Russian Roulette

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Adivinha quem está de folga do serviço e está aproveitando o feriado para postar fanfic? Eu mesma, Minkly Mello (sqn). Esta fanfic é um presente para a minha linda do core, a Mackernasey ♥ Eu juro que tentei escrever algo do Hisoka, mas o ser é meio complicado para escrever fanfics, né?! xD Aí eu lembrei do seu pedido e dos nossos surtos por KiyoHyuuRikoReo todo trabalhado no poliamor, todo mundo amando todo mundo, ouvindo o maior "pi pi pi" que "cá poppeiro" respeita (vulgo "Russian Roulette", cujo link, se quiser ouvir, está no parágrafo "Trilha Sonora" - o primeiro para a direita)... e aí surgiu a fanfic. Espero que goste do resultado ^^ Sem mais enrolações... boa leitura ^^

Trilha Sonora

Quando Teppei Kiyoshi e Riko Aida conheceram-se foi simpatia à primeira vista, devido a interesses em comum: basquete, condicionamento físico. Da simpatia surgiu uma amizade intensa, porém conforme os meses passaram a surgir os primeiros sinais da paixão em ambos: corações acelerados, pupilas dilatadas quando viam um ao outro, pensamentos românticos constantes relacionado o outro. Pensavam, de início, que era uma atração boba, porém os sintomas tornavam-se cada vez mais e mais fortes.

Um ano passou-se, Kiyoshi e Riko eram, naquele momento, estudantes do colegial e os sintomas da paixão um pelo outro continuaram até a chegada dele: Junpei Hyuuga.

Novamente veio a simpatia, amizade forte suficiente para eles fundarem o clube de basquete da escola Seirin com seus novos colegas de time e entre cestas, pontos e duro treinamento, eles formavam um time de destaque. Contudo, era nítido que o “pilar de Seirin” era a técnica Riko, o pivô Kiyoshi, o ala-armador Hyuuga, mas era justamente esse “pilar” a parte mais frágil:

“Isso não está certo, eu não posso desejar amar um homem e uma mulher ao mesmo tempo, principalmente um cara como o Teppei e a Riko é só amiga! Que merda está acontecendo, Junpei?”

“Eu tenho que escolher um: ou é a Riko, ou é o Junpei. Não posso namorar os dois!”

“É certo eu querer namorar, casar, imaginar minha vida com o Teppei e o Junpei? Não, não dá, tenho que escolher só um... mas por que não consigo? Droga!”

Preferiram esconder os sentimentos que tinham um pelo outro, disfarçá-los em discussões e mais um ano passou-se.

Kiyoshi, Aida e Hyuuga continuaram suas atividades no basquete, entretanto aquele turbilhão de sentimentos veio a piorar de vez, ao pegarem uma inesperada amizade com ala-armador de um dos maiores rivais de Seirin, a escola Rakuzan, localizada em Quioto, Mibuchi Reo. Primeiro, o fascinar do trio pelas habilidades de basquete e inteligência de Reo, depois o admirar das outras qualidades de Mibuchi como o seu senso de humor refinado, em seguida o aprendizado com Reo sobre como tratar e conviver com pessoa não-binária igual a si. Não demorou muito para esse admirar virar atração física e, por fim, o mesmo disparar de coração, frio na barriga e pensamentos no rapaz que o trio tinha uns pelos outros, fazendo a cabeça deles ficar ainda mais confusa; fora o sentimento de culpa por não conseguirem “amar” nos “moldes corretos” que a sociedade prega:

“Reo é... não posso, não! É apenas a mesma confusão com a Riko e o Teppei. Não posso desejar namorar um homem, uma mulher e pessoas como Reo. Posso?”

“Apenas um, Teppei, mas não dá para escolher entre Riko, Hyuuga e Reo. Por que eu sinto que se escolher um, vou me sentir incompleto? Que saco, odeio me sentir assim!”

“Tenho que decidir por um, mas cada um me completa de uma maneira única, que não consigo me imaginar sem os três. Não, isso é coisa da sua cabeça. Tenho que realmente me decidir”.

Mal imaginava o trio que aqueles sentimentos conflitantes também eram compartilhados por Reo:

“Não, não, é apenas coisa boba! Você, Mibuchi, tem que ficar apenas com uma pessoa! Quem ama, ama apenas uma pessoa. É só uma confusão, porque você se apegou fácil a eles. Vai ser igual ao lance do Sei-chan, assim que você por a cabeça em ordem, vai passar, Mibuchi”.

Mais um ano passou. Era o último ano deles no colegial, a formatura era ocasião ideal, porém eles deixaram a oportunidade passar por medo, inseguranças... o coração cada vez mais angustiado, lembrado pela angustiante vontade de quererem um ao outro, enquanto tiravam a foto de formatura juntos.

