Runaways
3 Testes
Notas iniciais
Nico acordou sentindo dor. Sua cabeça latejava sem parar. Ele arriscou abrir os olhos, sentindo-os arderem com a excessiva claridade do local onde estava. Tentou se levantar e sentiu tontura, mas fez um esforço para, ao menos, olhar em volta, obviamente não reconhecendo o lugar em que se encontrava.
Era um quarto, inteiramente branco e inteiramente iluminado. Não havia um único móvel ali, o que significava que Nico estava dormindo no chão frio. Do outro lado do quarto, havia uma porta, também branca, com uma pequena janela no topo da mesma. Olhou ao redor novamente e viu, no canto superior da parede, uma pequena câmera. Estremeceu ao lembrar-se do que havia ocorrido a caminhou até a porta, vendo apenas um corredor um tanto escuro se estendendo à sua frente até terminar em outra porta, grande e aparentemente de ferro ou algo mais resistente. Não havia mais nenhuma porta onde Nico se encontrava. Ele olhou ao redor novamente e viu uma minúscula saída de ventilação, afinal: precisava respirar de alguma maneira.
Suspirou baixo ao ver o tamanho da abertura. Aquele com certeza não seria um clichê onde Nico escaparia pela ventilação. Notou também que sua espada não estava ali. E estava com roupas diferentes: uma camisa e uma calça. Ambas brancas e aparentemente de algodão. Ainda usava seu colar de contas do Acampamento, o que lhe trouxe certo sentimento de angústia, já que preferia mil vezes estar ouvindo Will chiar com ele pela falta de banhos de sol do que estar num lugar que não reconhecia. Ainda sentia tontura, assim como um incômodo no pescoço, o que lhe fez concluir que a tontura era efeito de alguma substância injetada nele.
Ainda estava no mais completo silêncio (e na mais completa confusão) quando ouviu passos e a porta à sua frente se abriu. Quatro homens armados se encontravam do lado de fora, aparentemente protegendo o rapaz que carregava consigo uma bandeja.
— Que bom que acordou... – O rapaz dissera. Depois depositou a bandeja no chão à sua frente, deslizando-a até Nico, que estava parado do outro lado da sala, claramente confuso. – Derrubou dois soldados ontem, rapaz... Ou você é louco ou é suicida. – Ele percebeu que Nico não o responderia e apenas se levantou. – É uma pena que tenha sido para nada... – Ele viu que Nico ainda tinha dificuldade para se manter de pé e sorriu minimamente. – Não se preocupe com a tontura... É efeito passageiro do soro que injetamos para inibir seus poderes. – Ele virou-se para sair de lá, fitando Nico uma última vez. – Sua namorada veio conosco, para a sua informação...
Nico arregalou os olhos, mas não teve tempo de proferir uma única palavra, já que o rapaz já havia saído pela porta, que foi fechada e trancada com o que, pelo som, lhe pareceu uma senha. Ele caminhou até a porta e viu os cinco homens caminharem pelo corredor até a pesada porta no final do mesmo. Aberta, a porta dava para um outro corredor, porém mais iluminado (e menos assustador).
O Di Angelo suspirou alto, estremecendo levemente. Thalia não conseguira escapar. Ele engoliu em seco ao imaginar onde ela estava e o que estariam fazendo com ela. Depois caminhou até a bandeja, vendo que na mesma havia um copo de suco e o que lhe parecia carne e purê de batatas. Cogitou a ideia de não comer a comida, assim como a ideia de que poderia estar envenenada ou com alguma droga.
No entanto, se quisesse dar um jeito de sair dali, Nico precisaria estar alimentado o suficiente. Então, sentando-se no chão frio, inclinou-se sobre a bandeja e começou a comer.
Um pouco longe dali, mas ainda no mesmo edifício, Thalia soluçava compulsivamente conforme retiravam a grossa agulha e muito sangue do seu braço. Ela estava acordada quando a arrastaram para a maldita mesa em que estava presa, seminua e sendo tratada sem a menor delicadeza, como se não passasse de um mísero objeto de estudo.
Ela soluçou, tentando sair de lá, quando um dos médicos dentro da sala escura, iluminada apenas por fracas lâmpadas e monitores, caminhou em sua direção com uma seringa e um frasco, do qual puxou um pouco do conteúdo usando a seringa.
— Vamos agora estudar o comportamento do sistema imunitário – Disse, se dirigindo aos outros médicos ali. – Teste um. Varíola.
