Rune's Quest
14 Runas e Domos
Notas iniciais
Ernest andava pela casa enquanto esperava dar meio-dia para poderem sair daquele vilarejo infernal. Alli tirava uma soneca em cima de suas malas. Rune assoprava e reconstruía castelos de cartas.
–Porque o tempo não passa? — Ernest reclamou.
Rune nada disse. Ernest tentou se concentrar no sol para ele ir mais rápido para o meio do céu, mas seus olhos começaram a arder.
–Esqueci que o Sol é uma bola de fogo — ele disse esfregando os olhos.
Alli acordou de sua soneca e viu Ernest sentado numa cadeira remendada por ela.
–Vamos esperar lá fora. — Rune anunciou — Isso está insuportável.
Chegando no portão de desembarque do vilarejo um homem de terno os libera. Até que...
–Ai! — Alli diz após bater a cabeça no nada.
–Ei, o que é isso? — Ernest disse tateando um pouco onde Alli bateu a cabeça.
Rune disse ao homem de terno que voltariam mais tarde. Levou Ernest e Alli para um beco escuro onde lhes contou o que estava acontecendo.
Um feitiço conhecido como Domo Místico havia sido lançado sobre o vilarejo e nada poderia passar por ele, fosse de dentro para fora ou de fora para dentro. Era uma fonte de magia maior do que Ernest e Alli estavam acostumados a lidar.
–Você pode desfazer esse domo, certo? — Alli perguntou.
–Poderia. — Rune disse — Infelizmente, crianças, reparei que este Domo Místico está emanando uma aura mágica cinco vezes maior que um Domo Místico comum. — Rune mostrou uma pedra com um cristal cinza dentro — Isto é uma Runa.
–É linda — Alli comentou querendo tocar.
–Não. — Rune bateu em sua mão e afastou a runa — Esta Runa é uma Runa Eternificadora. Ela faz com que os feitiços durem para sempre e não possam ser interrompidos por nada nem ninguém. Até que a Runa seja retirada do contato. — Rune guardou a runa na capa — A Runa deste domo é uma Runa Amplificadora. Ela fortalece e endurece os feitiços. Runas podem ser queimadas se estiverem muito quentes, mas isso se trata de temperaturas muito, muito elevadas. Talvez a do Sol a faça derreter.
–Então não há o que fazer? — Ernest indagou — Estamos presos aqui para sempre?
–Claro que não, Ernest. — Alli disse hesitante — Rune sabe o que fazer, não é?
–Sei sim. Não posso desfazer esse domo sem esgotar de magia. Eu morreria antes de abrir um buraco nele. — Rune contou. Após suspirar ele continuou — Mas se encontrarmos a Runa e a retirarmos o domo será um Domo Místico normal e o desfazê-lo será muito fácil.
–Acho que sabemos o que fazer. — Ernest disse — Hora da caçada!
Ernest e Alli foram por dois caminhos diferentes. Rune decidiu procurar de onde tinha sido enviado aquele domo.
Ernest criou um machado de gelo para quebrar o piso frágil de madeira da maioria das construções do vilarejo. A padaria estava vazia, o que era muito estranho, mas Ernest não hesitou em destruir o piso e as paredes procurando a Runa, mas não achou nada. Pegou um pão doce que dava sopa e brotou, do nada, o padeiro da cozinha que começou a gritar com Ernest.
Do outro lado do vilarejo Alli usava um escudo para derrubar construções desnecessárias como monumentos em árvores e esculturas de pedra. Enquanto derrubava as coisas encontrou algo brilhando no chão.
–Ah! — pegou e examinou mas constatou seu fracasso — Só um colar de ouro. Não tem nada que preste por aqui.
Algumas horas de busca incansável e inútil depois, Alli e Ernest se encontraram novamente no centro com Rune os aguardando. Ernest e Alli contaram sobre não terem achado a Runa em lugar nenhum.
–Eu encontrei. — Rune contou — Esta bem ali.
Ao dizer isto, Rune olhou para cima e os três encararam um ponto roxo no céu. Brilhava tanto que o Sol não o escondia. Ernest esfregou os olhos novamente.
Bola de Fogo.
Quando ele aprenderia?
–Sei o que fazer. O Sol vai derreter essa Runa, mas isso pode demorar dias. — Alli bufou decepcionada, mas Rune continuou — Temos mais duas horas antes que o Sol se ponha. Se queremos sair daqui hoje, temos que esquentar essa Runa logo.
–Ela ficou ali o dia inteiro, não derreteu nada? — Ernest quis saber — Como pode?
–A "crosta" da Runa, a parte feita de pedra — Rune pegou a sua Runa Eternificadora para ilustrar — é muito resistente, como uma pedra de verdade. O Sol tem que derreter esta parte para chegar a gema com a magia. Além do mais, a ausência de calor à noite pode resfriar a Runa e ficaríamos nisso para sempre.
–Tenho que aumentar a temperatura da própria Runa. Mas como chego lá em cima? — Ernest perguntou — E como faço para não morrer?
–Sua irmã vai ir com você. — Rune disse e continuou a contar o plano — Vocês dois vão até lá com uma esteira de gelo que você — ele apontou para Ernest — vai criar. Quando estiverem se aproximando e as coisas começarem a derreter, Alli vai fazer um campo de força em volta de vocês dois e vão se manter lá em cima o máximo possível enquanto Ernest esquenta a Runa. Desfazer o campo é suicídio, então Ernest, você vai esquentar o campo de força que vai esquentar a Runa, quando ela começar a derreter, Alli, desfaça o campo imediatamente pode ser fatal ficar lá.
–E a queda? — Alli quis saber.
–Eu dou um jeito nisso. Sigam o plano.
Seguiram o plano sem discussão. Quanto mais perto chegavam, mas difícil para Ernest manter a esteira de gelo que se formava atrás de seus pés. Alli estava pronta para criar um campo de força. Ernest não poderia mais congelar nada, deu a deixa e Alli materializou a proteção, que foi esquentada velozmente por Ernest para derreter a Runa. Alli viu apenas o ponto roxo e desfez o campo de força.
Os dois caíram.
No vazio.
Onde o Som os traiu.
Quando sabiam que iriam morrer, Ernest e Alli sentiram cabeças os segurarem e se viram salvos em cima de uma multidão que partia para fora da cidade. Rune surgiu dentre os corpos e os parabenizou.
–Todos estão orgulhosos. Acho que o futuro de vocês seria brilhante por aqui.
–Por que "seria"? — Alli indagou
–Porque vocês destruíram tudo procurando a Runa.
Ernest e Alli se entreolharam mas estavam felizes por saírem do vilarejo. E sairiam estando ele destruído ou não.
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