Running With You

2 Just A Perfect Day


Notas iniciais
Oi!!! Boa leitura!!!

Abri a porta do quarto, enquanto ouvia os risinhos das criadas e seus comentários sobre Maxon. Aliás, logo que sai, a primeira pessoa que vi no corredor foi ele.

Ele estava sentado no banco com vista para a janela, com aparência cansada, enquanto olhava alguns papéis. O sol iluminava seu rosto, seus cabelos estavam um pouco bagunçados e ele estava completamente jogado.

Me agachei e, com os joelhos e mãos no chão, fui engatinhando até o lado em que sua cabeça estava apoiada. Coloquei as mãos em seus olhos e ri baixinho. Ele nem se assustou:

– Boa tentativa, minha querida.

– Nossa, você é muito desconfiado. — Fingi que estava chateada e apoiei minha cabeça em seu ombro.

– Com você, tenho que ficar preparado para tudo e mais um pouco.

Ele rapidamente percebeu que eu estava no chão e ajeitou-se no acento, para que eu pudesse me sentar também. Ah, esse era o Maxon.

– Espero que tenha me chamado por um bom motivo, caso de vida ou morte.

– Atrapalho algo importante?

– Sim. Meus sonhos.

– Seus sonhos são mais importantes do que eu?! — Ele fingiu decepção.

– Com certeza.

– Para serem tão importantes assim, pelo menos só podiam ser sonhos meus... — Ele sorria de lado, maliciosamente.

– Maxon Schreave não seja convencido, não combina com você.

– Por que seria tão ruim assim ter sonhado comigo?

– E por que seria tão bom assim?

Ele me lançou um olhar desafiador, mas continuou:

– Bom, desculpe-me ter interrompido seu tão-importante-não-sonho-comigo, mas tenho que lhe mostrar uma coisa. — Ele disse, se levantando.

– E o que seria?

– Apenas venha. — Ele me ofereceu o braço. Rolei os olhos, mas aceitei, como de costume.

Estávamos andando tranquilamente, até que ele começou a acelerar os passos. Eu apressei ainda mais um pouco, tentando passar sua frente. Ele voltou a acelerar mais, com seu sorriso desafiador, e eu mais uma vez tentei passá-lo desajeitadamente, com aquele salto. Quando dei por mim, já estávamos correndo como duas crianças na fila do doce, um empurrando o outro. Até que, ofegantes, chegamos, rindo da cara dos guardas, que olhavam com estranheza. Então ele abriu a porta e deixou que eu passasse primeiro, como sempre.

Eu não havia ido muitas vezes áquele lugar, apenas umas 2, e em uma delas eu havia descoberto a morte de meu pai. Um calafrio me percorreu, e acho que ele notou e hesitou se deveria ter me trazido lá ou não, mas firmou ainda mais nossos braços, de modo que me reconfortei.

Adentramos o quarto, em silêncio. O local estava do jeitinho que eu lembrava, as fotos, a mesa, as paredes...tudo.

– Então...o que o príncipe de Illéa, Vossa Majestade, precisa me mostrar?

Ele retirou um pequenino livro, bem velho e amarelado, coberto com cetim vermelho, de uma de suas gavetas, e o entregou a mim.

– Achei lá na biblioteca. É o diário de uma das garotas que participou de uma Seleção do século passado. Pensei em você e achei que gostaria de ler. — Ele respondeu, sorrindo.

Me impressionei. Para falar a verdade, fiquei bastante surpresa com aquele gesto. Eu havia prometido tentar recuperar sua confiança após o "incidente" com os diários de Gregory Illéa, em rede nacional, na noite do ataque rebelde. Parece que ele estava aos poucos voltando a confiar em mim, e aquele era um grande passo.

– Obrigada, Maxon. Sinceramente, por confiar em mim. De novo.

– Para que você recupere minha confiança por completo, você precisa de chances. Quem seria eu se não as desse?

– Obrigada. Mesmo. — Me levantei, pronta para sair e deixá-lo com sua montanha de papéis.

– Bem, não te trouxe aqui só para lhe entregar isso. Fui um pouco mais egoísta. — Ele riu.

– Maxon Schreave sendo egoísta??? O que foi que eu perdi?! — Eu disse, incrédula.

– Eu tenho MUITOS orçamentos para terminar, talvez se não fizer pausas eu consiga terminar no próximo século.

– E me chamou aqui pra ser sua secretária? Ficar arrastando uma calculadora para onde você for? Esquece, a soneca estava melhor.

– Não, não chamei uma secretária, e sim uma caixa ruiva de piadas ambulantes para me fazer companhia.

– Não sei se você merece minha tão sonhada presença.

– Para muitas, isso seria uma honra.

– Eu não sou uma das muitas, eu sou a única e exclusiva exceção.

– Ok, única e exclusiva exceção, você fica?

– Tá. Eu fico. Mas você me deve um favor. E dos grandes! — Eu disse, brincalhona.

– Com certeza. — Ele sentou-se na cadeira da escrivaninha e fez um sinal apontado para o resto do quarto- Sinta-se em casa.

Tentado provocá-lo e irritá-lo, me joguei toda desajeitada em sua cama e até baguncei os cobertores um pouco. Ele me olhou sem nenhum sinal de irritação.

– Tem certeza? Eu fazia coisas bem piores em casa... — Provoquei.

– À vontade... Eu nunca tenho tempo pra dormir mesmo...

– Nossa, você deve ter se divertido tanto quando era criança. Até consigo te imaginar pulando pelas enormes camas e correndo pelo palácio como um louco.

Ele me olhou um pouco irônico.

– Eu nunca tive tempo pra isso.

– O QUE?! Quer dizer você nunca... — Eu apontei para a cama.

– Não. Nunca.

– Você não sabe viver. Não teve infância. Nasceu um príncipe chato. Não sabe se divertir.

Ele olhou um pouco para o teto, pensativo, e então cravou os olhos em mim, com aquele olhar malicioso. Então começou a tirar o terno e os sapatos.

– Vamos ver quem é chato e não sabe se divertir, minha querida.

Gelei mais que um iceberg.

Notas finais
ATÉ O PRÓXIMO rsrsrsrs