uma maneira agradável, porém, a asiática era a responsável por puxar um assunto. “Ela esta chateada com algo” Chun-Yan refletiu. Chegou a essa conclusão não pela quietude da companheira, mas sim por suas feições, ela parecia distraída, e um pouco melancólica, o que a fazia querer abraça-la, somente para que ela soubesse que estava ali, e vê-la sorrir. Porém, mesmo com a situação ruim que acreditava que a russa estivesse passando, não podia deixar de se alegrar um pouco, estava gostando da caminhada, sentia falta de ficar daquele jeito com a maior, lembrava-se da época em que eram mais próximas e também daquilo que sentia pela outra...
- Ei, Yan, você sabe que dia é hoje? – Anastácia perguntou olhando para a vitrine de uma loja qualquer.
Sem fazer a menor ideia do sentido da pergunta, a asiática pensou um pouco, se não estivesse errada, estavam no dia 17 de Dezembro.
- Hoje é dia 17 de Dezembro, não? – respondeu ainda ponderando.
Para o choque de Chun-Yan, a maior riu, porém seu riso foi seco, desprovido de qualquer tipo de graça, foi um som de tristeza.
- Exatamente. – ela meneou a cabeça positivamente. – Hoje, fazem exatos vinte e dois anos que descobri que a União Soviética seria dissolvida.
A morena congelou, tinha presenciado o evento, lembrava-se do rosto de Anastácia, a russa poderia nunca ter chorado, porém, em sua face aquele dia, a vontade de derramar lágrimas estava mais que exposta, mesmo assim, ela se manteve firme. O coração da chinesa se apertou, lembrou-se da própria família se separando, sabia o que a companheira estava sentindo. Não fora tão forte quanto ela – lembrava-se das noites a fio que chorara. Agora Anastácia sorria tristemente, tentando evitar olha-la.
Ser obrigada a ver os antigos companheiros, aqueles que sempre considerou sua família e que um dia a deixaram, na data da decisão de sua separação oficial era algo muito cruel. Não só por si mesma – por sua própria história -, mas também pela maior, Chun-Yan queria chorar, sentia seus olhos transbordando, uma dor enorme lhe invadia.
- Sinto muito... – foi a primeira coisa que conseguiu dizer.
- Não sinta. – a russa lhe respondeu. – Eu não quero pena, só precisava desabafar. Sinto saudades deles.
A asiática postou-se ao lado da outra pegando sua mão. Queria que a companheira soubesse que a entendia que sabia como era a dor que ela sentia, por já ter vivido a mesma situação. Os olhos da russa voltaram-se pra ela, transparecendo completamente a dor, e magoa e a tristeza. Lágrimas pareciam ameaçar derramar-se a qualquer segundo.
Ao ver aquela face — tão avassaladora quanto lembrava — duas coisas lhe voltaram a mente: Primeira, o momento em que seu amor pela garota havia se mostrado mais forte do que pensava, fora naquele dia em que a viu triste, que decidira nunca mais deixar a frágil garota. Segunda, sua própria dor, e o quanto fora horrível não ter ninguém ao seu lado para ajudar, alguém que pudesse lhe dar consolo. Não deixaria aquilo acontecer com sua amada, iria ajuda-la, iria fazê-la sorrir de verdade aquela noite, era uma promessa.
- Anastácia, vem, eu quero te mostrar um lugar. – seu rosto se tornou sério e determinado.
Sem dar tempo para a garota responder, a asiática puxou-a com toda força que tinha – que não era muita. Depois de um tempo correndo – e algumas ruas erradas – finalmente chegaram ao seu destino.
O enorme parque estava deserto, o que deixou a chinesa feliz, o lugar estava muito lindo. A neve o cobria por completo, o rio estava congelado, fazendo a paisagem parecer de outro planeta. Agora caminhando, as respirações descompassadas, e o rosto vermelho, Chun-Yan levou a russa para a beira do rio.
- Eu já conheço esse lugar. – Anastácia falou pega de surpresa – É o Palácio de Alexandre, o local onde a família Romanov foi morta... Já vim aqui milhões de vezes.
A menor arfou, levantando seu rosto em direção ao céu.
- Eu sei. – enquanto falava, seu rosto voltava-se para a companheira. – Olhe. – apontou o dedo indicador para frente com um sorriso.
O que a asiática estava apontando, era o exato ponto em que o céu tocava o lago. As estrelas refletidas no gelo pareciam uma extensão da imensidão azul coberta de estrelas, A noite acabara de ficar ainda mais bonita e o frio, que ficava mais intenso a cada hora que passava, já não incomodava mais.
- Vem, vamos nos sentar. – Chun-Yan puxou a maior, fazendo-a sentar ao seu lado.
A morena observava Anastácia que ainda olhava fixamente para o céu. Mesmo com a baixa temperatura, sentia seu corpo quente relaxado, ver que a russa estava pelo menos um pouco melhor a deixava feliz.
- Yan – a chinesa saiu de seu transe. – Sabe, eu contei isso pra você hoje, porque sei que me entende...
Poderia ter se enganado, mas a asiática pensou ter visto lágrimas nos olhos da companheira. Sentiu seu coração se contrair, não queria ver dor naqueles belos olhos lilases.
- Anastácia... Já disse que senti sua falta por todo esse tempo? — as palavras simplesmente saíram de sua boca.
Agora a garota dos olhos lilases olhava pra ela, com uma expressão que beirava o espanto.
