Rune's Quest
4 Submarino Amarelo
Notas iniciais
O calor era castigante e nem a aura congelante que emanava de Ernest em "temperaturas emergenciais" estava dando conta de esfriá-lo. Alli numa poça de suor que quase alcançava seus joelhos. Era, de longe, o treinamento mais difícil de todos os poucos experimentados.
-Alli, tem que aguentar as pedras por mais vinte segundos. — Rune disse e se dirigiu a Ernest — Você tem que transformar aquela fogueira num pedaço de gelo. Anda!
-Toda a minha magia tá se esvaindo por causa do calor! Não é justo comigo! — Ernest reclamou.
-O que te faz pensar que é justo comigo? Acha que essas pedras são de isopor? — Alli gritou e, para provar que as pedras não eram de isopor, atirou uma na cabeça de Ernest — Porque que eu tenho que levar pedradas? Ai, minha testa!
-Se você encontrar um Aspirador Astral, como acha que vai derrotá-lo se tiver um corpo bobo de garotinha? — Rune disse e amplificou a 'Tempestade de Granito' — Seu corpo também é um escudo, Alli. E ele precisa se fortalecer sozinho.
-Essa bosta de chuva de pedra não acaba nunca? — Alli perguntou — Se "ele precisa se fortalecer sozinho", para de jogar essas pedras em mim!
-E me deixa descansar! Vou perder toda a minha magia num dia só! — Ernest completou.
-Vou comprar uns churros para fazermos um intervalo, volto num instante. — Rune ativou um portal dimensional, e partiu para um lugar distante.
-Que tal irmos à praia? -Ernest disse — Vai ser divertido, você cuida dos hematomas com um curandeiro, e eu descanso na água do Oceano Talude.
-Gostei da ideia. -Alli disse animada — Mas ele não vai comprar churros pra sempre. Uma hora ele vai passar por ali — Ela apontou para o portal que Rune deixara aberto — e vai ver que a gente fugiu.
Ernest fez uma fraca estaca de gelo e destruiu um dispositivo que gerava energia mágica para o portal. Após a explosão, eles foram à praia e não viram nada, devido ao número imenso de pessoas com guarda-sóis.
-Bando de pobres, nem deixam um lugar pra nós. — Alli disse enquanto tentava abrir caminho.
-Alli, sabe o que tem no mar? — Ela negou e indagou — Mãos Oceânicas — Ernest disse numa voz sinistra — São partes de monstros que foram violadas e tomadas pelas águas do Talude. São muito perigosas e atacam banhistas desavisados.
-Azar o seu. — Alli falou — Você que vai pro mar. — E deu-lhe um empurrão.
-Eu tô brincando, essas coisas não existem. -Ernest disse tirando a camiseta farrapa — E se existirem, qual o problema? — Ele entrou na água e encostou numa pedra — Somos magos, lembra? Rune nos treina há três semanas, já sabemos muita coisa. Podemos salvar a praia.
-Acho que sim. — Alli disse.
No mesmo instante em que Ernest fechou os olhos, uma mão oceânica surgiu o atirou para fora do mar. Obviamente, as pessoas começaram a gritar e se estapear para fugir dali.
-EI, FAROFEIROS! ISSO AQUI NÃO É CASOS DE FAMÍLIA! — A voz "suave" de Alli chamou a atenção do povo — Eu e meu irmão somos magos, e vamos salvar todos vocês!
-Que irmão? — Um banhista perguntou, e ele tinha razão em perguntar, Ernest não estava a vista.
-Ernest! — A visão nada mais era do que uma mão oceânica levando Ernest para baixo d'água — Larga o meu irmão, mão feiosa!
-Eu acredito! Eu acredito! — Ernest gritava para se desculpar com a água, mas a mão não o soltaria tão cedo — Alli, me salva!
-Deixa comigo, maninho! — Alli subiu em um Jetski e foi em direção à mão.
-Alli, não! Elas ficam furiosas com agitação nas águas! -Rune gritou, segundos antes de ver a mão arrastando Alli junto com Ernest para as profundezas — Ah... Maldição!
Rune tentou chamar a mão novamente, mas nada a trazia de volta, ele estava perdendo tempo. Ele achou um homem com um submarino, prestes a embarcar, e foi até ele.
-Licença, mas preciso do seu barco! — Rune disse desesperadamente.
-É um submarino amarelo, meu caro. — O homem disse a Rune — Não se preocupe com os direitos autorais, eles não se importam. Me chamo Liceu, pra quê precisa do meu Atlanto?
-Duas crianças foram levadas por uma mão oceânica, e elas não sabem nada, vamos agora!
-Se é isso, entre, vamos ser bem rápidos.
Liceu pilotava atenta e cautelosamente, raramente fazia perguntas sobre Rune, que ele respondia de uma forma rápida e apática, não muito diferente do casual.
-São suas crianças ali? — Liceu apontou para um par de corpos flutuando num ponto obscuro.
-Sim. Vamos salvá-los. — O submarino se dirigiu até Ernest e Alli, Rune os puxou para dentro e os acordou com uns tabefes dignos de um sanguinário — Vocês enlouqueceram?
-Não, você estava enlouquecendo a gente. A gente precisava de uma pausa. — Ernest disse enquanto respirava o Oxigênio presente na cabine seconda.
-E com pausa, vocês vão à praia e exortam uma mão oceânica? Querem se matar?
-Foi um acidente, Rune. — Alli disse — Se fosse de propósito, a gente tinha te avisado.
A discussão foi interrompida por fortíssimas pancadas nas paredes, vindas de fora. Rune foi até a cabine prima falar com Liceu.
-Rune, esta é a última vez que nos falamos. — Os olhos de Rune estavam arregalados — Precisa salvar essas crianças. E também se salvar. Vou ejetar a cabine seconda, boa sorte, companheiro.
Assim foi feito, enquanto eram violentamente afastados do clímax, Rune, Ernest e Alli viam a cabine prima ser destruída por mãos oceânicas.
-Quem era aquele cara? -Alli perguntou ao chegarem na superfície.
-Um Ultra-Pégaso-Robô-Ninja-Dourado-Cospe-Fogo-Imortal...
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