A caçadora soluçou novamente, sentindo a dor da agulha penetrando sua pele. Depois fechou os olhos com força. Poderia ter corrido. Sabia disso, mas também sabia que, se não tivesse corrido, Nico e Leo estariam mortos. Daniel aparecera na sala antes de começarem a tirar seu sangue. Ele lhe dissera que viria uma vez por dia para acompanhar os testes e para dizer que Nico e Leo estavam vivos. Como ele sabia que ela queria saber sobre isso, Thalia não fazia ideia, mas se sentia agradecida pelos dois estarem, ao menos, vivos. Ela fechou os olhos com força, sentindo os primeiros efeitos do vírus, que não duraram mais que uma hora, graças à incrível vantagem de ser uma caçadora de Ártemis.
Thalia sabia que podia, a qualquer momento, abandonar a caçada. Era só rezar a Ártemis e pedir para que retirasse seu voto. Mas ela temia que pudessem fazer algo a Leo ou a Nico caso o fizesse. E talvez Daniel também soubesse disso. Talvez fosse essa a razão pela qual ele viria todos os dias informar se Leo e Nico estavam vivos.
— É incrível... – Ouviu a voz de uma mulher, que via algo num monitor. Por estar completamente imobilizada, Thalia também mal podia se mexer. O número de fios conectados a ela incomodava e lhe causava dor. Então, mesmo que pudesse se mexer, ela não o faria. Já sentia dor o suficiente. – Os macrófagos agiram instantaneamente. Mal precisaram reconhecer o antígeno.
— Nunca vi linfócitos trabalharem tão rápido... – Outro homem dissera. – Estamos diante do futuro da humanidade... Se tivermos como criar vacinas e remédios a partir dela, nunca mais teremos problemas com doenças. – Ele ficou em silêncio por um longo momento. – Vamos fazer um exame na medula óssea e ver o que conseguimos.
Thalia soluçou novamente, fechando os olhos com força. Se, pelo menos, Nico estava vivo, havia uma razão para que ela resistisse ao máximo. Ela não sabia como, mas sentia que o Di Angelo poderia tirá-los de lá.
Um pouco mais a frente, Leo estava totalmente perdido em seus pensamentos ao acordar em uma sala totalmente escura. Por mais que fosse normal que ele dormisse no escuro e até gostasse um pouco dele, aquilo estava começando a fazer o garoto pirar. Era como se sua visão estivesse oculta por algo negro, dando-lhe agonia por completo e sufocando-o.
Sua mente trabalhava rápido e ele pensou em criar uma pequena faísca de fogo para saber onde estava, mas algo estava pinicando em seu pescoço, dando a certeza para o latino que ele não conseguiria fazer algo por um bom tempo, já que os homens que os levaram seriam precavidos e inteligentes o suficiente para colocar um soro que anulasse os poderes do menino.
No teto, havia uma câmera noturna, que captava o calor do corpo do latino, provavelmente para que pudessem estudar sobre seu corpo e as temperaturas que ele poderia alcançar.
Leo escutou um barulho de metal se abrindo, fazendo-o se encolher levemente com a claridade que entrou pela porta, o cegando por ter se acostumado com o escuro.
— Já acordou? Eu supus que ficaria mais tempo desacordado. – O cara dissera, deslizando uma bandeja para perto do latino, que conseguiu enxergar com a pouca claridade que a porta lhe permitia, que era comida. – Deixe isso para depois, vou levar você para fazermos uns testes primeiro.
Leo arregalou os olhos. Que tipo de criatura avisava que iria fazer uns testes em você?
Antes que pudesse reagir, sentiu a grossa agulha perfurar sua pele levemente bronzeada, lhe inserindo um líquido que o fez ver o mundo girar por milésimos de segundos, antes que sua visão fosse completamente oculta e sua consciência deixasse seu corpo.
Não muito tempo depois, ele voltou a acordar, só que sentiu um arder em seu lado direito do rosto.
— Aleluia você acordou! – Daniel resmungou. – Estava cansando de lhe estapear, isso pode ser um pouco chato quando a pessoa está desacordada, sabia?
Leo piscou os olhos repetidamente, acostumando o olhar com a claridade da pequena sala onde se encontrava. Havia algo pesado em sua cabeça. Fios ligados em sua testa e peito (que estava nu). Ele apenas usava uma calça de moletom preta, fazendo-o arquear a sobrancelha, meio confuso.
— Eu ordeno que comece a construir as coisas...- Daniel se pronunciou vendo a confusão estampada em seu rosto. – Mas se construir algo que seja para usar contra nós... Uma arma, qualquer coisa. Saiba que seu amigo morre.
O latino queria socar a cara do homem a sua frente, mas se limitou a se endireitar na cadeira pouco confortável que se encontrava e começar a analisar as peças que tinha, pronto para mexer naquelas belezinhas.
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