- Yan...
Somente naquele momento percebeu que estava sendo chamada por seu antigo apelido, uma certa dor a abateu. “’Chun-Yan... seu nome é muito grande de falar, vou te chamar de Yan.’ Uma pequena garotinha meio tímida falou pra ela com um sorriso”.
- Não... – começou a sussurrar para si mesma – Não foi a Sakura que me deu esse apelido...
“’China, seu nome é Chun-Yan, não?’ A chinesa acenou positivamente ‘Então, eu vou te chamar de Yan, esse é o seu apelido, e somente eu vou te chamar assim’”
- Foi você, não? Anastácia, você foi a primeira pessoa a me chamar de “Yan”. – a asiática exclamou atônita.
Não fazia ideia de como havia deixado aquela memória passar, será que havia ficado tão ligada a sua família que acabara trocando os fatos?
- Sim, fui eu... Esse apelido combina com você, só isso, não tem importância. – a maior tentou soar fria, porém, seus olhos a entregaram, juntamente com a cor de suas bochechas.
Chun-Yan sorriu, quantas memórias carinhosas mais teria com a russa das quais não lembrava? Há muito tempo havia deixado de pensar nisso.
- Eu estou me sentindo um pouco melhor... Obrigado. – Anastácia falou.
Lançando um olhar para a russa, percebeu que ela estava muito vermelha, e algo como um sorriso havia se instalado naqueles lábios. A alegria agora irradiava da menor. Sem nem mesmo cogitar a possibilidade de parecer estranho abraçou Anastácia, deitando-a em seu colo. A russa estava sem reação, enquanto a própria chinesa sorria animada.
- Não me agradeça. – sua mão foi automaticamente para o cabelo sedoso da companheira. – Esse é o mínimo que eu posso fazer por você.
Assim que terminou de falar, uma mão fria, e molhada por lágrimas tocar sua bochecha. O toque gelado não a incomodou nem um pouco, ao contrário, era a prova da presença da russa ali, se não, tudo aquilo poderia ser apenas um sonho. Levantou a mão esquerda, pousando-a em cima daquela em sua bochecha. Como em um movimento automático, Chun-Yan curvou-se, selando seus lábios com o da russa.
- Anastácia, sabia que eu te amo? – perguntou com certo tom de graça.
Vendo a maior rir, Shun-Yan riu também.
- Nunca vou deixar você chorar de novo, você nunca mais ficará triste. Eu vou estar ao seu lado, te fazendo feliz, para sempre. – um sorriso largo se formou nos lábios da menor, que teve suas mãos envoltas pelas da albina.
Sentiu seu corpo ser puxado com força, e de alguma maneira – nem ela mesma sabia como – fora parar nos braços da russa. Sua primeira reação fora a vergonha de estar daquele jeito, em seguida, veio o conforto, e uma felicidade incomparável, expressa por sonoras risadas.
- Seu riso é tão lindo. – a asiática comentou.
A morena sentiu seus cabelos sendo afagados, e o chapéu retirado. Deitando-se no peito da maior, envolveu-a com seus pequenos braços, e por um minuto concentrou-se nas suaves batidas do coração da russa. O som compassado a tranquilizou, sentia-se segura. E pela primeira vez naquela noite, percebeu que talvez, não fosse Anastácia que precisava de sua presença — não tanto quanto ela imaginava -, mas sim ela que precisava da maior, seu ponto seguro no meio de uma tempestade de tristeza.
- Eu te amo tanto, Anastácia. – aconchegou-se como uma criança nos braços da mãe.
Foi puxada para cima, tendo seu rosto aproximado do da outra. Podia ver agora as lágrimas que maravam as bochechas brancas como a neve, porém um sorriso tomava conta dos lábios geralmente sérios. Com cuidado, Anastácia selou seus lábios novamente, agora, tornando o toque tranquilo em um beijo. Não era um beijo desesperado, não havia pressa, a russa era cautelosa com seus movimentos, não querendo machucar, ou assustar, a asiática.
Assim que o folego as deixou, separaram-se apenas o suficiente para respirar.
- Eu também te amo, Yan. – com uma serenidade quase assustadora a russa falou.
Chun-Yan que tinhna seu corpo envolto pelos braços da maior, encolheu-se tentando acabar com a mínima distância ainda existente entre elas.
A noite não parecia passar, o tempo estava congelado, não sabiam dizer se haviam passado horas, minutos, ou mesmo um segundo. Aproveitaram a presença reconfortante uma da outra, às vezes mantendo o silêncio, outras falando qualquer coisa. Assuntos importantes foram tocados – nunca haviam desabafado tanto – e também coisas simples foram abordadas. Uma hora da manhã, ou dez horas da noite – quem se importava? — resolveram ir para um hotel. As duas sorriam conversando – mesmo que Anastácia preferisse apenas ouvir – a mente leve, o coração ainda mais.
Notas finais
Me falem meus erros de gramática, porque eles com certeza existem. E já vou falar, todo mundo reclama das minhas vírgulas, então não tenham medo de falar, porque preciso saber se melhorei um pouco, esse é o meu ponto mais fraco.
Algo importante, esse é meu primeiro yuri, então me digam se ficou bom, preciso saber se posso continuar escrevendo mais fics Nyotalia.
(Sim, eu sou uma mulher que escreve yuri, da hora a vida né? Mas isso é muito fofo e irresistível, então.)
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