Seguiriam caminhos diferentes, uns partiram para uma faculdade, outros assumiram os negócios dos pais e alguns até tiveram curtas estadias no exterior, entretanto os quatro precisavam resolver seus sentimentos uns pelos outros, lidar com aquilo tudo. Riko encontrou suas respostas no feminismo, através de várias leituras sobre os prós e contras de relacionamentos não-monogâmicos das mais diversas vertentes do movimento. Hyuuga encontrou através de um documentário na internet, Kiyoshi através de um filme e Reo através de amigas e amigos que passaram por aquilo e finalmente eles tinham um nome para os seus sentimentos: poliamor.

Optaram por, um dia, marcarem um encontro no novo apartamento de Aida, também para celebrar a conquista da assistente social e militante feminista e aproveitarem a ocasião para deixarem explícitos os seus reais sentimentos uns pelos outros.

O dia chegou, eles celebraram os velhos e novos momentos como se não houvesse amanhã e dentro do quarto de Riko, a hora chegou. Era agora ou nunca, seja lá o que for que o destino reservou para a amizade deles.

Riko começou:

— Gente... — respirou fundo e continuou — eu tenho algo muito importante a dizer. É em relação a como me sinto em relação a vocês desde que os conheci. Como eu vou começar... enfim, essa sociedade diz que uma mulher deve amar somente um homem, pois mulher que quer mais do que um homem é “uma puta”. Então... estou amando três pessoas. No começo, foi muito difícil de lidar, pois... se estar apaixonada, amar uma pessoa já é complicado, imagina três... mas aí, conforme eu cresci, o meu caso, descobri o feminismo, conheci mais pessoas, aprendi que eu não precisava amar como essa sociedade idiota diz que eu devo eu amar alguém. Para começar, eu não preciso amar homens, ou amar mulheres, ou amar os dois, seja cis ou trans, eu posso simplesmente amar... pessoas. É, eu amo pessoas e as três pessoas que eu amo... estão na minha frente. É isso, Hyuuga, Teppei e Reo, eu amo vocês três e não me peçam para escolher um, pois isso seria desonestidade com os meus sentimentos e a mim, como mulher livre para amar quem e quantas pessoas eu quiser. Então... como podemos resolver isso?

Reo levantou-se do chão onde sentava, aproximou-se de Aida e deu um selinho nela, depois foi até Hyuuga, deu um selinho nele, deu outro selinho em Teppei e falou, soltando lágrimas de felicidades pelo amor correspondido da mulher:

— Desse jeito, a gente se amando muito. Riko, Teppei e Junpei, eu amo vocês. Cada detalhe, cada tudo de vocês, de nós. Agora, Teppei e Hyuuga, falem seus reais sentimentos diante desta situação.

Kiyoshi apenas falou, com os olhos marejados:

— Obrigado por dar nome aos nossos sentimentos. Eu amo você, Riko, eu amo você, Junpei e eu amo você, Mibuchi. Amo a nós.

Hyuuga finalizou:

— Durante muito tempo, achei que meus sentimentos eram um “erro”, pois como você falou, Riko, a sociedade diz que um homem deve amar uma única mulher, porém... se meus sentimentos fossem um “erro”, o documentário “Polyamory” seria algo proibido e não era. Era apenas mostrando que amor não tem essa de gênero e ser somente uma pessoa. Amor também é plural, nunca uma roleta russa. Eu amo todos vocês, Riko, Teppei e Reo.

Enquanto eles deliciavam-se com os primeiros prazeres poliamorosos, a televisão tocava uma peculiar canção:

(...) Você se tornou o meu primeiro sonho profundo

Meu coração e esta noite fazem este jogo brilhar

Você não pode controlar

As b-b-batidas do meu coração estão aumentando

Estão ficando mais rápidas (...)”

(Russian Roulette – Red Velvet)

Desde aquela noite, eles encaravam o desafio que era ter uma relação poligâmica: preconceitos, pessoas fazendo propostas indiscretas, por acharem erroneamente que o relacionamento deles era igual as surubas de filmes pornôs, pressões familiares e entre outros desafios diários de um relacionamento aberto, mas estavam ocupados demais em simplesmente... amar muito.

Notas finais
Aviso para maiores explicações sobre a fanfic: Por eu ser uma mulher cis, eu não tenho, infelizmente por mais que eu pesquise, tenha Pessoas Não-Binárias do meu convívio, eu nunca saberei o que é ser desrespeitada pelo gênero com o qual me identifico, por isso tentei ao máximo retratar Reo como Pessoa NB e poliamores da maneira mais verossímil e neutra possível. Portanto, se houver Pessoas NB que lerem este escrito e identificarem algo errado ou muito problemático na minha fanfic, podem me avisar tranquilamente, porque a intenção dessa fanific é mostrar que poliamor também é amor. Até a próxima !
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!