Rune's Quest
12 Devoradora de Ganha Pão
Notas iniciais
–Vamos ficar por aqui. — Rune disse enquanto Ernest e Alli traziam as trouxas e malas — Essa vila parece ser bem receptiva, não acham?
–O burro fez cocô no meu sapato. — Ernest falou jogando uma das malas no chão ladrilhado.
–E uma moça gritou comigo porque eu sem querer destruí a barraca dela. — Alli contou — Eu sem querer bati a mochila numa estaca que tava segurando aquela venda e caiu tudo em cima daquela mulher. — Ela jogou suas coisas no chão, junto as de Ernest — Eu tenho culpa?
–Isso não importa. — Rune disse, e foi em direção a uma hotelaria — Vamos ficar aqui por tempo indeterminado. — A atendente estendeu a mão, querendo a diária — Desculpe, querida, sem dinheiro por enquanto. Fica pra depois.
–Sem dinheiro, sem estadia. — A moça disse — Regras da casa, senhor. Preciso que pague antes.
–Não posso pagar se não tenho dinheiro, o que há com você? Bateu a cabeça quando era pequena? — Rune falou zombando da mulher — Parece que é surda.
–Bom, vocês ficam. — Ela respondeu — Depois disto! — Uma luz foi em direção a Rune, mas ele foi um pouco para o lado e a coisa acertou Alli — Vamos entrando...
A trupe entrou e ficou com um bom quarto, o piso de madeira envernizado era muito atraente, as janelas límpidas e as camas bem arrumadas. O quarto era divino. À noite, Ernest acordou com uns barulhos, mas depois, se virou e voltou a dormir. No dia seguinte, Alli estava com a barriga doendo e não sabia o porque, por via das dúvidas, Rune decidiu levá-la a um médico.
–E quando eu cheguei hoje mais cedo, toda a comida tinha sumido! — Rune ouviu um vendedor falando.
–Que estranho... — Ernest disse — As vendas estavam cheias ontem, e amanhecem sem nada? Como pode?
–É ela! — Um comerciante gritou e apontou para Alli — Eu ouvi à noite e vi um vulto idêntico a esta menina!
–Calma aí! — Rune tentava falar mais alto que a multidão, mas Alli era o centro das atenções — Esperem! — Ele conseguiu, com ajuda de um certo Errante Congelado, chegar até Alli.
–Minha irmã não comeu a comida de vocês! — Ernest berrou — Ela estava no quarto, dormindo!
–Como pode ter certeza?! — Um cidadão perguntou — Quem garante que essa esfomeada não colocou um boneco e foi nos roubar?
–Roubar? — Ernest não conseguia acreditar, e a multidão só gritava cada vez mais alto — Ela não comeu nada!
–Ernie... — Alli gemeu — Minha barriga tá doendo muito... — Ela disse e vomitou no meio da multidão — Desculpa, gente... Acho que eu comi mesmo...
–Alli... — Rune disse.
A guarda foi chamada, mas Rune e Ernest conseguiram convencê-los a prender Alli à sua cama, para que não saísse de novo. A guarda ficaria do lado de fora da hotelaria, e Ernest e Rune trocariam turnos para observar Alli enquanto ela dormia.
No meio da noite, num dos turnos de Ernest, Alli começou a gritar e as correntes derreteram, ela correu para fora do quarto com Ernest horrorizado atrás dela.
Alli estava do lado de fora, usando seu pijama de ursinhos gritando "comida" sem parar. Ernest chegou e viu que a guarda não estava por perto. Ele tentou pegar sua irmã mas ela já tinha ido até uma barraca e começado a devorar um rocambole.
–Alli, para! — Ernest disse e foi até a banca — O que aconteceu com você?
–Eu estou com fome, Ernie, nada demais. — Alli disse com um sorriso, e voltou a comer o rocambole.
–Mas como... — Ernest tentou lembrar da última vez em que Alli estava normal, e apenas uma coisa veio em sua mente — A recepcionista! Foi aquela luz estranha que te deixou assim! Temos que achá-la!
–Não precisam, estou aqui. -Uma voz disse, Ernest se virou e Alli estava com o rocambole na boca, mas também se virou para ver que a atendente estava com uma seringa com um líquido rosa — Posso salvar sua irmãzinha.
–Então salve, oras! — Ernest gritou irritado.
–Diga pro seu elfo flutuante pagar a diária. — A recepcionista disse e aplicou a injeção em Alli — Pronto.
–Sua vaca! — Alli gritou para a atendente — Podia ao menos ter avisado!
Depois que tudo foi resolvido, Alli e Ernest voltaram para o quarto e encontraram Rune dormindo. Ela achou melhor não acordá-lo, mas Ernest queria que ele soubesse que estava tudo bem, então ele virou a cama.
–Vejo que as coisas voltaram ao normal. — Rune disse, sem sair do lugar- Não precisa me contar nada, eu vi tudo pela janela.
–E você não foi nos ajudar? Por quê? — Alli perguntou — Eu podia ter matado alguém!
–Mas você não matou. E isso foi lindo. Vou voltar a dormir, façam o que quiserem. — Rune disse e dormiu no chão mesmo.
–Ah, e a recepcionista quer que você deixe de ser mão-de-vaca e pague a diária. — Ernest falou e foi para a cama — Boa noite.
–Boa noite, Ernie... — Alli disse e deitou na sua cama — Obrigada pela ajuda. — Sorriu, e capotou de sono.
–De nada...
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